42 - Violet Hill
62 Epílogo: Young Forever
Notas iniciais
Parte final: Midnight
Soundtrack: Swallowed in the sea — Coldplay
A garota morena circulava pela festa. A máscara preta cobria seu rosto. Ela andou para a mesa de bebidas se sentindo eufórica e sabia o motivo.
Ele se aproximou e a abraçou por trás.
— Hora de ir para casa. — disse Flint.
— Não. — respondeu Kimera — Ainda não cumpri minha missão aqui.
Flynn deslizou os lábios pelo pescoço da Kimera, lentamente como um sussurro e ela fechou os olhos saboreando o contato com ele.
— Eu não perguntei. — murmurou ele — A noite acabou.
— Para mim ela mal começou. — ela se virou para ele — Não pode mandar em mim.
— Eu posso e vou, prometi a seus pais que te deixaria em casa.
— E eles estão lá? — ela tirou a máscara e jogou os cabelos castanhos para trás.
— Não. Mas te deixarei em sua residência em segurança.
Kim fitou o rapaz. Os olhos castanhos esverdeados dela pareciam penetrar até a alma dele. O azul e o castanho se misturavam.
Nenhuma palavra foi dita. Eles ficaram apenas se olhando, bebendo um ao outro enquanto o baile se tornava insignificante.
— Sua irmã está aqui? — perguntou Kim.
— Não... Está em casa. — Flint respondeu.
— Você sabia que meu tio voltou?
— Guppy? — Flint não via o amigo já fazia treze anos, ele partira na noite em que descobriu que Sam estava grávida.
— Sim. Mas não sei para onde ele foi... Bom, isso prova que ninguém pode fugir do destino.
— Não, ninguém pode. — ele ficou bravo.
Kim se aproximou, pegou a mão do Flint e o levou para longe do baile. Eles chegaram ao lado de fora daquele salão. Kim se sentou no capô do carro dela e manteve Flint próximo de seu corpo.
— Você sabia que neste salão ocorreu o baile de máscaras que mudou totalmente a vida dos nossos pais? — Flynn fez essa pergunta e deixou o joelho entre as pernas da Kim.
— Sim, eu já conheço essa história. — ela mordeu o lábio dele devagar — Sua mãe matou dois homens no telhado.
— E meu pai não conseguiu empatar.
— Hum... — ela o beijou fortemente e Flint sentia a excitação aumentar.
Flint rompeu o beijo e segurou o rosto dela com uma mão, enquanto a outra subia o vestido preto de Kim.
— Só que diferente dele, eu não vou deixar você matar ninguém. — ele avisou a ela.
— É por isso que levou mais de dois anos para eu aceitar namorar com você... Eu não te queria por que você me controlava e ainda controla.
— Eu te protejo. — ele subiu o vestido revelando as coxas dela.
— Claro, quando não está me fodendo. — ela segurou as mãos dele.
— Que eu saiba foi você que pediu por isso quando finalmente aceitou ficar comigo... Se eu me lembro bem, eu estava em uma patrulha quando você apareceu e me desviou do meu objetivo.
Kim se mexeu para encontrar o cós da calça dele e movimentou o quadril.
— Talvez "desviou" seja uma palavra muito forte, eu prefiro "distrair".
— É o quê está fazendo agora? — ele a deitou no capô ficando sobre o corpo dela — Me distraindo como fez naquele dia?
— Eu adoro a lembrança daquele dia... A primeira vez em que fiz amor com você... — ela abriu o primeiro botão da camisa dele.
Flynn usou o dom e mostrou aquela cena fazendo Kim se contorcer de excitação.
— Se seus pais soubessem me matariam. — ele riu vendo as mãos dela na camisa branca.
— Eles também me matariam se soubessem que você não foi o primeiro cara com quem eu dormi.
— Eu fui o quarto. — Flynn rosnou.
— E eu fui a sexta? Não precisamos contar isso. — ela quis mudar de assunto — Estamos juntos agora e é o quê importa.
Flint suspirou e sentia Kim se movimentar lentamente, quase que como para irrita-lo.
— Chega. — ele saiu de cima dela — Não podemos fazer isso aqui, me dê as chaves do carro, vou te levar pra casa.
— Estraga prazeres. — ela desceu o vestido, saiu de cima do capô e entrou no carro.
Flynn ignorou o volume na própria calça e também entrou no veículo.
A ida até a casa dos Gibsons foi rápida. Flint estacionou o veículo na garagem e relembrou que Kimera estava sozinha.
