42 - Violet Hill
25 Do lado errado dos trilhos
Notas iniciais
Parte 25: O único cara
Povs Freddie:
Eu a sigo até o quarto. Sam está desabotoando a blusa enquanto caminha para o banheiro. Eu corro e paro na frente dela. Eu a beijo tentando joga-la na cama. Mantenho suas mãos no alto da sua cabeça para ela não me empurrar. Sam não tenta romper o beijo, ela está me beijando de volta e minha língua passeia pela sua boca. Ela está com um cheiro estranho e quem desfaz o beijo sou eu. Um cheiro de pinho com mel. Ela esteve tão próxima do Gibby a esse ponto? Ela nota minha exasperação e tenta se soltar, eu solto suas mãos e retiro minha camisa. Sam arregala os olhos quando eu tiro a camisa dela em apenas um segundo. Eu fico em pé para puxar a sua calça. Não quero minha namorada com cheiro de lavanda cheirando a lobo, ainda mais a alguém que a ame. Eu começo a tirar meu cinto.
— Por que você está tirando a roupa? — ela pergunta não contendo o sorriso.
— Porque eu quero fazer amor com você. — tiro minha calça.
Ela tenta se levantar, mas eu já estou em cima dela juntando nossas bocas. Sam aperta meus braços. Eu a faço arquear as costas para retirar seu sutiã, mas ela começa a me empurrar de novo.
Ela desgruda nossos lábios.
— Quer mesmo fazer isso com a Carly dormindo no andar de baixo?
— Ela é a menor das minhas preocupações. — eu beijo seu queixo.
Ela morde o lábio pensando se deve ou não se entregar para mim agora. Vamos Sam... Não me faça esperar.
— Freddie... — ela vacila.
— Decida logo Sam, vamos, eu estou envelhecendo aqui. — eu rio com ela- Não literalmente, mas você entendeu.
Eu inicio um beijo ardente. Sam está tentando me empurrar de novo quebrando o contato dos nossos lábios. Um celular toca.
— Não atende. — eu sussurro com a boca no seu pescoço.
— Eu preciso. — ela me tira de cima dela com tanta força que eu quase paro do outro lado do quarto.
Eu fico com raiva. Fico nervoso. Fico tão estressado que vejo vermelho. Eu fico deitado observando ela pegar o celular no bolso da calça. Ela é tão perfeita apenas de calcinha e sutiã... Deve ser mais perfeita ainda sem roupa, no entanto ela não vai me deixar toca-la. Acho que a Sam não me quer... Não depois de tudo.
Minha mente cria paranoias enquanto ela conversa com alguém no celular.
Sam não vai ter a primeira vez comigo... Ela deve se sentir com o pé atrás depois de todas as coisas que eu fiz. Ela já estava recuando antes mesmo do celular tocar. É melhor aceitar que as coisas entre nós esfriaram. E em breve vão se congelar.
Sam murmura no celular a respeito de deixar para amanhã por que a Carly está dormindo e ela precisa de descanso. Sam encerra a ligação e volta para a cama. Ela sobe em cima de mim e eu fico parado sem esboçar reação.
— Freddie o que foi? — ela acaricia meu peito e arranha devagar com as unhas.
— Você não me quer... Não me enxerga mais da mesma forma, não depois de tudo. — eu mantenho minhas mãos em cada lado do meu corpo, mas meus dedos coçam para tocar em sua pele quente.
— Ham? — ela segura meu rosto- Eu ainda amo você.
— Ainda... Vai ser só questão de tempo a te deixar de me amar. — eu olho para o lado, essa frase está bem diferente de quando eu disse pela primeira vez após nos beijarmos ao som de Something Just Like This, onde Sam revelou estar apaixonada por mim.
— Agora você está sendo um idiota. Mais do que já é. De onde está tirando essas coisas? Eu sou sua namorada e quero muito continuar com você. — ela sai de cima de mim.
— Mas você vai embora... Não faz diferença nenhuma. — eu permaneço deitado.
— Talvez eu vá para te proteger, ainda não sei. — ela se deita com a cabeça próxima do meu ombro.
