5 Vidas Com Ela
3 Goles de vinho causam euforia.
Notas iniciais
Ally foi a primeira a afastar-se, seus olhos brilhavam de emoção, e pouco a pouco contemplava cada centímetro do corpo de Lana. A fim de quebrar aquele incomodo silêncio, a bela Ally disse pigarreando:
– Não esperava encontra-la aqui e agora.
– Acho que fiquei ansiosa demais, e acabei chegando um pouco cedo demais. – Dizia Lana desviando o olhar.
– Que bom, espero não ter demorado muito...
– Acho que pra quem já esperou por tanto tempo, trinta minutos são quase segundos.
Ally riu por alguns instantes e disse ainda sorridente:
– E então? Pra onde vamos?
Tomada por um impulso, Lana deu seu braço a Ally e caminhou até seu carro enquanto dizia:
– Eu pensei, e juro que tentei fugir do clichê, mas é que está passando um filme tão bom...
– Hum, filme me parece bom, filme de que?
– Digamos que é um suspense... – Desta vez um sorriso escapou enquanto ela olhava nos olhos de Ally.
– Terror? Você é mesmo ligada nesses filmes.
– O que posso fazer senhorita romance...
Elas riram juntas, e Lana não conseguia parar de pensar em todas as vezes que havia imaginado este encontro, e na forma como acontecera, mágico e diferente. Diferente de todas as suas fantasias, não houvera um longo beijo ou frases clichês como “eu te amo” ou "eu esperei tanto por este momento", sequer houveram suspiros bobos. Eram só elas, desfrutando uma da outra pouco a pouco, indo com calma e o melhor, sendo elas mesmas, com todas as imperfeições e dúvidas.
Ally pensava no quanto ela era linda, e em como Lana conseguia multiplicar ainda mais esta beleza quando ficava envergonhada. A garota pensou também que embora as coisas estivessem diferentes de como costumavam ser a distancia, tudo estava realmente bom, e o abraço da garota ao seu lado era ainda mais acolhedor do que ela imaginou.
Lana abriu a porta do carona para Ally que logo entrou e agradeceu. Contornando o Maserati vermelho, a bela morena abriu a porta e calmamente acomodou-se e deu a partida.
Ally estava encantada, e disfarçadamente gastava alguns minutos olhando-a enquanto a conversa fluía casualmente. La no fundo a insegurança gritava e dizia coisas terríveis a Ally, mas ela preferiu não dar ouvidos, então desviou seu olhar para o lado e viu uma placa brilhante, instantaneamente a garota gritou:
– PARA!
Lana assim fez, e ainda atônita sem saber bem como agir disse:
– O que? Esqueceu alguma coisa?
– Não, é que acho que vi uma coisa logo ali, me espera aqui, eu já volto.
Lana detestou a ideia de ter que se afastar de Ally, ainda que por alguns instantes, ela queria descer e acompanhar a garota, mas ela só a observou ir e quando teve certeza de que ela não voltaria deixou que algumas lágrimas escorressem.
Enquanto caminhava na calçada Ally procurava pela placa do barzinho que havia avistado há alguns minutos atrás. Ela odiava estar recorrendo ao álcool para ter de se soltar mais um pouco e odiava também o pensamento que percorria sua mente, pensamento esse que talvez fosse sua única chance de conseguir o que queria, e quanto a isto ela sabia o quanto amava. Ela queria Lana, e não importa como ela conseguiria, hoje ou quem sabe amanhã, mas de uma coisa ela tinha certeza, logo ela penetraria na zona de conforto de Lana e a desestabilizaria, trazendo-a para mais perto.
Ao entrar no bar, ignorou os olhares e cantadas toscas dos caras que por ali estavam espalhados. Dirigiu-se ao balcão e disse mais do que rápido:
– Uma garrafa média de vinho.
A velha senhora sorridente, logo trouxe a garrafa e disse:
– São 15,50 senhorita.
A garota pegou a garrafa com uma mão e com a outra jogou uma nota de 20 no balcão, tirou a tampa deu um bom gole e enquanto caminhava até a porta disse:
– Fique com o troco!
Não demorou muito até que Ally chegasse até o maserati estacionado na esquina, entrou no carro e levantou a garrafa oferecendo-a a Lana.
Sem entender direito, Lana riu e recusou com a cabeça, Ally por sua vez ofereceu mais uma vez e disse:
– Experimenta.
– Eu... Eu não bebo.
– Só golezinho de nada.
– Tudo bem.
Para a surpresa de Lana o vinho era doce, e quase não dava pra perceber o álcool. Após o quarto gole de vinho a garota riu, e riu muitas vezes, ao devolver a garrafa para Ally suas mãos se tocaram, seus olhos se encontraram, entreolharam-se e Lana teve de lutar para resistir a Ally olhando-a daquele jeito, com uma mecha de cabelo desalinhada caindo-lhe sobre o rosto e mordendo os lábios.
Apesar dos vários goles Ally estava longe de estar bêbada, e Lana preferiu não beber mais, já que estava dirigindo.
Alguns minutos depois, o casal de garotas estava no estacionamento do shopping. Rindo de alguma piada que Ally acabara de contar, a garota estava um tanto eufórica, e Lana já não pensava antes de falar, sequer gaguejava.
Ally então saiu do carro deu a volta e abriu a porta para que Lana saísse, assim ela fez, e assim que o fez Ally fechou a porta e a surpreendeu com um beijo suave, seus corpos foram se aproximando, Lana não pode resistir e entregou-se completamente. Ally por sua vez tomou Lana pra si e a “jogou” na pilastra mais próxima do estacionamento, beijou-a enquanto pressionava seu corpo contra o de sua amada, o beijo era intenso, e em meio à algumas carícias o ritmo ia aumentando.
De repente um farol as iluminou, e então o carro começou a buzinar, Lana quis parar, mas Ally não deu à mínima e saciou-se por mais alguns segundos, quando percebeu que o carro ainda buzinava, puxou Lana para o lado, dando passagem ao carro que queria estacionar na vaga junto à pilastra.
Com a respiração ofegante e os corações em ritmos frenéticos elas sorriam e olhavam-se de perto. Lana resolveu surpreender também e disse:
– Que tal cancelarmos o filme? Acho que tenho algo melhor em mente...
Parece que nem mesmo o motorista apressado foi suficiente para impedir o amor de Lana e Ally.
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