— Meus pais vão dormir na casa dos seus pais... Então... — Kimera deixou a mão no cós da calça do Flint — Por que você não entra?
— Eu devia voltar. — ele retirou o cinto.
— Eles não vão ficar sabendo. — ela tirou o cinto e abriu o botão da calça dele — Fica comigo esta noite.
Flint mordeu o lábio. Era uma ideia arriscada, mas ele a amava e com certeza iria adorar passar a noite com ela.
— Tudo bem, mas eu vou embora pela manhã.
— Excelente. — ela sorriu vitoriosa e saiu do carro.
Eles entraram na casa e rapidamente foram para o quarto. Kim jogou os saltos em um canto aleatório.
— Agora deixa eu te tirar desse vestido. — ele sussurrou, Kim assentiu e se virou de costas.
Ele abriu o zíper atrás e retirou o vestido com pressa. Flint beijou as costas da Kim com paixão e subiu para os ombros.
— Tira logo a porra da minha roupa. — ela estava impaciente.
— Alguém já te disse que você é chata? — ele abriu o sutiã dela e tirou.
Kimera ficou de frente para ele.
— Não, mas disseram que eu sou gostosa.
— Cristo... — ele começou a desabotoar a camisa social branca e Kim o ajudou.
Ela ficou de joelhos e retirou os sapatos dele, depois as meias e por fim a calça, junto com a cueca.
Flint a empurrou na cama e se lembrou de tirar a calcinha dela. Com rapidez os dois já estavam nus e se beijando ferozmente.
— Flint... — ela gemeu sentindo ele beijar o pescoço dela — Camisinha seu idiota, se você me engravidar realmente meus pais vão matar você.
— Claro, claro. — ele resmungou e saiu de cima dela. Flint abriu o criado-mudo, pegou um pacote de preservativo e notou a cara confusa da namorada — O quê foi Kim?
— Quando deixou camisinha aqui? — ela se ajoelhou na cama para abrir.
— Ah... Semana retrasada.
— Você é mesmo idiota, se minha mãe encontrasse...
— Mas não encontrou. — ele aguardou ela deslizar o preservativo sobre o pau dele — Eles nunca vão descobrir, relaxa amor.
— A gente precisa se casar. — Kim murmurou e o puxou para um beijo árduo.
Flint tremeu sentindo ela alisar as costas fortes que ele possuía. Ele entrou nela devagar, aproveitando aquele momento que era perigoso, o quê deixava tudo mais excitante.
— Casar? — ele sussurrou se movimentando com força.
— Sim... — ela gemeu baixinho olhando para ele.
— Hum... — Flint a beijou de maneira perfeita — Você só tem dezessete anos.
Kim fechou os olhos e ergueu a pélvis para sentir Flint se afundar em seu corpo.
— Então quando eu fizer dezoito...
— A gente casa... — ele completou e gemeu.
Eles eram tão compatíveis que sabiam manter um ritmo doce e calmo enquanto se amavam. Flint conhecia o corpo dela como ninguém e lhe dava todo o prazer do mundo. Kim confiava nele, sabia que estava segura em seus braços e que ninguém no mundo tiraria ele dela.
Flint sentia sede, mas ele conseguia se controlar para não feri-la. Foram dezessete anos de espera, enfim bem recompensados, apesar de que ele não pensava assim. Kim viva e feliz já era o bastante para ele.
Era um amor magnífico. Tão forte quanto o de Carly e Gibby, talvez só menos intenso do que o amor de Sam e Freddie, mas ainda assim era mágico.
Os minutos se passaram e eles ainda estavam conectados aproveitando o conjunto de sensações. Acabou que encontraram a liberação juntos. Flint caiu sobre o corpo dela e Kim sentiu sono.
— Você é perfeito. — ela sussurrou.
— Não sou perfeito, apenas tive a sorte de ter imprinting por você.
— Por isso que você é perfeito para mim.
Ele procurou pelo o olhar dela.
— Demorou para admitir.
— Ah como é convencido. — ela gargalhou e deu um selinho nele.
Flint se retirou dela com cuidado, tirou a camisinha e jogou na lixeira do quarto.
— Lembre-se de tirar o lixo depois.
— Vou lembrar... — Kim fechou os olhos por alguns segundos e depois abriu — Preciso te dizer a verdade.
— Diga. — ele se deitou ao lado dela e apoiou a cabeça na mão.
— Eu te amo Fredward Hayes Benson. — disse ela cheia de certeza e amor.
Flint esperou por esse momento há muito tempo. Finalmente ele ouviu o quê desejava.
