Notas iniciais
Oi humaninhos! Voltei! Linda quarta para um capítulo inédito... E infelizmente não temos a Sam dando as caras por aqui hoje, mas temos Freddie e Gibby unidos forças para algo muito maior... E claro, temos Carly pegando mais um, eu apenas não descrevi a cena, mas talvez ela posso ser vista em um flashback no futuro... Aproveitem! P.S.: Poderiam me ameaçar menos? O fusca nem capotou ainda (grito que só vão entender depois de um tempo) P.S 2.: Vão devagar na leitura, o capítulo está bem embaralhado e vamos ser sinceros né, se ficasse tudo em ordem não ficaria tão interessante e estranho como as coisas costuma ser aqui na fic hehehe...

Parte 31: Ela morreu, mas ela voltou.

Povs Gibby Gibson:

A descida é lenta, calma e leve. Ao mesmo tempo em que é pesada demais para qualquer um presente aqui, ou apenas eu estou achando isso. O caixão é marrom tabaco. Não que a cor seja importante, eu só não quero imaginar quem está lá dentro. Não quero dizer que é minha mãe, mas é ela. Minha mãe está dentro desse caixão que está descendo devagar para sete palmos debaixo da terra. Ela era boa demais para essa vida e relembro de quando me dizia que esse lugar chamado terra, era apenas passageiro.

Guppy aperta minha mão com força. Ele não chorou em nenhum momento e eu me pergunto que espécie de treinamento de Grimm ele recebeu para ficar tão rude assim. O garoto não expressou emoções desde que a nossa mãe morreu, ou se expressou não estava comigo. Eu chorei. Chorei durante horas não querendo acreditar em nada. Enquanto Guppy nem ao menos veio me consolar.

Eu só consigo pensar em vingança. Não acho outra coisa para me distrair. Eu imagino dezenas de formas diferentes para matar a Carly. Agora Freddie a protege. Será difícil achar uma brecha. Eu devia invadir o Bushwell. Matar quantos do clã dele eu pudesse, até chegar à Carly. Depois que eu a matasse, eles poderiam fazer o que quisessem comigo. Me matar seria bom. Me matar seria uma boa. Não quero mais viver sem a única pessoa que se importava comigo de verdade... Tori assumiria a alcateia. Ela tomaria conta deles. Ela seria uma boa Alfa.

Agora eu não tenho ninguém. Sam não está aqui. A única pessoa que me ama está longe demais e totalmente desligada para tudo. As coisas estão ruins novamente. Se eu não entrei em depressão com a partida dela, eu entrarei agora, por que eu estou cansado de perder todo mundo.

O enterro termina. Que bom que Freddie e Carly não tiveram a audácia de vir, provavelmente sabiam que eu ia fazer uma ceninha básica. As pessoas iriam se assustar com um lobo de meia tonelada indo para cima de uma garota de aparência frágil, que na verdade é uma assassina, manipuladora, vadia e eu a odeio por isso. Carly merece morrer. Eu vou mata-la. Não sei como, nem onde, mas eu vou. Eu prometo.

Após apertar as mãos de algumas pessoas e receber abraços de consolação de toda a alcateia, eu sigo para casa no meu fusca com o Guppy.

Assim que eu estaciono o fusca na frente da garagem, Guppy sai correndo de dentro do carro e entra na casa. Eu fico sentado segurando a direção, explicando a mim mesmo por que quando eu entrar na casa minha mãe não estará na cozinha fazendo algum novo prato experimental, explicando por que eu jamais a escutarei tocando Fur Elise no piano ou o por que jamais a encontrarei em seu quarto novamente lendo um livro sentada próxima da janela. Eu jamais irei vê-la de novo. Ela morreu. Está morta. Essa é a verdade.

Eu saio do fusca e caminho para minha casa.

Meu pai abdicou a minha guarda, então meu avô que irá cuidar de mim até que eu complete 18 anos. Ele chegará pela manhã. Várias pessoas nos mandaram pratos com comida, está tudo na mesa da cozinha. Melhor eu guardar e não deixar nada se desperdiçar.

Eu começo a guardar os recipientes na geladeira, mas na metade do processo minha visão é ofuscada pelas lágrimas. Minha mãe diria onde guardar cada um deles. Ela riria comigo. Estaria presente. Ela me amava tanto. Tinha perdido o Guppy então só restava a mim em sua vida. Eu era tratado de forma perfeita. Era uma devoção total. Um amor de mãe sem igual no mundo. Agora simplesmente acabou.