— Nada justifica sua ida. Não quero que você vá. — eu viro o rosto para beija-la.
Sam coloca a mão no meu peito durante o beijo. Eu sinto meu corpo implorar pelo dela. Minha mão direita desce pela sua barriga e eu chego à sua calcinha. Meus dedos acariciam a parte da frente e ela para de me beijar. Eu sorrio contra o rosto dela.
— Freddie, você me deixa louca. — ela sussurra se excitando.
Eu a beijo e continuo com minha mão em movimento. Ela está ficando mais quente. Seu beijo é conciso. A mão dela vai para minha boxer. Eu sinto ela me tocar. Tenho que desfazer o beijo por que não consigo me acalmar com ela desse jeito nos meus braços.
Eu retiro minha mão do meio das suas pernas e fico por cima novamente.
— Sammy... — eu sussurro na sua boca- Casa comigo...
Ela me beija deixando-me sem resposta. Suas mãos descem e sobe pelo meu peito.
Alguém atira alguma pedra no vidro. Temos que parar nosso momento para ver o que é. Eu saio de cima dela, visto minha calça e vou até a janela.
— Já não passou o dia com ela?! — eu pergunto bravo e saio da janela para pegar a minha camisa.
Sam se levanta da cama ainda de roupa íntima. Gibby entra pela janela – como, eu não sei- e eu me coloco na frente da Sam.
— Não quis atrapalhar nada. — ele sorri para a Sam.
Tenho quase um infarto quando a vejo abrir o maior e mais sincero sorriso do mundo para ele. Nem para mim ela sorri dessa forma. Sam está apaixonada pelo Gibby, mas está tão focada em mim, que não se da conta disso. Eu mereço vê-la amando outro, por que ela é obrigada a me ver amando a Carly. Eu estou errado... Estou errado mais uma vez.
— Dá para se retirar enquanto ela se veste? — eu não quero que ele a veja assim.
— Hoje eu a vi sem roupa, quer mesmo falar disso? — Gibby da de ombros olhando pelo quarto.
Ele a viu sem roupa? Eu fico pensando em como isso é possível.
— Eu vou tomar banho, já falo com vocês... — diz Sam indo para o banheiro, Gibby a segue com o olhar.
— Para de olhar para ela. — eu reclamo com ele.
— Eu já vi tudo o que eu tinha para ver. — ele murmura se apoiando na cômoda.
— Chega. — eu estou quase batendo nele.
— Aqui... — ele retira algo do bolso e joga para mim- A Sam comprou para você.
Olho para a pulseira com o símbolo Yin-Yang. Fico contente que ela se lembrou de mim. Coloco o presente no meu braço direito.
— Por que ela não me deu?
— Porque quando se transformou as roupas dela rasgaram e isso estava no bolso.
— Como a viu sem roupa? — eu pergunto tentando não bater nele.
— Ela voltou para a forma humana em La Push e eu acabei tendo que vesti-la depois... Já notou onde está a tatuagem da alcateia nela? Ah não... O sutiã fica por cima dessa parte... — Gibby ri me provocando.
— Ela é minha. — eu me sento na cama para colocar meus tênis.
— Sorte sua... — ele me olha com desdém.
— O que veio fazer aqui?
— Conversar com ela.
— Sobre? — eu pergunto já me colocando na frente dele.
— Você não está incluso na conversa. — Gibby fica rígido- Você não me intimida Freddie... E agora que você está tão apaixonado pela Carly duvido que a Sam ainda sinta o mesmo por você.
Eu agarro a gola da sua camisa e o empurro na parede.
— Você não tem nada haver com isso. — digo entre os dentes- Se você tentar alguma coisa eu mato você.
— E depois que me matar, acha que a Sam vai continuar com você? — ele me empurra com raiva- Não. — ele responde a própria pergunta- Ela tem o Gatlin na fila.
— Pelo visto você sabe de tudo. — começo a me estressar de novo.
— Tudo a respeito dela, de você... Tudo que ela sente por mim.