— Eu também te amo Kimera Mabel Shay Gibson. — ele respondeu sorrindo.
— Você conseguiu, fez com que eu me apaixonasse por você.
— Eu consegui mais do que isso, eu fiz você me amar.
— Sim, você fez. — ela subiu em cima dele — Eu te amo, eu te amo, eu te amo.
— Eu também te amo, eu também... — ele não pôde concluir a frase por que ela o beijou de maneira desesperada, no fundo ela tinha medo de perdê-lo, mas não tinha coragem de revelar isso.
Ele se sentou e subiu as mãos pelas costas dela. O beijo se tornou mágico assim como tudo em volta deles. E então fizeram amor de novo.
Flint se acordou em um salto ao ver a luz entrar no quarto pela janela.
Ele olhou para o lado e não encontrou Kimera. Ele não sabia que horas eram pois, deixou o celular no carro e agora estava com medo de que os pais de Kim chegassem a qualquer momento.
Ele vestiu a cueca e a calça mas, não encontrou a camisa, então calçou os sapatos e saiu correndo do quarto.
— Kim?! — ele chamou indo para a cozinha — Você viu minha... — ele se deteve ao ver Kim vestindo apenas a camisa dele, encostada na bancada enquanto tomava uma xícara de café.
— Bom dia. — ela sorriu de maneira sedutora.
— A mamãe e o papai não vão acreditar nisso. — disse a garota sentada no banco da bancada.
— Violet? O quê você está fazendo aqui? — Flint perguntou em pânico, ele vinha escondendo o segredo até mesmo da irmã.
— Bem, mamãe não sabia onde você estava e mandou eu vir te procurar, o primeiro lugar que eu pensei em vir foi aqui... E parece que você andou bem ocupado. — respondeu ela rindo de maneira maligna.
— Por favor, não conta... — implorou ele.
— Tenho cara de cagueta? O quê vocês fazem entre quatro paredes não me importa, desde que não façam lá em casa... — Violet o acalmou — Agora vamos embora.
— Pode sair para eu devolver a camisa do seu irmão? — perguntou Kim.
— Claro, não esquece, você prometeu que iríamos para Portland hoje. — Violet se levantou.
— Não vou esquecer e não se atrase dessa vez.
Elas trocaram um beijo no rosto. Claro que eram melhores amigas, mesmo tendo altos e baixos.
— Não vou me atrasar, até mais Kim.
— Te vejo à noite Melisandre.
— É Violet! — berrou ela.
A garota loira saiu de vista.
— Já peguei sua irmã uma vez. — disse Kim.
— O quê?!
— Foi em uma festa...
— Minha irmã Kim! Como pôde? — ele não acreditava.
— Ah, ela é muito linda e tem uma reputação muito interessante, não resisti.
— Você... Meu Deus. — Flint passou a mão no cabelo.
— Mas ela não faz o meu tipo, relaxa.
— E quem faz? — ele deu uma risada amarga.
— Você. — respondeu ela.
Kim olhou para o Flynn e desabotoou a blusa na frente dele. Ela ficou totalmente nua e devolveu a camisa do garoto.
— Você ainda vai me causar um ataque cardíaco. — ele colocou a camisa de volta e Kim o ajudou a fechar os botões.
— Eu sei. — ela o beijou para se despedir.
— Pelo amor de Deus, Kim, vá vestir uma roupa. — disse Flint ao final do beijo.
— Eu vou. — ela se afastou.
— Eu te amo. — ele sussurrou sabendo que dessa vez teria uma resposta.
— Eu também te amo. — ela respondeu.
— ANDA LOGO FLINT! — Violet gritou do lado de fora.
— Vai, antes que ela derrube minha casa. — Kim o empurrou — Se manda.
— Te vejo de noite?
— É, de noite. — ela beijou ele de novo — Xau.
Flint saiu da casa e andou para o carro.
Violet conduziu o veículo pelas ruas de Seattle.
— Jura que não vai contar? — Flint perguntou olhando para a irmã.
— Juro mas, por quê você não quer que eles saibam? Nossos pais não esperaram até o casamento para isso. E Carly e Gibby nunca se casaram. — lembrou Violet.
— Mas reza a lenda que eu, da mesma maneira em que desperto o lado bom da Kim... Durante o ato... — ele fez aspas no ar se referindo ao sexo — Eu estaria despertando o lado negro. Por isso Carly e Gibby jamais irão me perdoar se descobrirem que estou dormindo com a Kim.
