42 - Violet Hill

29 País das Maravilhas


Notas iniciais
Hey humanos! Vamo que vamo que hoje é dia de capítulo novo! Uhuuuul aproveitem:

Parte 29: Oráculo

Povs Sam:

O castelo é a maior construção que eu já vi em toda a minha vida. Em mais de um século eu nunca vi tamanha beleza e superioridade. Uma pessoa poderia facilmente se perder por aqui.

— E isso tudo é meu? — eu pergunto ao Gatlin que me conduz por uma longa escada até uma torre onde tem o meu quarto e o dele.

— Sim. Tudo é seu. — ele responde sorrindo.

— Não acha que é exagero?

— Não. Gosto de ter muito.

Reviro os olhos entediada.

— Por mim tanto faz.

— Tudo para você é tanto faz agora.

— É bem melhor desse jeito. — eu acelero meus passos.

Gatlin abre uma enorme porta para mim.

— Essa é a suíte da princesa. Meu quarto fica logo ao lado... Mesmo após o casamento não dormiremos no mesmo lugar. — ele me conta.

— Uma boa notícia pelo menos. — eu caminho para a janela. Ela tem uma vista para um campo de golfe e logo após o campo tem uma enorme floresta, perco a vista no horizonte.

— Uma hora essa sua aversão a mim terá que acabar. — diz Gatlin se colocando ao meu lado para observar a vista.

— Eu acho difícil.

Ele não consegue segurar um de seus sorrisos.

— Quer conhecer o resto do castelo?

— Claro. — eu minto.

— Me acompanhe. — ele pega a minha mão.

Gatlin me leva para cada lugar do castelo que ele se lembra que existe, mas faz mais de uma hora que estamos andando e ele ainda não me mostrou a sala do trono. Eu quero dar um soco nele por desperdiçar o meu tempo.

— Quando eu verei algo realmente interessante? — eu pergunto ao chegarmos em uma enorme porta de madeira com lobos entalhados na madeira. Sei que é em homenagem a mim.

— Antes disso, precisa escolher que tipo de rainha você será... — Gatlin se apoia na porta.

— Não entendi.

— Já leu Alice no País das Maravilhas?

— Sim. — relembro da história.

— Existia a Rainha Vermelha e a Rainha Branca... Eram irmãs e apenas uma era boa.

— Pula a história e vá para o ponto.

— No final, Alice batalha contra o Jaguadarte, que era da Rainha de Copas... Você precisa escolher quem vai ser. Você precisa escolher com quem vai lutar. — Gatlin abre a porta devagar.

— Quer dizer que vou colocar alguém para lutar por mim?

— Sim. Uma rainha nunca luta suas próprias batalhas.

— Então eu preciso de um Jaguadarte?

— Sim... — Gatlin abre as duas portas — Mas na nossa história, a Alice não vence.

Eu olho para dentro da enorme sala. Vejo um trono no final do ambiente. Ele é feito de madeira, mas tem rubis e diamantes o enfeitando. A madeira se junta formando um arco. Sinceramente? Eu achei ridículo e vou mandar trocar.

— Quem eu escolho? — eu pergunto caminhando para o meu trono.

— Para lutar por você? Ou para ser? — pergunta Gatlin no meu flanco.

— Para eu ser, idiota. — eu aliso os rubis.

— A decisão é sua. Eu apenas conto as histórias.

Eu penso um pouco nessa palhaçada toda. Quero poder. Quero garantir a vitória. Quando o Alfa surgir, eu tenho que ser mais esperta do que ele, tenho que se melhor do que ele. Não posso arriscar morrer... Eu tenho que pensar como ele. O Alfa não é a Alice, o Alfa é a Rainha Branca. Ele colocará alguém para lutar, então eu farei o mesmo. Preciso de um Jaguadarte, por que eu serei a Rainha de Copas.