Eu termino de guardar as coisas na geladeira e vou até o quarto do Guppy. Bato na porta.

— Guppy... — eu murmuro aguardando ele abrir — Você quer conversar?

— Não. — ele responde de dentro do quarto — Mas você quer conversar.

— Eu quero. — apoio a minha testa na porta — Foi nossa mãe que morreu Guppy, precisamos um do outro agora.

— Nunca fomos próximos e não é por causa da morte da mamãe que vamos ficar próximos agora.

— Pode ao menos fingir que está triste?! — eu dou um soco na porta — Você não chorou nem uma vez e nem ao menos esboçou reação!

— Chorar enfraquece as pessoas. Eu não choro mais. Como Grimm eu aprendi a não ter sentimentos. Aprendi a nunca me lamentar. Aprendi a nunca dizer "sinto muito". — ele deve ter se aproximado da porta por que sua voz está mais próxima — Eu vou me vingar, Gibby. Eu vou matar a Carly.

— Não. Ela pode acabar matando você, essa não é sua responsabilidade.

— É sim. Como Grimm e como filho, irei mata-la.

— Eu irei mata-la. — rosno sentindo meu lado animal querer explodir.

— Você está com raiva. Está magoado. Está com ódio. Isso só iria te distrair, você iria acabar provocando a própria morte, enquanto eu... — ele inspira — Estou calmo e controlado. Posso usar isso para pensar, bolar uma estratégia, arquitetar um plano e antes que a Carly se dê conta estará morta. Enquanto você está louco ou perto disso, instabilidade emocional não é uma opção. Você é fraco. Sua dor te torna fraco. O lance aqui é nunca se lamentar. É nunca ser fraco. Fraqueza é morte. A mamãe morreu por que foi fraca, mas eu não sou. — Guppy respira fundo uma última vez e o silêncio se estabelece.

Eu saio chocado de perto da porta do seu quarto. Suas palavras me cortam. É como bater contra um muro. E para piorar o muro desaba sobre você depois.

Eu entro em meu quarto e me deito na cama. Fiz tantas patrulhas ultimamente, tentei garantir a segurança da minha mãe, tentei mantê-la viva. Eu esperava que a Carly viesse até aqui, mas não. Ela esperou minha mãe resolver levar o Guppy de volta para La Push, para embosca-la no trajeto. Tínhamos usado dois carros para distração, mas Carly foi esperta. Ela não mordeu a isca e seguiu logo o carro que minha mãe estava. O que aconteceu naquela noite? Guppy nunca me contou. Irei morrer com a incerteza do que realmente aconteceu. Irei morrer sem saber por que minha mãe não conseguiu se defender.

Eu adormeço rapidamente. Eu não lembrava a última vez em que dormi.

Acordo com a claridade me incomodando. A luz do sol se estacionou em meu rosto por que a cortina está aberta. Olho para o relógio no criado-mudo. São quase sete da manhã. Eu dormi umas treze horas.

Eu levanto meio tonto. É como se eu tivesse estado em um coma. Ainda estou usando o terno preto. Eu vou para o banheiro, tomo um banho, coloco uma roupa qualquer e desço para comer alguma coisa.

Guppy está na mesa da cozinha e meu avô não chegou ainda. Guppy mastiga pedaços de bacon enquanto arruma uma espécie de garra com correntes. É algum tipo de arma que um Grimm usaria. O objeto de metal parece garras de um animal. Tem exatamente cinco pontas. Parece até mesmo com patas de um lobo enorme. Lobo de uma alcateia como a minha. Guppy lança a corrente para frente e as garras se fincam na parede. Ele puxa novamente e o objeto volta para a sua mão.

— Pretende matar a Carly com isso? — eu pergunto me aproximando dele com cautela.

— Sim. — ele volta a comer.

— E quando pretende fazer isso? — me sento em uma cadeira da mesa.

— Não tenho uma data marcada. — ele é estúpido — Pode levar dias, meses, talvez até anos, mas uma coisa é certa: vai acontecer. — Guppy volta a atenção para a arma.

— Guppy. — eu me inclino na mesa — O que aconteceu naquela noite?

Guppy pisca e olha para mim. Finalmente seus olhos ficam úmidos.

