5 Anos
20 Pré-Escola
Notas iniciais
O tempo passou rápido, e logo estavam diante do quarto aniversário de casamento dos Stark. Naquele ano o casal decidiu ir ao México e levar Morgan com eles, já que ela estava um pouco maior. Como a criança precisaria de acompanhamento para quando Tony e Pepper quisessem passar um momento a sós, chamaram todo um time, e logo aquilo se transformou em férias em família.
— Muito inteligente de sua parte, nos convidar para essa viagem. — disse a mãe de Pepper, antes de comer um camarão frito.
— Não é? Conseguimos duas babás, e por serem os avós, não precisamos pagar nada, além da hospedagem. — Tony brincou, antes de beber seu drink. Ele e os sogros observavam Pepper e Morgan, que dançavam juntas no meio do salão. Músicas tradicionais mexicanas eram tocadas por uma banda local. Happy caminhava de um lado para o outro, vigiando o restaurante à beira da praia que a família havia alugado por inteiro, para que pudessem ter um almoço particular.
— Papai! — Morgan o chamou, parando de dançar e correndo até ele. Pepper caminhava logo atrás.
— Eu mesmo! É a minha vez de dançar? — ele deixou seu drink na mesa e a pegou no colo.
— Quero suco.
— Você quer suco? Okay, mas não esse; isso é suco pra adultos. — Tony afastou a taça com a bebida laranja, quando a filha tentou pegá-la. — Aqui. — a entregou o copo de plástico com tampa. — Tá com fome? Que tal uma lagosta com aquelas garrinhas? — ele bateu o polegar com o indicador e fez som de garras fechando.
— Não… — a menina riu.
— Não? Então que tal uns tacos? Depois a gente compete quem solta mais pum. — Tony fez som de gases no pescoço de Morgan, que gargalhou. — E então, você quer mais alguma coisa? Sorvete? Picolé? Torta? — ele perguntou, e a menina refletiu por um tempo.
— Pode brincar na praia?
— Pode brincar na praia? — Tony repetiu olhando para Pepper, que bebia o drink dele enquanto os observava.
— Claro! O papai e eu vamos com você. — ela sorriu, e começou a procurar pelos brinquedos da filha.
— Pode deixar, filha. É seu aniversário. Nós vamos. — a mãe de Pepper se levantou, já puxando a bolsa com os brinquedos.
— Eu encontro vocês em um minuto. — seu marido a avisou, já que ainda não havia terminado de almoçar.
— Happy pode ir com vocês.
— Hap! — Tony gritou, e foi repreendido com um olhar da esposa. O segurança se aproximou da família imediatamente.
— Diga chefe.
— Minha mãe vai levar Morgan até a praia. Pode acompanhá-las, por favor? — Pepper pediu, e o ofereceu uma cesta de camarões.
— Claro chefe. — o segurança aceitou alguns camarões e encaminhou Morgan e a sra. Potts em direção à praia.
— Já pensaram em botá-la em uma pré-escola? — o sr. Potts perguntou assim que o trio se afastou.
— Por que?
— Sim. — o casal disse ao mesmo tempo.
— O que? — Tony estranhou a resposta da esposa.
— Eu pensei sobre isso.
— Por que?
— Porque os melhores amigos dela são os pais e o guarda-costas. — o sr. Potts respondeu pela filha.
— Ela precisa de amigos da idade dela. — Pepper completou.
— Não acho que seja seguro.
— Odeio dizer isso, mas tenho certeza que vocês notaram que o mundo tem andado mais pacífico desde que aquele desgraçado invadiu e levou metade de nós. E mesmo se não estivesse, o que vocês poderiam fazer? Isolar a garota numa bolha? Isso só vai servir pra fazê-la se rebelar contra vocês ou sofrer bullying quando entrar na faculdade e não souber como se comportar em uma sociedade. — o sr. Potts bebeu um pouco de seu coquetel.
— Ela pode ter aulas online quando chegar a hora. Ou podemos dar aulas para ela. Temos diplomas o suficiente pra isso.
— Okay, agora já é demais. — Pepper o interrompeu, pondo a taça vazia na mesa. — Vem, vamos dançar. — ela puxou a mão do marido, que se permitiu ser levado até o centro do salão. A banda tocava uma salsa, e o casal começou a dançar no ritmo da música.
— Então… pré-escola?
— Sim.
— Quando você ia me falar sobre isso?
— Definitivamente não na nossa viagem de aniversário de casamento. — a mulher sorriu e rodopiou, antes de colar o corpo no do marido novamente. — Eu tenho pensado nisso há pouco tempo. Porque é verdade o que o meu pai disse.
— Eu sei. Mas tenho medo de algo acontecer com ela.
— Eu também; é por isso que precisamos pensar e conversar bastante a respeito. O que não podemos fazer é trancá-la numa bolha. E que merda de história foi aquela sobre darmos aula, até mesmo da faculdade, em casa?
— Exagerei, foi mal.
— Tony, a única coisa que eu quero fazer quando Morgan entrar na faculdade é me aposentar, viajar pelo mundo com você; e então voltar para casa e me dedicar totalmente à nossa horta e em manter Gerald longe dela.
— Isso é bem específico.
— Sim… — a mulher sorriu.
— Eu gostei.
— Podemos ir em países que nunca fomos, ou que não vamos com frequência, como…
— Austrália. — eles disseram em uníssono.
— É, nós definitivamente não vamos à Austrália com o bebê. Não com todos aqueles bichos gigantes e esquisitos. Aquele país não é para amadores. — Tony disse e Pepper riu. — Mas isso ainda não é um sim pra pré-escola.
