Notas iniciais
Primeiramente bom dia e peço desculpas por não ter postado ontem, eu tive um dia bem cheio... Segundamente estejam preparados para o capítulo que encerra o Ato I. Terceiramente como assim vocês super amaram a Carly grávida do Gatlin? Não se esqueçam da maldição de uma certa Grimm. Aproveitem... P.S: Adoro vocês! ♥

Parte 38: Déjà vu?

Povs Shelby Marx:

Olhar para a cara do Freddie me dá tédio. Ele se acha tão perfeito que seu orgulho me irrita. Ele fica irradiando beleza. Não foi do nada que a Sam se apaixonou por ele. Falando na loira perfeita, onde essa gostosa se meteu? Ela abriu a porta e saiu. Como se fugir daqui iria resolver qualquer coisa. Eu odeio drama desnecessário.

Freddie bate o pé inquieto. Não preciso ler mentes para adivinhar seu próximo passo.

— Eu vou atrás deles. — ele avisa o que todos já esperávamos.

— Eu vou com você. — me ofereço.

— Não tem motivos para você vir. — ele é estúpido comigo. Freddie não gosta de mim, por quê? Eu que deveria odia-lo por ter quase me matado. Idiota nato.

— Sou melhor rastreadora do que você.

— Achei que seu dom fosse apenas mexer com os sentimentos das pessoas.

— Quem faz isso aqui é você. — eu abro a porta do apartamento — Eu crio paixão, algo real. Você só mexe com ilusões queridinho.

— Eu não disse que iria com você. — ele sai do apartamento.

Ridículo da porra.

— Eu não estou nem ai. — murmuro para ele — Fiquem aqui até nós voltarmos. Spencer tome conta da Carly.

— Está bem. — ele vem me beijar. Se não fosse o cheiro ácido de cachorro molhado do Spencer, seria mais fácil beija-lo.

Eu sei que o amo com todo o meu coração — se é que eu tenho um — e eu morreria por ele. Ele foi feito para mim de todas as formas possíveis. Eu tenho direito de escolher outra pessoa, mas eu não quero escolher. Somente Spencer é perfeito para mim. Ele é meu em todos os sentidos. Ele vai ser o que eu precisar. No momento ele é meu namorado e quem sabe em alguns anos se torne meu marido. Nosso destino está traçado. Nosso futuro é nos braços um do outro.

Seu olhar carregado de adoração faz eu perder o fio do meu raciocínio lógico. Trocamos um sorriso e eu beijo sua boca quente com rapidez. Eu tenho que tomar cuidado para não morde-lo — não por sentir sede, isso seria impossível pois existe algo animal demais em seu sangue que me faz sentir repulsão assim como os outros lobos — por que, sei que meu veneno seria fatal nele e viver sem o Spencer não é uma opção, não para mim.

Eu corro atrás do Freddie. Ele se movimenta a passos rápidos. A chuva molha seu topete mal feito. Sua postura é tensa. Me pergunto se está com ciúmes por que o Gibby foi procurar a Sam, ou se é apenas rancor por saber que o Gibby poderia ter causado a morte da loba.

— Não precisa gostar de mim, mas também não me trate como um lixo. Se eu fiz de sua vida um inferno a culpa foi sua. Você tentou me foder e depois me atacou. Quer mesmo dialogar sobre quem está errado aqui? — eu disparo palavras para ele.

Freddie para de caminhar e me encara.

— Eu peço perdão por aquilo, mas você me estressa e também beijou a Sam, não acha que passou dos limites?

— Está bravo por que eu beijei sua linda namorada? — eu dou um risada sarcástica.

— Minha noiva. — ele diz entre os dentes trincados.

— Ela não era sua noiva quando a beijei e muito menos sua namorada.

— Aonde quer chegar com isso?

— Você sabe que se não fosse pelo imprinting do Spencer você teria uma grande concorrência no momento.

— Sam não escolheria você.

— Escolheria sim. Agora que o Gibby está fora do jogo eu seria a melhor escolha para ela. E não é por causa da ligação. A Sam pode ter me transformado em uma sugadora de sangue, mas ela salvou minha vida, diferente de você.

