Notas iniciais
Olá humaninhos, bom dia e se está lendo isso de tarde, boa tarde! Oh, está lendo à noite? Então boa noite! Tudo em cima? Queria dizer que esse capítulo vai ser lindo e cheiroso, mas não posso mentir, algo vai acontecer então se preparem, peço perdão por cortar a felicidade pela raiz, mas quem disse que eu ia pegar leve com vcs? Boa leitura lindinhos:

Parte 6: Swingin' Party

Povs Sam:

Os dias passaram como um trem bala. Gibby ficou cada vez mais obcecado com histórias míticas. Tentamos fazer de tudo para ele esquecer as teorias bizarras, mas ele só ficava mais sedento. Quase cogitei pedir ajuda ao Robbie, mas vi que era exagero. Wendy retornou de sua reunião em Salem, Massachusetts, na quarta de manhã, por coincidência Brad não foi à aula. Isso sempre me deixa com uma pulga atrás da orelha. Wendy evita o Brad a todo custo. A pergunta é: por quê?

Freddie não deu sinal de vida. Foi estranho não ter nossas discussões pelos corredores. Nada torna uma pessoa tão importante quanto à falta dela. Sem ele os dias ficaram chatos. Tori o tempo todo com Gibby só pioraram as aulas e certamente Freddie teve algo haver com isso.

É sexta à noite. Gibby já está na festa da Carly. Então eu estou sem nada para fazer após a aula já que todos resolveram ter compromissos. Fiz patrulha. Dormi. Comi. Assisti. Tudo um tédio. A festa já deve ter começado, mas sem meu acompanhante vampiro vai ser chata.

Visto uma camisa de manga cumprida preta com o símbolo da paz. Uso um shorts curto desfiado. No pé um tênis qualquer que achei pelo quarto.

Entro contra a minha vontade no apartamento da Carly. Quase arrisquei bater na porta do Freddie para saber se a senhora Benson teve notícias dele.

O piso no 8-C está iluminado por canhões de luz. Swingin' Party da Lorde toca ao fundo. Boa parte da escola está aqui. Até mesmo minha matilha veio animada. Eles dançam felizes. Dice conversa com uma garota por trás da escada. Wendy conseguiu escapar de novo, preciso confronta-la sobre o problema com o Brad.

— A mais poderosa acabou de chegar! — Carly grita chamando a atenção de todos para mim.

— É. Cheguei — murmuro seca pegando um copo de qualquer coisa sobre a mesa e tomando. É refrigerante. Não acredito. Eu queria algo mais forte.

— Não sabia que lobas tinham TPM — Tori ri e está extremamente animada, ela parece saber de alguma coisa, estou quase perguntando pelo Freddie quando a porta por onde entrei se abre.

Ele aparece vestindo uma camisa de manga cumprida preta de botões. Um jeans casual, mas que deve ter custado mais que meu celular. Seu cabelo está em um topete mal feito e ele varre o lugar como se procurasse por alguém. Seus olhos se detêm em mim.

A festa para. Meu coração acelera. Toda a razão da minha atual existência parece fazer sentido. Ele caminha até mim com elegância. Eu permaneço parada sem saber o que fazer.

— Seu acompanhante além de chegar atrasado, não te trouxe uma bebida, que péssima escolha para companhia Puckett — ele ironiza retirando o copo das minhas mãos.

— Você veio — consigo dizer.

— Eu disse que viria — ele se afasta com o copo, mas eu seguro seu braço.

— Não quero tomar nada.

— Tudo bem — Freddie coloca o copo perto do computador da bancada.

— Senti sua falta.

— Eu também — ele sorri e eu senti falta desse sorriso.

— Achou a Trina? — Pergunto por formalidade.

— Sim, mas não quero falar da Trina agora, quero apenas ficar com você.

— Você não sabe o que aconteceu nessa semana — Tori intervém na conversa. — O Gibby começou a acreditar em lobos e vampiros.