Sento-me no trono. Olho para a sala vazia que em breve estará repleta de pessoas se ajoelhando diante de mim. Qualquer outra pessoa se sentiria o máximo por ter isso, eu não. Estou pouco me fodendo para o reinado. Eu só quero descontrair um pouco. Essa coisa de rainha será passageira. Se o Alfa não me matar — o que é pouco provável — eu quero viver a minha vida ou o que sobrou dela, agora que eu envelheço. E também, se eu abdicar o trono agora, as pessoas de Seattle vão morrer, não que eu me importe — que eles se explodam — mas eles não merecem isso. O Alfa vai protege-los, até lá, eu fico nesse teatrinho aqui.

···············

Dia 17 de abril

A cerimônia de coroação aconteceu hoje. Adentrei na sala do trono, recitei algumas palavras, fiz um juramento, depois me sentei enquanto pessoas me adoravam. Foi uma coisa chata e sem nexo. Mantive um falso sorriso no rosto enquanto recebia amor de pessoas que nem me conhecem. Gatlin veio com a conversa que é melhor ser amada do que temida. Ele e esse lance de Alice no País das Maravilhas de novo.

A festa da coroação já acabou. Ainda estou com minha coroa na cabeça. Tem um lobo nela. Gostei. Eu caminho até a biblioteca do castelo, um lugar que eu ainda não tive tempo de visitar já que tive ofícios mesmo não sendo a rainha, agora que eu sou não terei tanto tempo livre. Eu ando pelas fileiras de livro. Hayes mencionou algo sobre a linhagem de August estar em um livro... Mas como eu saberei qual é o certo entre tantos?

Um livro preto chama a minha atenção. Ele brilha de uma forma intensa. Corro e o pego em minha mão. Abro o livro na primeira página. É um desenho de um lobo, parece ser preto... O desenho se move e o lobo avança para um homem que segura uma tocha.

Um cheiro agridoce se aproxima. Gatlin.

— Imaginei que viria aqui. — ele murmura me abraçando por trás — Eu tentei chegar de surpresa.

— Impossível me pegar de surpresa, sinto seu cheiro do outro lado do castelo. — eu falo e relembro que disse algo parecido ao Freddie no estacionamento após o baile de máscaras. Por algum motivo essa lembrança faz uma sensação gostosa passear pelo meu corpo. Logo descarto o pensamento. Não quero parecer excitada, ainda mais nos braços do Gatlin. Esse não tem medo de morrer.

— Gostou desse livro? — Gatlin pergunta contra a minha orelha, é a primeira vez que ficamos tão próximos, mas se ele for muito longe eu arranco a cabeça dele ou bebo seu sangue. Um dos dois.

— Achei interessante... — olho para as páginas — Ele é magico?

— De certa forma. — Gatlin segura o livro para mim, assim nos juntando mais — Ele conta o que aconteceu e o que vai acontecer. Se chama Oráculo.

— Como ele pode mostrar algo que ainda não aconteceu? — mostro descaso.

— Por que ele foi feito com poder de várias Hexenbiests. Ele é o destino da humanidade e gira em torno de uma única coisa... — sua boca prossegue no meu ouvido e isso me causa arrepios — O Alfa. — ele passa as páginas e para em uma onde tem mais um lobo preto.

— Isso aqui descreve a chegada dele? — eu deslizo meu dedo sobre o desenho do lobo, levo um certo choque mas disfarço.

— Sim. — Gatlin vai para a página seguinte — Como pode ver, uma garota batalha com um cavaleiro.

— Os cabelos dela... — reparo nos cachos que parecem meio lisos, se o desenho tivesse cor eu diria que ela é... — Tori Vega.

— Você acha que é ela?

— Eu conheceria esse cabelo estranho em qualquer lugar.

— Como pode ver, o Alfa irá colocar ela para lutar por ele... E o cavaleiro lutará por você ou por alguém que estará no trono.

— O livro diz tudo... Provavelmente um monte de coisa que todos já sabem. — eu fecho o livro e me viro para o Gatlin — Só não diz quem é o Alfa.