Ele volta a caminhar.

— Apenas rompa a ligação. Desligue a humanidade.

— Vai sonhando. — eu sigo ele — Não irei colocar a vida do Spencer ou de qualquer outro em risco. Eu sou uma praga usando meus sentimentos, imagina se eu resolvesse desligar para tentar consertar algo que não é um problema no momento.

— Ela não quer você.

— Eu sei disso. Eu sei que ela te ama.

— Sim. Ela ama. — ele funga e respira em busca do cheiro da Sam. Ela passou por aqui. Gibby também.

— Eu só queria entender por que vocês dois agem como se tivesse uma parede invisível os separando. Estão juntos mas ainda encontram problemas. Por quê? — eu pergunto algo que me preocupa.

— Estamos lidando com muitas coisas, quando finalmente tudo isso terminar e a Sam estiver totalmente segura não teremos mais problemas.

— Não parece ser apenas isso... Ela ainda tem dúvidas sobre você?

— Não. Ela me ama. — Freddie trinca os dentes de novo.

— E você a ama?

Ele para novamente.

— Com toda a minha alma.

— E você tem uma?

Freddie me ignora e prossegue com a busca.

O cheiro da Sam se mistura entre tantos. Se a chuva de verão ficar forte iremos perder a chance de encontra-la. O odor que o Gibby deixou é horrível o suficiente para não ter erro. Lobos e seus cheiros estranhos.

— Você sabe que eu me culpo até hoje. Eu não sinto ódio de você Shelby, eu sinto de mim. — Freddie murmura.

Eu me choco e uma antiga memória, um pouco desfocada por ser da minha vida humana se repassa na minha cabeça.

Flashback ON:

Helena — Montana, EUA, 1883

— Esse vestido está me matando. — eu reclamo enquanto tento abrir meu vestido esvoaçante.

— Na próxima vez você irá cavalgar de calças. — Fredward vem me ajudar.

As mãos frias dele tocam meu ombro. Ele começa a retirar o vestido de mim. Seus olhos se desviam constantemente para a parte da frente. Ele não está nem disfarçando.

Fredward Benson é meu namorado há algum tempo. Ele é um vampiro. Eu sei sobre a existência de tais criaturas e me encantei pela beleza inacreditável dele. Eu deveria sentir medo, mas não consigo. Eu sei que Fredward é controlado e não vai me matar. Ultimamente estou tentando avançar com nossa relação. Sei que é difícil para ele quando nos beijamos, mas ele vem progredindo, então por quê não tentar outra coisa?

Fredward deixa o vestido no chão de madeira. Ele toca o meu corpo e me vira de costas para abrir meu espartilho. Essa tendência interessante surgiu na Inglaterra mas admito que essa peça de roupa é sufocante às vezes. Fredward desamarra a fita. Suas mãos abéis retiram o espartilho do meu tórax. Eu suspiro aliviada. Não é novidade nenhuma eu ficar nua na frente dele, mas é novidade para mim que ele está tirando a roupa também.

— O que está fazendo? — eu tiro a minha calcinha com a intenção de ir para o banheiro me lavar.

— Não vá ainda. — ele joga o chapéu na cama.

Ele desabotoa a camisa, o colete e os retira de uma só vez. Fredward também sai de suas botas e se desfaz de suas calças. Ele tem um corpo tão pálido, mas belo. É lindo. E ele é meu.

— Acha que consegue? Por que eu confio em você... — eu sussurro indo para perto dele.

Não vi quando ele me jogou na cama.

— Vamos tentar. — ele me beija de forma lenta. Eu o envolvo com meus braços. Eu tremo excitada e com frio. Tê-lo em cima de mim é como ter um pedaço de mármore. Eu fico arrepiada. Seus lábios que são como pedras de gelo que se pressionam contra os meus. Fredward está sentindo dor na garganta, ou algo assim. Ele não me explicou exatamente como é sentir sede.

Não estou nervosa por que vou fazer amor com ele, eu já fiz isso com outro rapaz antes. Eu estou nervosa por que vou fazer isso com um vampiro que pode a qualquer momento de descuido me matar. Eu disse que confiava nele, mas estou com medo.