— Engraçado você não ter visto quando ela negou ser apaixonada por você... – eu meio que minto para magoa-lo — Como se sentiu? — eu dou uma risada fria.
— Melhor do que você se sente sabendo que ela vai embora. — ele responde e eu perco o controle.
Voamos pela janela aberta do quarto. Caímos na grama e eu já estou enchendo sua cara de socos. Gibby aperta o meu pescoço e inverte nossas posições. Ele me bate com o punho diversas vezes no meu rosto. Dói mas não tanto. Eu ergo a perna e o jogo longe de mim. Ele não vai se transformar, que pena, bem que eu queria uma batalha. Gibby está apenas se divertindo. Ele volta para mim e acerta um soco na minha barriga. Eu soco seu queixo. Ele cambaleia e depois me derruba no chão de novo. Uso velocidade para tentar bater nele. Gibby me gira e bate meu rosto contra a coluna de madeira da varanda que se quebra. Eu perco um pouco dos sentidos, mas não o bastante e dou dois socos no seu peito. Ele fica sem ar e cai de joelhos. Eu chuto sua têmpora. Escuto o som de algo quebrar. Gibby cai na grama. Ele não consegue se levantar. Toda vez que tenta desaba de novo. Ele cospe sangue da sua boca.
— Fique longe dela. — eu o levanto puxando sua camisa.
— Vai sonhando. — ele me da um soco antes que eu veja. Um soco certeiro no meu peito que me faz voar para dentro das árvores no fim do quintal da casa. O bosque passa por mim como um borrão. O soco foi tão forte que eu não sei onde eu vou parar.
Sou detido por uma árvore quê se quebra com meu impacto. Eu caio nas folhas tossindo. Sangue desce pela minha boca e some rapidamente. Eu olho para isso assustado. Preciso voltar. Eu tento correr, mas uma dor na minha barriga me empata. Ando devagar entre a vegetação. E saber que o Gibby está sozinho com a Sam. Eu ando mais rápido. Passam-se alguns minutos e eu corro mesmo sentindo dor. Eu chego ao quintal e Gibby está conversando com a Sam a respeito de não contar algo a Carly.
Sam me vê chegando e corre para os meus braços.
— Freddie! — ela me abraça e me cheira- Você está bem?
— Sim. — eu pego seu rosto para trocarmos um beijo. Gibby some do lugar que estamos — O que ele queria com você?
— Ele queria me pedir para que eu não contasse a Carly que eu sei algo a respeito dela e dele.
— E o que você sabe?- eu seguro a cintura dela.
— Eles... — ela morde o lábio e eu fico louco quando faz isso- Carly e Gibby tiveram a primeira vez juntos.
Eu chego a tossir depois de ouvir isso.
— Mas o que?
— É... Ele me contou. Eu não tinha lido isso na mente dele em nenhum momento.
— Eu estou... — solto a Sam- Chocado.
Ela entende totalmente errado e fica com raiva.
— Queria estar no lugar dele?
Eu dou uma risada.
— Não. Mas queria ter estado no lugar dele em La Push.
— Sei. — ela fica emburrada.
— Quer sinceridade? — eu fico a uma distância segura da Sam- Eu sei o que sinto por ela, mas ainda sei que é você que eu quero na cama comigo.
Sam ri e vem me abraçar.
— Estou acreditando. — ela diz rindo.
Eu a abraço cheirando seu cabelo. Lavanda. Diferente do cheiro de morango da Carly. Infelizmente ambos estão passando pela minha mente e tenho medo de ter que escolher entre qual é meu favorito.
Carly continua dormindo no sofá. Já passaram das dez da noite. Sam está comendo um sanduíche enquanto conversa comigo sobre invadir a sede dos caçadores agora que possui a lista de quem iremos matar.
Eu levanto da mesa e digo que vou checar se a Carly não está em coma.
Eu vou para a sala e Carly continua feito uma pedra. Eu me abaixo e pego na mão dela para sentir sua pulsação. Ela acorda devagar e entrelaça nossos dedos.
— Oi... — ela murmura baixinho.