— Mas você um dia se casaria com ela, então...
— Seria diferente, eles enxergam de maneira diferente. Mamãe e papai pensam como eles.
— Bem, eu conheço a Kim desde pequena, ela teve a fase ruim, mas nada mudou. Ela continua sabendo se controlar e é graças a você.
— Em parte, mas é muito autocontrole dela mesma.
— Que bom, assim ela deixa os pais mais tranquilos.
— Por que você não vai contar?
— Porque quero usar contra você no futuro quando me negar alguma coisa. — ela respondeu sorrindo e Flint riu.
— Ok, está bem.
— E aí? Vai mentir para nossos pais como sempre faz?
— Mentir? Eu nunca minto, apenas não digo onde vou.
— Vai ter que ser melhor do que isso, eles estão começando a desconfiar, você não se transforma quando eles estão em forma de lobo, isso está pegando mal.
— Vou dar meu jeito.
— Sei. — ela revirou os olhos exatamente como a Sam fazia.
— Me pergunto até hoje por que quando você entrou para alcateia não quis envelhecer mais, mesmo que pudesse.
— Eu não queria chegar aos dezoito anos e ainda ser tecnicamente mais nova do que você, por isso decidi ficar parada aqui em meus dezesseis anos e eu também não queria alcançar os dezessete, por que você tem dezessete. — explicou ela trocando de marcha.
Flint ficou em silêncio por um tempo. Ele notava algo acontecendo com a irmã mas ainda não sabia identificar o quê era.
— Ficou sabendo que o tio da Kimera voltou?
Ela respirou fundo e corou, mas tentou disfarçar.
— O tal Guppy? Aquele que fugiu antes mesmo que eu nascesse?
— Você já o viu, não foi?
Violet suspirou.
— Sim. Eu já o vi, pouco antes de vir te buscar.
Flint engoliu a bile.
— E o quê aconteceu?
— O quê você acha que aconteceu? — ela foi grossa.
— Ele teve imprinting por você...
— Bingo.
— Droga... Ele suspeitava disso, mas você sabe que pode dizer não. — ele não era muito a favor de Violet ficar com o Guppy.
— Por que eu diria não? Ele foi feito para mim.
— Você não o conhece, ele foi embora somente para viver a vida dele do jeito que queria e agora voltou por que ficou entediado. — Flint socou o painel do carro — Você merece alguém melhor do que ele.
— Mas você sabe que não existe ninguém melhor do que ele... — ela freiou o carro no acostamento — Você não sabe como é ter todos te querendo apenas pelo nome que carrega, apenas pelo fato de ser da familia do Alfa... Nenhum garoto me ama de verdade, eles só querem poder e os que não querem não me atraem. Guppy fugiu por que não queria nada disso e agora voltou por que ele sabia que tinha perdido o propósito.... E o propósito da vida dele sou eu. Ele me quer pelo o que eu sou, pelo o que o imprinting é e não por que sou filha do Alfa e da Ômega.
Flint refletiu mas não se convenceu.
— Não posso permitir que fique com ele.
— Não pode me empatar. Pense em você e na Kimera, ela nunca quis você, teve vários namorados e mesmo assim você está com ela.
— É diferente! — Flint ergueu o tom — Eu estou com a Kim por que eu tive imprinting por ela. Você quer ficar com o Guppy por que ele teve imprinting por você, não tem nada haver uma coisa com a outra. Vai saber o que ele fez por aí durante os últimos treze anos!
— Você só diz isso por que ele era seu melhor amigo e te abandonou! — Violet empurrou o braço dele.
— Pro inferno com isso! Eu sou seu irmão e te proíbo de ficar com ele!
— Então eu vou contar para a Carly e o Gibby que você anda fodendo a filha deles!
— Merda! — Flint xingou e então se acalmou, ele não conseguia ficar bravo por muito tempo com a irmã, normalmente a raiva só durava minutos — Você é muito má, sabia disso?
— É, eu sei. — Violet deu uma risada e acelerou o carro.
— Então, você e a Kim...
— Só aconteceu uma vez, não enche.
— Não sabia que gostava de garotas.
— E eu não gosto, Kim foi a primeira e a última.
— Claro, agora você é do Guppy.
— Vai ficar mais fácil...
— Não. Não vai e eu não quero nem olhar na cara dele.
— Realmente você guardou mágoa.
— Você faria o mesmo se estivesse no meu lugar.
— Eu faria pior. — ela era sincera demais.