Ele quer deixar o beijo mais profundo e toca com a língua a ponta dos meus lábios pedindo permissão. Eu abro minha boca. A língua dele se encontra com a minha. Eu ergo meu quadril para encontrar o dele. Freddie ainda não está dentro de mim.

Abro meus olhos. Péssima ideia. Eu vejo as veias saltando ao redor dos seus cílios. Seus olhos se abrem também revelando a cor preta que dominou o castanho. O beijo se encerra e as presas surgem. Eu quero gritar de pavor. Fredward afunda a boca em meu pescoço. A mordida dói amargamente. Ele começa a sugar meu sangue.

Eu morri? Estou fraca. Eu não consigo mexer meus braços, nem minhas pernas. Acho que não consigo movimentar nenhuma parte do meu corpo. Vou morrer. Eu sei disso. Por quê eu sei disso? Porque tem um anjo loiro me olhando. Espera. É uma garota. Uma garota que parece um anjo. Os cabelos loiros dela se balançam enquanto ela me olha. Oh... é a Sam. A velha amiga do Fredward, que na verdade não é velha, ela tem dezessete anos. Ela esconde um segredo do rapaz, mas ela me contou. Sam além de ser uma loba, é uma vampira. Ela é os dois. Eu queria falar mais sobre isso, mas eu não consigo mais pensar. Pontos pretos estão surgindo em minha visão. Eu apenas escuto a garota loira dizer "desculpa" e então é quando a queimação começa.

Eu estive no inferno. Durante três dias eu queimei no inferno. Durante três dias eu sofri. Durante três dias eu implorei para que alguém me matasse mas ninguém atendeu a este pedido.

No primeiro dia eu apenas gritava sem poder usar palavras. No segundo dia eu já sabia que Sam e Fredward vinham me ver, sempre dizendo que se lamentavam por isso e foi quando eu comecei a implorar por uma morte rápida e sem dor. No terceiro dia eu já os odiava horrivelmente.

Eu sabia no que a Sam tinha me transformado. Eu também sabia que eu não poderia contar ao Fredward que foi o veneno da Sam que fez isso comigo e não o veneno dele. Embora ele suspeite que foi a loira quem me transformou, por que o veneno de um vampiro normal só queima durante horas e não durante três fodidos dias. No final das contas deixei todos nós no benefício da dúvida.

Eu só queria beber sangue. Abrasar a sede. Me satisfazer. Sam me ajudou por alguns dias, depois se foi.

Fredward permaneceu comigo durante dois anos. Quando por fim eu já sabia lidar comigo mesma ele também se foi. Acho que ele decidiu partir por causa de minhas frustradas tentativas de levá-lo para cama. Provavelmente ele se sentia culpado por ter quase me matado. Será que um dia vai se perdoar?

Flashback OFF

— Eu sei que você se culpa, mas foi um acidente. Está no passado. — falo eu para que ele não se entristeça com isso novamente.

— No passado ou não, nunca vai mudar o que aconteceu.

— Mas o que aconteceu tinha um propósito. Eu precisava ser transformada. Eu precisava conhecer você e a Sam para que eu chegasse até o Spencer. Tudo teve uma razão.

— Eu sei... É difícil aceitar.

— Realmente é. — eu coloco a mão no seu ombro — Chega de "culpas" Freddie, está na hora de viver sua vida livre de qualquer ressentimento.

— Ok Shelby. — concorda ele com a cabeça.

Freddie e eu seguimos para um beco. Tem o cheiro da Sam e do Gibby em cada parede. Provavelmente se encostaram para conversar. Continuamos até o final do beco para ver para onde eles foram. Agora a coisa ficou interessante pelo simples fato de ambos os cheiros desaparecem aqui e ter uma terceira, ou até mesmo uma quarta fragrância no ar.

— Não pode ser verdade... — sussurra Freddie — Ele está morto.

— Quem?

— Hayes Gibson. Um antigo alfa. Você já deve ter ouvido falar dele.

— Sim, eu já ouvi. Mas o que isso tem haver com o desaparecimento da Sam?