— O que? — Freddie se assusta.

— Foi pura loucura, ele só especulou nada importante — toco seus ombros para acalma-lo.

— Ah bom — ele se alivia.

— Freddie, vem cá um segundo — André chama conversando com algumas meninas.

— Eu já volto — Freddie caminha pela multidão e vai se encontrar com André.

Começo a sentir ciúmes o vendo conversando com as garotas que tocam nele constantemente, mas ele recua com educação.

Carly surge na minha frente e coloca o bico de uma garrafa na minha boca.

— Toma Coca-Cola para se acalmar.

Eu tomo um longo gole e Carly me faz beber tudo. Ela é santa demais para ter comprado bebida alcoólica para a festa.

Tori, Carly e Jade me puxam de um lado para o outro como se estivéssemos dançando. Até Cat arrisca se juntar a nós. Quando Something Just Like This começa a tocar Freddie caminha até mim.

— Dança comigo? — Ele pergunta, mas pega minha mão sem me esperar responder.

As garotas observam chocadas enquanto Freddie me leva para dançar com ele.

Paramos no meio da sala. Suas mãos se espalmam nas minhas costas. Eu deixo minha mão contra seu peito e outra em seu ombro. Sinto os olhares de todos sobre nós. Freddie levemente me mexe ao ritmo da música, mas cada vez que ele faz isso minha perna encosta na sua. Ele toca em cada parte do meu corpo. Toda vez que dou um passo para trás ele nos junta de novo. Ele faz movimentos intensos sempre mantendo o rosto próximo ao meu.

O refrão da música se inicia. Ele nos aproxima mais e eu me deixo levar pelo som. Balanço o quadril para os lados e toco seu rosto. Ele desliza as mãos nas minhas costas mais para baixo. Eu me viro de costas para senti-lo beijar meu pescoço. Não o mate. Não o mate. Meu subconsciente tenta assumir o controle. Querendo ou não eu sou vampira e é como vou agir essa noite. Fecho os olhos quando entramos em uma dança sensual.

Ele agarra minhas coxas e desço um pouco até o chão junto com ele que parece estar apreciando a dança. Minhas costas estão contra o peito do Freddie que se atreve a segurar meus quadris, enquanto morde meu pescoço sem força para não correr o risco de liberar veneno. Ele deve ter caçado, pois está mais forte e visivelmente mais controlado. Sua mordida é doce. Ele sobe com a boca até minha orelha e a morde como eu fiz com ele no estacionamento no domingo passado. Eu sinto minhas pernas tremerem.

— Sabe o juízo? Ela perdeu — Carly comenta olhando eu dançar com o Freddie.

Seguimos com os movimentos cada vez mais perigosos. Estamos desafiando nosso controle. Eu me viro de frente para ele e dou risada ao ver o sorriso no seu rosto. Eu mesma estou confusa com tudo.

— O que é tão engraçado? — Pergunto descendo a mão pelo seu peito.

— A letra dessa música — ele responde rindo, sei que nossos amigos estão alheios a essa conversa.

Foco na letra por um segundo:

Mas ela disse, para onde você quer ir?

Quanto você quer arriscar?

Eu não estou procurando por alguém

Com algum dom sobre-humano

Algum super-herói

Alguma felicidade de conto de fadas

Apenas algo a que eu possa recorrer

Alguém que possa beijar

— Sam, eu só procuro algo como isso... — Ele sussurra olhando intensamente nos meus olhos. — Eu só quero alguém como você.

¡Ay caramba! A música está leve, apenas subindo para repetir o refrão de novo. Freddie não resiste mais. Seus lábios se colam nos meus. Medo. Choque. Admiração. Tudo se choca contra mim ao mesmo tempo. Analiso o beijo. Meu coração queima devagar. Sinto uma vontade subindo do chão. E no chão eu faço casa até perceber, uma voz que eu não quero escutar, o beijo estranho juntou-se ao meu sonho no chão.

