50 Tons De Sombras
5 Hospitais parte I
Notas iniciais
Anastásia.
Minha cabeça ainda dói. Realmente tive sorte. Acaricio a minha barriga pela centésima vez. Desculpa filho, mamãe jamais quis machucar você. Só que a titia Mia me assustou. Eu não quero o seu pai aqui, ele vai tirar você de mim. Eu preciso te proteger. Meu telefone vibra. Uma mensagem. De Christian.
De: Christian Grey
Assunto: Sonho
14 de junho de 2011
Para: Anastásia Grey
Ana.
Sei que este é o milésimo e-mail que lhe mando e não obtenho resposta. Estou desesperado. Tive um sonho horrível. Por favor, pelo menos uma vez, responda-me. Estou morrendo aos poucos.
PS: Melhoras.
Christian Grey
CEO, Grey Enterprise Holdings.
Meu coração se aperta. Outra mensagem, ele não desistiu. Mas não posso responder, ele vai me localizar. Não foi um problema ele saber que sou dona da minha própria empresa, mas saber onde estou eu jamais permitiria.
Levanto a cabeça, tentando me levantar, mas mãos me impedem.
-Sra. Preciso que fiquei deitada – A enfermeira me adverte.
-Por que não posso ir para casa? – Resmungo novamente.
-Queremos ter certeza que o bebê esta bem, Senhora – ela sorri docemente, mas eu não retribuo o sorriso. – Preciso ir, estamos com uma emergência. Voltarei assim que possível. – assim dizendo, sai.
Theodore chuta forte minha barriga. Ah, sempre impaciente, como o pai. Apago esse pensamento, meu filho não será como Christian, será diferente. Preciso ir ao banheiro, mas estou praticamente amarrada à cama, tento me levantar, mas congelo ao ouvir o barulho do helicóptero do hospital. Oh alguém realmente não esta bem. Minutos depois a gritaria começa. Médicos dando ordens, enfermeiros esbarrando uns nos outros, os visitantes dos pacientes nos corredores apavorados. Sem pressa, levanto e vou ate o banheiro. Ah, como é boa a sensação. Ted se meche feliz também. Volto para cama, tentando ocultar minha rápida fugidinha, mas o tumulto nos corredores é barulhento de mais. Caminho em direção a porta, pronta para pedir silencio a quem for que estiver causando essa barulheira, quando me dou de cara com Christian. Meu coração para. Ele esta deitado num maca, entrando no quarto ao lado do meu, está pálido e sem vida, seus olhos saem e voltam em foco rapidamente. Desespero-me. O que aconteceu? Não tenho tempo de perguntar, eles estão levando-o para o quarto, ele não esta bem. Seu olhar congela em mim, e ele tenta se levantar.
-Christian! – grito desesperada.
Uma única lagrima cai do seu olho direito. A enfermeira volta e me arrasta para o quarto. Estou atordoada.
-O que aconteceu? – pergunto com a voz embargada.
-O Sr. Grey tentou se matar – ela responde com a voz calma.
-O que? – grito em espanto.
-Não sabemos ainda o porquê Senhora, tudo que sabemos é que foi feito uma lavagem estomacal nele e esta tudo bem. Agora deite.
Sem conseguir encontrar a razão, obedeço. Mas eu preciso vê-lo, preciso abraça-lo, não posso dormir sabendo que ele esta tentando tirar sua própria vida. Finjo estar com sono e espero a enfermeira sair, não demora muito, mas para mim parecem anos. Saio sem fazer barulho, meu coração está mais que acelerado, preciso saber que ele esta bem, que não fui a responsável pela sua morte. Ele esta deitado, o rosto pálido, quase sem vida, está com tubos de oxigênio no nariz, mas continua tão lindo como sempre. O cabelo desarrumado, a boca traçada numa linha rígida, parecia inquieto. Sento-me ao seu lado, alisando seu cabelo, inalando seu cheiro, me sinto em casa.
A enfermeira chega um pouco depois.
-Senhora – ela fala em tom de desaprovação – O horário de visita acabou.
-Sou esposa – informo, me sentindo… feliz.
-Sim, mas…
-Mas nada – eu a interrompo – Eu vou ficar e ponto final.
-Tudo bem – ela suspira derrotada – Mas, preciso examina-lo.
Concordo com a cabeça e ela avança. Christian resmunga assim que ela abre sua camisa.
-Não! – repreendo-a – Ele não gosta de ser tocado.
-Mas Senhora…
-Mas nada, toque nele de novo e será demitida – meu tom é rude.
-Sim Senhora – ela resmunga mais alguma coisa, mas me coloco ao lado de Christian segurando sua mão.