— O cheiro dele está aqui. — Freddie anda em volta — Em todo o lugar. Impossível... Inacreditável. Eu sei que é ele.

— Pare de se concentrar nesse cheiro e capte o outro.

Freddie inala com calma e sorri.

— Lavanda... Esse é da Sam.

— Mais uma vez. — eu também inspiro.

Freddie respira o ar com nojo.

— Cheiro do Gibby.

— Mais uma vez.

Freddie respira e se assusta.

— Morango... Com leve toque de enxofre.

— Carly. — dizemos ao mesmo tempo e trocamos um olhar de preocupação.

Em instantes estou com o meu celular na orelha ligando para o Spencer. Freddie não precisa que eu coloque no viva-voz.

— Onde ela está? — eu pergunto com pressa.

— Quem? — Spencer está confuso.

— Você sabe quem. Cadê a Carly?

— Ela foi ao banheiro, não posso vigia-la o tempo inteiro.

— Vá até lá e bata na porta.

— Shelby... — ele parece sem jeito.

— Só faça isso.

— Está bem. — eu escuto os passos dele. Não leva muito tempo e ouço as batidas que ficam sem resposta. — Ela não está aqui.

— Claro que não está. A Carly veio até um beco usando seu teletransporte e levou com ela Sam e Gibby, possivelmente também levou um velho amigo que deveria estar morto. — eu falo contra o celular — Fique em alerta, se a Carly ou qualquer um deles aparecerem me avise.

— O que está acontecendo? Ela está bem?

— Eu não sei dizer, mas vou dar um jeito de encontra-la. — eu levo meu olhar para o Freddie que parece ter uma ideia — Eu te ligo depois.

— Ok.

— Eu te amo. — eu sussurro.

Sinto seu sorriso do outro lado da linha.

— Eu também te amo.

Eu encerro a ligação.

Aproximo-me do Freddie. Ele está pensando em alguma coisa séria. Ele une as sobrancelhas quando faz isso, eu já reparei.

— Descobriu alguma coisa? — pergunto eu curiosa.

— Minha mãe disse algo à Sam hoje que Hayes também tinha dito. Ela sabia que ele estava vivo. Mas como? — ele volta a andar para o outro lado, em direção à saída do beco — Você mesma contou que algo tinha dado errado e que o Hayes tinha morrido no Limbo. Por quê ele está vivo agora? Quem o ressuscitou?

— Não faço a mínima ideia.

— Minha mãe deve saber.

— Então vamos falar com ela. — eu aproveito a rua deserta e parto correndo para o Bushwell.

Freddie chama pela mãe. Ela surge com rapidez e elegância. Parece com o Freddie em certos momentos.

— Por que não me contou que o Hayes estava vivo? — Freddie pergunta.

— Não estava na hora ainda. — ela responde ignorando minha presença.

— O que mais você vem escondendo de mim? O que mais você vem escondendo do seu próprio filho? Que outros segredos ainda existem? — Freddie parece uma criança. Ui dramático feito noiva.

— Às vezes é necessário esconder certas coisas para proteger as pessoas que amamos.

— Nada justifica.

— Hayes está vivo por que ele tem um propósito aqui. Ele é o único que sabe quem o Alfa vai escolher. Você falou com ele?

— Não, mas ele sumiu junto com a Sam, Carly e Gibby.

— Eles estão bem. Hayes quer apenas conversar com eles e precisava de um lugar seguro. — a mãe dele vai abraça-lo — Por quê você não espera? Vai ter notícias de todos eles em breve.

Freddie devolve o abraço. Ele está tenso e preocupado. Ele não gosta de ficar longe da Sam. Falando a verdade nem eu gosto de ficar longe da lobinha.

— Freddie, eu acho melhor você ficar por aqui. Descanse um pouco. Se algo acontecer eu te chamo. — eu murmuro a ele.

— Obrigado Shelby. — ele agradece saindo do abraço da sua mãe.

Eu dou um aceno e saio do apartamento dele. Entro no 8-C. A turma toda está aqui mas no momento tudo que eu quero é ficar sozinha com o Spencer.