Violet estacionou o Honda Civic. Flynn saiu batendo a porta com força. Ele caminhou para entrar em casa e se deparou com Guppy na cozinha. Pelo menos nem sinal de Carly e Gibby.
O rosto do Flynn perdeu sua cor.
— Já faz anos... — disse Guppy. Ele também optou por não envelhecer e ainda tinha a aparência de alguém com 17 anos.
— Não devia estar aqui. — Flynn foi pegar suco na geladeira.
— E onde mais eu estaria? O meu propósito mora nesta casa.
— Há treze anos você não ligava muito pra isso.
— Eu fui um idiota Flint, eu devia ter ficado.
— Não, você não devia e no momento também não deve.
— Eu queria que entendesse.
— Não quero entender. — Flint se serviu de suco e sentou-se à mesa.
— Eu passei anos procurando algo que já existia, foi como viver à procura de nada. Eu voltei por que estava cansado de buscar aquilo que sempre esteve aqui. Acha que eu vivi nesses últimos treze anos? Foi como estar no escuro... Visitei as tribos e clãs do norte, todos diziam que eu iria morrer ou definhar por fugir da razão que faz eu ser quem sou. Eu preciso da Violet... Quando a olhei pela primeira vez hoje, foi o único momento em que me senti feliz após a morte da minha mãe. Todos esses anos consumido pela culpa e ódio, não parecem ser mais nada, parecem não ter existido. Ela tirou esse peso de mim. Ela é a cura para minha dor e eu a amo. — Guppy se ajeitou na cadeira — E você é meu melhor amigo, espero que um dia me perdoe.
Flint olhou para os olhos azuis de Guppy, ele encontrou ali a amizade que precisava quando todos os outros ficavam distantes. Na época ele achou que ficaria sempre sozinho, porém Guppy era o único que não recuara.
Flynn suspirou e estendeu a mão para o Guppy, que apertou sorrindo.
— E o quê meus pais acharam disso? — perguntou Flint.
— Sou o único digno, não teve muito como ele negar... Mas me disseram que ela é difícil... Como assim?
— Violet é bem seletiva na hora de escolher um pretendente, o quê a fez namorar meio mundo, sair para festas, se meter em confusões... Uma fera indomável. Boa sorte. Tecnicamente eu sou o filho bom e ela é a reencarnação do mal... Não que ela chute cachorrinhos ou algo assim, mas sempre faz algo errado.
Guppy riu com deboche.
— Eu sei que entre você e a Kim não foi um mar de rosas também.
— Foi difícil.
— Mas você conseguiu.
— Sim... Eu consegui e você também vai conseguir.
— Eu sei... — Guppy se levantou — Vou dar um passeio com a Violet.
— À vontade. — Flynn murmurou e olhou para a porta, onde Sam e Violet apareceram.
— Te espero lá fora. — disse Guppy e saiu pela porta da cozinha.
— Mãe. — Flint cumprimentou — Você sabia que a Kim e a Violet ficaram em uma festa?
— O quê? — Sam não entendeu de início.
— É, pelo visto rolou beijo e tudo mais.
— Ah... — Sam piscou confusa — Mas eu pensei que...
— Foi antes da Kim estar com ele mãe. — Violet se defendeu — Não se preocupe, a relação entre eles está bem estável... Por exemplo, dormiram juntos ontem e ambos estão fazendo isso faz um bom tempo.
— Violet! — Flint protestou.
— Flint! — Sam se repreendeu ele.
— Eu disse que ia contar... — Violet deu de ombros e seus olhos azuis estavam em chamas — Vai pensando que vou me ferrar por causa dessa sua boca grande.
— Parem os dois. — Sam reclamou — Flint, como pôde? Você sabe o quê Carly e Gibby...
— É eu sei... Mas eles não vão descobrir. — Flint fez cara de inocente — Você não vai contar né?
Sam fechou os olhos e suspirou. Ela sabia que Freddie já tinha ouvido tudo na garagem, mas torcia para que Carly e Gibby estivessem longe o bastante da casa para não saberem.
— Ah... Falamos sobre isso depois, seu pai precisa de ajuda.
— Onde ele está?
— Na garagem.
Flint correu para lá antes que tivesse que enfrentar a mãe.
— Oi pai. — disse Flynn vendo Freddie mexer na moto da Sam.
— Há quanto tempo vem omitindo o relacionamento com a Kim? — perguntou Freddie.
Flint suspirou um pouco entristecido.
— Uns três meses, talvez mais... Pensei que soubesse que estávamos juntos.
— Você sabe o quê eu quis dizer.