— Oi. — eu cheiro a mão dela como a Sam fez com o Gibby no meu apartamento- Dormiu bem?
— Dormi feito um bebê. — ela sorri — Obrigada.
— De nada. — eu beijo seu rosto antes que me de conta.
— Finalmente Bela Adormecida. — Sam diz entrando na sala.
Eu solto a mão da Carly e me levanto.
— Oi Sam. — Carly se senta devagar- Buscou o irmão do Gibby?
— Há anos luz... — Sam se aproxima- Enquanto você dormia nos braços do Freddie.
— Não lembro onde apaguei e se o Freddie me deixou nos braços dele a culpa foi só dele. — Carly se levanta.
— A culpa sempre é dele... — Sam dessa vez parece não se convencer.
— Quer mesmo discutir agora? — a voz da Carly muda.
— Não estou discutindo. — alega Sam.
— Mas está me irritando. — Carly rebate.
Eu fico no meio das duas.
— Se acalmem, por favor. — eu peço. Sinto minhas costas contra a Carly. Meu peito fica junto da Sam. As duas estão exalando raiva.
— A gente precisa tirar essa coisa de você, prometeu que deixaria a gente te ajudar. — relembra Sam.
— Eu prometi, mas é difícil querer abandonar isso... — Carly coloca a mão no meu ombro- Freddie- ela sussurra- Se puder me acalmar eu agradeço.
— É melhor acalma-la antes que ela nos mate. — Sam me adverte de antemão.
— Pretendo. — eu uso meu dom na Carly sem precisar me mexer.
— Não devíamos estar discutindo. — Carly encosta o rosto na minha nuca, ela inala no meu pescoço.
Sam sai de perto de mim e caminha para a janela com raiva. Carly passa as mãos pela minha cintura e eu tenho medo de mexer. Droga! Estou com sede novamente.
— Carly, que assanhamento é esse ai? — Sam pergunta.
— Me dá uma pausa com o Freddie. — murmura Carly contra meu pescoço.
— Uma pausa como você deu com o Gibby? — ela reclama fazendo aquilo que o Gibby pediu para ela não fazer.
Carly se solta de mim devagar. Eu me viro para segura-la caso algo dê errado.
— O que você quer dizer? — Carly pergunta e um vento invade a casa.
— Sobre você e ele ano passado... No seu quarto. — Sam ri de forma debochada.
— Ele te contou? — Carly respira com força.
— Sim. Mas não o culpe... — Sam fita a Carly com cautela.
— Pelo menos eu tive coragem... E você? — Carly fala pegando um lado ruim.
— Eu teria se você não estivesse dormindo na minha sala. — Sam começa a tremer.
— Claro que o problema seria eu... Freddie não faria nada com você. — diz Carly sem saber que eu não estava nem me importando.
— E por que diz isso? — pergunta Sam.
— Porque o Freddie me ama. — Carly responde na cara dura.
— Ele me ama mais. — Sam procura algo para se segurar.
— Estou começando a duvidar disso. — Carly não vai parar a discussão. Eu faço menção de intervir- Se você der um passo eu jogo a Sam pela janela.
Eu travo no meu lugar.
— Carly... Vamos agora falar com o Guppy. — minha namorada exige.
— Mudança de planos... — diz Carly- Eu quero continuar assim.
— Nem que eu te leve amarrada eu vou tirar isso de você! — Sam avisa se aproximando.
— Não venha me enfrentar, vai acabar se machucando. — Carly arrasta uma cadeira da cozinha e ela vem parar na sala.
— Carly!- eu ergo o tom- Fique calma! — eu agarro o braço dela.
— Eu mandei não se aproximar... — ela relembra e a cadeira voa para cima da Sam.
Sam se abaixa com rapidez e a cadeira voa quebrando a janela da sala. Carly tenta usar os poderes, mas eu agarro tentando imobiliza-la.
Sam está segurando a Carly comigo e tentamos leva-la para o meu carro lá fora. Carly se debate xingando... Ela nunca falou tanto palavrão de uma vez só. Sam rapidamente a desmaia apertando o pescoço de Carly onde a circulação para. Colocamos a Carly no Audi A6 e partimos para a casa do Gibby. Ligamos para a Wendy no caminho para ela nos ajudar.