Ela termina de examina-lo e sai sem dizer nada. Fico ali, desfrutando o momento. Christian resmunga e tenta se virar varias vezes, mas é impedido pelos aparelhos. Theodore também esta inquieto. Fico um longo tempo com Christian, e nenhuma enfermeira aparece. Provavelmente um novo caso de emergência apareceu, e eles abandonaram Christian. Graças a Deus, ele esta respondendo bem ao tratamento. Estou prestes a decidir se passo a noite ou não com ele quando ele fica mais inquieto, seu corpo começa a se convulsionar e eu fico desesperada. Aperto imediatamente o botão de emergência e corro para os corredores.
-Socorro! – grito o mais alto que posso – Socorro.
Segundos depois, um grupo de enfermeiros e médicos aparece.
-Christian Grey! – grito enquanto aponto para o quarto.
O grupo de enfermeiros e médicos entra correndo ao quarto de Christian, e eu acompanho tudo do lado de fora. Theodore fica se remexendo sem me dar sossego, aumentando ainda mais a minha ansiedade. Algum tempo depois, os médicos estabilizam o quadro de Christian e saíram.
-Dr. – chamo o primeiro medico que sai – Posso ver meu marido?
-Sra. Grey – ele me cumprimenta – Melhor não. O Sr. Grey está num quadro delicado. Devo agradecê-la. Se ele estivesse sozinho, jamais teria sobrevivido. Obrigado Sra. Grey.
Sem seguir ordens medicas, voltei assim que o grupo de médicos saiu. Meu Christian estava num sono profundo, assim como Theodore em minha barriga. Senti na cadeira ao seu lado, eu iria vigiar meus dois homenzinhos enquanto eles sonhavam. A madrugada foi lenta, em todo esse tempo, somente duas vezes uma enfermeira veio ver como Christian estava, e nenhuma vez ela aprovou minha presença, mas me neguei a abandona-lo. Quando o relógio marcou sete horas da manha, eu estava mais que exausta, mas o que realmente me acordou foram os gritos de Grace na entrada no hospital. Gentilmente, larguei a mão de Christian e depositei um leve beijo em seus lábios. Não queria dar motivos para Grace gritar ainda mais, acusando-me de estar interessada no dinheiro dos Grey. Voltei ao meu quarto, exausta, mas feliz, meu cinquenta tons estava seguro. Assim que minha cabeça tocou o travesseiro, Theodore acordou, com muita fome. Obriguei-me a reunir forças para chamar a enfermeira, que veio trazendo comida. Devorei tudo e logo em seguida, cai num sono profundo.
Christian me abraçava. Era uma tarde de verão, o sol estava excessivamente quente. Ted brincava na grama a nossa frente. Então tudo mudou. O inverno veio. O frio, o escuro, eles tomaram Christian de mim, meu marido, meu cinquenta tons.
Acordo sobressaltada. Samanntha, Jeff e Sam estão a minha frente, olhando-me com reprovação. Sorrio timidamente, sabendo que minhas olheiras me entregam.
-Acidente de carro – Sam começa.
-Má alimentação. – Samanntha desaprova.
-E nada mais, nada menos que passar a noite inteira acordada cuidando do Grey – Jeff termina.
-Oi pessoal – sorrio docemente – Que bom ver vocês!
-Ana! – Sam franze o cenho – Quer nos matar do coração?! Soubemos hoje de manha do seu acidente. Tem algo a dizer, mocinha?
-Fatalidade – lanço meu olhar inocente. Funciona. Todos suavizam o olhar.
-Como esta o pequeno Ted? – Samanntha interrompe.
-Bem. Com fome. – todos caem na gargalhada.
-Você terá alta hoje á noite – Jeff informa, vindo sentar ao meu lado – Só não foi liberada porque foi encontrada sozinha e gravida. Mas esta tudo bem.
-Eu sei – murmuro enquanto me espreguiço – Ted não me deixou esquecer sua existência. A primeira coisa que eu senti quando acordei, foi um chute dele.
-Isso ai garotão – Sam brinca.
Toc.Toc. A porta se abre e Taylor entra. Meu coração para. Christian! Ao ver minha reação Taylor levanta a mão, num sinal de paz.
-Ele esta bem Ana – fala para mim – Graças a você.
-Fico feliz em ajudar Taylor – Minto, sentindo meu coração se apertar.
-Ana, muito obrigado. Por tudo. – ele faz uma pausa – Christian pediu que eu viesse agradecer pessoalmente, já que ele foi impedido de levantar quatro vezes. Ate tentou fugir, mas nós o pegamos. – ele ri.
-Não é necessário ele arriscar a sua saúde para um simples agradecimento – sou fria ao falar – Mande minhas melhoras para ele.
-Sim mandarei – Taylor vai ate a porta e para – Talvez queira saber. Assim que os médicos contaram tudo ao Sr. Grey, ele chorou. Está desesperado para falar com você.
-Adeus Taylor – simplesmente digo.
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