42 - Violet Hill
11 Possibilidades
Notas iniciais
Parte 11: Decisão tomada
Povs Sam:
Eu corro desesperada para a porta da garagem onde tento colocar a moto para funcionar. A Harley está toda amassada e não faz nem questão de dar algum sinal de vida quando giro a chave na ignição. Vou ter que ir correndo.
Uso a maior velocidade que possuo e corto a cidade em diagonal para chegar ao Bushwell. Não me importo em passar como um tornado pelo saguão. O elevador está ocupado então utilizo as escadas. Chego à porta do Freddie e bato furiosamente na porta.
— Freddie! — Bato na porta com força — Freddie, Freddie, Freddie, Freddie.
Ele abre a porta e olha para mim.
— O que é Sheldon? — Freddie pergunta usando The Big Bang Theory.
Eu ignoro sua piadinha e o beijo desesperada. Ele corresponde de imediato enquanto me puxa para dentro. Ele me joga contra a porta já fechada. Desço a mão para os botões da sua camisa. Ele recua.
— Eu sei que... — Começo a dizer.
— Você está cheirando a cachorro molhado — ele murmura e volta a me beijar rapidamente sem me dar tempo de falar.
Volto a fazer o que eu ia iniciar. Abro o primeiro botão da camisa dele ainda beijando sua boca. Abro o segundo e ele passa minhas pernas em volta da sua cintura como fez no casebre. Abro o terceiro botão. Ele para de me beijar na boca e morde meu pescoço com força. Eu ofego. Freddie me olha e leva o dedo à boca para que eu faça silêncio. Ele mexe os lábios dizendo "Trina", ele quer dizer que ela está no apartamento.
Aceno com a cabeça e ele volta a me beijar. Freddie desce a mão para a calça e eu tenho que me segurar nele para não cair. Ele não precisa nem abrir os olhos enquanto abre o zíper e o botão. Elas caem um pouco do seu quadril. Eu sinto meu corpo esfriar em vez de pegar fogo. Hoje eu não nasci para ser uma loba, eu nasci para ser vampira.Ele tenta abrir meu shorts e eu tenho que me segurar para não gemer. Meu shorts jeans está atrapalhando toda a sensação.
Fredward me pega nos braços e corre me levando para o quarto na velocidade da luz. Ele tranca a porta e vai me empurrando para a cama. Caio de costas com ele sobre mim. Ele rasga a minha blusa em vez de tirá-la com cuidado. Depois desce mais a calça jeans pelas pernas e eu retiro meu shorts. Freddie abre a camisa e a joga em algum lugar.
Minhas pernas já estão em volta dele de novo, mas quanto mais excitados ficamos, mais difícil está para controlar os movimentos. Eu congelo com seu corpo frio grudado ao meu, sinto o gelo no meio das minhas pernas que me faz gemer baixinho. Seu corpo é tão gelado, diferente do corpo do Gibby ardendo em chamas. Ao ter esse pensamento eu me lembro de por que eu vim aqui. Desgrudo os lábios da boca do Freddie, mas ele continua me beijando, desce pelo pescoço e vai para os meus seios, ele suga a parte de cima do meu seio direito e eu me descontrolo soltando um gemido alto.
Tenho que segurar o seu rosto entre as mãos para que ele me olhe.
— Não foi por isso que eu vim e você disse para não se precipitar.
— Se eu te perdi para ele, quero ser o primeiro a ter tornar uma mulher — ele me beija, mas eu tenho que rejeitar o beijo.
— O imprinting não aconteceu — eu falo para seu alívio. Ele não consegue esconder a felicidade. — Porém aconteceu algo muito pior.
— O que houve?
Eu toco no peito dele mordendo o lábio. Eu conto tudo para Freddie. Conto que Gibby tem uma linha direta com meus pensamentos e que agora vai ser o novo alfa, também contei sobre o novo decreto e o beijo, não necessariamente nesta ordem. Freddie apenas escutou sem sair de cima de mim, ele ficou apoiado nos braços e lembrei que ele não cansa. Expliquei ao Freddie que eu poderia ser morta, ele não quis aceitar. Ele disse que se o Gibby realmente me ama não deixaria que me matassem.