— Atenção pessoal! — eu ergo a voz — Não sei como apenas o Gibby e a Carly sabiam, mas Hayes Gibson está vivo e levou os dois, assim como a Sam, para uma reunião em algum lugar. No momento o que podemos fazer é aguardar em nossas casas o retorno deles. — eu olho para cada um que está confuso — Em outras palavras, se mandem. — eu seguro a porta aberta. — Até logo, até mais ver, bon voyage, arrivederci, até mais, adeus, boa viagem, vá em paz, que a porta bata onde o sol não bate, não volte mais aqui, hasta la vista baby, escafeda-se, e saiam logo daqui lindos.

Spencer abaixa a cabeça sorrindo.

— Escutaram a moça. Se algo acontecer chamamos vocês e de preferência para um lugar mais amplo. — ele murmura para a galera.

Um por um vai passando por mim. Tori faz uma careta engraçada. Wendy dá um puxão no meu cabelo. Cat dá um beijinho na minha bochecha. O último a sair é o Dice.

— Palhaçada. — Dice resmunga mas me abraça. Ele me perdoou pelo acidente. Eu vi confusão no olhar da Sam ao ver eu interagindo com o Dice de forma amistosa e ninguém ter ligado. A Sam não sabe mas fui eu quem consolou o Dice e tomei conta dele quando ela partiu. De todos da alcateia Dice é o que mais a ama. Ele a enxerga como uma irmã mais velha. A perda da Sam foi difícil para ele e Spencer ao sentir isso quando estava em forma de lobo com o Dice veio me contar. Spencer chorou durante uns dez minutos dizendo que Dice estava quebrado. Fui eu quem o consertou. Eu sei que sua mãe não é presente e o pai tem um paradeiro desconhecido, então Dice desenvolveu um afeto muito grande pela minha pessoa. Dice é o mais perto que eu tenho de um filho, por que eu sei que jamais terei um. Spencer também me ajudou com o problema do Dice e eu vi em seus olhos que ele também gostaria que Dice fosse seu filho.

Eu beijo os cabelos fofos do Dice. Ele se vai com um sorriso no rosto. Eu fecho a porta.

Fito o Spencer no sofá. Se eu pudesse desmaiar eu faria isso. Ele tem um olhar perfeito demais para mim.

— Você seria uma mãe maravilhosa. — ele me fala sorrindo.

— E você seria um ótimo pai. — eu me sento ao lado dele — Eu sinto muito por não poder te dar isso. Eu sinto muito por não poder te dar uma família.

— Você é minha família, Shelby. Eu não quero mais nada além de você... Se um dia fizer falta podemos adotar uma criança, mas agora eu só quero aproveitar nosso tempo sozinhos. — ele leva a mão ao meu rosto.

— Vamos. — eu o arrasto para o quarto dele.

Spencer cai na cama comigo. Ele me beija. Eu suspiro puxando seu cabelo. Quebro o contato dos noss lábios para retirar sua camisa. Eu quero sentir todo seu corpo em chamas colado ao meu.

Spencer se ajoelha e tira minha camisa. Ele vai para o final da cama, se livra das minhas sapatilhas e da minha calça. Eu faço questão de rapidamente tirar o jeans dele e agradeço silenciosamente a Deus por ele já estar descalço.

Spencer volta para cima de mim e nos beijamos de novo. Eu aliso suas costas. Eu arranho seu peito. Mantenho meu joelho no meio de suas pernas e não demora muito para eu sentir a elevação na sua cueca. Por ele ser um lobo se excita fácil. Eu gosto disso. É uma das melhores coisas nele. Outra coisa também é o fato dele ter energia para dar e vender. Infelizmente ainda se cansa um pouco depois do ápice por ser humano para todos os efeitos.

Eu abro os lábios para deixar a língua dele explorar cada canto da minha boca. A respiração dele fica mais pesada. Tem a questão do cheiro também. Ele não pode respirar pelo nariz. Eu não preciso de ar. Nós vampiros apenas respiramos como um hábito e por que é bom, mas não é uma necessidade. Nunca foi.

Eu coloco as mãos na bunda do Spencer e aperto. Ele rompe o beijo e ri.

— Não resisti. — eu coloco as mãos em seu rosto.