— Posso te convencer a mudar de ideia.
— Eu adoraria ver você tentar... — Tony fez com que a mulher se inclinasse para trás quando a música acabou, e então depositou um beijo em seu pescoço, fazendo com que ela perdesse o ar por um breve instante. Quando voltaram a se erguer, o rosto da mulher estava corado.
— Você vai ver… — ela aproximou o rosto do dele até que puderam sentir a respiração um do outro. Uma música mais lenta começou a tocar, e eles imediatamente seguiram o ritmo. — E de qualquer forma, eu já disse sim; então nós definitivamente vamos fazer isso. — Pepper o beijou nos lábios delicadamente, e Tony sorriu, sabendo que aquilo era um fato.
Então eles procuraram pela pré-escola ideal, visando não só a qualidade de ensino, como a segurança e privacidade que Morgan teria no local. E depois de visitarem várias entre as melhores da cidade, finalmente decidiram onde a filha iria estudar.
Quando setembro chegou, Tony estava em pânico total e tentava a todo custo fazer com que a esposa mudasse de ideia:
— Não.
— Só mais dois anos! E então a matriculamos no kindergarten, como todo mundo!
— Eu disse não! — ela repetiu ao descer as escadas, sendo seguida pelo homem até a sala, onde encontraram Happy e Morgan sentados no sofá.
— Ele está tentando te convencer a mudar de ideia de novo? — o segurança perguntou, tirando os olhos da tv.
— Sim. — Pepper se ajoelhou na frente de Morgan, que desenhava em uma lousa mágica.
— Você sabe a dificuldade que foi conseguir uma vaga tão em cima da hora? Vocês deviam ter pensado nesse assunto antes mesmo dela ter nascido!
— O que é estranho. O que há de errado com os pais de hoje em dia? — Tony reclamou, antes de colocar uma camiseta extra na mochila de Morgan.
— Ela só conseguiu uma vaga porque é filha do Homem de Ferro, e agora você quer desistir? — Happy completou, como se não tivesse sido interrompido.
— Animada para ir à escola? — Pepper perguntou calmamente, pondo uma mecha do cabelo de Morgan atrás da orelha. A pequena negou, um pouco tímida. — Vai ser divertido. Vão ter vários coleguinhas para brincar com você.
— E se não gostarem de mim?
— Tá brincando? Você é a criança mais legal que eu conheço! Claro que todos vão gostar de você! — Happy disse, apoiando o braço nos ombros da menina.
— Happy tem razão. Você é esperta e divertida; todos vão gostar de você.
— E se não gostarem, faz uma lista pro papai, que o Homem de Ferro vai ter uma conversinha com cada um deles. — Tony brincou, e sua filha riu. — Tá mais animada? — ele perguntou ao se agachar ao lado dela, escondendo o pânico que sentia por dentro. A menina então sorriu e acenou com a cabeça. — Essa é a minha garota. — ele a beijou na têmpora.
— Então vamos calçar estes sapatos… — Pepper rapidamente pôs os sapatinhos pretos que compunham o uniforme nos pés da filha. — E... você está pronta. Papai, câmera.
— Câmera! — Tony repetiu animado, tirando o celular do bolso. Então tiraram fotos de Morgan e Happy no sofá; Morgan com os pais; na porta da frente com a pequena mochila nas costas; e toda uma sequência, até que chegaram à pré-escola.
— Muito bem! — Tony pôs Morgan no chão, e arrumou o casaco dela. — Pronta pra detonar? — ele perguntou, e a menina acenou com a cabeça. — É isso aí! — ele ergueu a palma da mão e os dois trocaram um hi-five, seguido de um soquinho.
— Aqui está sua mochila. — Pepper ajudou a pequena a pôr o objeto nas costas, tentando conter a emoção. — Nós vamos te buscar no final do dia. Eu te amo.
— Eu também te amo, mamãe. — Morgan faz carinho na bochecha da mãe, que estava a um passo de desabar ali mesmo.
— Maguna, lembra da srta. Petterson? — Tony chamou a atenção das duas para a professora que haviam conhecido em um tour pela escola, dias antes. Pepper então se afastou, deixando a profissional tomar conta da situação.
— Oi Morgan! — a mulher sorriu ao se agachar na frente da menina, então esticou a mão para cumprimentá-la.
— Ela está crescendo tão rápido…
— Não chore, ou ela vai pensar que há algo errado. — Tony disse, enquanto de longe os dois observavam a professora conversando com sua filha.
— Fácil pra você dizer. — a mulher rebateu, sabendo que ele estava usando óculos escuros.
— Será que ainda dá tempo de desistir?
— Não. Nós precisamos fazer isso. Então esteja preparado para caso ela comece a chorar. — Pepper disse firme. Logo em seguida, uma criança começou a chorar e se agarrou na perna dos pais, na frente de uma sala de aula no fim do corredor. Eles olharam para a criança e para os pais em pânico, e seus corações aceleraram. Tony engoliu em seco.
— Pep, não acho que eu consiga fazer isso. Merda, é agora. — ele apertou a mão da esposa, enquanto a professora se erguia.
— Muito bem, agora vou te mostrar onde colocamos as mochilas! Diga tchau pra mamãe e pro papai.
— Tchau mamãe, tchau papai... — Morgan disse com um sorrisinho e acenou, antes de entrar na sala e deixar os pais chocados no meio do corredor, cheios de orgulho e lágrimas nos olhos.
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