— Ela me deixou viver Gibby, me deixou viver por que alguém precisava contar a história. — ele diz tão baixo que um humano não escutaria, mas eu com minha audição apurada capto facilmente suas palavras — Ela é um monstro. É como se tivesse algo dentro dela... Não é o poder de Hexenbiest, é uma coisa a mais... Uma coisa maligna. Uma coisa que vem diretamente do inferno. — ele chega a tremer.

Flashback On:

Povs Guppy Gibson:

— Permaneça abaixado. — minha mãe sussurra deixando o carro ligado — Eu amo você Guppy e diga ao seu irmão que eu o amo também.

Carly está se aproximando com uma esfera verde na mão. Ela parece um anjo da morte. Minha mãe sai do carro. Eu devia correr e pega as armas no porta-malas, mas não daria certo. Carly me mataria antes que eu chegasse lá. Eu preciso pensar. Não entrar em pânico é a primeira coisa a se lembrar.

— Carly... Você não entende o perigo que a garota Kimera irá trazer ao mundo. — diz minha mãe — Eu não irei matar Wendy e Brad, apenas não deixarei que tenham filhos.

— A decisão é deles, não sua. — Carly fala com os dentes trincados. Eu olho a cena pela janela, tomando cuidado para que Carly não me veja.

— É muito mais do que a vontade dela aqui. Kimera precisará de alguém que a controle, nem Brad ou Wendy possuem tal poder. Somente um imprinting para garantir que Kimera não seja uma ameaça a existência humana e isso o Oráculo não nos conta. Até por que, são poucas as pessoas que já o viram. — ela procura uma forma de argumentar, mas sabe que Carly não vai retroceder.

— Não importa. — Carly para de caminhar — Eu terei que te matar e matarei qualquer outro Grimm que tentar ferir meus amigos.

— Você não sabe o que está fazendo Carly.

— Sim. Eu sei. — a voz da Carly sai como se ela estivesse possuída, mas ela assume uma parte do controle, será questão de tempo para aquilo que está dentro dela a dominar completamente.

— Eu não tentarei me defender, por que seria inútil, mas saiba que se você está tirando a minha vida aqui, uma vida será tirada no futuro. Você ira perder alguém e levará anos até se recuperar. Você sentirá a morte dele, o sentirá ser arrancado de você... — minha mãe recita a maldição de um Grimm — Por meio de minhas palavras, você perderá um filho, Carly. E jamais irá se recuperar de tamanha perda. Assim como hoje você me tira dos meus filhos, seu filho será tirado de você.

Carly se choca. Ela sabe que a maldição foi lançada e que a promessa será cumprida. Não importa se leve anos, Carly vai perder um filho. Nenhuma dor é pior para uma mãe do que essa. E eu irei aguardar, deixarei que Carly sofra por anos essa perda e quando por fim ela enlouquecer ou quase, irei fazê-la sofrer mais ainda e só então, irei mata-la pelo o que vai acontecer hoje.

Carly não espera mais e materializa de suas mãos um chicote verde brilhante, que se enrola no pescoço da minha mãe. Vejo mamãe cair de joelhos ficando sem ar, mas não luta e nem tenta retirar o que prende seu pescoço. Ela só treme enquanto seu corpo sofre com a asfixia. Eu fecho os olhos sentindo uma lágrima molhar minha bochecha. Começo a chorar dentro do carro. Minutos se passam. Eu permaneço em silêncio. Escuto passos e Carly abre a porta do carro.

— Vou te deixar vivo por que quero que conte o que viu aqui, os mortos não contam histórias, não é mesmo? — ela me diz e em seguida se teletransporta.

Eu saio do carro e me ajoelho ao lado do corpo da minha mãe. Ela parece serena. Certamente foi para o céu após anos devoção a Deus. Não tenho dúvidas que está em um lugar melhor agora. Grimms não são seres mágicos, eles só têm algo especial no sangue quase como uma doença hereditária, por causa disso eles vão para o céu ou para o inferno. Minha mãe está no paraíso agora, mas sei que vou mandar a Carly para um lugar bem longe de lá.

Eu acaricio os cabelos da mamãe. O loiro quase ruivo. Posso não ter passado tanto tempo com ela, mas sei que ela me amava. Abriu mão de mim para que eu pudesse viver. Hoje eu estou vivo graças a ela e por isso sua morte será vingada.

