50 First Dates
1 I Knew You Were Trouble
Notas iniciais
Enjoy!
-KATIE!
-ANNABETH!
-AI QUE SAUDADE! MEU DEUS VOCÊ TÁ LINDA, AMIGA! NOSSA, SENTIMOS TANTO A SUA FALTA!
A loira soltou a morena que acabara de passar a fronteira do pinheiro de Thalia. As duas estavam arfando pela corrida, mas não se incomodaram com isso. Logo chegaram as outras meninas, cada uma se alternando para abraçar Katie, que viera para o Acampamento após uma (longa) temporada na Europa.
-Minha Afrodite, Katie! O que aconteceu com você? Parece que um banho de lojas na Europa realmente faz bem!
-Ai Pips, obrigada! Me parece que esses últimos doze meses foram os melhores desde...
E então ela o viu. O causador da viajem repentina, que acelerava o coração de Katie com uma simples piscada. Ele estava lá, mais lindo do que nunca, rindo. O sorriso mais bonito que já havia visto. Aqueles cabelos loiros e os olhos escuros, junto com a pele morena e os músculos muito bem cuidados podiam enlouquecer qualquer uma, mas tinham um efeito mais do que hipnotizante em Katie. Ela não conseguia desgrudar os olhos do menino.
Ao reparar na menina, o sorriso de Travis foi sumindo, aos poucos. Logo depois reapareceu muito maior do que antes. Ele estava jogando bola com os meninos do acampamento, todos sem blusa. Graças aos seus bons reflexos, não foi atingido pela bola lançada por seu irmão. Ele acenou para Gardner e cochichou alguma coisa com Percy, um dos melhores amigos de Katie.
Os dois fizeram um toque de mãos, trocaram sorrisos e vieram juntos caminhando até ela. Percy abraçou Annabeth por trás, sorrindo novamente. Olhando aquela cena, os olhos da morena se arregalaram e a boca formou um perfeito “o”. Quando deixara o acampamento Annie ainda era caída de amores por Percy, mas nada havia acontecido ainda.
-NÃO! AI MEUS DEUSES ANNIE! FI-NAL-MEN-TE! Nossa, posso ser madrinha? Ai, eu apoio, apoio muito! Amei!
Gardner começou a dar pulinhos de alegria batendo palmas e abraçou as amigas, que estavam tão felizes quanto.
-Tá tudo muito bom, tudo muito bem, mas a gatinha ainda tem esses malões ai pra levar pro chalé. Afinal Gardner, onde você conseguiu comprar tanta roupa? Melhor, pra que tanta roupa? Aposto que não consegue usar isso tudo num ano.
-Para a sua informação, Stoll, não sou como você que anda por ai sem camisa todo dia.
-Bem que você gosta.
-Bem que você se acha.
-Não me acho, eu sou.
A morena revirou os olhos castanhos, colocou os óculos de sol que havia retirado ao chegar e olhou para todos os amigos, dispostos em uma roda, perguntando:
-Então, quem leva as minhas malas para mim?
Ninguém se manifestou. Parecia que o Acampamento inteiro tinha se calado, dava até para ouvir o canto dos pássaros.
-Na hora do abraço todo mundo sente minha falta, mas quando é pra ajudar, todo mundo já cansou de mim, né?
-Vocês podiam ser mais discretos, sabe? Evitaríamos um momento constrangedor. Vamos Gardner, eu levo sua mala.
-Não preciso mais de ajuda, Travis. Deixa. Esses amigos ingratos.
Katie Gardner saiu batendo o pé e rebolando bastante, mas não sendo vulgar, de jeito nenhum. Aquilo deu alguma coisa em Travis que começou no fundo do estômago e foi subindo, uma sensação esquisita. Ele rezou aos deuses pedindo que o protegessem dos feitiços da morena, olhou feito para os amigos e saiu atrás da recém-chegada.
Puxou duas das quatro malas gigantes da menina e levou consigo. Travis pode jurar que viu um sorriso no canto dos lábios da garota.