— Ela não... Ela está bem, não perdeu a cabeça em nenhum momento. Eu não teria... Continuado se eu visse que seria um problema.
— Compreendo. — Freddie largou uma ferramenta na mesa da garagem — Vocês estão se cuidando? — ele gargalhou.
— Não. Eu estou tentando engravidar ela só para irritar você e a mamãe. — Flint foi sarcástico.
Freddie riu novamente.
— Fico feliz que você e a Kim tenham um ao outro.
— Obrigado pai.
— Mas não quero nem saber o quê os pais dela vão achar disso.
— A mamãe não vai contar.
— Ela vai contar, ou vai fazer alguém contar. Carly é a melhor amiga dela, não escondem nada uma da outra, nunca esconderam. — Fredward limpou as mãos em um pano — Lide com isso garoto.
— Claro... Mas então, no que você queria minha ajuda?
— Parece que alguém está traficando poções ao oeste de Seattle... Dê uma olhada pra mim, vou passar a localização para o seu celular depois.
— Sim senhor.
— É só isso... — Freddie suspirou como se estivesse cansado.
— Você e a mamãe deviam tirar umas férias...
— Não estou cansado Flint, estou pensando na sua irmã.
— Oh... O imprinting.
— Isso.
Flint se sentou no capô da Lamborghini.
— Eu não queria... Mas Guppy sempre foi meu melhor amigo... E eu não podia guardar mágoa, mas guardei e agora eu o perdoei por ter partido.
— Perdoar é a melhor coisa que você podia ter feito.
— Acho que sim... — Flint mordeu o lábio querendo perguntar sobre um assunto estranho — Você e o Gibby nem sempre se deram bem, não é mesmo?
O olhar do Freddie escureceu um pouco.
— Não.
— Por que ele gostava da mamãe?
— Ele a amava, a amava mais do que eu e isso me destruía totalmente. — Freddie respondeu — Nada do que eu fizesse parecia superar aquele amor... Antes do imprinting eu não sabia como ama-la, agora eu sei... Me odeio por não ter percebido antes, eu a magoei muitas vezes, mas estamos aqui juntos.
— Mas se casaram antes do imprinting...
— Sim, por que eu sabia que o imprinting seria com ela e então enfim eu saberia ama-la como nunca antes. Sua mãe é minha tábua de salvação Flint, não existe vida sem ela e não falo só de mim. Todos nós precisamos dela.
Flint riu vendo outra lógica.
— Porém toda a nossa vida gira em torno de você.
— Sim... Gira, mas graças a sua mãe.
— Você sempre vai idolatrar ela...
— Assim como você sempre vai puxar saco da Kim.
Flint se levantou e bufou.
— O assunto não era sobre mim.
— Boa sorte quando Carly e Gibby descobrirem.
— Xau pai. — Flynn sumiu para dentro da casa e foi ao quarto. Ele se deitou na cama e ficou pensativo.
No cair da noite Flynn estava no banheiro escovando os dentes quando viu a janela sendo aberta. Um vento frio entrou. Ele rolou os olhos e foi para o quarto. A janela de lá também estava aberta e como um anjo a garota entrou.
Kim balançou as asas e depois as fez sumir. O poder era sua principal companhia.
— Oi. — disse ela como quem não queria nada.
— Senti sua falta. — respondeu Flynn.
— A gente se viu de manhã...
— Mesmo assim.
Ela suspirou e se aproximou para beija-lo.
Flint apertou a cintura dela e Kim já debotoava a camisa dele. Seus lábios percorriam o rosto um do outro. Kim mordeu o pescoço dele e Flint rosnou sentindo o corpo responder a cada toque que ela oferecia.
Alguém soltou um pigarro na porta.
Kim ficou vermelha ao ver quem era e deu um sorriso forçado.
— Kim, eu poderia falar com você, por favor? — Sam perguntou querendo rir da situação.
— Claro senhora Benson.
— Apenas me chame de Sam... Só Sam.
— Sam... Ah... Tudo bem. — Kim se sentou na cama.
Flint saiu do quarto abotoando a camisa e Sam deu um tapa na nuca do garoto.
— Eu fiquei sabendo de você e do Flint. — Sam murmurou se sentando ao lado da Kim.
— Ah... Eu sinto muito.
— Não estou brava e nem te julgando, mas deveria contar à sua mãe sobre isso, é só o que eu te peço. Carly e eu nunca tivemos segredos entre nós.
Kim pensou durante alguns segundos.
— Ela vai me deixar de castigo ou pior.