A sensação é perfeita. Ele é frio. Eu sou quente. O que provoca uma excitação ainda maior. Eu deixo minhas mãos segurando seus ombros com medo que ele se afaste. Freddie aperta minha cintura com força e sei que está lutando um pouco contra o instinto. Está sendo difícil para mim e para ele. Minha mente flutua no espaço e eu só consigo beija-lo.

Meus lábios se encaixam com os deles de maneira perfeita. Eu abro a boca para acomodar minha respiração, coisa que ele não precisa fazer porque ele não precisa respirar. Freddie com muito cuidado introduz a língua na minha boca. É quando eu subo as mãos para seu cabelo macio. Sei que deve ter fumaça a minha volta por que estou a um fio de me transformar, mas graças a fumaça que Carly instalou na sala, eu estou passando despercebida.

Ele não aguenta mais e eu também não. Estamos recuando aos poucos, mas ele me beija mais algumas vezes antes de se afastar por completo. Eu tenho medo de abrir os olhos então afundo meu rosto no seu pescoço, tranco a respiração para não sentir o cheiro e estragar o momento. Uma nova música começa, mas eu só consigo pensar em uma coisa: ele me beijou. Fredward Benson me beijou e eu amei cada segundo.

Um dor de cabeça me atinge do nada. O beijo foi familiar demais. Eu já beijara Freddie dessa forma antes. Minha mente está fazendo um jogo comigo. Deixarei isso para lá. Agora quero aproveitar o tempo nos braços dele. Não me preocupo em ouvir o que todos estão falando do nosso beijo, eu estou com o Freddie. Pode parecer besteira, mas me sinto segura com ele.

— Fredward... — Sussurro no seu ouvido.

— Espero que tenha gostado tanto quanto eu — ele tem um tom sedutor.

Tiro meu rosto do seu pescoço para poder olhar em seus olhos.

— Eu amei o beijo.

— Então é só uma questão de tempo até me amar também — ele olha para baixo e vê que tem um pequeno espaço entre nós, isso o incomoda, então ele quebra o espaço me fazendo ficar grudada nele, nossos narizes se tocam e eu mordo o lábio pensando em beijá-lo de novo.

— Te beijar foi...

Ele ergue as sobrancelhas.

— Bom?

— Mais do que isso, mas... Eu ia dizer familiar.

— Familiar? — Ele engole em seco.

— É, mas... Deixa quieto, só quero aproveitar o tempo com você.

— Claro, claro — ele murmura roçando seus lábios na minha face. — Quando eu estava à procura de Trina, eu só conseguia pensar em você. Eu me senti até um pouco envergonhado por que em vez de pensar na minha irmã desaparecida e louca, eu estava pensando no que você faria nesses dias. Qual roupa você iria usar. Se você pretendia passar o mesmo perfume de flores do campo. Se iria começar a usar a franja de lado. Se seus cachos louros estariam maiores. Se você teria dado uma chance ao Gibby primeiro... — ele fecha os olhos como se algo o machucasse. — Se seus olhos azuis estariam mais brilhantes ou se você iria comprar algo novo — ele abre os olhos novamente para me encarar. — Eu estava lembrando-se de quando você sorri, ou quando morde o lábio quando está concentrada. Relembrei quando eu te pressionei contra a janela de vidro e fiquei repassando o seu pedido para que eu lhe beijasse. Acima de tudo nesses últimos quatro dias, eu estava me perguntando se você estaria pensando em mim também — Freddie conclui e eu não tenho outra opção se não beijá-lo de novo.

Quero dizer a ele que sim. Que eu pensei nele. Que senti falta dele. Que ele significa muito para mim. Porém eu não tenho palavras que se encaixem. Eu ainda não posso dizer "Eu te amo", mas posso dizer o que sinto.

Eu rompo o beijo rapidamente e toco seus lábios.