— Percebi. — ele me da um selinho.

Eu levanto um pouco as costas e Spencer consegue tirar meu sutiã. Ele cobre meus seios de beijos. Eu estou excitada demais para ficar apenas em uma preliminar.

Eu sou forte e inverto nossas posições. Eu puxo a boxer do Spencer. Eu fico por cima dele e o deixo entrar em mim. Espalmo as mãos em seu peito. Ele me queima com seu olhar. Eu me movimento com força o que arranca gemidos dele. Suas mãos apertam meu quadril onde ele começa a controlar a forma como estou me movimentando.

Sexo só perde para beber sangue humano, por que nada se compara a isso. É a coisa mais perfeita que Deus criou. É a melhor sensação do universo. Tudo fica mais perfeito ainda por ser com o Spencer. Meu Spencer. Meu anjo. Ele é o meu "para sempre".

Povs Sam:

Eu abro os olhos. Como em um déjà vu eu fito as árvores e o céu cheio de nuvens. Tem grama macia e molhada em meus dedos. Eu me sento. Há um rio a poucos metros de mim. O rio da reserva. Estou do lado de fora das terras Klautriny, por que eu sei que jamais conseguiria entrar em solo sagrado.

— O Alfa te acertou de jeito. — uma voz me diz.

Olho para o lado. É apenas o Gibby com um sorriso calmo.

— Que diabos aconteceu comigo? — eu pergunto me sentindo tonta.

— Nada. Quando você viu o Hayes, o Alfa...

— Hayes? — eu o interrompo — Ele está vivo?

— É uma longa história.

— Cadê ele agora?

— Está na reserva com a Carly, eles irão voltar logo.

Seguro minha cabeça com a mão.

— Você disse que o Alfa me acertou de jeito... Como assim?

— O espírito do Alfa queria te passar uma mensagem, ou até mesmo te escolher... Você caiu no chão. E eu fui lançado em algum tipo de alucinação. — Gibby semicerra os olhos como se sentisse dor de cabeça — Estávamos em uma batalha. Eu tive que mandar você se acordar. Estávamos sonhando.

— Eu não lembro de nada disso. — forço a memória mas nada surge.

— O Alfa só vai deixar você se lembrar quando estiver pronta. — Gibby parece um robô falando.

— Por que você me chamou de Alfa?

— Porque eu senti o espírito em volta de você... Só que sua parte vampira empata de você realmente senti-lo.

— Quer dizer que ele escolheu a mim?

— Não sei. Você é alguém importante para ele.

Mordo o lábio.

— A profecia diz que o Alfa terá um imprinting, mas eu não posso ter. — e eu nem quero ter, adiciono mentalmente.

— Talvez isso mude. Talvez ele te renove. Te transforme em outra coisa. O Alfa precisa escolher alguém que entenda a dor como ninguém jamais entendeu. Alguém que saiba entender os sentimentos dos outros. Você seria perfeita.

— E por que não você?

— Por causa do imprinting. O meu não foi suficiente para estabelecer uma paz.

— Eu queria que tudo fosse mais simples.

— Idem. — ele coloca meu cabelo atrás da minha orelha — O Freddie deve estar preocupado.

— Vocês não ligaram para ele?! — eu berro.

— Não, mas a mãe dele já deve ter o avisado que está tudo bem. Ela foi a primeira a falar com o Hayes. — ele conta para mim.

— Eu o vi morrer... Isso não faz sentido. — eu balanço a cabeça.

— Como eu disse, uma longa história. — ele olha para a reserva.

Eu sigo a linha do olhar do Gibby. Meu coração aperta.

— Tão perto e ao mesmo tempo tão longe... — meus olhos se enchem de lágrimas — Os lugares no quais eu fui feliz. Será que o Alfa vai demorar muito? Eu só quero voltar para casa.

— Todos queremos voltar ao nosso reino. — murmura ele baixinho.

Povs Hayes Gibson:

Meu couro cabeludo pinica a cada três segundos como se me mandasse um alerta. Carly Shay é uma Hexenbiest e além disso está com o senhor Estrela da Manhã dentro de si. O famoso quanto mais eu oro mais assombração me aparece.