— Castigo? Quantos você tem? Dez? Ela não vai te deixar de castigo, mas vai dar uma de mãe responsável ou coisa assim... — Sam tentava explicar o jeito que Carly agia — Olha Kim, você não foi criada como o Flint e a Violet, eles cresceram rápido demais, não tivemos essa preocupação... Carly tentou tirar sua liberdade por que não sabia lidar com você, ela nunca teve uma figura materna na vida, então não a culpe se ela exagerar. Eu fui o mais perto de mãe e irmã que ela já teve. Carly está tentando ser boa, ela vai chegar lá.
— Eu acho ela uma mãe perfeita, nunca pensei ao contrário, mas meu medo é que ela mande eu me afastar do Flint e eu não posso. Ele levou tanto tempo para me ter e agora parece que tudo vai desmoronar.
— Ninguém jamais irá tirá-lo de você, eu te prometo isso.
Kim a abraçou por impulso e Sam devolveu o abraço.
— Posso te chamar de sogra?
— Não se atreva. — Sam gargalhou.
— Só Sam?
— Isso mesmo.
— Obrigada Sam...
— Pelo o quê?
Kim olhou para ela.
— Por ser tão incrível.
— Eu sei, sou demais.
— Agora sei de onde o Flint tirou o convencimento...
— Na verdade ele puxou isso do pai dele.
— A beleza também.
— Ok, já chega. — Sam saiu da cama — Violet está te esperando no carro, juízo com ela hein? E nada de amizade colorida entre vocês ok?
Kim ficou vermelha até as raízes do cabelo.
— Sim senhora.
Violet estava no carro aguardando Kim. Ela cantarolava em tom desafinado a música do rádio.
Guppy se debruçou na janela e sorriu.
— Hey Melisandre.
— Qual é o problema dos Gibsons para me chamar assim?
— Algum problema? — ele aproximou mais o rosto ficando com os lábios a centímetros de distância dos dela.
— Não, mas sua sobrinha também me chama assim.
— Kimera é incrível, não é?
— Como pode dizer isso se nem estava aqui para ver?
Guppy se afastou e sentiu os olhos azuis se encheram de lágrimas.
— Eu sinto muito.
— Não é pra mim que você tem que pedir desculpa. — Violet saiu do carro e bateu a porta com tamanha força que o vidro quebrou — Mas minha vida foi um inferno sem você! Eu de todas as pessoas sou a que mais te odeio e agora quando te olho tudo que quero é ficar com você.
Guppy viu o conflito que se passava no coração dela.
— Eu fui embora pra nunca mais voltar, mas voltei e dessa vez para onde eu for te levarei junto. Sei o quanto foi difícil pra você.
— Não sabe.
— Não foi só você que sofreu, eu também tive dor e desolamento pra lidar. A escuridão me sufocava, o Sol não nascia para mim fazia trezes anos e hoje, quando te olhei sentada na grama, foi como se eu visse uma luz na minha vida pela primeira vez. Você sabe que pode me deixar, sabe disso, mas sei que não vai.
Violet se jogou nos braços do rapaz e o beijou de forma intensa, deixando o peso e as frustrações de lado.
— Não... — ela sussurrou quando o beijou terminou — Eu não posso te deixar por que não existe vida sem você.
— Ui, não me façam vomitar. — Kim resmungou e viu o vidro no chão — Mas que porra aconteceu com o vidro da porta?
— Eu me estressei... — respondeu Violet — Vamos na Lamborghini do meu pai.
Kim se arrepiou.
— Eu dirijo!
— Não. O carro é do meu pai!
— Mas você é o demônio no volante.
— E você é o demônio fazendo qualquer coisa. — rebateu Violet.
— Agora você foi longe demais. — Kim empurrou Violet contra o Honda Civic usando os poderes.
— Caramba! — Violet se levantou e voou em direção à Kim. As duas começaram a se estapear pelo chão, parecia mais uma briga de criança do que uma luta séria.
Flint escutou os gritos e correu para ver o quê estava acontecendo. Guppy não sabia se separava as garotas ou deixavam elas se resolverem.
— Chega! — disse Freddie vindo da escuridão com sua autoridade de Alfa.
As duas pararam e se levantaram com certo medo.
— Ela que começou. — apontou Violet para a Kim.
— Ela disse que eu sou demônio, isso tudo por que queria dirigir seu carro. — justificou Kim.
— Não importa quem começou, vocês já cresceram o suficiente para estarem brigando como duas crianças. Vocês só vão para Portland se Flynn ou Guppy acompanharem, fim dessa discussão. — Freddie foi sensato.