— Talvez isso leve um certo tempo para ser descoberto. — Gatlin sorri e segura meu rosto — Queria poder te chamar de minha.

— Querer não é poder. — eu seguro seus ombros — Mas estou um pouco entediada hoje... Então... — aproximo minha boca da sua e deixo o beijo começar.

Ele não tenta intensificar o clima, apenas me beija com calma. Os lábios dele são gentis. Eu que o aperto contra mim e abro a boca. Deixo tudo ficar mais quente, porém Gatlin é humano, por mais que eu esteja totalmente desligada, não quero mata-lo agora, ele pode me ser útil depois.

Eu quebro nosso contato. Seus olhos se abrem devagar.

— Acho que é um começo... — ele arrisca dizer.

— Se é um começo, pode me ajudar a procurar entre esses livros algum que revele a descendência de August Benson. Tori é filha dele, se a garota tem poder quer dizer que a família também tinha. — eu me viro e subo as escadas para a parte de cima da biblioteca.

Povs Freddie Benson:

Dia 21 de abril

Eu carrego em minha mão o presente da Carly. Sei que seu aniversário é amanhã, mas pretendo entregar hoje. Eu entro no apartamento dela, subo as escadas e vou para o seu quarto. Ela está sentada na cama amarrando o tênis.

— Toc, toc. — bato na porta.

— Oi. — ela abre um sorriso enorme — Own, você me trouxe um presente.

— É seu aniversário amanhã... — me aproximo devagar — Pensei em te dar alguma coisa.

— Não precisava. — ela se levanta e pega o presente da minha mão.

— Precisava sim. — eu coloco as mãos no bolso.

— É... Tem algo que eu quero falar com você. — Carly coloca o presente em cima da cama.

— O que é?

— Nós fomos a um baile da família Real, certo?

Engulo em seco.

— Sim. Já faz um tempinho...

— Depois do baile eu vim para o apartamento, eu fiquei brava com alguma coisa... — ela se aproxima mais — E ai eu te beijei.

— Você estava bêbada. — eu descoverso.

— Por isso não me beijou de volta? — ela pergunta. Agora que Carly não se lembra da Sam, eu não vou poder dizer que não a beijei por causa de alguém que se quer existe para ela.

— Sim. — eu minto por ser a única opção — Eu não queria que quando você ficasse sóbria pensasse que eu tinha me aproveitado de você ou coisa assim.

— Então quer dizer que... — ela segura meu ombro com a mão esquerda e com a mão direita entrelaça o meu pescoço — Se eu não estivesse bêbada naquele dia você teria devolvido o beijo?

Eu encaro a Carly. Meu olhar vai dos seus olhos para a sua boca. Não importa se eu recusar beija-la agora por que vai acontecer depois. Recuar é tentar combater o inevitável. Eu dou um sorriso e beijo ela. Carly me puxa contra seu corpo quente. Minhas mãos travam nas suas costas. A sede queima minha garganta. A língua da Carly toca a minha e eu sinto vontade de beber o sangue que corre em suas veias. Ela começa a me levar para a cama. Estou tão absorto que eu mesma a empurro. Caio por cima da Carly e seguro suas coxas. O beijo fica mais pesado. Estou ficando excitado com as mãos dela pelo meu corpo, não é fácil se controlar quando se é um vampiro, ainda mais na companhia de uma humana. Tenho que trancar a respiração. Ela desabotoa os primeiros botões da minha camisa. Eu permito deixar o beijo ir mais longe. Lembro de quando a machuquei no forro do banheiro. Eu paro o beijo e seguro seus pulsos.

— Não posso Carly. — eu sussurro — Se eu te matar eu nunca me perdoaria...

— Tudo bem... — ela está com a respiração totalmente desequilibrada.

Eu beijo seus lábios rapidamente e me levanto da cama.

— Vamos nos atrasar para a aula. — eu abotoo os botões que ela conseguiu abrir.

— Já estou pronta. — ela se levanta ficando um pouco vermelha — Desculpa.