-É, marrentinha, a gente vai ter que a prender a conviver. Nem que seja a força.
-É, ladrãozinho, isso não depende só de nós dois.
E olhou pros céus, onde tinha quase certeza que Demeter e Hermes estavam tendo uma discussão no meio do Olimpo sobre a vida amorosa dos filhos.
Esse ano vai ser difícil.
***
-Katie SAIA SO BANHEIRO! Você está ai há uma hora, vai perder a fogueira, eles vão falar sobre você. Vamos, eu ainda nem me arrumei!
Katie saiu do banheiro, com os cabelos ainda um pouco molhados por causa do banho recente. Tudo bem que salto não era um sapato muito adequado para o acampamento, mas eram praticamente os únicos sapatos que Katie tinha: o tênis ela ficara com dó de usar. Eram tão novinhos pra pisar na grama... Mesmo não querendo usar o salto, achou que causava mais impacto. E era isso que ela queria.
-Calma Lindsay, eu já saí. E como assim, “eles vão falar sobre você”?
-O Senhor D. vai te apresentar de novo, dar as boas vindas, falar que “é uma honra ter você de volta” e essas coisas todas aí. Mas anda logo, senão vai perder. Eu ainda vou tomar banho já que a Senhorita-ainda-estou-acostumada-com-a-Europa demorou três anos aí dentro.
-Muito engraça você, Senhorita-mal-humorada. Te vejo na fogueira.
Katie deixou o chalé sem pressa nenhuma. Era bom estar de volta. A garota podia não admitir, mas sentira muita falta do acampamento e de todas as pessoas. No inicio da viajem, o que mais queria era voltar. Então, no terceiro dia, encontrou Demeter em Paris. Elas conversaram a madrugada inteira e, ao raiar do sol, Katie já estava convencida que, pelo menos por agora, seu lugar era ali.
Ao decorrer da viajem conheceu muita gente nova, muitos meio-sangues, e conseguiu até entrar no Acampamento Júpiter, com uma ajudinha de uma meio-sangue filha de Vênus, que trocou a ajuda por entrar no Acampamento grego.
AI MEUS DEUSES. Katie havia esquecido a menina, que chegara uma hora depois dela e a esperava na barreira. Ela praguejou mentalmente, falou alguns xingamentos em latim e correu até a barreira. Pelo menos só haviam se passado quinze minutos desde que a menina chegara.
-Camilla, meus deuses, me desculpe! Nossa, eles me puxaram e eu esqueci completamente...
-Não continue senão vou pensar que se esqueceu de mim! Mas não tem problema Kay, relaxa! Nem demorou muito.
Katie deu a mão para a menina, que estava do outro lado da barreira e a puxou para dentro. Era permitida a entrada de meio-sangues, ninguém nunca disse que só podiam ser gregos. Elas andaram por um tempo rindo da situação e Katie praguejando a péssima memória.
-Hey eu ainda preciso te apresentar para as meninas! Ah, e tem uns meninos muito bonitos aqui, você vai adorar, apesar de eu achar os europeus mais...
-Ei... Ah, desculpa, Katie, não vi vocês ai. Katie e...
A italiana não falou nada, estava hipnotizada. Mexeu no cabelo e deu um risinho. Katie se deu a liberdade de revirar os olhos. Afinal, sabia muito bem como era isso. Mas como a menina não falava nada teve que dar um cutucão na amiga.
-Camilla. Camilla Baiocchi. E você seria...
-Eu seria Connor Stoll – disse beijando sua mão – Encantado.
Como Camilla estava ficando cada vez mais vermelha do que um tomate, Katie teve que se controlar para não rir. Mas vê-la se apaixonar pelo maior galinha do acampamento nos primeiros minutos dentro dele era no mínimo engraçado.
-Vamos garotas, não querem chegar atrasadas.
Ele ofereceu os braços às duas meninas e eles foram rindo até a fogueira, atraindo a atenção de todos. Katie sussurrou para a amiga “senta aqui com ele que eu já volto”, mas lógico que ela não voltou. Camilla ficou meio perdida, mas logo Connor a entreteve e eles pareceram se dar muito bem.