Eu me inclino e beijo sua testa.

— Você me ensinou que a vingança pertence a Deus, mas dessa vez eu precisarei me vingar. — eu sussurro com a voz carregada de lágrimas.

Flashback OFF.

Povs Gibby:

Guppy acabou de me retratar o que aconteceu. Eu comecei a chorar quando ele disse que ela falou que me amava. Eu me levanto da cadeira e vou à cozinha. Estou querendo quebrar tudo em minha frente. Algum infeliz bate na porta. Eu rosno e vou para sala querendo saber quem é. Abro a porta e dou de cara com o Freddie. Eu o empurro com força.

— Como ousa aparecer aqui?! — eu perco o controle e me transformo ali mesmo na varanda de casa.

Freddie recua erguendo as mãos em defesa.

— Tudo bem. Pode me matar agora... Mas primeiro ouça o que eu tenho a dizer. — ele gagueja um pouco. Eu vou para cima dele, mas Freddie permanece parado, está praticamente se entregando. Mata-lo será fácil e Carly ficará desprotegida. Ou é uma armadilha para me matar e assim que ele estiver morto algo vai me pegar de surpresa. Eu começo a andar em círculos em volta do Freddie. Se ele quisesse me matar já teria usado seu dom em mim, então o que ele quer? Maldito seja. — Gibby, você não vai me matar hoje... Não agora que ela voltou. — ele diz com calma. Ela? Ela quem? — A Sam voltou para casa Gibby, é nossa chance de trazê-la de volta. É a sua chance de trazê-la de volta. — Freddie abaixa as mãos e eu desabo no chão sem forças.

.......

Alguns minutos antes:

Povs Freddie:

Estou arrumando meu quarto. Ultimamente tenho passado boa parte do tempo nele. Hoje foi o enterro da mãe do Gibby. Trina, Cat, Robbie e André foram por consideração. Eu não poderia ir e muito menos a Carly. Gibby não iria se controlar. Ele iria nos matar na frente de todos. Eu não sei o que aconteceu com a Carly. Ela se tornou o próprio demônio. Ainda insiste que me ama e que quer ficar comigo, mas toda vez que eu a beijo é como sentir o próprio Lúcifer contra a minha boca. Eu sinto cheiro de enxofre perto dela. Tem algo muito errado. Eu tenho que protegê-la, mas em breve eu que vou precisar me proteger. Algo está dentro dela. Alguma força do mal.

Alguém está entrando no meu apartamento. Não deve ser a Carly, os passos são pesados. Eu caminho para fora do quarto preparado para atacar. Vejo um cara alto e loiro. Eu suspiro meio aborrecido, mas ele está aqui só pode significar uma coisa: Sam voltou também.

— Gatlin? — eu pergunto me aproximando dele.

— Perdão ter entrado, mas eu precisava avisar do meu retorno para cá. — ele me conta — E óbvio, se eu voltei você também sabe quem voltou também.

— Sam. — eu sussurro.

— Sim. Ela está de volta.

— Ela ligou?

Gatlin parece cansado e faz que não com a cabeça.

— Por isso que preciso da sua ajuda. — Gatlin está um pouco desesperado — Ela precisa ligar a humanidade novamente.

— Não sei como eu posso ajuda-la.

— Sim você sabe. Você a conhece melhor do que ninguém.

— Conhece-la não vai a fazer ligar os sentimentos.

— Então a peça em casamento, mate alguém que ela costumava amar, faça qualquer coisa. — Gatlin segura à parte de cima do nariz — Eu cometi um erro, ela vai saber em breve e provavelmente vai me matar. Ela não está blefando.

— A Sam nunca blefa. — eu deixo um sorriso escapar.

— Estamos no Place Of Towers... Deixarei Seattle amanhã, mas ela permanecerá até a formatura que é na semana que vem. Depois ficará mais uma semana e então retornará para Viena. — Gatlin já está indo para a porta — Irei garantir que ela não entre em contato com a Carly... Oh, e Freddie, se você ainda quer a Sam, então sugiro que faça alguma coisa e rápido. — ele abre a porta do apartamento — Se ela voltar para Viena ainda com a humanidade desligada, você nunca mais a terá de volta. Se ela renunciar o trono ele passará para mim, no entanto ela só fará isso se ligar a humanidade. — Gatlin vai embora.