Eu agarro sua cintura e a encosto no criado-mudo.

— Não tem que se desculpar, eu apenas não posso ir longe com você. — arrisco mais um beijo.

Ela sorri.

— Se você me transformasse...

— Não. — eu solto ela e vou para a porta — Melhor nós irmos.

Carly suspira e me segue.

Não tem sido fácil os dias desde a partida da Sam. Eu lembro que ela desligou a humanidade e por isso eu tento me convencer que não foi ela que partiu, que a Sam que eu amo ainda está naquela casa esperando por mim. Eu não tive coragem de colocar os pés lá desde que ela se foi. Eu fico me remoendo o tempo todo pensando em como eu poderia ter evitado tudo isso. Os outros sentem falta dela, mas evitam comentar sobre isso perto da Carly. Eu vejo os olhares deles vazios. Às vezes se pegam olhando para o lugar em que ela sentava na aula, ou no refeitório. Eu sinto a dor de cada um, está sendo mais do que eu posso suportar. A pior dor é a do Gibby. Infelizmente eu acabei tendo que conversar com ele a respeito de algumas medidas de segurança agora que ele é o Alfa da alcateia. Só bastou cinco segundos da presença dele para eu querer morrer. Mas eu mereço. Sim. Eu mereço cada dor, sentir cada angústia e cada saudade de todos. É o mínimo que mereço sentir após ter sido culpado de tantas coisas. Eu devo ter dito pelo menos umas 37 vezes a mim mesmo por dia que estou bem, mas sei que nas 37 vezes eu estava mentindo.

Eu só permaneço vivo por que eu prometi a Sam que tomaria conta da Carly. É a única coisa que me mantém por aqui. Minha rotina se baseia em todo dia pela manhã ir à escola, retornar e passar o tempo com a Carly. Em breve faz três semanas que estou nisso, a coisa já está ficando chata. Agora a Carly e eu nos beijamos, não sei se devo deixar esse lance ir muito longe. Eu sei que a amo, por alguma razão muito estúpida eu tenho sentimentos por ela, mas quando estou sozinho eu fecho os olhos e relembro cachos loiros, olhos azuis e um cheiro doce de lavanda. É meu inferno pessoal. E saber que essas três coisas antigamente eram o paraíso para mim. Eu perdi tanto em tão pouco tempo. Dou graças a Deus que Nevel não está por aqui para ler minha mente... Oh... Nevel... Nevel traidor sujo! Ele ferrou conosco, por pouco não conseguimos escapar da sede dos caçadores. Nevel sumiu do mapa, espero que não seja burro o suficiente a ponto de voltar se não eu irei mata-lo. A traição dele custou muitas coisas... Eu sei que errei em não salvar a Sam, eu não sei nem o que passou pela minha cabeça naquela hora. Foi como se a gravidade me puxasse para a Carly, eu tinha que salva-la... Por mais que fosse errado. Era como se o destino tomasse as rédeas. Quero acreditar que no futuro terá algum sentido eu ter feito tamanha burrice. Não que se eu tivesse salvado a Sam teria sido o certo, mas ainda estaríamos juntos. Qualquer pensamento de escolha entre as duas naquele momento é errado. Acabou que o Gibby salvou a vida da Sam. É ainda pior saber que ela o beijou não por que ele salvou a vida dela, mas por que ela o ama, ou pelo menos amava. Agora com a humanidade desligada ela não ama a ninguém, só a si mesma. Desligar a humanidade era a coisa certa a fazer. Sam não tem que carregar o peso do mundo nos ombros. Espero que ela viva um pouquinho. Quem sabe um dia nos encontraremos de novo... Ou em outra vida. Eu prometo fazer tudo certo na próxima vez.

