49 Days
1 Prepare-se para sair de seu corpo...
Notas iniciais
- Agradeço de coração se você deixar um comentário, isso realmente me ajuda muito quando escrevo!
Não tenho mais razões para sorrir.
A ruiva deixou com que a rosa caísse silenciosamente na rua asfaltada. O vento gélido a carregou para entre os carros que passaram alheios a dor daquela mulher parada á margem da estrada. Alheios as lágrimas dela.
Ela olhou mais além, um caminhão vinha,e quem o dirigia estava perdido em seus pensamentos, sem saber a real intenção dela. Ela deu um passo. Os carros passavam com os motoristas atentos na estrada, mas sem dar grande atenção ao ser de roupas escuras e gastas daquela que dava passos perigosos para dentro da estrada.
Não tenho razões para viver.
Ela olhou para o lado, o caminhão já estava ali, somente mais um passo e tudo estaria finalizado, mais um passo e ela poderia voltar a sorrir. Poderia realmente voltar a sorrir? Ela teria razões para ser feliz?
E continuar como estava ele teria?
Não.
Ela deu o passo, o motorista olhou assustado para a figura que surgiu diante do caminhão e tudo então aconteceu rápido. Um homem puxou a mulher da frente do caminhão, o motorista deste virou o volante bruscamente para o lado ao contrario, avançando sem aviso para cima de dois carros, o da frente desviou, e o de trás seguiu o caminho violentamente encontrando-se com o caminhão.
Alguém andou em direção ao acidente, olhou em direção ao motorista do caminhão, este estava visivelmente desorientado, depois olhou o carro que desviara do impacto, o motorista deste, um homem de meia idade, já saia de dentro do carro com seu celular em mão – certamente pediria ajuda. Varreu o lugar com o olhar, do outro lado da rua estava um homem debruçado sobre uma mulher, aquela que causara tudo aquilo, mas essa não lhe importava, ao menos não agora. Então esse alguém se preocupou com a única vitima que tinha que se preocupar. A garota caída no chão.
Ele seguiu até ela.
Assim que se aproximou a garota, ou melhor, a mulher levantou-se. Ele a viu se olhar, certamente em busca de algum ferimento, depois a viu olhar para o caminhão e deste para seu carro. Neste momento ele colocou-se ao lado dela, sabia que seria um choque terrível para ela ver o que tinha dentro do carro.
-Co...como? – a voz dela saiu falha.
-É assustador, não?
A loira virou-se bruscamente para o rapaz. Este estava vestido com uma jaqueta de motoqueiro e calça de mesmo estilo, e possuía os cabelos bagunçados, totalmente desleixados.
-Você também está vendo? – indagou ela depois que se recuperou do susto.
O rapaz olhou dela pra o carro, para qual se inclinou pensativo.
-Sim. E repito, é assustador, não? Sempre acho assustador.
-Sempre?
O rapaz se endireitou e suspirou, havia chegado o momento mais delicado de seu “emprego”. A loira o olhava assustada, começava a temer a presença dele e o significa de estar se vendo dentro do carro, sendo que ela estava ali, em pé do lado de fora. Assustada com isso ela recuou do rapaz, quem a olhava sério, mas num sufocante misto de compaixão. Ela olhou para as demais pessoas que haviam ali. Agora o lugar estava mais cheio, devido os curiosos. Ela correu para alguém mais perto, tentou falar com este, mas foi ignorada. Seguiu para outra pessoa, e esta, como a anterior, também a ignorou. Desesperada ela voltou-se para o rapaz, quem apenas a observava.
-Mentira. – sussurrou para si, indo agora para um grupo de curiosos, parou diante deles.
-Vocês estão me vendo, não estão? – questionou a estes, ninguém a respondeu, eles continuaram a conversar entre si.
-A mulher dentro do carro parece gravemente ferida. – disse um deles.
-Será que ela está viva?
A loira olhou para a mulher que disse aquilo sentindo lágrimas formar em seus olhos.
-Sim, eu estou viva. – voltou a sussurrar, como que querendo convencer-se disso.
Ela sentiu alguém do seu lado, devagar virou o rosto.
- Quem é você? – questionou para o rapaz parado ao seu lado.
-Alguns me chamam de Shinigami, outros de anjo da morte. Há aqueles que me titulam apenas de morte. Entretanto, gosto do nome programador.
-Programador? – balbuciou ela.