— Você sabe que não é verdade. — eu digo enquanto dirijo- Você sabe que não é Sam, você sabe que eu te amo mais. Muito mais.
Sam não responde. Ela mantém o olhar no retrovisor onde a Carly está inconsciente no banco de trás.
— Não... Eu não sei Freddie. — ela sussurra fechando os olhos.
Estaciono o carro na calçada. Ajudo a retirar a Carly do Audi. Gibby não está em casa, então Guppy me convida para entrar. Ele tem um frasco pequeno contendo sangue em suas mãos.
Colocamos Carly deitada no sofá. Não podemos fazer nada sem a Wendy. Aguardamos ela chegar enquanto Guppy e Sam conversam sobre os possíveis efeitos colaterais. Ele adverte que Carly pode ficar pior do que já é.
Wendy entra na casa.
— Estão prontos? — ela nos pergunta.
— Sim. — Sam responde.
— Ok. Segurem a Carly no sofá. — Wendy pega o frasco com sangue.
Sam segura os braços da Carly que está começando a se acordar. Eu seguro os pés dela. Guppy observa atentamente.
— Me soltem! — Carly grita- Eu vou matar vocês quatro!
— Continua gritando... — Wendy segura à boca da Carly- Colabora conosco.
— Vai pro inferno!- Carly tenta se soltar com seus poderes, mas Wendy lança algo roxo contra a Carly que a faz gritar com mais raiva.
Wendy desliza o frasco na boca da Carly. Ela tenta cuspir, mas não consegue. Seus olhos ficam verdes. O tom verde assume até mesmo a esclera. Ela grita enquanto uma nuvem verde anda por ela. Carly continua gritando e depois desmaia. Seu coração bate devagar, mas ela ainda está viva.
— O que fazemos agora? — eu pergunto soltando seus pés.
— Quando ela acordar vamos saber. — Guppy responde- Eu vou dormir. — ele murmura nos deixando a sós.
Wendy boceja.
— Foi uma péssima ideia. Não deveríamos ter submetido à Carly a isso. — ela diz cansada.
— Eu concordo. Se eu tivesse me entregado antes a Carly não teria passado por isso. — fala Sam.
— Ninguém culpa você Sam. A escolha era sua e você escolheu viver conosco. Te amamos por isso. — Wendy fala.
— O que não faz diferença... Eu vou embora em breve. — Sam resmunga- E não fiquem surpresos, vocês já sabiam disso.
Eu fico calado. Já estou sofrendo demais aqui. Saber que perderei a Sam amanhã ou em breve me causa pânico. Vou realmente perder o amor da minha vida. Eu não quero deixar isso acontecer...
Povs Sam:
Carly se acorda e parece estranha. Ela olha em volta. Percebe a casa diferente. Ela coça os olhos como se quisesse se certificar que está vendo isso mesmo.
— Como se sente? — eu pergunto hesitante, me sento ao seu lado no sofá.
— Confusa... Como eu vim parar aqui?
— Qual é a última coisa que você se lembra?
Carly força a memória.
— De ter ido à sua casa estudar por que eu não quis ficar no meu apartamento.
— Não se lembra de nada depois disso?
— Não... — ela parece diferente- Acho que o Freddie estava lá. Ele me colocou pra dormir. Só lembro-me de ter acordado aqui.
— Tem algo mais que você não lembre?
Carly me olha cínica.
— Provavelmente se eu não lembro não tem como eu explicar.
— Você ainda sente algum poder? — a pergunta principal.
Carly tenta pegar um copo que está na mesinha de vidro com os poderes. Nada acontece.
— Eu não sinto nada Sam. — ela responde para o meu alívio completo.
Estou sentada na mesa do refeitório da escola junto com a Carly. Os outros ainda estão meio em dúvida se é seguro se juntar a nós ou não. Freddie está sentado com os vampiros. Ele lança sorrisinhos em minha direção, mas eu realmente queria que ele viesse aqui.