Eu começo a entrar em pânico. As emoções vão me matar. Eu continuo como Âncora e estou tentando lidar com isso, mas ainda é difícil. Agora a Sam voltou e irei perdê-la de novo. Eu penso na primeira coisa que Gatlin disse.

Eu vou até o quarto da minha mãe. Pego a caixinha que contém um anel. Ela disse que eu deveria dá-lo para aquela pessoa sem a qual eu não conseguiria viver sem. Eu preciso entrega-lo a Sam agora, pedi-la em casamento de verdade e isso irá fazê-la ligar a humanidade. Seria um recomeço para nós dois e juntos, poderíamos acabar com o Gatlin... Ou talvez, outra pessoa deveria fazer isso em meu lugar.

Eu vou para o meu quarto e escondo o anel em cima da cômoda atrás de uma foto minha.

Retorno para o corredor com o plano na minha cabeça. Gibby talvez me mate, mas eu preciso arriscar. Preciso fazer isso pela Sam. Quando eu saio do meu apartamento, Carly está saindo do dela.

— O que o Gatlin estava fazendo aqui? — ela pergunta rapidamente.

Droga. Que mentira eu vou contar pra ela?

— Só avisar que estará aqui por um tempo. — eu respondo de forma curta.

— Por quê?

Ele quer empatar o encontro de Carly e Sam? Pois bem, espero que lide com isto.

— Porque você não vai à Place Of Towers perguntar isso ele? — eu resmungo e vou para o elevador.

Chego à casa do Gibby e estaciono meu carro atrás do seu fusca. Os finais de semana estão se tornando terríveis, toda vez uma merda diferente acontece. Aposto que hoje não vai ser diferente. Eu saio do carro e vou para sua porta correndo. Bato algumas vezes e ele vem receber, já era de se esperar que ele viesse me atacar.

Povs Carly Shay:

Irei fazer exatamente o que o Freddie falou. Vou à Place Of Towers conversar com o Gatlin. Eu preciso arrancar informações dele, saber como o reinado está indo e quem é a tal rainha, por que por aqui parece que ninguém quer me responder isso.

Eu me teletransporto para lá e por sorte já estou dentro da mansão. Eu solto uma risadinha cômica e caminho entre o lugar. Com meu sexto sentido de Hexenbiest, consigo captar onde o Gatlin está.

Eu entro em um quarto, onde ele está retirando o paletó. Ele chega a tossir quando me vê.

— Como entrou aqui? — ele corre para fechar a porta como se tivesse medo que alguém nos visse.

— Eu me teletransportei. É só uma coisinha que eu aprendi. — eu me sento na cama — Como vão as coisas em Viena?

— Uma merda. — ele responde sussurrando — A rainha está com a humanidade desligada então só causa problemas boa parte do tempo...

— Sua esposa? — eu rio debochada.

— Não. Ela não é nada minha por que não quer se casar comigo. Eu estou totalmente solteiro. — ele morde o lábio e se senta do meu lado.

— Eu meio que estou com o Freddie, mas eu não consigo entendê-lo, ele está distante, agora que é a Âncora está pior ainda. – eu finjo estar sofrendo.

Gatlin pega a minha mão.

— Uma Âncora? Ele deve ser forte para lidar com isso.

— Ele é forte. Sempre foi.

Ele dá carinho nos meus dedos.

— Admito que senti saudades de você... Seria bom tê-la no trono.

— Seria mesmo? — hora de entrar em ação.

Gatlin sorri de lado gostando do clima em que entramos.

— Teria suas vantagens...

— A rainha está aqui agora? — eu pergunto retirando minhas sapatilhas.

Gatin fica um pouco chocado assim que minha intenção fica clara e óbvia.

— Não, ela está em uma casa na região.

— Ela vai voltar?

— Se voltar não tem problema, como eu disse, ela e eu não temos nada um com o outro. — Gatlin começa a desabotoar a camisa.

— Então faremos isso devagar, não estou com pressa.

— Achei que amasse o Freddie...

— Se ele não me dar o que eu quero, eu procuro em outro lugar. — me levanto para tirar minha camisa.

Gatlin se levanta também e tira toda a roupa em minha frente. Que homão da porra. Dessa vez eu não vou precisar matar ninguém, então com o Gatlin eu vou ir até o final.

.............