— Freddie, eu estou apaixonada por você — eu pronuncio alto e claro.

— Por que ninguém está surpreso? — Griffin murmura, todos devem ter ouvido minha confissão.

Sinto minhas bochechas ficando cada vez mais vermelhas.

Freddie abre a boca sem acreditar. Ele sorri e uma risada nervosa escapa dele. Ele me rouba um selinho rápido. Eu o beijo de novo e arrisco morder seu lábio de leve, mas ele recua.

— Não podemos ir tão longe — ele adverte. — E eu também estou apaixonado por você.

— Eu estou meio entorpecida com os acontecimentos... — Era para ser um pensamento, mas digo alto. Eu tenho que falar com a Carly, porém tem muitas pessoas dançando, não sei como couberam aqui. — Localize a Carls para mim.

— Ok — ele inala como se sentisse cada fragrância da festa, ele aponta para as escadas onde Carly está conversando com o Gibby. Merda! Esqueci que ele estava aqui. Ele deve estar tão magoado. Eu encosto a cabeça no ombro do Freddie e ele sabe o que estou pensando. — Ele vai entender, ainda tem a história do imprinting, lembra? Ainda posso perder você. Não temos nada definido entre nós, Sam, então diga a ele que foi só um beijo e não significou nada.

— Não posso. Eu estou cansada de mentir para ele — murmuro abraçando o Freddie.

— Os outros não vão contar, é melhor mentir do que magoa-lo — ele fala como se fosse experiência própria.

— Tudo bem... — Penso no que ele disse. — Mas entre nós significou algo, não é?

— Eu te amo Sam, ainda tem alguma pergunta? — Ele admite sem mais nem menos.

— Não — estou chocadíssima.

— Eu nunca vou esquecer você dizendo que está apaixonada por mim — ele segura a minha mão. — Nos vemos depois?

— Claro — olho para as escadas, Gibby não está olhando. — Posso... — Ah dane-se, eu posso sim.

Beijo o Freddie de novo com cuidado.

— Se você não for agora, não vamos parar de nos beijar.

— Tem razão — solto a mão dele.

Freddie se distancia andando para perto dos seus amigos e eu já até imagino as coisas que eles dirão.

Vou dançando ao som de Sweet Dreams do Eurythmics. Acabo por me empolgar e contorno a multidão dançando animadamente. Eu sinto o olhar do Freddie no meu corpo. Eu subo as escadas ainda dançando e pego na mão da Carly, já que Gibby está totalmente envolvido em uma conversa com Tori. Ele nem me vê chegando.

Eu levo Carly comigo para a pista e começo a dançar com ela. Estamos chamando a atenção. Brad arregala os olhos ao ver minha sintonia com a Carly e Griffin desvia o olhar como se não quisesse pensar alguma besteira. Finalmente ganho a atenção do Gibby, que deixa as mãos no bolso e olha diretamente para as minhas coxas. Até mesmo os vampiros nos olham. Nevel foca a atenção em Carly, Robbie leva um tapa da Cat por estar olhando. André murmura algo para o Freddie que passa a língua nos lábios me fitando com intensidade.

Nevel olha para o Freddie e eu escuto ele murmurar:

— Controle os pensamentos, eu estou passando mal aqui.

— Ela está fazendo de propósito — Freddie sorri lascivamente sem perder um movimento meu.

— Que beijão incrível — Carly diz durante nossa dança.

— Eu sei — retiro o olhar do Freddie e olho para a Carly que segura um sorriso.

Ela não se aguenta e acaba rindo.

— Eu achei que veria o presidente usando fraldão antes de te ver beijar o Freddie.

— Nossa — franzo a testa. — Mas se quer saber, ele beija bem.

— Tem certeza que eu beijo apenas "bem"? — Freddie pergunta do outro lado da sala próximo a bancada da cozinha.

— Para de ouvir! — Eu mostro língua para ele.