— E o que faremos agora? — Ele pergunta roçando os lábios gelados nos meus.
— Não sei.
— Nós deveríamos construir nosso próprio Império...
— Alguma ideia menos ridícula?
— Deveríamos fugir — ele propõe.
— Está falando sério?
— Nunca falei tão sério em toda a minha vida.
— Não posso largar os estudos e ir embora, não sou você que já se formou dezenas de vezes no ensino médio.
Ele sorri e morde meu lábio.
— Então namoramos escondidos.
— Ele vai ler isso nos meus pensamentos depois.
— Não se transforme mais.
— Uma ótima ideia, mas ele iria desconfiar...
— Você ainda o ama mesmo depois do que ele te disse... — Freddie coloca a mão na minha barriga para que eu me mexa em baixo dele.
— Da mesma forma que prossigo amando você mesmo depois das coisas que fez.
Freddie para de respirar e abre a boca sem acreditar no que eu disse.
— Poderia repetir?
— Não... — Eu rio negando com a cabeça e sem querer respiro pelo nariz, a bile sobe na garganta por causa do cheiro.
— Acho que dessa vez você que não está pronta...
— Quando estamos parados é fácil, mas se eu... — Fico envergonhada ao ter que admitir a verdade. — Se você me dá prazer a vontade de te matar aumenta muito.
— E quando estou excitado acabo te machucando por não me controlar — ele sai de cima de mim, se deita ao meu lado e fita o teto. — Quer dormir aqui hoje?
— E sua mãe não vai ligar?
— Não. Ela vai estar de plantão no hospital.
— E Trina?
— Trina está de namorado novo e pretende ir para lá hoje à noite.
— Tori?
— Ela dorme cedo e não vai ser um problema.
— Tenho medo que toque em mim de noite — solto um risinho.
— Devia se preocupar que eu posso te tocar agora — ele belisca minha coxa.
Eu beijo sua boca e de repente a sua mão que estava na minha coxa vai para a minha calcinha. Encerro o beijo olhando seus dedos brincarem com a renda da parte da frente, poderia se rasgar em segundos em suas mãos. Freddie se afasta retirando a mão do meu corpo. Eu me ajeito na cama e ele envolve minha cintura com os braços.
— Sinceramente? Acho que deveríamos namorar escondidos.
— Com certeza — ele me beija de novo e alguém chuta a porta.
— A Carly quer falar com você! — Trina grita de trás da porta. — Ela disse que é sobre a conversa do estacionamento e está disposta a tentar se você quiser.
Freddie arregala os olhos para mim e eu saio dos seus braços enojada.
— Eu já estou saindo — ele faz um sinal para que eu me acalme e eu mostro o dedo do meio para ele com as duas mãos.
Freddie fica bravo e veste a calça jeans, ele pega a camisa e a coloca sem abotoar os botões. Ele aponta para o banheiro e eu vou andando ainda mostrando os dedos para ele. Freddie não afivela o cinto e abre a porta mesmo assim, eu só tenho tempo de entrar no banheiro quando vejo a silhueta da Carly adentrar no quarto. Deixo a porta um pouco aberta para ver a cena.
— Estava ocupado? — Ela pergunta olhando para ele.
— Muito — ele dá um sorriso brincalhão.
— Sobre aquilo que conversamos, estou disposta a tentar, mas tem um problema... — Carly parece preocupada.
— E qual seria? — Freddie afivela o cinto na frente dela.
— Eu não sou mais virgem, com certeza algo vai dar errado — ela se aproxima dele e eu mordo a língua querendo gritar.
— Então não pode ser você, tem que ser alguém pura.
— Eu queria mesmo ajudar.
— Daremos um jeito.
— Ainda quero fazer se não se importa.
— Está bem — Freddie suspira.
— Não faça essa cara de coitado, ainda não me esqueci do incidente.
— Não quero que se esqueça.
— O quão perto você esteve de me matar? — Ela pergunta.