Carly brinca com o purê de batata no prato. O problema dela como Hexenbiest foi resolvido. Ela diz não sentir nada. Agora temos um novo problema. Ela não sente nada, apenas está calma demais, não expressa emoções. Quase como um vampiro que desliga a humanidade, porém ainda resta sentimentos nela, Carly apenas parece não se importar com eles.
— Pode parar de me olhar? — ela pede baixinho.
— Posso. — olho para a Wendy que se aproxima.
A ruiva se senta conosco.
— Qual é a boa, Carly? — ela pergunta.
— Na mesma. — responde Carly.
— Sente alguma coisa? — pergunta Wendy.
Carly balança a cabeça negando.
— Apenas não conte para a Shelby a história do vidro, ela teve que pagar o conserto duas vezes. — relembro a Carls.
— Que história do vidro? — Carly não entende.
— Você jogou uma cadeira em mim e ela voou pela janela da sala. — respondo- Não se lembra disso?
— Não. — Carly está sendo sincera.
— Se lembra de quando me beijou? — Freddie pergunta se sentando ao meu lado.
— Eu te beijei?! — Carly leva a mão à boca.
Wendy não se convence.
Eu sou a única que não enxerga maldade na Carly.
— E a nossa briga lá em casa? — Wendy estreita os olhos.
— Disso eu me lembro, você pulou em mim, mas não lembro o que houve depois. — Carly começa a se desesperar- É como se...
— É como se você não se lembrasse de nada do que fez quando estava possuída pelo espírito da Hexenbiest. — completo para ela.
— Duvido. — Wendy murmura. — Fingiu que esqueceu para se safar.
— Não acho que seja isso. — eu intervenho.
— Eu juro que não me lembro. — Carly se levanta.
Freddie olha para baixo. Ele parece querer dizer alguma coisa.
— Colocar a culpa no espírito não vai facilitar as coisas para você. — Wendy está iniciando uma discussão.
— Não estou querendo facilitar nada. — retruca Carly.
— Custa aceitar que errou? — Wendy se coloca de pé.
— Qual é o seu problema comigo? — Carly sem os poderes apenas encara a Wendy, mas vejo sua face ter uma espécie de movimento estranho. É como se ela quisesse Wogar.
— Meu problema é que você não quis a nossa ajuda e depois ferrou com todo mundo! — Wendy ergue a voz.
— Não era tão simples me controlar!- Carly da um passo para frente e Wendy também.
— Era sim! Você é que sempre foi mimada e queria as coisas do seu jeito! — Wendy está mais do que brava- Não faz a mínima ideia do que nenhum de nós passamos na vida! Você sempre teve tudo de bandeja!
— Já chega Wendy! — Freddie diz com a voz dura e bate na mesa. O barulho ecoa pelo refeitório. Todos que estavam comendo param para fitar a cena.
Carly da às costas e caminha para sair do refeitório. Freddie não pensa duas vezes e vai atrás dela. Eu apenas fico sentada olhando meu namorado correr atrás da minha melhor amiga. Freddie não percebe, mas eu sim, ele está do lado errado dos trilhos. Esse não é o caminho que ele devia seguir. Não é um bom caminha a se trilhar.
Povs Freddie:
Eu vou para o corredor. Carly segue a passos rápidos para o seu armário. O ambiente está vazio. Ela encosta-se ao armário e vai escorregando até cair sentada no chão. Ela coloca o rosto entre os joelhos. Tento captar sua emoção. Não consigo. É uma mistura de culpa com qualquer outra coisa. Ela não está raciocinando feito uma pessoa normal.
— Veio aqui para me culpar também? — ela pergunta.
— Não. Eu confio em você. — eu respondo sinceramente.
Ela ergue a cabeça e me olha.
— Pois não devia. Ninguém devia...
Eu suspiro e me sento ao seu lado.
— Por que diz isso?
— Não lembro de outras coisas, mas me lembro do beijo. — ela olha para a minha boca rapidamente- Mas não fiz aquilo por que gosto de você. Não te enxergo dessa forma. É algo impossível para mim.