— Vamos subir lá para cima, longe de ouvidos indiscretos — Carly solta indireta para todos.

Andamos para as escadas. Gibby me olha normalmente, não parece estar com ciúmes, apenas sorri ao me vê. Eu sorrio de volta e me pergunto o que aconteceu.

Quando subo mais um degrau alguma coisa agarra na minha perna. Sei que foi o Dice.

— Eu beijei uma menina — ele me avisa rindo baixinho.

— Quê?! — olho para ele pasma. — Você só tem treze anos!

— Ok... Mas ela tinha catorze — ele sorri.

— Pelo menos não beijou um garoto — Carly comenta.

— Preconceituosa — brinco com ela.

— Não sou. É brincadeira — ela revira os olhos, mas permanece sorrindo.

— Então Dice, você deu o seu primeiro beijo — fico feliz por ele.

— Sim, foi incrível — ele comemora com uma dança. — Eu vou lá falar com ela.

— Vai lá — observo enquanto ele se afasta. — Nessa idade eu não fazia essas coisas.

— Deve ser por que você nasceu por volta de 1863 e estava na fase de curtir em 1880. Os costumes eram outros... — Carly explica.

Concordo com a cabeça.

— É. Era época dos vestidos ridículos e dos caubóis.

Subimos para o andar de cima e vamos direto para seu quarto.

— Devia ser legal — Carly volta a falar de 1880.

— Hoje é bem melhor acredite, naquela época não tínhamos wi-fi — diz Cat parada na porta do quarto.

Carly e eu nos entreolhamos. Cat nunca foi de falar conosco. São raros esses momentos.

— Então... — Eu cruzo os braços olhando para Cat.

— Olha, eu só queria que você soubesse que eu achei muito fofo o que fez com o Freddie. Eu nunca o vi beijando uma garota em toda a minha vida, então se ele fez isso com você saiba que ele te ama muito — Cat me conta.

— Você ouviu quando ele disse que me amava? — Estreito os olhos.

— Ouvi. Bem, acho que todos os vampiros e lobos ouviram.

— Ele disse que te amava?! — Carly fica de boca aberta.

— Eu já ia chegar nessa parte — ergo as mãos em defesa.

— Cat, o que mais eles conversaram? — Carly aproveita para tirar toda e qualquer informação que puder.

Cat me olha e eu dou de ombros, não ligo se ela contar, não tenho segredos com a Carly.

— Ele se declarou para ela e Sam disse que estava apaixonada por ele.

— Berro — Carly não sabe o que dizer.

— Vocês formariam um belo casal — Tori se junta a nós.

— Acho que sim — imagino Freddie e eu como um casal.

— O Gibby quer falar com você — Tori avisa parecendo sem jeito.

— Vou ver o que ele quer — digo e saio do quarto.

— Se ela gosta dele vai querer me matar — escuto a Tori dizer assustada.

Retorno ao andar de baixo. Eu sinto algo de errado. Um sentido como se alguém estivesse em perigo. Ignoro o formigamento no meu coro cabeludo e sigo até o Gibby.

— Ele tem jeito com você — Gibby admite e agora capto a tristeza nos seus olhos.

É agora Sam. Vai.

— Foi só um beijo. Não significou nada.

— Eu também beijei a Tori, mas não tenho tanta certeza se realmente não significou nada — ele me conta e fica clara a aproximação dos dois.

— Então estamos quites — mordo a língua.

— Parece que sim — ele suspira.

— Queria que soubesse que eu estou à espera de uma coisa.

— Do que?

— É tudo verdade Gibby... — Vou ter que contar agora, não posso mais omitir isso.

— Hein?

— Sammy! — Freddie aparece e me puxa pelo braço. — Você precisa vir comigo!

— O que aconteceu Freddie? — Gibby parece preocupado.

— Hey Gibby! Me ajuda com uma coisa aqui! — André pede e sei que é uma distração.