— Muito perto... Foi um enorme erro.
— Sim, foi...
— Mais alguma coisa? — Ele parece ansioso.
— Sim, a Sam me pediu uma coisa, mas não quero que conte para ela o que eu vou te falar.
Não conta! Grito para mim mesma, mas bato o cotovelo na porta, isso dói e eu tenho vontade de gritar de verdade.
— Sem problemas — Freddie sorri de lado. Cínico! Ele sabe que vou ouvir.
— Ela queria que eu namorasse com você caso o Gibby tivesse impriting com ela, mas eu não consigo te enxergar dessa forma, não depois daquilo — ela se refere ao problema do banheiro de novo.
— Não sei o que fazer para me desculpar — Freddie é sincero.
— A sua mãe me examinou e disse que eu quase torci a bacia. Sabe como foi difícil não mancar na frente da Sam? Sério Freddie, pelo amor de Deus não queira foder com ela ou sei lá como vocês vampiros chamam, se não estiver pronto. Tudo bem que ela é forte, mas você é muito mais.
— Eu irei me controlar.
— Diz isso agora...
Eles ficam em silêncio por alguns segundos.
— E sobre aquilo de nós namorarmos não será mais necessário — Freddie fala demais, ah meu Deus.
— Ele não teve imprinting por ela?
— Pelo o que eu soube, não.
— Estava com alguém? — Ela vê algo atrás dele, provavelmente minha camisa rasgada.
— Sim...
— Melhor eu ir — Carly se despede do Freddie com um abraço, isso me dá raiva por causa da forma que ele está vestido.
— Até amanhã — ele acena.
— Até — ela vai para a porta. — Já pode sair do banheiro Sam, passa lá em casa depois — Carly some e eu abro a boca. Ela percebeu que estava aqui ao ver blusa.
Eu visto um roupão, saio do banheiro quase voando no pescoço do Freddie, então fico a metros de distância dele.
— É pedir muito para não perguntar sobre a conversa? — Freddie abotoa a blusa.
— Eu vou perguntar à Carly — pego o meu shorts no chão.
— Não está muito frio para você estar usando apenas um shorts? — Freddie se preocupa comigo.
— Eu consigo equilibrar a minha temperatura — coloco o shorts por debaixo do roupão.
— Eu não estou te traindo ou coisa parecida.
— Não estamos juntos para você me trair.
— Nossa! — isso o machuca.
— Freddie você tem que começar a confiar em mim, estou cansada de ser sempre a última saber e ainda saber pelos outros — vou para a gaveta dele procurar uma camisa, pego um suéter que fica um pouco grande, mas serve.
— Eu confio em você... Eu só...
— Se você tivesse me ligado assim que fez aquilo com a Carly, eu não teria me irritado tanto, mas se eu descobri Freddie que você matou o Dice só por que achou que isso faria a gente se aliar, está muito enganado, nem todo o amor do mundo vai me empatar de matar você — eu saio do quarto batendo a porta com força.
Entro no 8-C tendo pequenos tremores. Carly está sentada no sofá mexendo no notebook. Wendy está ouvindo música nos fones em um travesseiro no chão. Eu me sento ao lado da Carly com raiva.
— Como foi com o Gibby? — Ela pergunta.
— Ele dominou rápido a transformação.
— Me conta que sei que tem mais coisas.
Suspiro sabendo que vou ter que repetir toda a história de novo. Wendy pausa a música para escutar.
Começo a contar a partir do momento que cheguei em casa, o bom da mente infalível é relembrar cada momento e exatamente cada conversação. Em seguida conto o que estava fazendo na casa do Freddie.
Carly apoia a mão no queixo e batuca no notebook já fechado. Ela parece está à procura do que dizer.
— Às vezes eu me sinto dividida quando penso em quem seria melhor para você... Você deixa bem claro que o Gibby te faz se sentir humana, ele te faz se sentir normal, enquanto com o Freddie você se aceita como é. Você quer o melhor para si mesma, mas não pensa no que é melhor para eles — ela se levanta. — Sam, não pode se esconder atrás dessa pose de durona para sempre.