Eu encosto minha cabeça no armário.
— Não sei se fico feliz ou triste com isso.
— Eu sinto muito... — ela se desculpa por alguma coisa.
— Talvez seja melhor assim. — eu fecho os olhos.
— Assim como?
— Você não sentir o mesmo. — eu sussurro.
— Por causa da Sam?
— É... — abro os olhos devagar.
— Pode me dizer com todas as palavras? — Carly está querendo chorar por algum motivo- Eu sei que é errado... — ela não segura as lágrimas- Mas você... Freddie você é o único cara que me enxerga assim. O único que talvez se importe comigo de verdade.
— Eu lamento. — não sei bem pelo o que.
— Apenas diga... — ela pega a minha mão direita.
— Tem certeza?
— Sim.
Eu não vou negar isso a ela, assim como eu não negaria a ninguém.
— Eu te amo Carly. — eu falo sem pressa.
— Obrigada. — ela agradece e solta a minha mão- Agora pode voltar para a Sam.
— Não quer que eu fique aqui com você? — não quero deixa-la.
— Quero, mas a Sam precisa de você.
— Você também precisa de mim. — eu sorrio de lado.
— Sim... Mas eu não quero precisar. — Carly beija meu rosto- Volte para a Sam, por que você precisa dela.
— Mas eu também preciso de você. — as palavras saem da minha boca sem qualquer filtro.
Carly parece sentir alguma coisa. Ela se levanta e eu permaneço sentado.
— Se vemos depois. — ela caminha para longe de mim.
É estranho. É como se um pedacinho de mim tivesse ido com ela.
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Hoje é sexta. Dia 7 de abril. Passaram-se algumas semanas desde que o Guppy ofereceu seu sangue para libertar Carly do espírito de Hexenbiest. E nessas últimas semanas bolamos uma estratégia para invadir a sede dos caçadores, por que a Shelby conseguiu a planta do lugar. O problema é que Gatlin nos avisou que gostaria que estivéssemos com a garota que prometemos encontrar, ele deseja tê-la na próxima semana. Sam ainda não falou com todos sobre isso, mas ela já revelou ao Gibby o que pretende fazer e Nevel ao ler os pensamentos do Gibson, revelou para mim.
Estou vendo mudanças. Tori fez a tatuagem da alcateia no braço, assim como o Gibby. Raiva me invade ao saber que Gibby viu onde a tatuagem da Sam se encontra. Ela não fez no braço. Fez nas costas exatamente onde o sutiã fica por cima. Onde eu nunca tive a oportunidade de ver.
Acho que as coisas estão confusas. Sam está saindo mais com o Gibby e me deixando um pouco de lado. Recentemente Sam consertou a Harley com o Gibby, eu não acreditei quando vi a cena.
Por algum motivo, todos estão meio distantes da Carly, com exceção do Spencer e eu. E óbvio Sam não abdicou da posição de melhor amiga. O que me frustra é o infortúnio de que Sam parece possuir mais tempo para todos do que para mim. Isso está dificultando as coisas entre nós. Essa merda toda só está colaborando para os meus sentimentos pela Carly aumentarem e ninguém aparece para fazer nada e intervir. Nem mesmo a Sam. O altruísmo dela é surpreendente. Infelizmente seu altruísmo é o que está fazendo nosso namoro se desfazer aos poucos. Um laço se rompendo. Faz dias que não me deito ao lado dela em seu quarto. Faz dias que não nos beijamos. Faz dias que eu não escuto ela dizer "eu te amo". Faz dias que eu me sinto solitário demais. Eu ainda amo a Sam. Ela é como uma droga para mim e ficar em abstinência está me matando.
Eu invado o quarto da Sam. Ela está escrevendo em um caderno. Sam não parece se importar com a minha chegada. Não estou aqui para ser ignorado. Eu uso velocidade e retiro o caderno das suas mãos.
Sam se chateia comigo.
— Você não pode...
— Cala a boca... — eu sussurro e começo a beija-la.