Naquela manhã:

Povs Freddie:

Estou conduzindo o Audi A6 para Violet Hill cantando I've Been Losing You da banda norueguesa A-Ha, porém tem alguém me ligando. Conecto meu celular ao carro e atendo a ligação.

— Benson. — eu informo.

— Onde você está? — Gibby pergunta de forma áspera.

— Indo até Violet Hill.

— Não. Cancele. — ele parece frustrado — Recebi informações, tem um grupo de soldados da família Real em Mont Hood...

Eu sinto a bile subir na garganta.

— Tão perto assim de Seattle?

— Muito perto Freddie e eles têm planos de vir para cá. — Gibby está com medo.

— Como a Sam permitiu isso? — eu pergunto a procura de um sentido.

— Não sei, mas seja lá o que a fez mudar de ideia, corremos perigo por causa disso agora. — ele respira indignado — Acho que são muitos... Não tenho um número exato.

— Conhece um lugar seguro?

— Mais seguro que a reserva?

— Um lugar onde vampiros possam entrar... Quero que você proteja o meu clã, Gibby. — eu falo de maneira firme sem tirar os olhos da estrada, já estou fazendo um desvio para Portland — Quero que proteja minha mãe, Trina, André, Cat e Robbie. Quero que proteja as famílias deles. Eu sei que é pedir muito, mas preciso que você os mantenha a salvo, se eu não voltar você saberá o que fazer.

Gibby fica em silêncio durante um tempo.

— Freddie, eu odeio você, por vários motivos, mas não posso deixar você morrer. Não posso deixar você tentar lidar com um exército sozinho.

— Eu sei que a tribo contém leis que... — eu começo a falar.

— Danem-se as leis. — Gibby me corta — Em primeiro lugar temos que proteger as pessoas e é isso que faremos. Eu os manterei a salvo. Iremos para La Push e você vai conosco.

— Quando se encontrar com a Sam e traze-la de volta, diga que eu a amo. — eu sinto a lágrima molhar minha bochecha.

— Freddie, não. — ele não quer que eu morra.

— Quando encontrar a Carly não a mate... Não antes de a Wendy verificar o que realmente a possuiu. — eu aliso o botão no volante do carro para encerrar a ligação — Você vai ser um herói Gibby... A sua mãe e a Sam teriam orgulho de você.

— Freddie! — ele grita pelo celular.

— Eu sinto muito. — cancelo a ligação e foco no meu destino.

.................

30 minutos antes:

Povs Gibby:

— Esse é o seu plano? — eu pergunto me vestindo, Freddie me ignora e olha pela janela.

— É isso ou matar você. — ele murmura.

— Por que acha que se eu a pedir em casamento, vai fazer a humanidade voltar? — eu não compreendo o plano dele.

— A Sam ama você, isso está dentro dela, só precisamos encontrar.

— Ela te ama também. — eu admito querendo vomitar.

— Não era real... Talvez só um pouco.

— Ela só te disse isso por que desligou a humanidade.

Freddie sai de perto da janela e me olha.

— Como sabe que ela me disse isso?

— Você contou para a Tori. — eu visto uma camisa — Eu li na mente dela.

Freddie franze a testa.

— Ah claro, uma coisa de lobo.

— Mas então, não seria melhor você falar com ela?

Ele nega com a cabeça.

— Existe uma coisa chamada ligação e isso é o que a Sam tem comigo, ou pelo menos costumava ter. — Freddie está contando algo que pelo visto nunca contou a alguém — Quando um vampiro transforma um humano, o veneno dele entra nas veias e a pessoa morre, retorna como vampiro depois de um tempo. Eu transformei a Sam, então meu veneno invadiu totalmente o organismo dela... O que tecnicamente envolve uma parte dos sentimentos.

— Sentimentos? — eu bufo achando ridículo.

— Sim. — responde Freddie — É quase como um sentimento eterno de gratidão, que pode se elevar e se transformar em amor. É o que a Sam sente por mim ou sentia, já que é o caso agora.

Eu não penso duas vezes antes de falar alguma coisa.

— Então o amor dela por você não era real?

— Na verdade era, mas só foi por que eu a transformei, talvez ela nem sentisse nada por mim se eu não tivesse feito isso. — ele tem dor ao contar a verdade — Foi por isso que eu tive que... — Freddie fecha os olhos tendo algum pensamento sombrio — Não sei até onde você leu a mente da Tori...