— Eu não me escondo, você sabe o quanto eu chorei esses dias?
Wendy permanece em silêncio como se soubesse de alguma coisa. Somente Carly conversa comigo.
— Foi pela morte do Dice, qualquer um de nós chorou, você nem precisa desligar a humanidade por que já age como se ela estivesse desligada.
— E o que você quer que eu faça?
Carly anda para a cozinha pensando no que responder. Ela está com as mãos tremendo então vem bomba por ai.
— Pare de ser egoísta — ela reclama.
As próximas horas foram calmas. Não quis retornar para o apartamento do Freddie, fiquei espreitando pelo apartamento da Carly, jogando Playstation 4 com o Spencer e irritando a Wendy. Carly não quis me contar sobre a conversa com o Freddie e me deu o benefício da dúvida. Não parece ser algo bom o que está por vir. Wendy e ela pareciam cheias de segredos.
Carly estava tomando banho quando o Gibby apareceu me procurando na sala. Eu levantei do sofá. Wendy tentou fugir, mas eu a agarrei e a fiz ficar na sala conosco.
Gibby está vestido normalmente, mas noto que está mais alto e mais forte, como isso é possível? Não faz nem vinte quatro horas quando o vi pela última vez.
— Sam, por favor, me perdoa, eu não quis dizer aquilo — ele se aproxima e eu tento não me intimidar.
— Mas você disse.
— Eu sei que errei, mas... — Ele suspira como se fosse fazer um discurso. — Não vou decretar aquilo, eu estaria querendo impor uma nova lei mais por preconceito e por ciúmes do que por necessidade. Eles não são um perigo para a tribo e nem para a cidade... — Gibby faz uma longa pausa. — Você ama o Freddie, uma hora eu teria que aceitar isso mas, por favor, tire essa coisa de alfa de mim, não me deixe fazer parte da matilha. Eu não quero torturar os outros com meus pensamentos toda vez que eu te ver com o Freddie.
— Gibby você não vai me ver com ele, se lembra de que eu disse que não escolheria nenhum dos dois?
— Eu te conheço bem o bastante para saber que você vai escolher um de nós — Gibby rebate. — Então quero colocar as cartas na mesa...
— Coloque — cruzo os braços e Wendy suspira querendo correr de novo.
— Eu posso te dar tudo o que você quer. Eu posso fazer você se sentir humana... — ele sussurra. — E acima de tudo posso te dar muito calor. Ele não pode te beijar sem te machucar, você nem aguenta ficar perto dele. Você pode envelhecer ao meu lado deixando de se transformar, poderíamos ter uma vida humana e feliz. Poderíamos formar uma família, não é querendo ser egoísta, mas por que você o escolheria? Sendo que eu posso te dar todas as possibilidades do mundo. Eu posso te dar uma vida. Ele não pode te dar nem metade disso.
O silêncio se estabelece. Wendy está chocada demais, mas eu sigo a trajetória do seu olhar, ela fita a porta onde o Freddie está parado com uma expressão de agonia. Ele apenas se vira e sai. Corre atrás dele! Meu subconsciente grita, mas eu não saio do lugar. Por que eu não corri? De repente parece que tudo o que o Gibby falou é o que eu mais quero no mundo... Talvez seja como a mãe do Freddie disse, ele não está com a Carly porque ela é humana e eu não estou com o Freddie por que ele é um vampiro.
Eu estou presa em um beco sem saída.
— Gibby... — Murmuro. — Eu amo você, mas não estou escolhendo ninguém agora. Eu preciso... Preciso pensar.
— Pense — ele parece estar aliviado. — Acho melhor eu ir... Desculpa por aquilo com o Freddie, eu não sabia que ele estaria ouvindo.
— Não se desculpe — preciso que ele saia antes que eu dê um berro.
— Te vejo amanhã — ele se vira e sai pela porta.
Eu me jogo no sofá ao lado da Wendy.
— Sammy, eu sei que é difícil para você — ela sussurra beijando meu cabelo.