Até então Carly tem se comportado de maneira calma. Ela deu um beijo na testa da Sam antes de me seguir para a reserva. Eu vi em seus olhos o quanto ela se importa com a amiga que tem um destino não muito feliz pela frente. O Oráculo revela tantas coisas... Mas voltando à Carly, o jeito dela com o Gibby foi ainda mais surpreendente.

Gibby respirava ao lado da Carly e ela acompanhava a respiração dele. Ela se orientava ao redor dele sem nem sequer pensar nisso. Quando Gibby se movia, mesmo que um pouco, Carly ajustava a sua posição ao mesmo tempo. Como imãs... ou gravidade. Ela era como um satélite, ou algo assim. Eu nunca vi nada parecido. Nunca presenciei um casal vindo de um imprinting tão inacreditável. Claro que não é a Carly que tem que seguir os passos do Gibby, é ele que tem que seguir os passos dela. O imprinting não foi feito para sermos servidos, nós lobos fomos feitos para servir. Nós nos entregamos totalmente ao nosso objeto imprinted. E eu vejo nos olhos do Gibby, que ele se entregou totalmente a Carly.

Eu sinto uma pontada no coração. Eu sinto saudade. Saudade da Melanie. Ela está do outro lado. As coisas lá não funcionam como aqui. O tempo é diferente. Ela também deve sentir a minha falta. Eu voltarei em breve. Primeiro eu tenho negócios aqui.

Eu morri no Limbo. Porém só Deus sabe por que eu tenho uma alma tão pura que ao perecer lá, eu fui jogado de volta na Terra. Eu simplesmente me acordei ao lado do túmulo da Melanie onde eu tinha morrido. Eu estava em forma de lobo e confuso. O primeiro lugar para onde eu fui, foi a reserva. Os anciãos me receberam. A profecia estava sendo iniciada.

O nome do Conselho dos 42, nunca foi por que ele foi composto por quarenta e duas pessoas, isso foi apenas uma escolha humana. O nome se dá por que os números tem um significado importante. O 4, significa o número de alfas que irão se erguer antes da volta do Alfa verdadeiro. Sam foi o alfa número 1. Gibby o número 2. Tori revelou poder é o número 3. Eu retornei e agora sou o número 4. O número 2 significa a união entre o Alfa e seu objeto imprited. Irá acontecer o imprinting mais poderoso da Terra, mas será que existe algo mais forte do que Carly e Gibby? Eu duvido muito... Ainda mais por causa da pessoa que o Alfa escolheu. Infelizmente não posso contar a ninguém se a pessoa está aqui ou não. Essa pessoa possui tanto poder, influência, carisma, beleza, força, agilidade, experiência e um lado sombrio que vai ser revelar cedo ou tarde, que eu não sei se ela vai nos escravizar ou tomar conta de nós. O Alfa tem que ser puro, ao mesmo tempo que precisa possuir um lado negro. Preto e branco. O Alfa precisa entender tudo. Precisar ser os dois. Um lobo e um vampiro, em um só. Quantos casos de híbridos existentes conhecemos? Vários. Mas e aqui em Seattle? Eu sei a resposta, ela está bem visível. Como uma borboleta que sai do casulo. O Alfa está entre nós? Ou ainda vai existir? Todos se perguntam isso. Agora eu sei. Finalmente eu sei e eu vi. Eu vi o futuro.

Eu tenho todos os motivos do mundo para odiar os vampiros, mas eu não posso. A união gera a paz e a sobrevivência. Sempre irá ter alguém para se erguer contra nós. E sempre teremos que juntar as alcateias e clãs para batalhar.

A perda da Melanie me deixou fraco, mas eu tinha a Sam para colocar no meu lugar. Ela sabe guiar uma alcateia. Ela sabe guiar um exército. Ela sabe guiar a própria vida. Ela nasceu para liderar.

O espírito do Alfa até então só apareceu para duas pessoas que estavam conscientes... Para o resto ele apareceu em sonhos ou alucinações. Posso dizer que a segunda pessoa que o viu de forma consciente não sabe que foi escolhida. Nem mesmo Tori Vega descendente de uma linhagem impecável como a de August Benson, viu o Alfa quando estava acordada.

