5 Anos

9 Velho Amigo


Notas iniciais
"A gente deu sorte. Várias pessoas não" - POTTS, Virgínia.

O abajur de Morgan foi colocado em seu quarto, em cima da cômoda em que estavam guardados os lençóis, mantas, chupetas e babadores que a menina havia ganhado ao longo dos meses. Não muito longe da cômoda, Tony montava o berço, com ajuda de DUM-E.

— Se ficar torto eu te transformo em uma lixeira para as fraldas do bebê. — ele avisou, antes do robô parafusar onde as instruções informavam.

— Toc, toc. — Pepper disse ao entrar no quarto. — Como vai o trabalho? — ela entregou um copo de limonada ao marido e acariciou o eixo de DUM-E, que mexia nos cabelos dela com suas garras. — ele anda se comportando como Gerald, reparou?

— Invejoso. — Tony bebeu um pouco do suco.

— Talvez esteja com medo de virar sucata, depois de tantas ameaças... — ela disse, e o homem bufou. Então Pepper assumiu um tom sério. — Você recebeu uma ligação.

— Se for o Senador, fala que eu estou aposentado.

— Não é. É do Tennessee. — a mulher informou. Então Tony suspirou, sabendo o que se passava.

…

— Coma. — ele ordenou, quando a garçonete entregou o prato com hambúrguer, batatas fritas e refrigerante. Então Harley obedeceu de mau grado. — Garoto, você precisa parar com isso. Não posso largar tudo e vim aqui te tirar da cadeia toda vez que você arrumar uma briga por aí. Estou prestes a ter um bebê.

— Então volte para sua vida perfeita e me deixe em paz. — o rapaz foi grosso, mas Tony manteve o tom calmo.

— Sabe, eu perdi gente também. Gente que eu considerava minha família.

— É, mas você ainda tem sua família. Seus amigos. E o que eu tenho?

— Você tem a mim. — Tony respondeu de imediato.

— Eu não quero você, eu quero minha família de volta! — Harley bateu na mesa com raiva. Seus olhos lacrimejaram, e ele limpou com a barra da jaqueta.

— Então me ajuda a te ajudar! — Tony respondeu, curvando o corpo na direção do garoto. — Ao invés de fazer merda por aí, use essa energia para tentar trazer elas de volta!

— E como eu faria isso? — Harley perguntou ainda com raiva.

— Para começar, pare de fazer baderna. Termine o ensino médio. Vá para a faculdade. Já pensou em faculdade?

— Não nos últimos meses. — o garoto admitiu, e comeu uma batata frita.

— Eu posso te botar no M.I.T., se quiser. Só preciso fazer uma ligação. A Fundação Setembro pode bancar suas pesquisas. O que acha? — ele sugeriu. E Harley refletiu por um tempo, antes de responder:

— Ok…

— Ótimo! —Tony sorriu. — Podemos voltar a ter essa conversa quando for se formar. Quer que eu venha para a formatura?

— Seria legal. As pessoas nunca acreditaram que eu te conheço.

— Então vamos provar que eles estavam errados. — Stark brincou, e roubou uma batata frita. Então voltou a assumir o tom sério. — Você é um bom garoto.

— Fui preso cinco vezes nos últimos meses.

— Eu também seria se estivesse nessa situação. E eu fui. Mas você não vai se lembrar, porque sequer era nascido na época. — ele lembrou das vezes em que se meteu em encrenca, após a morte de seus pais.

— Obrigado por não desistir de mim.

— Jamais desistiria.

— Meu pai sim. Ele está vivo. E eu só sei disso porque procurei por ele quando minha mãe e minha irmã… — ele não foi capaz de terminar a frase. — E mesmo depois de tudo isso, ele continua fingindo que eu não existo.

— Bem-vindo ao clube “meu pai é um babaca”. — Tony brincou, passando uma batata frita no molho, antes de comer. — O hambúrguer vai esfriar.

— Oh! Certo. — o menino voltou a comer; desta vez com mais vontade. — Como vai a senhorita Potts? Quer dizer, senhora Stark.

— Bem, ela ainda usa o Potts na maioria das vezes. Meu sobrenome usado em casa e em revistas de fofoca apenas.

— Desculpe por não ir ao casamento, aliás.

— Tudo bem. Sua ausência foi compreensível. Enfim, Pepper está ótima. A barriga não para de crescer, os tornozelos estão inchados, e ela não poderia estar mais radiante.

— E o bebê?

— É uma menina. Morgan. — Tony disse todo babão. — Tenho algumas imagens e vídeos da ultrassom 4D aqui, se você quiser ver.

— Não, valeu. Essas coisas são assustadoras.

— Minha filha é adorável, ok.

— Tenho certeza que sim. Mas ultrassons não são.

— Cale a boca e coma seu hambúrguer. — ele ordenou, e o garoto obedeceu.

…

— Pepper está com desejo de comida indiana. Acho que essa é a minha deixa. — Tony guardou o celular no bolso. — Não vá em cana de novo, ok?

— Ok. — Harley apertou a mão do homem.

— Me ligue se precisar de alguma coisa. E quando souber a data da formatura.

— Algum dia no início de junho, provavelmente.

— Ótimo. Morgan já vai ter nascido até lá.

— Me mande fotos depois da fase da cara de joelho.

— Por que não vai vê-la pessoalmente?

— Depois da fase da cara de joelho?

— Obviamente. As únicas pessoas autorizadas a ver minha filha durante a fase da cara de joelho são Pepper, eu, os avós e a pediatra. Ninguém mais. — Tony brincou, e o garoto riu.

— Tchau, Tony.

— Até mais, garoto. — ele disse. Então entrou no carro e partiu, deixando o menino na porta da escola e prestes a ter dezenas de pessoas em volta dele, perguntando se ele estava mesmo com quem pensavam que ele estava.

…

— E então, como foi? — Pepper perguntou, antes de comer mais um pouco de chaat.

— Tranquilo. Eu finalmente consegui convencê-lo a parar com as confusões e focar nos estudos. Ele topou até mesmo ir para o M.I.T. quando se formar.

— Amor, isso é ótimo!

— Sim. Ele é um bom garoto. Só precisa de apoio.

— E você é um homem incrível por fazer isso. — ela fez uma pausa, fazendo carinho no rosto dele. — E vai ser um pai incrível também.

Então o beijou na bochecha e os dois continuaram o jantar.

Notas finais
Fiquei com dó do Harley ao escrever isso, mas é como a Pepper disse: nem todo mundo teve a sorte que os Stark tiverem. Eu precisei fazer essa maldade com alguém. Enfim, o que vocês acharam? Deixem seus comentários :) Até a próxima!