Não podia acreditar no que tinha acontecido. Ainda pensava que acordaria toda descabelada e olharia pros lados do quarto vazio, confirmando assim que eu tive um sonho. Subi o olhar ao dele, e ficamos ali se olhando. Não sei descrever se era um olhar de desejo, paixão, não sei. Tudo rodava em minha cabeça e não conseguia chegar a nenhuma conclusão. Preferi parar de pensar.

— O que você está pensando?

— Incrivelmente em nada. E você?

— Em você. — e aquele sorriso de criança abriu de novo.

Só conseguia sorrir com os olhos fechados deitada em seu peito quente. Ele era lindo até com seu cabelo desgrenhado.

— Você não tem que ir dar alguma entrevista ou fazer algum show? — isso pareceu um "vai embora"?

— Milagrosamente não. Hoje tenho o dia livre, mas amanhã cedo tenho que pegar um avião para o Canadá. Aviões já se tornaram minha segunda casa. — riu.

Era impossível não sorrir ao ver aquele rostinho.

FICAMOS ALI DEITADOS o resto da tarde. Não queria dizer adeus, pois sabia que não o veria nunca mais. Não daquele jeito. Ainda na porta ouvi...

— A gente se vê?