— Não quero magoar ninguém, mas o Gibby tem razão, por que eu trocaria uma vida humana e feliz com ele para ficar com o Freddie?
— Porque você o ama. Você ama o Freddie.
Coloco a cabeça entre meus joelhos.
— Eu amo o...
— Você ama as coisas que o Gibby pode te oferecer. Ele pode te dar coisas que jamais o Freddie vai te dar.
Ela tem razão e pensa da mesma forma que a Carly. Gibby pode me dar a vida humana e normal que eu sempre quis. Que eu sempre desejei.
— Eu quero ser normal, Wendy.
— Você não pode e jamais vai ser. Mais uma vez está vendo as coisas que são melhores para você, quando na verdade tem que ver as coisas que são melhores para eles. Amar alguém é colocar as necessidades dos outros acima das suas, então talvez você devesse sacrificar uma vida humana, por uma eternidade ao lado do Freddie.
Eu me encosto contra ela e fecho os olhos.
— O Gibby se esqueceu de que ele ainda pode ter imprinting por alguém.
— Mais um motivo para você escolher o Freddie.
— Eu sei...
— Então quem você escolhe? Diga... – ela sussurra
— Fredward Benson – digo com toda certeza que tenho.
— Perfeito – Wendy sorri.
— Melhor eu ir encontra-lo — saio do sofá. — Pode e achá-lo para mim?
— Posso — ela olha fixo para algo em sua frente e começa a se levantar tremendo. — Sam... — Ela choraminga.
— Wendy, o que você viu? — Corro para ampará-la.
— O Freddie...
— O que ele fez?
— Ele desligou a humanidade — ela sussurra e eu perco o meu chão.
Povs Freddie:
Eu abro a porta do apartamento da Carly para falar com a Sam. Ela deve estar confusa com tantas coisas girando na cabeça dela.
Eu travo na porta ao ver o Gibby de costas. Sam não percebeu que eu entrei apenas Wendy percebe.
— Poderíamos formar uma família, não é querendo ser egoísta, mas por que você o escolheria? Sendo que eu posso te dar todas as possibilidades do mundo. Eu posso te dar uma vida. Ele não pode te dar nem metade disso — Gibby diz para ela.
Eu sinto como se alguém retirasse o meu coração do lugar e pisasse em cima. Eu imagino milhões de futuros que a Sam poderia ter e não me imagino em nenhum deles. Gibby tem razão. Ele pode dar o mundo a ela e eu se quer posso oferecer as batidas do meu coração.
Sam se dá conta que estou aqui e seu olhar vai de surpresa para pânico. Eu saio do apartamento e ela não faz questão de vir atrás de mim. Eu volto para dentro do meu apartamento e praticamente já estou no meu quarto. Eu pego o tecido que antes era a blusa dela e uso para abafar um grito.
Eu soco meu travesseiro até ele explodir em penas. Eu fico em pé e levo as mãos à cabeça sentindo dor. De todas as escolhas erradas que eu fiz, me apaixonar por ela foi a pior. Eu não quero mais sofrer. Não quero mais fazer os outros sofrerem. Preciso listar meus erros para saber exatamente por que sinto dor pelas coisas que eu fiz.
Transformei a Sam. Fugi durante uma parte da batalha de Violet Hill com medo de ser jogado no tribunal por te incitado os clãs a lutarem. Eu passei um tempo morando em Montana durante 1881 e Sam veio me visitar, a magoei mais uma vez. Fiz a vida da Sam um inferno quando vim para Seattle novamente. Omiti a verdade sobre o passado dela. Retirei as coisas dela do telhado para que os lobos rivais não soubessem que ela fez aquilo. Menti para ela diversas vezes. Fui cúmplice de um assassinato do seu bando por que eu precisava que ela nos aliasse para termos mais poder. Quase estuprei a Carly por que perdi o controle de mim mesmo. Foi tantos erros que ódio não é o suficiente para classificar o que estou sentindo. Eu não quero mais pensar nisso. Eu quero parar de sentir essas coisas. Eu quero morrer, mas se não posso vou fazer algo pior.