— Parece que temos planos para esta noite. — murmurou Flint.
Violet empurrou o ombro de Kim.
— Viu o quê você fez?
— Ah fica quieta. — Kim se encostou no carro — Os bonitos vão se arrumar ou não?
— Festival da Lua Azul? Fazer o quê... — Flint deu às costas e retornou para a casa.
Após se acertarem, os quatro partiram na Lamborghini para uma noite cheia de promessas e acontecimentos imprescindíveis.
Quando ficaram sozinhos, Sam se deitou na cama e Freddie fez o mesmo.
— Elas nunca se entendem, como podem ser melhores amigas? — perguntou Freddie puxando Sam para seus braços.
— Garotas são complicadas, não tente entendê-las, muito menos Violet e Kim. — respondeu Sam inalando o cheiro dele — Você sente isso?
Freddie sorriu levando a coisa para o outro lado.
— A excitação que sentimos um pelo outro?
— Não. — Sam suspirou segurando um riso — A paz...
— Claro que sim, sem a Violet e o Flynn aqui tudo fica calmo.
— Sério Fredward. Você não sente a calma? Como se o mundo todo tivesse parado de ser um problema...
— Sim... Eu sinto, é reconfortante após todos esses anos.
Sam ficou por cima dele.
— E deveríamos aproveitar esse tempo sozinhos.
— Eu não tenho duvidas... — em um passe de mágica Freddie tirou a camisa e suas mãos percorreram o corpo da mulher que amava, enquanto ela o beijava como se não houvesse amanhã.
Soundtrack: Forever Young — Alphaville
Flint corria pela floresta em forma humana. Ele tinha que alcança-lá por que às vezes a deixava ganhar e Kim ficava com raiva quando descobria.
A garota batia suas asas de anjo que iam desde as costas até os pés, quando andava elas se arrastavam no chão. Ela levou um tempo para conseguir criar este poder e a cada dia conseguia novos. Kimera era imbatível e sabia que se não buscasse controle seria um perigo, porém toda a calma que ela precisava, ela encontrava no garoto que a perseguia.
— Para de entregar o jogo Flint! — ela pousou no chão e as asas sumiram.
— Eu juro que estava tentando te alcançar. — ele não mentiu.
— E eu juro que prefiro a companhia da sua irmã.
— Ah, irei contar para a Violet, ela vai gostar de ouvir isso, vai tirar as teias do coração dela.
— Guppy já tirou as teias.
— Sei. — Flint a puxou para seu peito — Correr menos, beijar mais, esse era o combinado.
Kim desviou o rosto antes que ele a beijasse.
— Estamos em uma patrulha, não em um encontro.
— Você leva isso a sério demais.
— E devíamos levar como?
— Assim... — ele beijou o pescoço dela — Como eu quero você...
Um beijo quente se iniciou. Kim estava presa contra uma árvore, enquanto alisava os ombros do Flint. Ele acariciava os cabelos dela e sua mão emoldurava o rosto da garota.
— Jesus Flint! — ela teve que o empurrar — Deixa eu respirar...
— Deveríamos deixar a patrulha e ir para Violet Hill.
— Você realmente não gosta de limites. — ela acalmava a respiração — Não vamos desviar o foco da patrulha, qualquer pensamento sacana guarde para mais tarde.
— Hum... Acho que eu também prefiro fazer patrulha com a Violet, ela não é uma distração como você.
— Claro que não seu tapado, ela é sua irmã.
— Por isso mesmo.
— Ah cara... — Kim riu e passou os dedos nos lábios — Você realmente é meu.
— Claro que sou seu...
— E se eu te pedisse para ser meu para sempre?
— Eu já sou seu para todo o sempre.
— E se o "para sempre" não bastar?
— Não sei, mas eu criaria uma nova forma de vida só pra nós dois.
Kim se emocionou e procurou pelo abraço dele.
— Até que tudo deixe de existir.
— Juntos... Até depois que não existir o nada.
— Eu te amo Flynn... Desesperadamente.
— Eu também te amo Kim, você sempre será minha.
O abraço não foi quebrado, aquele momento era perfeito demais para ser interrompido. A necessidade e paixão que tinham um pelo outro se renovava a cada manhã. Cada sensação era um conjuto novo. E eles ainda teriam muito mais para viver... Mesmo que o "nada" fosse tudo que restasse, o amor deles ainda conseguiria reinar.
Fim ou um novo começo...
42 — Violet Hill
Midnight
Obrigada.
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