— Eu já volto — falo e sigo Freddie para o andar de cima. — O que aconteceu?

— É o Dice — ele trinca os dentes. — Algum vampiro entrou na festa... Eu sinto muito.

— Não... — choramingo imaginando o pior. — Foi a Trina?

— Não. Não reconheci o cheiro dela.

Corremos para o sótão onde tem algo parecido com um estúdio. Eu entro e Dice está no chão. Eu me ajoelho diante dele e o puxo para meus braços.

— Dice! — Eu berro desesperada, mas seu corpo está inerte, seu pescoço onde tem uma mordida pende para um lado. Veneno de vampiro é letal nas veias de um lobo. Alguém ainda quebrou o pescoço dele, talvez para que ele não sentisse dor enquanto morresse. Não pode ser real. Ele morreu. Ele está morto. — NÃO! — eu grito sentindo dor. Eu grito de novo com mais força cheirando o cabelo do Dice. — Por que ele Deus? Ele era só um menino! Apenas um garoto! Ele não merecia! NÃO MERECIA! — choro amargamente.

Eu fico agarrada ao corpo dele no chão. Freddie olha com dor para mim, mas saber que foi um vampiro que matou o Dice me faz ter nojo novamente. Sempre vai ser assim. A existência de vampiros é um pecado da mãe natureza. É o inferno na terra. É uma abominação aos olhos de Deus! Eu odeio cada vampiro existente nesse planeta. Foi culpa de um maldito vampiro que me transformou após me beijar que eu matei minha família. A vida seria sido perfeita para mim. E mais uma vez por culpa de um sanguessuga, uma pessoa que eu amo partiu deste mundo. Eu cansei disso. É guerra!

Minha matilha se coloca a minha volta. Os olhos enfurecidos de raiva e tristeza. Perdemos o Dice. Nada o trará de volta.

— Sentimos muito por isso — Cat murmura chorosa.

— Alguém viu quem foi? — Griffin pergunta.

— Tinha muita gente aqui, poderia ser qualquer um — diz Spencer.

— A culpa é minha. A Carly não queria dar uma festa, mas eu a convenci. Me perdoa — Tori se culpa.

— Carly e Jade já estão tirando todos daqui — Beck me avisa.

— Como ele passou por nós? — Nevel está nervoso.

— O cara é ágil, provavelmente foi alguém que conhecemos — diz André que já retornou lá de baixo.

— Não entendo, isso está estranho, ele não deixou cheiro aqui... — Robbie estreita os olhos para todos.

— Sam eu... — Freddie toca meu ombro.

— NÃO! Não se atreva dizer que sente muito — eu levanto com Dice nos meus braços. — Com certeza foi um de vocês. E isso muda tudo. Estamos em guerra.

Suspiros de surpresa preenche o lugar.

— Não fomos nós! — Cat se desespera.

— Sam não faça isso conosco. Não destrua o que temos entre a gente. Vamos nos juntar, descobrir quem fez isso — Freddie me pede.

— Todos para a reserva, isso é uma ordem — ignoro o Freddie e as lágrimas embaçam minha visão. — Spencer fique na casa do Brad com a Carly durante o fim de semana — eu tremo querendo chorar mais ainda.

— Claro menina — ele seca uma lágrima pela morte do Dice.

— Vamos embora — eu fito o rostinho do Dice. — Eu sinto muito garoto, eu não protegi você. Me perdoa — beijo sua testa e me viro para os vampiros. — Qualquer vampiro que avançar nas nossas terras, ou se encostarem em um dos meus, ou até mesmo tentar conversar, será morto. São as novas regras do tratado. Quem não cumprir será acusado de traição.

Minha matilha abaixa a cabeça em obediência.

— Deveríamos atacar agora! — Griffin treme de raiva.

Jade se aproxima de nós com ódio.

— Eu concordo! Deveríamos matá-los!