O último sinal do dia toca. Eu me arrasto feito um zumbi até meu carro. Carly vai dar a festa de aniversário hoje, no sábado ela vai visitar o avô em Yakima. Prevejo que hoje todos colocam um sorriso na cara e fingem estarem felizes. Wendy devia apagar a memória de todo mundo, eu sei que é um pensamento egoísta, mas estou lidando com muita coisa aqui. Eu queria pedir a Wendy para que tirasse a Sam da minha mente, mas eu não consigo. Eu quero me lembrar dela. Por mais que nas noites frias eu me esconda no canto mais escuro do quarto para chorar baixinho. Chega a ser ridículo, mas é a verdade, minha dor aumenta a cada dia por causa da dor de todos. Não falta mais nada para me destruir. Nada.

Carly surge na minha frente. Eu não a vi chegando. Tomo uma postura de alguém que estava apenas distraído.

— Oi Carly. — eu murmuro. Merda, estou rouco, quase que eu ia chorar aqui.

— Preparado para a minha festa? — ela pergunta pegando as minhas mãos.

— Com certeza. — eu tento forçar um sorriso.

Carly se aproxima e me da um selinho. Tori chuta a lateral do carro.

— Podemos ir Freddie? — Tori pergunta chateada, ela não é muito fã da Carly ultimamente e muito menos de mim, ela pegou uma aversão surpreendente a vampiros.

— Claro. — eu abro a porta do passageiro para Tori, mas ela entra pela porta de trás.

Carly entra no carro e eu fecho a porta para ela.

Rapidamente dou a volta, adentro no Audi e o conduzo para longe da escola.

É mais de uma hora da manhã. Estou entrando em casa. Eu me sinto cansado. A festa da Carly foi pior do que eu pensava, ter que lidar com tanta gente e fingir que estava tudo bem foi mais que horrível. A pior coisa foi mentir para quem perguntasse sobre a Sam e tentar deixar esse assunto longe da Carly.

Ando para o meu quarto somente para deitar na cama e observar o tempo passar. Eu passo em frente ao quarto da Tori e Trina. Eu tomo um susto ao ver que algumas coisas da Tori não estão ali. Ela está fechando uma caixa.

Entro no quarto e pergunto:

— Para onde vai?

— Para minha nova casa e não fique surpreso.

— O que? — eu corro e já estou na frente dela — Você ficou louca? Não pode partir!

— Freddie eu tenho 18 anos! É a minha vida e você sabia que isso ia acontecer uma hora ou outra! — ela se desvia de mim para pegar uma mochila e caminha para o banheiro, eu a sigo.

— Vai morar aonde? — eu pergunto parado na porta do banheiro, enquanto ela seleciona as coisas dela para levar.

— Agora que eu possuo um emprego, vou morar em uma casa próxima do Sound que Griffin e eu alugamos. — ela responde me olhando.

— Vai morar com ele? — estou chocado.

— Agora vai dizer que se opõe em que eu viva em pecado? — ela sai do banheiro e volta para o quarto.

— E como acha que a mamãe vai reagir a isso? — eu questiono.

— Vai reagir normalmente, por que ela não é minha mãe e você se esquece disso. — Tori abre as gavetas da Trina procurando alguma coisa.

— Ela cuidou de você.

— Que bom, serei eternamente grata. — ela rola os olhos e isso me lembra da Sam.

— O papai não ia gostar da sua partida.

— Eu sei. — Tori age de forma fria e dura.

— Mas ele não está aqui agora.

— Mas eu estou e não quero que você vá.

— Você não é meu pai Freddie! — o temperamento dela oscila.

— Não sou...

— Então para de querer assumir esse papel! — ela grita comigo ficando com raiva. Ser uma loba a deixa totalmente fora de si em certos momentos.

— Tori, não vá.

— Eu preciso ir... — ela parece estar sofrendo — O Griffin e eu somos feitos um para o outro, o imprinting aconteceu. Eu teria que partir cedo ou tarde.

— Cedo ou tarde sim, mas depois da formatura, não precisa ir agora. — eu estou começando a implorar. Tori vira o rosto. — Não é só por causa do imprinting... Você quer manter distância de mim.

