Meu nome é Isabela, tenho 16 anos e vim do Brasil com minha mãe e irmã. Me matriculei em uma escola qualquer e hoje será meu primeiro dia de aula.
- Você parece um menino, Isabela! Vá mudar de roupa.
- E porque deveria?
- Não quero ser conhecida como a irmã da menina que se veste como menino.
- Simples, fale que nem me conhece.
- Idiota.
Coloquei os fones e fui andando até a escola. Ela é grande e cheia de alunos idiotas e otários. Como tirei conclusão disso? Bom, assim que coloquei os pés naquele lugar, já estavam fazendo piadinhas de mim sem ao menos me conhecer.
- Ô parceiro! Ô irmão — Um babaca estava me chamando assim — Amigo... Opa desculpa, te confundi com um amigo meu
Risadas era o que mais ouvia. Dei as costas e sai andando até meu armário.
- 222 ... Cadê você armário 222 e achei!
Abri ele e coloquei algumas coisas e quando fechei o armário me deparo com uma menina linda. De verdade, nenhuma das meninas que fiquei chegam aos pés dela. Fiquei encarando ela por um tempo e acho que ela percebeu porque veio falar comigo.
- Oi meu nome é Carolina.
- Oi... Ah, Isabele.
Eu fiquei sem o que dizer, só olhando aqueles olhos azuis lindos. Percebi que ela ficou sem graça e abaixei a cabeça. Subi a cabeça e ela ja tinha desaparecido. Procurei por minha sala e quando entrei, vi ela novamente, e pra minha sorte, uma carteira vazia atrás dela. Me sentei e nenhum professor aparecia.
- Vaza dai cara, esse lugar é meu.
Aquele babaca que me chamou de irmão me enchendo de novo? É isso mesmo?
- Me desculpe, brow, mas eu não vejo nome algum aqui.
- Espera, você chegou hoje e já quer botar ordem? Não tenho receio em bater em garotas, ainda mais guria macho.
- Teus amiguinhos estão todos sentados do outro lado, porque quer sentar aqui?
- Porque quero ficar atrás dessa gostosa ai.
Sim, ele disse isso da minha mina. Me subiu uma raiva à cabeça e a Carolina levantou e deu um tapa bem estalado na cara dele. Ele segurou o braço dela com força e eu o empurrei.
- Qual é o seu problema cara?
Ela saiu correndo chorando e foi ao banheiro. Obviamente, segui ela, entrei e ela estava sentada na pia com os olhos inchados.
- Ei, você está bem?
- Eu pareço estar bem?
- Não, mais ...
- Desculpa, é que aquele cara me irrita demais.
- Eu percebi, ele me irrita também, e olha que hoje é meu primeiro dia.
- Meu braço..
- Deixe eu ver.
Ela escondia o braço e quando tirou a mão estava vermelho e bastante inchado.
- Olha isso, ele te machucou mesmo.
- Estou acostumada
- Como assim? Ele ja fez isso mais vezes?
- Sim, ele me obriga à beijar ele em público e ...
- E porque não conta à polícia?
- Ele disse que se contasse à alguém, me mataria.
Ela me abraçou e começou a chorar. Ficamos uma aula inteira ali, ela encostada na pia com as mãos no meu pescoço e as minhas na cintura dela.
[...]
- Droga cade minha irmã?
E lá vai eu procurando a Bia que nem idiota, poxa acabou a aula e quero ir embora. Procurei, procurei e procurei e sabe o que acho? Sim, ela se pegando com um menino. Ela me viu e se despediu dele.
- Mas, porra, é teu primeiro dia...
- Ora, tem que aproveitar né. E você já pegou algum menino?
- Menino — Disse em tom irônico
- Isabele, nem vem com esse papo de ser lésbica de novo. Tu já trouxe muita decepção pra dentro de casa. Poxa, você não pensa na mãe não?
- Não espera, tu vem me dizer de decepção? Tu quer vir dar uma de certinha pra cima de mim? Eu não caio nessa Bia, não mais. Vamos comparar entre eu e você... Você tem notas péssimas, é mais puta que não sei o que, usa droga, é idiota, é a rainha da babaquisse, você sempre chega tarde em casa e quando digo tarde é muito tarde mesmo, você vive discutindo com a mãe. Agora eu tenho notas ótimas, eu sou na minha e não saio pegando qualquer um, não uso droga, posso ser idiota mas não chego tarde em casa e nem discuto à toa com a mãe. E qual o problema de gostar de meninas? Não é doença, nem pecado, nem o caralho a 4.
- Claro que não pirralha, vai tomar no cú e ....
- Se orienta sua doente!
Sai dali o mais rápido possível e voltei pra casa. O que eu mais odeio é quando minha irmã fala como se fosse errado ser lésbica.