-O meu trabalho é simples, recebo uma lista de nomes por semana e com esse programo datas e horas, dou a quem merece o último lugar da lista e ás vezes consigo dar á esses algum tempo para conseguirem sua última chance de receber ou dar o perdão; ou, em alguns casos, declarar-se. Entretanto os casos que mais amo, é como o seu.
Conforme ele falava a loira foi se afastando dele, querendo negar o que ele dizia.
-Isso tudo é mentira.
Ele suspirou.
-A negação é normal. Contudo quero lhe deixar claro, que você ainda não está morta.
A loira agarrou-se nesta esperança que surgiu diante de si.
-Não?
-Não. Como disse, casos como o seu, são os que mais amo. Devido a singularidade que esse possui, embora não seja raro. Duas semanas atrás mesmo tive outro caso como este para orientar.
-Caso como este?
O rapaz apontou com a cabeça o carro dela, a loira o olhou, visualizando seu corpo ali. O seu rosto estava encostado no vidro da janela dianteira, era visível sangue na parte da frente de sua cabeça, qual escorria livremente pelo seu rosto, ver-se daquela forma a fez se sentir fraca e com um terrível mal estar, o que a fez voltar a olhar o rapaz.
-Ainda não consegui entender. – rebateu sentindo um nó na garganta.
-O que você vê no carro?
A loira se segurou para não voltar a olhar o carro.
-Vejo... Eu vejo... Meu corpo.
-Exato. O seu corpo, uma vez que você é a alma.
Ela lhe olhou intrigada.
-Mas isso não quer dizer que eu esteja morta?
-Não completamente, pois seu corpo ainda está em perfeita condição, entretanto sua alma perdeu contato com ele durante o acidente, por razões que você terá que descobrir durante sua jornada.
-Minha jornada?
-Sim. Um corpo suporta semi-viver durante 49 dias, não mais que isso, e durante esse tempo você terá que coletar três verdadeiras lágrimas de pessoas que não sejam de sua família. E as três lágrimas não podem ser da mesma pessoa, cada uma tem que ser de uma pessoa diferente. E digo mais uma vez, para que essa parte fique extremamente clara, três verdadeiras lágrimas.
A loira o olhou, confusa.
-O que seria lágrimas verdadeiras?
Ele deu um sorriso de lado.
- Neste momento por quem você choraria de verdade, caso eu lhe dissesse que não poderia voltar a ver aquele que ama? Quem lhe iria fazer sentir uma saudade desesperadora? Quem?
Ela ficou pensativa e ao pensar em sua família seu coração doeu fortemente, então a imagem de um rapaz de cabelos negros e sorriso singelo surgiu em suas lembranças e a dor multiplicou-se, algo que a sufocava terrivelmente.
-Choraria dessa forma pelo meu noivo.
-Então é esse tipo de lágrimas que você terá que coletar.
Ela suspirou e lentamente voltou a se olhar dentro do carro.
-Somente três lágrimas? – voltou-se para ele.
O programador fez que sim com a cabeça.
Ela sorriu, um sorriso que até mesmo surpreendeu a ele.
-Isso será fácil, todos com quem convivia me amavam de verdade, tenho certeza que nem precisarei dos 49 dias, conseguirei essas lágrimas muito antes disso. – disse confiante.
-Fico feliz em ouvir isso, é sempre muito desconfortável e triste quando almas como você precisam coletar as lágrimas, e nem ao menos conseguem uma.
-E o que acontece com essas pessoas?
Ele baixou o olhar, mirando desinteressado o asfalto marcado com marca de pneu.
-Elas são levadas. Suas almas fazem a passagem.
A loira se sentiu abalada ao ouvir aquilo, mas ela tinha certeza que com ela isso não aconteceria.
-Agora que lhe expliquei isso, venha comigo, afinal tenho que lhe explicar como funcionará a parte de coletar as lágrimas.
Dito isso ele andou para longe do acidente, no qual agora chegava a ambulância. A loira o seguiu, ambos pararam ao lado de uma moto. Ele subiu nesta e olhou para a loira.
-Soube Lucy Heartfilia, chegaremos mais rápido dessa forma.
Lucy o olhou, ela nunca tinha ouvido falar que anjos da morte usavam motos... Mas o que já tinha ouvido falar também não se encaixava no que ouvira até o momento, portanto um anjo da morte de moto era o de menos. Então ela subiu e ambos saíram dali...
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