— É horrível ter que acordar todos os dias e olhar para essa sua cara de falso. — ela fala a mesma coisa que a Sam disse, porém com a voz embargada — E se eu não sair agora, não vou esquecer esse seu jeito nunca mais.

— Tori. — eu fico até sem ar.

— Você fica esperando o que? Ela voltar? Não... Ela se foi! E a culpa é sua! — ela se altera e a fumaça começa — Talvez... Só talvez quem sabe um dia ela volte, mas jamais será a mesma coisa. Você não soube ama-la de verdade, somente com um imprinting para você conseguir ela de volta. Só que você não sabe o que é isso e se um dia souber, eu espero que mude totalmente a pessoa horrível que você é agora. — ela sai do quarto e para na porta, eu fico parado sem saber o que dizer — Eu queria que o Gibby tivesse tido imprinting pela Sam, assim ela não teria sofrido tanto. Em parte eu fico feliz que a Sam se foi, ela não merecia você. Você nunca foi bom o bastante para ela. Você nunca pertenceu a ela. — Tori some de vista me deixando com um buraco no peito, longe de qualquer tipo de reparo.

Povs Tori Vega:

Eu entro no carro do Griffin. Respiro fundo e começo a chorar. Ele me abraça com força.

— Ele nunca vai me perdoar. — eu falo entre meu choro denso.

— Ele vai sim Tori. Ele é seu irmão e te ama muito... — Griffin diz beijando meus lábios com carinho.

— Ele não vai. — seguro as mãos dele — Eu disse a mesma coisa que a Sam disse a ele... Mas é a verdade. Freddie errou tanto que por culpa dele todos nós estamos vivendo desse jeito. Eu não suportava mais ficar naquele apartamento e olhar para ele. — eu relembro de algo e começo a chorar mais forte — Oh droga e a Trina também vai embora pela manhã, isso vai acabar com ele.

— Tori, eu sinto muito por tudo isso. — meu namorado tenta me consolar mas é impossível me acalmar no momento — Não importa o amanhã, eu amo você.

— Eu também amo você. — sussurro rouca.

O primeiro dia de maio se ergue entre nuvens pesadas. Que novidade chover em Seattle. Hoje é feriado. Griffin dorme tranquilamente ao meu lado e eu me levanto da cama. Visto uma de suas camisetas, saio do quarto e vou para a cozinha.

Eu arrumo a cafeteira e ligo para tomar um café. Abro a geladeira, pego alguns ovos e coloco na bancada. Estou pegando o queijo quando escuto um barulho familiar. Carly. Eu fecho a porta branca e me viro para ela.

— O que você quer, Carly? — eu pergunto cruzando os braços.

Não tenho um pingo de simpatia por ela, mesmo que não tenha total culpa, mas o fato de estar praticamente namorando meu meio-irmão me tira do sério.

— Preciso matar uma pessoa. — ela responde se sentando em uma cadeira sem pedir.

— E quem de nós não precisa? — me sento à mesa. — Será apenas questão de tempo até a família Real nos forçar a isso.

— Não tem nada haver com a família Real...

— Sempre tem tudo haver com a família Real. — falo algo verdadeiro.

— Mas dessa vez, tem haver com Grimms. — ela alisa o cabelo curto.

— Até parece uma história interessante. — finjo interesse.

— Realmente é.

— Me conte.

— Parece que existe um livro chamado Oráculo. — Carly inicia em um tom calmo — Que está em uma biblioteca no castelo de Viena.

— Eu disse que tinha haver com a família Real. — relaxo na cadeira, eu estava certa.

— Neste livro... — Carly ignora meu comentário — Contém tudo que aconteceu desde a aparição do primeiro lobo Alfa, até agora... E tem mais.

— Como assim mais?

Carly suspira parecendo preocupada.

— O futuro. A chegada do Alfa e um dia chamado "Gloriandei", onde teremos uma batalha...

— Então agora sabemos quem é o Alfa?

— Não. No livro não diz isso.

— E como sabe?

— Por que Wendy me contou a história do Oráculo. — diz Carly — Ele não revela nomes, revela apenas cenas.

