40 Dias Para Uma Prova De Amor
3 O Presente
Notas iniciais

Sakura andava de um lado para o outro em seu quarto, sua vida estava desmoronando, tudo estava escorregando pelas suas mãos como se fosse agua, tudo que ela construiu no decorrer dos anos. Respirou fundo enquanto encarava a porta do banheiro da suíte, os pensamentos bem longe dali, no dia do seu casamento.
Era um dia ensolarado, o tapete vermelho se estendia em sua frente, logo mais adiante em um arco de flores estava seu futuro marido. Era o dia mais feliz da vida dela. Achar um dia na agenda dos dois que ambos não tivessem compromisso foi um sacrifício, mas também foi divertido. Todos os seus amigos estavam lá. Naruto e Ino, com quem ambos haviam crescido, eram os padrinhos. O jardim estava tão florido quanto possível, flores de todas as cores e tipos.
Quando ela chegou ao altar, soltou a respiração que nem havia notado que estava segurando, ela mal pode acreditar quando viu que Sasuke chorava e tinha um sorriso maior que o próprio rosto. E os votos? Não acreditem no que dizem, que você se lembrara deles o resto da vida, afinal ela nem escutava o que ele dizia, ela dizia, ou o padre. Tudo que ela conseguia pensar era “Vou me casar com o amor da minha vida” e repetia isso como um mantra dentro da própria cabeça, até o momento que ele a beijou e pétalas de rosas caíram em cima deles. Ela nunca se sentiu tão feliz.
Sakura caminhou até o banheiro e abriu a torneira da pia, jogou água em seu rosto e encarou seus grandes olhos no espelho se perguntando como isso foi acontecer. Abriu o armário de remédios e pegou um vidro fechado de aspirinas, colocou eles ao lado da mesinha de canto que ficava ao lado da banheira e a abriu a torneira da mesma a deixando encher, a água tão quente a ponto de queimar a pele.
Voltou para o quarto e pegou a garrafa de vodka que ela sabia que o Sasuke guardava escondido dentro de uma caixa embaixo da cama dele, ela abriu e tomou um longo gole. Se despiu soltando os cabelos e voltou para o banheiro. Ela podia ouvir Sasuke batendo na porta exigindo falar com ela, sendo EXIGIR a palavra chave.
Ela entrou dentro da banheira que estava quase cheia. Esticou o braço e pegou o vidro de aspirinas na mesa ao lado. O abriu e ficou encarando. Se lembrou de quando conheceu o Sasuke.
Sakura balançava incessantemente no balanço de um parque sozinha, ela tinha 7 anos e havia corrido de um parque há quatro quadras atrás até ali para fugir de um grupinho insuportável de garotas que não gostavam dela. Uma sombra cobriu seu corpo e quando ergue-o os olhos eram as garotas. Ela engoliu em seco e respirou fundo, tentou falar, mas a voz estava tão tremula que nada saiu, uma das garotas a pegou pelo braço e a jogou no chão. Sakura rolou umas três vezes antes de se chocar contra a escada do escorregador, os olhos ardendo tanto pelas lagrimas que segurava quanto pela areia. Outra garota a pegou pelos cabelos a forçando a sentar sob os joelhos, ela não ia gritar ou chorar, não ia dar essa satisfação para elas.
E então um punhado de pedras minúsculas voou na direção do grupinho, quando Sakura olhou para a direção de onde veio, havia uma garota e dois garotos especialmente nervosos. As garotas soltaram o cabelo dela a jogando no chão novamente, o que ela era agora? Uma bola?!
O Garoto de cabelos preto azulado a ajudou a se levantar.
— Você está bem? – Ela concordou com a cabeça – Você deve estar assustada, elas são umas idiotas! Eu sou Sasuke, aquela é a Ino e o idiota de cabeça loura é o Naruto.
— Quem é idiota, Dattebayo? – Ino segurou Naruto pelo braço dando um soco na cabeça dele. Sakura soltou uma risadinha que fez o coração de Sasuke disparar.
— Eu sou a Sakura.
Ela esticou a palma da mão, colocou os remédios lá e os engoliu com um enorme gole de vodka, não foi fácil. Ela já podia sentir a sonolência, foi se deitando até afundar na banheira, pode ouvir a água caindo no chão e depois nada.
Sasuke estava impaciente de tanto bater na porta, ouvia os passos da Sakura indo para lá e para cá, quase como uma melodia constante, e depois nada. No lugar de passos, água começou a vazar pela fresta da porta, ele não teve uma sensação boa e começou a se chocar contra a porta com a intenção de arromba-lá, não foi muito difícil considerando que ele tinha muita raiva sobrando e a porta era velha.
