4walls

1 Dane-se o normal


Notas iniciais
Desculpa aí qualquer erro de gramatica

Yeri

— Bom dia, professora – Digo assim que entro na sala. A sala está cheia, como sempre.

— Bom dia, senhorita Yeri. Fico feliz que já esteja bem de saúde.

Meu estômago se revira quando ela comenta sobre minha saúde. Não quero que ninguém toque no assunto, nem me pergunte, quero que simplesmente me ignorem como sempre fazem. Mas é um desejo sem fundamento, porque a curiosidade é normal. Eu perguntaria também, se eu gostasse de algum deles. Mas eles não gostam de mim. Será que sou normal? Dane-se o normal, por mais que isso seja um problema que sempre lateje na minha mente.

Sento na única cadeira que sobrara, e me esforço para não manter contato visual com nenhum, algo quase impossível. Eu devia listar as coisas impossíveis que tento fazer durante o dia, não é? Outra hora.

Eu fiquei a manhã inteira sentada, ora prestando atenção nos professores, ora olhando o lado de fora pela janela ao meu lado. Duas meninas vieram me perguntar o que havia acontecido comigo. Dei um sorriso e disse que não gostava de comentar, elas estranharam e disseram:

— Está bem então... Tchau.

Najas. Falsas. Ridículas. E tudo de ruim.

Minha saúde se fragiliza quando me fecho, quando à escuridão vem, e me sinto... Algo pequeno, algo vazio... Um nada. Eu levava uma vida comum até que... Até aquilo. E fica pior quando eu me sinto condenada, como se a cada passo em falso fosse culpa minha por não conseguir melhorar. Não sei se ajudou minha mãe decidir virar evangélica, pois ela colocou um curral em mim, vários padrões para que venha minha cura. Eu era uma pequena bolha de emoções, que se tornou cada vez maior, e fico tão frágil a ponto de me sentir culpada pelo que sou. Estou dizendo isso em um nível geral.

Mas graças a minha irmã, que sempre me apoia, constantemente, eu posso ver um pouco de luz. Até me sentir fora do túnel, até que eu me sinta um pouco fora. Infelizmente, sou fraca demais, e lá estou eu, de volta. Acredito em Deus, tento viver a vida sem culpa, mas... Se eu faço consultas com psicólogo? Sim. Comecei a fazer. Já percebi que sou resistente. Ele disse uma vez que nossa mente é como um rio, que precisa seguir seu curso normal, mas de vez em quando costumamos fazer algo que impeça isso. Preciso deixar ir tanta coisa, mas ele sabe que não é fácil.

Dane-se o normal. Dane-se o normal. Dane-se o normal.

Enquanto caminho voltando para casa, começa uma briga no meio da rua que nem me dei conta quando ela estourou. Várias pessoas se aglomeraram para fazer qualquer coisa que não fosse ajudar. Eu passo direto até que alguém esbarra em mim.

— Tá louco! – Berro por causa da força do impacto que fora forte demais.

— Desculpa aí! – Diz um moço ruivo que corria pra aglomeração.

Fico muito irritada, e me passa pela cabeça correr até ele e tirar satisfações... Até eu pensar melhor. Quando volto a olhar par frente, me deparo com uma garota dos cabelos castanhos rindo demais com seus amigos... Ela parece muito louca... Eles parecem. Ela me chama a atenção por parecer feliz, mesmo que não dentro do que se chama sanidade ou normal. Ou talvez seja pelas suas roupas coloridas? Quem usa um short verde limão, blusa rosa chock e sapato amarelo? Bem, ela. Passo direto e por um momento acho que algum deles olhou pra mim por mais de dois segundos.

Notas finais
Amanhã a minha Camilla ganha vida. Beijos queridos.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.