Katie sentou com as amigas e ficou olhando o Senhor D. falar as mesmas baboseiras de sempre, até sentir um objeto na cabeça. Katie abriu o bilhete atirado para ela e respondeu.
“Mal chegou e já está juntando casais, né Gardner? Tão você isso”.
-T. S.
“Eu tive que fazer alguma coisa, você precisava ter visto a cara dela ao olhar para o seu irmão, parecia até ter dedo de Afrodite”.
-K. G.
-Queria introduzir aos novos campistas uma das nossas melhores crias, mas parece que ela está muito ocupada flertando com o Stoll...
O Acampamento inteiro começou a rir e fazer sinais de coração, causando gargalhadas em Travis. Katie também se permitiu rir, mas percebeu que o deus do vinho ainda a encarava.
-Oi? Que? Eu? Não era só um... Nada. Você estava falando sobre mim? Claro er...
-Bem, esses são Katie Gardner, filha da Deusa Deméter, e seu atual namorado Travis Stoll, filho do Deus Hermes.
-NAMORADOS?
Katie e Travis ficaram tão surpresos e gritaram tão alto que ninguém teve coragem de falar nada para piorar a situação.
-Ta, tá, enfim. Vamos seguir com as apresentações. São uns dos mais brilhantes campistas que tivemos nesse acampamento e blábláblá, aquela mesma ladainha de sempre. Senhorita Gardner, para aqueles que não a conhecem, esteve recentemente numa viajem À Europa e trouxe uma amiga pelo que vejo...
-Sim, sim. Esta é Camilla, filha de... Afrodite.
Percebeu que se falasse de Vênus, o acampamento enlouqueceria. Mesmo com a trégua entre romanos e gregos, uma filha daqueles deuses realmente não seria aceita.
-Claro. Bom, o chalé de Afrodite a acolherá muito bem durante esse tempo todo que estiver aqui.
O resto do discurso foi muito chato e estavam quase todos dormindo. Só não o fizeram é claro, pois após o discurso haveria uma festa para os campistas.
-... Bom, como vejo que estão quase todos dormindo – e olhou para Katie, que tinha os olhos quase fechando – Estão liberados para a festa.
Faltou só ajoelhar no chão, de tanto que estava agradecida. Katie foi até Camilla, mas não encontrou ninguém lá. Depois de procurar um pouco, viu um cabelo ruivo encaracolado se agarrando com Connor e teve um acesso de riso. É Camilla, você não perde tempo mesmo. Graças aos deuses Katie estava longe e não a ouviram rir. Ela voltou para a festa onde achou as amigas conversando no meio da pista de dança.
-Eu ia apresentar para vocês a Camilla, mas parece que ela está muito ocupada agora... Enfim. Vocês...
-Amiga, a gente tem um plano.
-Plano pra quê Thals?
-A gente sabe que você gosta do Travis. E todo mundo sabe que ele gosta de você. Porque você não da uma chance?
-Porque, Silena minha querida, Travis é um galinha e eu não quero ser mais uma. Já seria suficientemente difícil se fosse só isso... — e ao olhar para o céu, viu um relâmpago, e percebeu que os dois já estavam discutindo de novo.
-Por isso bolamos um plano. Você vai dar uma chance a Travis. Vai ter 50 encontros com ele.
-50? PRAQUE TUDO ISSO?
-Clama, ouve o resto. A cada encontro, vocês vão fingir que não se conhecem como se fossem completos estranhos. E, ao final do último encontro, acho que vocês já vão estar namorando a uns dois meses.
-Você está enganada. Mas quanto tempo duraria, se em alguma hipótese eu aceitasse isso, esses encontros todos?
-Seis meses.
-É tempo de mais e eu duvido que o Travis aceite.
-Então você já aceitou?
-Não, Clarisse.
-Admite. Você amou o plano.
-Ta, tá amei mesmo. Mas não tem como a gente convencer ele.
-Sempre tem como convencer um homem.
***
Fale com o autor