— Muito pouco, normalmente ela passa boa parte do tempo pensando em coisas aleatórias, gostamos de privacidade e é ruim ter alguém fuçando sua mente. — eu coço meu rosto e me sento na cama — Por quê?

— Nevel... E todas as outras pessoas que eu transformei... — ele abre os olhos de novo, o castanho se escurece um pouco — Eu tive que fazer com que elas acabassem com a ligação que possuíam comigo. Fiz coisas ruins... Com o Nevel eu o fiz sentir a pior do mundo e fiz ela se repetir dezenas de vezes, até que a ligação acabasse. Com outros vampiros não foi diferente... Mas com a Sam... — a voz dele muda e eu trinco os dentes — Eu não podia fazê-la sofrer e eu também não conseguia controlar as emoções dela. Sam já tinha passado por tanta coisa. Então eu só deixei para lá... Deixei que ela me amasse, mesmo sabendo que uma parte daquilo não era real.

Meu peito queima. O calor aumenta. A fumaça aparece. A raiva também. O filho da mãe a fez sofrer de um jeito ou de outro.

— Seria muito egoísmo da minha parte se eu disser que eu preferia que ela tivesse sofrido um pouco mais em vez de ter se apaixonado por você? — eu pergunto e me levanto.

— Não seria. — Freddie solta um longo suspiro.

— E o que você sente pela Carly? O que é isso? Tem alguma ligação também? — eu faço outras perguntas.

— Não sei, ainda não descobri. — ele se incomoda ao ter que falar disso.

Eu dou uma risada.

— Pelo menos agora eu sei por que a Shelby sente atração pela Sam.

Freddie também ri e de repente nós estamos rindo.

— Realmente é por causa disso, ainda mais que a Shelby queimou por três dias... Mais veneno, mais ligação... Poderia ter se tornado apenas uma forte amizade. — ele me oferece uma explicação — Mas Shelby deixou ir longe demais e perdeu o controle. Por mais que o Spencer teve imprinting por ela, Shelby é ligada a Sam. A única maneira de cortar esse vínculo seria se Shelby desligasse a humanidade.

Eu repito na minha mente o que ele falou, mas preciso que ele repita em voz alta por que eu não quero estar louco.

— Repita a última parte. — eu lhe peço.

Freddie fica confuso, mas da de ombros.

— A única maneira de cortar esse vínculo seria se Shelby desligasse a humanidade. — ele repete para mim.

— Então quer dizer que quando a Sam ligar a humanidade de novo, ela não vai sentir nada por você? — falho miseravelmente ao tentar esconder minha alegria.

— Provavelmente não. — ele sussurra.

— Mas você vai continuar sentindo algo por ela.

— Eu nunca parei de sentir.

— Freddie. — eu vou para perto dele — Você sabe qual é o lance aqui. Sabe que não vai suportar me ver com ela, você sabe que não quer isso... — Freddie faz menção de falar, mas eu ergo a mão empatando — E você não precisa ver, não precisa sentir.

— Eu devo me desligar? — seus olhos demonstram pânico.

— Você sabe que é a melhor solução.

— Eu sei, mas...

— E ai você mata a Carly para mim. — eu faço uma piadinha de mau gosto.

— Carly... — ele diz com nojo — Ela já não é mais mesma... Não é aquela garota que conhecíamos.

— Eu sei que não... Eu queria acreditar que ela ainda era, mas não depois do que ela fez. — eu perco a voz sentindo morte da minha mãe, Freddie senta a mesma coisa e se retrai — Não depois do que o Guppy me contou.

— Parece que ela não é mais a garota com quem você teve a primeira vez. — fala Freddie como se fossemos dois amigos conversando sobre garotas em um sábado qualquer.

— Aquela garota está morta. Carly morreu para mim. — eu me viro de costas para não chorar na frente dele. Por que pensar na Carly me causa um fogo no peito?

— Se ela está morta para você, por que vai mata-la de novo? — Freddie faz uma pergunta interessante — Como se mata algo que já está morto?

— Acho que no final das contas, Guppy é que vai mata-la.

— Guppy? — Freddie me olha apavorado — Ele é só uma criança.

— Sim, mas também é um Grimm.

— Dice... Guppy... Eles... — Freddie se estressa — Eles deviam ser normais! Deviam estar vivendo a vida normalmente. Jogando videogames em casa e falando besteiras... Não matando pessoas, não vendo tanta coisa. Eles não deviam ser parte disso.

