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3 Capítulo 3 - Levei um caderno de desenho na cara


Ephar havia chegado com a comida, as sacolas penduradas em seu braço chamavam atenção para os músculos. As roupas de motoqueiro não ajudavam em fazer sua aparência parecer menos intimidadora, muito menos sua altura. Ao entrar na sala onde todos estavam, Ephar encarou Higgor como se o estivesse avaliando (nosso "querido" convidado não parecia se sentir muito confortável com isso) e depois olhou para Taylon, com expressão de dúvida.
— Quem é esse cara? — pergunta ele — para estar aqui com certeza algo aconteceu.
— Ele conseguiu me enxergar mesmo estando neutra — cruzo os braços, me encostando na parede e dando de ombros — Tay resolveu manter ele preso aqui até descobrirmos o porquê
— Ei! Eu não diria preso — Taylon parecia um pouco ofendido — apenas vamos deixar ele aqui por um tempo sob observação
— É a mesma coisa! — Ephar ri — vai ser a mesma coisa daquele outro cara que...
— Vocês sabem que estou ouvindo tudo né? — Higgor passa a mão pelo cabelo

Por que esse cara não demonstra nenhuma preocupação? Estamos falando na cara dele que o manteremos preso e mesmo assim... Será que está tão confiante de que consegue fugir? Não, não tem como. Ele nem sequer conhecia a existência de magia, tá na cara que vamos criar uma barreira em torno do prédio... Ou será que está só blefando? Ou talvez a memória tenha voltado e ele conhece feitiços avançados de fuga... QUE DROGA! Vai se foder, Higgor.
— Vou preparar o jantar, depois vocês me contam exatamente o que rolou aí — disse Ephar, indo em direção da cozinha
— O que vai ser dessa vez? — falei alto para que ele ouvisse do outro cômodo, enquanto andava até meu quarto

"Melhor eu arrumar esse quarto, tá parecendo um depósito"
— Vitamina de abacaxi com chantilly, Tay que pediu — gritou ele de volta
— Típico de um magrelo dando uma de saudável que nem ele — ri enquanto me deitava na cama, continuando o desenho que havia deixado lá
— Quer apanhar Ayles? — falou Taylon da sala e todos começamos a rir

Finalmente o desenho estava ganhando forma, peguei as canetas e comecei a contornar tudo concentradamente até que um barulho me faz borrar e olho incrédula para o papel que agora tinha uma grande risco de caneta atravessando de uma extremidade a outra.

"Não. NÃO!"
— QUEM FEZ ESSE BARU...?! — olho para a porta e lá estava o cara do cabelo azul, mechendo na porta — EU VOU TE MATAR, IDIOTA! — jogo o caderno de desenho em sua direção, acertando sua testa em cheio e fazendo ele quase cair no chão
— D...DESCULPE! EU FUI ABRIR E ACABEI BATENDO COM FORÇA, EU JURO QUE NÃO FOI PROPOSITAL! — ele parecia querer se curvar aos meus pés de tanto desespero, eu realmente esperava uma expressão menos estravagante vinda dele

"Não vou aguentar isso, não se passou nem três horas desde que ele chegou e já estou querendo mandar ele pro inferno."

Respiro o mais fundo possível.

"Só não o mato por causa do Tay"
— Primeiramente, porquê veio até aqui? — me levanto, criando chamas azuis no punho e indo em sua direção devagar — lembro de ter deixado bem claro que não gosto e não confio nem um pouco em você, quer brigar ou algo assim?

Ele dá dois passos para trás olhando para o meu punho, com as mãos levantadas.
— Eu JURO que foi sem querer! Eu estava apenas procurando meu quarto, o cara do casaco grande mandou eu ir na segunda porta á direita então...
— Espera, ele mandou mesmo isso? — falo baixo o puxando pelo braço para dentro do quarto

Se isso vem do Taylon, com certeza foi proposital.

"Que droga, eu pareço uma retardada puxando briga por qualquer coisinha"
— Sim, ele especificou bem, agora... hã... estou de saída — Higgor sorriu, mas dava para perceber que se sentia desconfortável com a situação toda
— Não. — digo

"Então é isso, mais uma vez Tay brinca com a minha mente."
— Quê? — ele pergunta, confuso olhando para o meu rosto sério
— Fique um pouco aqui comigo.

Se tem algo que aprendi nesses anos todos, é que tudo o que o Taylon faz, mesmo que me irrite profundamente e me faça querer explodir, é para o meu bem. Hoje em dia eu entendo seus propósitos toda vez que ele faz essas coisas, aprendi muito com ele esses anos todos. E é por isso que confio nele mais que tudo.

Sua finalidade naquele momento era fazer com que eu não odiasse tanto o Higgor, tenho certeza. E de fato, seria ruim eu ficar guardando raiva de uma pessoa que começaria a conviver conosco por no mínimo seis dias. É difícil de admitir essas coisas, mas pode-se dizer que é necessário ás vezes.

"Droga, Tay, porquê você faz isso comigo?" — penso dando um suspiro

Percebo que passei alguns segundos parada pensando segurando seu braço e quando olho para seu rosto estava vermelho. Passo um tempo para entender e lembro do que eu havia dito.
— CONVERSAR! — fico vermelha também — EU SÓ QUERO CONVERSAR!
— EU NÃO FALEI NADA!

"QUE DROGA! POR QUE OS GAROTOS SÓ PENSAM NESSAS COISAS HOJE EM DIA?!"

Notas finais
O capítulo saiu um pouco menor do que o esperado, mas tá aí ♥