— E o que isso tudo tem haver com matar alguém? — quero que ela me responda logo.

— Neste mesmo livro, revela que uma garota chamada Kimera irá surgir. Filha de uma Hexenbiest e de um lobo.

— Você acabou de dizer que o livro não revela nomes. — estou quase me estressando.

— É complicado... — ela também parece impaciente.

— Só finalize logo sua ladainha.

— Pelo o que o Oráculo revela... A garota Kimera será extramemente poderosa. Seu nascimento será aqui em Seattle. — Carly conta e fica me olhando — Não está óbvio ainda, Tori?

— O que? — ainda estou boiando.

— Algum casal aqui em Seattle é formado por um lobo e por uma Hexenbiest além de Brad e Wendy? — pergunta Carly — Não. — ela responde rapidamente a própria pergunta — Agora os Grimms pretendem mata-los.

— Ow. Calma querida. — eu me levanto — É muita informação... Como assim Wendy e Brad terão uma filha?

— É o que o Oráculo está dizendo.

— Meu Deus... — eu me apoio na mesa — Quem é o Grimm que pretende matar a Wendy?

— Não só a Wendy, mas o Brad também...

— Quem é? — eu bato na mesa.

— Mabel... A mãe do Gibby. — ela me responde.

— Tem certeza?

— Não. — Carly se levanta — Mas ela é uma Grimm, descobri recentemente que ainda está em atividade e pretendo mata-la antes que mate Brad ou Wendy.

— A mãe do Gibby jamais machucaria um dos amigos dele. Nunca. — eu cerro minhas mãos em punhos.

— É melhor não arriscar. — a voz da Carly se torna amarga.

— Ela é a mãe do Gibby, lembre-se disso.

— Mas antes de tudo ela é uma Grimm. Eu também posso estar na lista negra dela.

— O que vai empatar de o Gibby te matar depois? — eu preciso evitar isso.

— Nada, mas eu lidarei com ele.

— Carly. — eu balanço a cabeça — Não faça nenhuma loucura.

— Já estou indo fazer, mas primeiro tenho que matar o Nevel, descobri que ele retornou a cidade. — Carly franze a testa como se não fosse nada demais.

— Você não é uma assassina Carly, não se torne uma. — eu peço sabendo que tenho que evitar isso.

— Estou cuidando dos meus amigos.

— Não é assim que se cuida das pessoas.

— Sério? E o que você entende disso? Abandonou o próprio irmão, quer mesmo falar de cuidar? — ela ri com nojo.

— Você não entende.

— É a mesma coisa que a Trina disse ao deixa-lo. Mas adivinha? Vocês duas estão erradas. São farinha do mesmo saco. — Carly se aproxima com um ar sombrio.

— Não me faça te matar agora. — eu rosno e meu corpo começa a tremer.

— Tenta a sorte... — ela murmura — Cometeram um erro ao deixar o Freddie, mas eu irei tomar conta dele, por que eu o amo. Ele é meu e não deixarei ninguém magoa-lo de novo.

— O Freddie nunca foi seu. Ele não pertence a você. — eu digo entre os meus dentes trincados com tanta força que nem o ar passa por eles.

— E ele pertence a quem?

— A alguém muito melhor do que todos nós juntos. — eu estou falando algo incoerente, pois eu disse ao Freddie que ele não era da Sam, mas não vou deixar Carly e o ego dela vencerem.

— Oh, ele é de alguém que se quer existe. — Carly cintila seus olhos verdes para mim.

— Essa pessoa apenas não existe para você.

— Seja lá quem for essa pessoa, ela não está aqui agora e não existe para ninguém. — Carly se teletransporta me deixando sozinha.

Preciso alertar alguém de seus planos. Preciso alertar ao Gibby.

Notas finais
Enton? Oq acharam? Comentem ai lindinhos! Não vou dizer muita coisa pq tem bomba por vir hehehe Próximo capítulo: Monalisa See you soon guys! Very soon...