— Nenhum de nós deveria... — eu sussurro.

Freddie segura às pontas e controla a minha emoção com cuidado, ele não quer me deixar desconfortável e admito que aprecio ele tentando me controlar. É melhor assim, se não eu o mato.

— Vamos avisar aos outros do nosso plano? Avisar que se virem o Gatlin não é para mata-lo? — pergunta Freddie.

— Sim. — eu saio do quarto e ele me segue pelo corredor, até a sala, em seguida para a porta.

— Preciso passar em casa para pegar o anel, vai precisar dele. — o vampiro chato diz indo para o Audi.

— Vou me transformar e avisar aos outros, nos encontramos em Violet Hill... Em o que? Trinta minutos? — eu estipulo o tempo.

— Sim. Por ai. — Freddie entra no carro, ele sai cantando pneu.

Eu volto para dentro da casa.

..............

Agora:

Povs Freddie:

Eu cambaleio um pouco na praia de La Push. A luz laranja das chamas toma a minha atenção. Todos estão reunidos em volta da fogueira. Está um tempo quente, não tinha necessidade de acendê-la, mas existe muito simbolismo aqui. Eu me aproximo dos outros devagar. Tori começa a chorar ao me ver. Minha mãe e ela correm para cima de mim. Estou rodeado de pessoas me abraçando, mas o zumbido das armas, o som de carne dilacerando e os gritos humanos são tudo o que consigo ouvir. Estou coberto de sangue. Sangue de todos que compunham o exército dos Reais que eu matei. Eu não sou do tipo que deixa um para contar a história.

— Você sobreviveu... — escuto a voz de uma garota, deve ser Tori, sempre é ela. A que me trazia de volta.

— Quantos soldados você matou? — ouço Gibby perguntar.

— Pelo o que soubemos tinha mais de quinhentos soldados. — murmura André — Eu não acredito que lidou com todos eles.

— Não foi só isso seus idiotas!- Trina se desespera — Ele não apenas os matou como também sentiu a morte de cada um deles.

— Ele sentiu a morte de quinhentas pessoas. — minha mãe me abraça com força.

Eu devo estar em algum tipo de transe. Será possível? Vampiros entram em choque?

— Eu já tinha mencionado com vocês. — Gibby relembra alguma coisa — Para o plano funcionar, Freddie precisa se desligar e depois do que aconteceu hoje, é a única saída para ele.

— É perigoso demais. — fala Tori.

— Vocês viram da última vez. — diz Jade.

— Ele pode nos matar. — Wendy adverte.

— Não temos outra escolha, apesar de que a escolha é do Freddie. — Gibby usa o tom de alfa — Nunca esqueceremos o que você fez por nós hoje. — acho que ele fala comigo, eu olho para ele tentando entender.

— Você os protegeu, os trouxe para cá em segurança. Fez a sua parte. Você que foi o herói. — são as minhas palavras e eu as digo com sinceridade.

— Vai se desligar agora? — pergunta Tori chorando.

— Eu preciso, mas saiba que eu amo você. — eu dou um abraço nela e depois dou outro em minha mãe. Trina apenas segura minha mão — Amo vocês.

— Eu queria que tivesse outra maneira. — Gibby fala.

— Não, não queria não. No fundo você sabe que está torcendo por isso. — eu me preparo — E lá vamos nós de novo. — eu falo baixo e em seguida me concentro. Ocorre tão rápido como na última vez. Eu me desligo novamente.

Já não posso mais me enganar com essas coisas de ultramar, já não sinto saudade de nada na alma. Se é que eu tenho uma alma...

Continua

Notas finais
Bom? Ruim? Gostaram? Odiaram? Deem a opinião de vocês, ela é muito importante por aqui... Beijos para todas as pessoas que me mandaram DMs no Twitter e mensagem no Whatsapp, é por vocês que eu continuo aqui escrevendo lindos! Não posso agradecer a mais de trezentas pessoas, mas muitos sabem que moram no meu coração! Próximo capítulo: Estrela da manhã See you soon guys! Very soon... P.S.: Pensando em começar um especial chamado "lendo comentários" o que acham? Dessa vez eu não vou responder perguntas, eu vou ler e comentar aqui o que eu acho das coisas malucas que muitos escrevem pra mim... Pensem ai e me respondam.