— Sam, controle-os, meus amigos não mataram o Dice — Freddie tenta encostar em mim, mas eu recuo.

— Eu vou te matar. Não hoje. Não amanhã. Mas eu vou te matar — prometo a ele sentindo uma dor no coração.

Eu estou apaixonada pelo o Freddie, mas eu deveria saber que algo ia acontecer cedo ou tarde.

— Sam? — Carly chora olhando para o Dice. — Quem fez isso?

— Um vampiro — eu sussurro com a voz embargada. — Vamos embora!

Eu saio na frente com o Dice em meus braços. A dor é excruciante. Estou a um fio de tentar desligar a minha humanidade. Minha parte vampira deve ser capaz de fazer isso. Porém eu tenho que ter sentimentos pelo meu bando. Um dia em que eu não tiver uma alcateia eu também não terei mais emoções.

Jade choraminga atrás de mim com Beck. Griffin passa os braços a minha volta como uma forma de proteção. Brad consola Carly que chora mais do que eu. Ninguém tem nada a não serem lágrimas e uma sede intensa por vingança.

Beck leva Jade para casa em sua moto. Eu subo na traseira da camionete pressionando o corpo ainda quente do Dice contra mim. Minhas lágrimas molham a face dele. Brad surge depois com Spencer e Carly que estão com mochilas, suponho que dentro estejam roupas para o fim de semana. Spencer sobe na camionete. Carly ainda em prantos entra na porta do passageiro. Brad entra na porta do motorista e dá partida na picape.

Griffin e Spencer ficam ao meu lado. Escuto eles chorarem baixinho. Eles podem ser homens, mas a dor de perder um irmão é algo terrível demais para se suportar.

Quando a camionete está se aproximando da reserva eu lembro que não posso adentrar na tribo. Não sei como contar que não poderei ir ao enterro do Dice. A mãe dele vai sofrer tanto. Ela não queria que ele fosse parte disso. Eu vou tomar a dor de todos, por que é o mínimo que eu posso fazer.

— Brad para a picape — eu gaguejo um pouco.

Brad estaciona a camionete no acostamento.

Eu beijo o rosto do Dice diversas vezes antes de passa-lo para os braços do Griffin que o tinha como um irmão mais novo.

— Não vai conosco? — Spencer pergunta ainda abalado.

— Não posso encarar a mãe dele agora, me chamem de covarde se quiserem, mas eu preciso de um tempo. Eu só quero ir para casa e chorar no escuro. Eu fracassei. Perdi um dos nossos. Que tipo de alfa que eu sou? — Enxugo o rosto, mas as lágrimas descem de novo. — Me respondam! — eu exijo. — Que tipo de alfa que eu sou?!

— Você é a melhor alfa que uma alcateia poderia ter. Hoje nós que te damos uma ordem — Brad diz saindo do carro. — Vá para casa, Sam.

Não aguento e corro para os braços do Brad. Ele me abraça com força. Carly sai do carro com a mochila nas costas e vem me abraçar também.

— Sam, por favor, me deixa ficar na sua casa com você — Carly implora.

— Claro — eu realmente vou precisar dela.

— Vocês vão voltar andando? — Spencer pisca atônito.

— Daremos um jeito — eu seguro o choro para responder. — Apenas vão. Digam a todos que eu lamento muito.

— Diremos — Brad me acaricia no braço. Ele se vira e beija Carly nos lábios com paixão. — Eu te amo.

— Eu também te amo — ela ainda está com a voz rouca por causa do choro.

Os garotos partem na picape. Olho para a rua afundada na escuridão. Estamos em uma avenida próxima de Renton. Carly olha para mim querendo chorar mais uma vez. Eu apenas me viro. Ela sabe que vai ter que subir nas minhas costas. Ela sobe e segura meus ombros para não cair. Eu disparo pela rua. As lágrimas que rolam do meu rosto vão secando pelo trajeto.