Eu tomo a decisão antes que Wendy veja e tenha tempo de me parar. Eu imagino meu coração. Uma rocha. Fria. Imóvel. Congelada. Assim como meus sentimentos. Eu fecho os olhos e conto até dez. Quando abro eu sinto frio. Não existe nada no meu peito. Não existe mais nada. Não existem mais emoções. Existe apenas eu.
Levanto-me como se eu fosse feito de ar. Abro a porta do quarto. Ando no corredor em silêncio passando a mão na parede. Tori está saindo do quarto dela. Minha garganta arde com o cheiro puro. Sinto sede.
— Vai para onde? — Ela pergunta alegremente, isso me irrita.
— Por aí — passo por ela trancando a respiração.
— Que horas você volta?
— Não é da sua conta.
Eu saio do apartamento procurando um lugar para ir. Procurando uma vítima para matar. Alguém que sacie minha sede.
Povs Sam:
Estou na escola tomando a pior decisão da minha vida. Estou andando até o clã de vampiros para perguntar sobre o Freddie. Eles estão próximo ao campo da escola e os estudantes me olham sabendo que vai ter uma discussão. Eu me aproximo deles e Nevel cospe no chão.
— Alguém teve notícias do Freddie? — Eu pergunto tentando não voar no pescoço de alguém.
— Não. E a culpa é sua — Nevel me encara com ódio.
— Eu não sabia que ele estava ouvindo — tremo por ter tantos vampiros em minha volta.
— Você que deveria procurá-lo — diz André.
— E o que você acha que eu fiz a noite toda? — Sinto a fumaça começar pelos meus dedos.
— Ficou dormindo com algum membro do seu canil — Nevel debocha e minha mão acerta sua cara de pedra. Ele ergue a mão contra mim, mas vê que não pode me bater na frente de todos. — Tem sorte de ser mulher.
Dessa vez tento acertar um soco quando algo segura minha mão. Freddie se coloca entre nós, mas ele mesmo chuta o Nevel que cai no chão. Freddie praticamente me arrasta pela mão para dentro da escola. Paramos próximo ao meu armário e ele tem uma expressão morta. Ele olha para tudo em volta menos para mim.
— Me perdoa Freddie, eu não sabia que estaria ouvindo — eu fico de costas para o armário.
Freddie se coloca na minha frente e apoia as mãos em cada lado dos armários me empatando de me mexer. Eu só enxergo o seu rosto. Esse não é o meu Freddie. Esse é só uma cópia sem vida dele. Aquele olhar de menino não existe mais. Nem o sorriso que eu tanto amo. Só resta um corpo morto me encarando.
— Por que não me deixa em paz, desocupada? — Ele pergunta secamente.
— Você só está dizendo isso por que desligou os sentimentos, você me ama — eu estou com uma voz chorosa, eu não sou assim.
— Amo? Eu devo ser muito idiota mesmo. Eu não posso te dar nada, lembra? — Seu olhar frio me assusta.
— Você pode sim — toco seu peito.
Ele sorri friamente quando me sente pressionar a mão na sua camisa meio aberta.
— Eu não posso te oferecer as batidas do meu coração. Eu não posso te dar calor e muito menos te esquentar em uma noite de inverno. Não posso passear de mãos dadas com você em um dia ensolarado pela praia. Não posso fazer amor com você sem te machucar. Eu não posso chorar quando você estiver triste e muito menos comer algo que prepararmos juntos. Não existem possibilidades comigo, por que você escolheria a mim? — Ele segura minha mão contra seu peito.
A resposta está na ponta da minha língua.
— Eu amo você. Por que eu amo você — tento beijá-lo, mas ele bate as duas mãos com força nos armários, próximo ao meu rosto.
— Mentira! — Ele estoura com raiva.
— Não é mentira, eu amo você — seguro seu rosto.
— Não pense que estou sentindo alguma coisa agora, só sinto vontade de te matar por que você me irritou. — Freddie se distancia de mim. — Me deixe em paz, entendeu? — Ele some entre os estudantes no corredor.
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