O Alfa quis escolher ela mas ele não pôde. Tori assumirá a alcateia Klautriny quando Gibby partir... Ele ficará algum tempo sumido, assim como Carly, assim como a Sam, assim como o Freddie... Esse último também não vai ter uma história muito feliz. Ele vai criar uma vida, infelizmente perdendo outra. Eu lamento pela perda dele. Lamento pela morte dela. Ainda não aconteceu, mas eu temo que ele e Sam vão sofrer demais. Ninguém disse que seria fácil. O Alfa irá secar as lágrimas de ambos. Na verdade o Alfa irá fazer muito mais do que isso pelos dois.

Eu trouxe Carly para a reserva, por que pretendo mostrar algo a ela.

— Carly, eu sinto muito. — digo eu de maneira honesta.

— Ah... — ela pigarreia — Tudo bem.

Eu abro a porta da antiga biblioteca da reserva. Acendo a luz fraca amarela. Eu escuto o barulho da chuva nas telhas de plástico. Caminho para o final do pequeno cômodo. Meus dedos tocam um livro preto, enrolado com arame. Eu o retiro dali com cuidado. Corto um pouco minha mão ao tentar abri-lo. Os ferimentos somem de maneira rápida.

Eu abro o livro na página que me interessa. Entrego o livro para Carly. Ela olha para o desenho se surpreendendo e se fascinando. O desenho é de uma garota com asas de anjo e presas de lobo. Suas asas são tão grandes que cobrem seus pés. A garota não é um anjo, está longe disso. A garota é uma Hexenbiest, com grande poderes e uma loba com tamanha lealdade. Ela pode ser má ou boa. Ficará a critério dela. Todos esperam que a garota sirva às trevas, mas tem um ponto cego nessa história. Alguém que vai domá-la, mas o Oráculo não conseguiu enxergar isso. Algo obscurece essa visão, mas por que? Mais uma vez, são tantas perguntas.

— Eu não preciso dizer o nome dela. No fundo você está se perguntando como reconhece alguém, que nunca viu... — eu entoo calmamente como o barulho da chuva fraca.

— Kimera... — sussurra Carly — Mas por que eu a reconheço?

— Por que ela não será a filha da Wendy e do Brad. Ela será sua filha. — eu viro a página do livro para ela.

Na próxima página o desenho retrata Kimera deitada, sem suas asas, contra os pelos de um lobo enorme.

— Este é o Gibby? — Carly pergunta e lágrimas vão descendo pela sua bochecha.

— Não sabemos. — eu olho para o desenho.

Carly passa para a próxima página. O lobo dessa vez é preto. O desenho afunda em um tom sombrio, mas no fundo dá para sentir alguma certa alegria. Uma alegria em meio ao caos.

— O Alfa? — ela desliza os dedos sobre o lobo.

— Sim. Por um certo e poderoso motivo ele irá amar muito a Kimera.

Carly quer me perguntar o por que, mas ela está muito assustada com tudo. O livro cai. O baque no chão é quase mudo. As mãos de Carly vão instintivamente para sua barriga.

— A mãe do Gibby disse que eu perderia um filho... Eu irei perder a Kimera? — pergunta Carly ficando sem ar.

— Não... Você não perderá a Kimera. Você perderá o filho que está dentro de você agora. — eu respondo e seguro suas mãos contra a sua barriga — Não há como reverter a maldição de um Grimm. Foi por isso que eu disse na porta que eu sentia muito.

As lágrimas dela voltam. Ela chora sentindo o peso de seus erros. Eu queria poder ajudar. Eu queria fazer alguma coisa. Eu não quero ver a Carly sofrer, mas é tarde demais para alterar a história. É tarde demais para alterar a profecia.

O Alfa dormia, mas foi despertado.

Fim do Ato I.

Notas finais
Acho que vocês querem me matar... Rasguem o verbo, sou toda ouvidos. Beijão galera! Se vemos no Ato II que começará com tudo! See you soon guys! Very soon... P.S.: Alguém ai sabe quem é o Alfa?