Pulo para a janela do meu quarto com Carly nas minhas costas. Entro e Carly desce. Eu retiro meus tênis e os jogo com força na parede de madeira que se amassa um pouco.

— Eu merecia morrer no lugar dele. Eu merecia! — Afundo de joelhos no chão e Carly tenta me acalmar.

— Shhhh. Sam. Não — ela acaricia meus cabelos.

— Ele era só uma criança — choro contra a o vestido dela. — Era só uma criança pelo amor de Deus... Ele estava tão feliz. Ele só queria... Dice era tão inocente... — soluços me escapam. — Não parece ser real. Ele devia estar vivo. Devia estar bem. Ele tinha uma vida inteira pela frente. Eu devia ter ordenado que ele ficasse em casa, mas... Eu vacilei. Eu nunca vou me perdoar — continuo chorando e Carly também. — Melanie, mamãe, o conselho dos 42, as tribos e clãs que se aliaram comigo, Hayes e agora o Dice... Quem mais vai morrer por minha causa? — eu sinto uma dor me sufocando.

— O Dice não foi sua culpa. — Carly sussurra. — Alguém está tentando chegar até você, mas está se aproximando pelas as beiradas. Apenas precisamos ficar em segurança, Freddie e...

— Todos estão proibidos de se aproximarem dos vampiros, eu declarei uma nova lei.

— Não! Por que fez isso? — Carly é a única que se atreve a questionar minhas decisões.

— É melhor assim — enxugo meu rosto.

— Pois saiba que isso só vale para os seus lobos, não pode me proibir de falar com os vampiros e muito menos com Tori.

— Então escolha um lado. Você não pode ter os dois — eu me levanto do chão e Carly é louca o suficiente para me enfrentar com unhas e dentes.

— O Freddie ama você. Está o afastando por uma intriga do passado. Eles não mataram Dice, foi um vampiro qualquer que o matou! — Ela ergue o tom.

— Dá na mesma — trinco os dentes.

— Você vai começar uma guerra por preconceito e não por um motivo verdadeiro! Dice não faria isso! Se ele estivesse aqui diria para você ir com calma e achar outra solução!

— Mas ele não está aqui agora por que um vampiro o matou! — Eu grito sentindo meu corpo esquentar, a fumaça começa pelos meus ombros.

— Sam... Calma — Carly se afasta com medo.

Eu respiro fundo e a fumaça se dissipa aos poucos. A dor da morte de Dice retorna. Resta-me suporta-la até o final.

— Eu só causo problemas Carly. Suas costas são a prova disso. Você não pode nem ir à praia por minha causa. Eu quase te matei. Te deixei cicatrizes horríveis, não só nas suas costas mas também em seu coração. Eu mereço a morte — me jogo na cama.

— Você merece ser feliz Sam. É a única coisa que você merece. Essas cicatrizes nas minhas costas só provam o quanto eu amo você e continuarei aqui sendo sua amiga para sempre. Chega de carregar a dor dos outros — ela se deita ao meu lado. — Eu sinto muito pelo Dice. Ele era bom demais para esse mundo.

— Sim. Ele era... — Fecho os olhos me sentindo sufocada.

Carly dorme após alguns minutos. Eu não.

Não consigo dormir. Toda vez que fecho os olhos e cochilo eu vejo o corpo do Dice de novo. Como que eu estava nos braços do Freddie sendo feliz e logo depois eu estava sofrendo pela morte de alguém?

Notas finais
Antes de mais nada, comentem... Agora vocês querem me matar né? Mas olha o lado bom, vocês tem mais um mistério para desvendar " Quem matou o Dice?". Querem dicas? Pode ser alguém do grupo atual ou um vampiro de fora... Eu sei, não ajudou muito né? É que não querem que vocês descubram agora, quero que embarquem com a Sam em várias surpresas, preparem-se para o capítulo 7 chamado "O Sequestro"... See you soon guys!