Simplesmente Percabeth

Faíscas da fogueira


UM BANHO. Era tudo que eu queria. E depois que estava debaixo do chuveiro não queria sair de jeito nenhum. Mas acabei cedendo e depois de ter me vestido caí na cama. Só agora eu percebera o quanto estava cansado e como precisava dormir. Meus músculos começavam a protestar e ainda faltava tempo para o jantar. Por isso achei que um cochilo não seria nada demais.

Acontece que esse cochilo foi um pouco... Longo demais. Acordei com batidas na porta e levantei de susto. O céu lá fora começava a escurecer e o pessoal se dirigia até o pavilhão pra jantar. Passei a mão por meus cabelos e ouvi novamente batidas na porta. Levantei, me espreguiçando e a abri. Um par de olhos cinzentos sorriram para mim assim que me viram.

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-Oi cabeça de alga! - Annabeth disse, me dando um selinho. - Está na hora do jantar.

-Ah hã - eu só respondi, com um outro bocejo.

-Não me diga que dormiu até agora - ela disse, erguendo uma sobrancelha.

-Eu estava com sono, sabidinha - dei de ombros e segurei sua mão, apertando-a de leve. - Vai dizer que você não tirou um cochilo?

-Eu estava fazendo projetos - ela deu de ombros, como se aquilo fosse óbvio (e. na verdade, era). - Mas vamos jantar.

Assenti e começamos a caminhar de mãos dadas, conversando sobre qualquer coisa. Riamos e trocávamos carícias. Muitas vezes eu me peguei observando Annabeth. E a cada vez que olhava o meu sorriso aumentava. Era muito bom estar ao lado dela. Tivemos que nos separar para o jantar, que estava extremamente delicioso. Groover apareceu para comer comigo e falou em planos de ir para alguma cidade maior em pouco tempo. Concordei que seria uma boa ideia.

Enquanto comia sobremesa, vi a pequena Susana correndo em direção a mesa de Afrodite. Sua irmã a recebeu de braços abertos e com um beijo afetuoso na testa. Desviei o olhar rapidamente e olhei para a mesa de Atena. Annabeth conversava com um irmão seu, que gesticulava. Annabeth revirou os olhos e começou a falar, provavelmente corrigindo alguma coisa que o outro havia dito. Permiti um pequeno sorriso enquanto continuei olhando-a. Por um instante, nossos olhares se cruzaram e os olhos dela brilharam mais intensamente.

-... acha impossível - Groover falava - Não acha? Ei! - ele me deu um cutucão. - Estou falando com você!

-Ah! - olhei para ele. - Me desculpe... Eu...

-Não precisa explicar - ele revirou os olhos. - Mas como eu estava dizendo... Quíron acha que a menina, a Susana, tem ligação com outro tipo de mitologia... Mas isso seria... Hum, um pouco impossível. Tá, impossível não, mas improvável, talvez... É muito confuso. Porque a menina desenhou um dragão de bronze, e parece muito com aquele que você, Annabeth, Silena e Beckendorf encontraram a tempo atrás. E na imagem tem um garoto que não conhecemos. Talvez isso signifique que esse dragão possa ser roubado ou então consertado por alguém. Porém, é difícil saber... E complicado. O que é mais estranho é a imagem da Lupa. Ainda mais porque ela é romana e seu nome está escrito em grego...

-E o que isso significa? - perguntei, sentindo um calafrio percorrer meu corpo.

-Quiron me falou - Groover se remexeu, desconfortável - que tempos sombrios estão por vir.

-Mas acabamos de derrotar Cronos! - falei. - O que pode ser pior que isso?

Groover abriu a boca para falar, mas foi interrompido por Quiron.

-Fogueira pessoal! - ele disse. - Vamos para mais cânticos em torno da fogueira!

O clima de tensão saiu de mim rapidamente. Groover disse que ia ver Juniper e comecei a procurar Annabeth com os olhos.

-Procurando alguém? - ela apareceu ao meu lado e foi logo enlaçando meu pescoço.

-Estava - sussurrei em seu ouvido. - Mas ela me encontrou primeiro.

Ela se aproximou mais de mim e colocou as mãos em meu peito. Desci as minhas para sua cintura e me preparei para um beijo.

-Já não foi demais esta tarde? - a voz cansada do senhor D. veio de trás de nós. - Soube que vocês estavam vermelhos de... Morangos.

Annabeth e eu nos separamos de um salto.

-Saibam que precisamos desses morangos - ele disse. - Então tentem não gastá-los de qualquer jeito.

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E se afastou com passos pesados até onde seria a fogueira.

Olhei para Annabeth com um olhar de interrogação no rosto. Ela apenas sacudiu de leve a cabeça e entrelaçou seus dedos nos meus e nos juntamos aos outros.

Todos os semideuses já estavam se sentando no chão. Fizemos o mesmo em meio as outros.

Sentei no chão, com as costas escoradas em um pequeno tronco, e Annabeth se deitou entre minhas pernas, com a cabeça escorada em meu peito. Com uma das mãos, comecei a brincar com seus cabelos que caiam por minha camisa. Ela ergueu uma de suas mãos e acariciou meu rosto de leve. Dei um beijo em sua palma e depois ela recolheu a mão novamente. Suspirei de satisfação, imaginando em como parecíamos um simples casal mortal em uma noite comum ao redor de uma fogueira, iluminando a tudo com suas faiscas. Mas, mesmo se fôssemos mortais, não teríamos aproveitado do mesmo jeito.