50 Tons De Sombras
17 Filho
Notas iniciais
Christian está agarrado em mim feito uma trepadeira. Está muito calor e já é tarde. A carta de Isaac não sai da minha cabeça. O que ele quer? Desvencilho-me de Christian, saindo sorrateiramente da cama, hesitante pego a carta de Isaac e a desdobro cuidadosamente.
Anastásia
Elena veio me visitar. Eu a quero de volta, para mim. Ficarei feliz em ajuda-la, mas imploro, ajude-me a tê-la, como você tem á Christian.
Acho que já sabe, o Escavla é propriedade dela e do seu marido. Compre-a e você terá Elena em suas mãos.
PS: Preciso falar com você, sobre ela.
Fecho a carta desconfiada. Isaac foi deliberadamente vago. O que ele quer falar comigo? Preciso dar um jeito de ir até ele. Agora. Viro-me para olhar Christian, dormindo tão lindo, não posso deixa-lo por uma simples vingança. Ele rola na cama, sentindo a minha falta. Meu coração se aperta, oh! Pego o primeiro papel que encontro e deixo uma mensagem para Christian.
Meu marido
Houve uma emergência. Não demorarei, e não se preocupe, eu e Ted estamos bem.
Te amamos – Sua esposa e seu filho
Antes que eu mude de ideia, desço as escadas e corro em direção á porta. Ligo para Isaac e ele concorda em me receber. Ótimo. Enquanto dirijo, verifico o relógio. São apenas três horas da manhã, ainda tenho tempo.
O apartamento de Isaac e muito menor que o de Christian, mas também é lindo. A decoração me chama á atenção! Foi ela! Os quadros nas paredes, os sofás, tudo me lembra ela. Pela primeira vez sinto pena de Isaac, ele a ama, assim como eu amo Christian, mas terá que passar tudo para mudar essa mulher horrorosa. Lembro-me vagamente de Christian quando o conheci, tão parecido com Elena, que chego a sentir náuseas.
-Isaac – cumprimento-o e ele gesticula para mim entrar. – Recebi sua carta. Sinto muito a demora para entrar em contato com você.
-Esta tudo bem, não estava conseguindo dormir mesmo – explica-se – Preciso lhe contar algo.
-Sou toda ouvidos.
-Ana, você conseguiu mudar Christian, quero saber como – sua voz é chorosa.
-Não sei se posso ajudar – desculpo-me.
-Pode – ele afirma, aproximando-se de mim – Prometa me ajudar e eu lhe conto o pior segredo de Elena – Oh, minha curiosidade ganha vida própria. Finjo refletir sobre suas palavras.
-Que tal um café? – proponho e ele assente.
Um pouco depois Isaac volta trazendo uma bandeja de café com biscoitos. Involuntariamente solto um bocejo, sentindo-me desconfortável. Deixei Christian em casa dormindo para vir encontrar Isaac, sinto-me um monstro.
-Então? – pressiono.
-Quando Elena e eu estávamos juntos, achei que ela estava mudando – comenta envergonhado – Achei que pela primeira vez teríamos um relacionamento de verdade, então…
-Então? – pressiono novamente.
-Ela engravidou – engasgo ao ouvir a noticia. – Mas não queria ser vista comigo, eu era apenas um submisso sem valor sentimental para ela.
-O que ela fez? – Elena não tem filhos, ou tem?
-Ela abortou – a xicara resvala pelas minhas mãos.
-Não! – arquejo
-Ela pediu que eu guardasse segredo, mas – ele levanta impaciente e envergonhado – Era um filho meu!
-Isaac, eu sinto muito – Vagabunda, vadia, desgraçada! A campainha toca. – Esta esperando alguém? – sinto-me uma intrusa.
-Não – murmura surpreso.
Isaac abre e da um passo para trás. Christian está á porta, segurando o bilhete que Isaac me enviou. Porra! Na pressa eu o esqueci! Feito um furacão, Christian soca Isaac no queixo e passa por ele, diretamente a mim. Seus olhos queimam de raiva, ele me pega pelo braço e me leva para fora, arrastando-me. Fico muda, sem saber o que falar. Não consigo olhar para ele, muito menos me aproximar. O elevador chega e Christian me puxa para dentro. Sei que está morrendo de vontade de falar, mas se segura. Penso em como vou levar meu carro para casa, se Christian parece estar prestes a me espancar e me foder na rua. Minha deusa interior concorda somente com a segunda parte, mas eu á mando dormir, agora não é hora! Penso em Isaac, pobre Isaac! Como ela pode tirar o filho dele! Como ela pode tirar seu próprio filho?! Ela é pior que um monstro. O elevador abre e Christian me puxa para junto de si, apertando tanto que chega a me machucar, Taylor está na porta, e de alguma maneira Christian puxa minhas chaves a as entrega á ele.
Taylor imediatamente some, deixando Christian e eu sozinhos. Ah, isso não vai terminar nada bem. Ele abre a porta para que eu entre e logo em seguida, aconchega-se no banco do motorista. Christian não dirige direto para casa, ele toma alguma rua deserta, provavelmente para “conversarmos”. Penso em Ted, dormindo confortavelmente dentro de mim, não posso deixar Christian me machucar, pelo bem do meu filho! Ele estaciona.
-Você. Quer. Me. Explicar. Que. Porra. Você. Estava. Fazendo. No. Apartamento. De. Isaac? – sibila ameaçadoramente para mim.
-Se você leu a carta você sabe – resmungo.
-Anastásia, não faça isso – rosna.
-Isaac disse que precisava falar comigo – defendo-me – Supus que era urgente e acertei. – Isso o detém.
-Você não tem noção da vontade que tenho de espancar você e depois fode-la – seus olhos brilham em expectativa.
-Você não vai encostar um dedo em mim Christian – grito ameaçadoramente.
-O que? – ele fica boquiaberto.
-Independente do que você fizer, irá me machucar – encaro-o – E agora, tenho que pensar no meu filho – acaricio minha barriga.
-Você quer me contar o que ele disse?
-Depende – dou de ombros – Se você quer saber.
-Você sabe que eu quero – revira os olhos.
-Acreditaria se eu dissesse que você não quer saber – arqueio as sobrancelhas.
- Elena realmente não me interessa – murmura indiferente – Mas creio que seja uma noticia bombástica para tirar a minha mulher da cama tão tarde da noite – grita.
-Não vou falar até você se controlar.
-Me de um minuto – ele vira a cara, tentando esconder a raiva. Um minuto se passa e ele volta para mim – O que era?
-Elena fez um aborto – ele fica branco, e arregala os olhos – O filho era de Isaac.
-Não, isso não – ele balança a cabeça e sai do carro.
-Christian, você esta bem? – saio e vou até ele.
-Jesus Ana! Você tem noção do que é isso? – ele me agarra pelos ombros – Perdi você e Ted por quatro meses e quase morri! – ele trinca o queixo – Não consigo imaginar o que Isaac sentiu, sabendo que perdeu o filho para sempre.
-Eu sei – abraço-o – Ela não presta mesmo.
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