Eu a conheço bem o suficiente para saber que sou mais do que ela pode suportar, por isso sei que ela me quer e precisa de mim.
Dou-me conta que já estou em cima dela na cama. Sam puxa meu cinto diversas vezes tentando o abrir. Eu não interrompo o beijo. Eu senti falta dos lábios dela. Da presença dela. Do cheiro dela. Eu só quero estar com ela e nada, além disso, importa. O mundo é insignificante para mim quando estou com a Sam. Eu me perco no seu jeito selvagem e amoroso. Perco-me totalmente. Mas mesmo eu estando perdido, sei onde eu estou. Sei que estou com ela.
Ela desfaz o beijo para xingar por causa do meu cinto.
— Que merda. — ela reclama ofegando contra o meu queixo.
— Por que está tentando tirar a minha calça?
— Eu pensei em fazermos isso antes da batalha. — ela ri como uma menina- Para dar confiança.
Eu saio de cima dela. Desabotoo minha camisa xadrez, a jogo na cômoda. Retiro minha camisa regata, meu par de tênis por fim o cinto e minha calça. Sam morde o lábio e retira a camiseta azul listrada. Eu mesmo retiro sua calça.
— Será que vai dar certo? Algo sempre nos atrapalha. — eu murmuro voltando a ficar por cima.
— Então vamos ser rápidos. — ela inverte nossas posições antes que eu perceba.
Sam me beija ferozmente. Ela suga a minha língua e eu desço as mãos para a sua cintura. Não me aguento e ergo meu quadril para encontrar o dela. Ela morde os meus lábios. O beijo termina, mas ela trilha mordidas até o meu pescoço. Eu não sei o que aconteceu com ela, mas Sam está quente e é em todos os sentidos. Eu começo a morder sua orelha enquanto ela prossegue com a boca no meu pescoço. Seu cheiro de lavanda me excita. Aperto sua cintura e ela empurra meu quadril. Eu gemo na sua orelha. Sam arranha meu peito com a unha. Nunca nos sentimos tão excitados dessa maneira.
— Freddie... — ela sussurra me deixando louco — Eu quero você.
Não vou resistir. Tenho que jogar com ela.
— Implora... — eu peço subindo meu quadril de novo.
— Freddie, faz amor comigo. — ela pede e eu acho que algo dentro de mim está pegando fogo.
— De novo... — eu beijo sua boca e ela se contorce totalmente excitada.
— Eu quero você. Por favor... Fredward. — ela não aguenta mais.
— Isso... — eu a mordo de novo.
Acho que estamos sofrendo de odaxelagnia.
Eu aperto sua bunda. Minha ereção vai furar a minha boxer. Tem que ser agora.
Outro beijo se inicia. É o mais forte que já tivemos. Os lábios dela estão ficando inchados assim como os meus. Eu começo a me sentar a colocando de joelhos. Ela está bem aonde eu quero. Sua calcinha alinhada com minha boxer. Minhas mãos deslizam pelas suas costas. A porta do andar de baixo bate.
— Merda... — ela rosna contra a minha boca.
— Não... — eu tremo sem soltar a Sam.
Sam deixa a testa contra a minha. Ela está ficando com raiva. Foi a melhor oportunidade que tivemos. Nunca vamos ter outra como essa. Não importa o que aconteça depois de hoje, ela vai me deixar. Vai deixar a todos nós.
Shelby entra no quarto.
— Permaneçam assim, vou pegar uma câmera. — ela ri.
Sam se deita ao meu lado e eu pego um travesseiro para esconder minha cueca.
— Eu iria encontrar vocês próximo da sede. O que faz aqui? — Sam pergunta retomando a respiração.
— É gatinha. O plano era esse, mas temos um problema da porra. — responde Shelby arrumando a camisa.
— Que problema? — Sam se senta ao ver que é algo sério.
— Carly. — diz Shelby e eu suspiro querendo fugir desse nome.
— O que tem ela? — Sam pergunta vendo minha mudança de humor.
— Ela se tornou uma Hexenbiest de novo. — responde Shelby.
Sam dá um berro de raiva.
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