Quando ele entrou a Sakura não estava no quarto, correndo para o banheiro ele parou na porta extasiado com a cena. Sakura estava nua, no fundo da banheira, seus cabelos rosa flutuando, os olhos verdes mais lindos que ele já viu fechados, uma garrafa de vodka pela metade e um vidro de aspirinas – antes lacrado – vazio no chão. Ele sabia exatamente o que aquilo significava, a dor que ele sentiu foi inexplicável, nenhum ser humano saberia, nunca, colocar em palavras a dor que se sente ao perder alguém que ama. Mas ele não tinha tempo para senti dor ou pena de si mesmo.
Ele correu em direção a banheira tentando não escorregar na agua, tirou Sakura de dentro da banheira e a sentou encostada na banheira, ele introduziu os dedos dentro da garganta dela a forçando a vomitar os comprimidos. Ela arregalou os olhos tossindo tanto que provavelmente doía, e então vomitou, no chão, em cima dele e em tudo que era possível. Mas ele não se importou, porque ela estava viva e ele não podia viver em um mundo onde a Sakura não existisse.
Ele pegou o celular e discou para a emergência, pouco tempo depois a ambulância estava levando ela para o hospital. Ele ficou e limpou o banheiro, limpou cada canto daquele banheiro velho que gritava por uma reforma, limpou como se sua vida dependesse disso. E quando ele terminou ele limpou de novo e de novo, até não conseguir sentir os próprios braços. Então ele tomou um banho e ligou para o hospital para se certificar que ela estava bem. Depois fez a última coisa que pensou ser possível. Ele ligou para o seu irmão, aquele que ele não via desde o dia de seu casamento. Itachi atendeu no terceiro toque, antes mesmo que ele falasse Sasuke começou a chorar, tirando todo aquele peso do ombro.
— Sasuke? Sasuke está tudo bem? O que aconteceu? – Ele pode ouvir seu irmão se encostar em algo, foi quando se tocou que já era três da madrugada, então ele obviamente estava dormindo e aquilo que se encostava era a cabeceira de sua cama. Sasuke respirou fundo três vezes antes de começar a falar sem chorar.
— A mãe da Sakura teve um derrame a um ano atrás e desde então as coisas tem estado... difíceis – Sasuke ouviu sua cunhada perguntar para Itachi se estava tudo bem – Hoje a Sakura me pediu o divórcio e 10 minutos depois ela tentou se matar. Tentou se matar, Itachi!
— Sasuke, eu estou indo para aí, Okay? Sasuke começou a protestar, mas sabia que quando seu irmão colocava algo na cabeça ninguém tirava, então apenas concordou enquanto descia a escada como um moribundo para fazer café.
No Hospital Sakura estava deitada em um quarto sem graça e particular, depois de uma lavagem estomacal e uma consulta da psiquiatria ela se sentia acabada. Algumas amigas que trabalham no hospital passaram por lá e foi extremamente vergonhoso. Ela queria cavar um buraco e se enfiar dentro, em que raios de lugar estava a sua cabeça? Tentar se matar? Ela queria puxar a orelha dela mesma. Lembrou-se de como foi um sacrifício convencer o hospital a não ligar para seu pai, o pobre coitado não precisava de mais dores de cabeça. Uma esposa incapaz até mesmo de falar e uma filha suicida, o pobrezinho ia ter um ataque cardíaco.
Os pensamentos foram interrompidos quando ela viu o dono de lindos cabelos vermelhos a encarando encostado como um deus grego na parede, como alguém podia ser tão lindo? Ela se forçou a sentar encostada na cabeceira forrada por travesseiros.
— Está aí faz quanto tempo, Doutor? – A voz dela saiu fraca e meio morta, se é que isso era possível.
— Sasori, se tenho que lhe chamar de Sakura, então deve me chamar de Sasori – Um sorriso brincou nos lábios.
— Claro, Sasori – Ela também sorriu, algum lugar sã de sua consciência se perguntou se ela estava tão horrível quanto pensava, ela abriu a boca para começar a explicar quando ele a interrompeu.
-Está tudo bem, não precisa dizer nada. – Ele deu longos passos até a cama e sentou com as pernas esticadas na cama, puxou Sakura contra o seu peito e lhe acariciou os cabelos. Ela passou um dos braços sob a cintura dele e fechou os olhos, finalmente dormindo daquele dia terrível. – Tudo que você precisa é ser minha – ele completou numa voz baixa, sabendo que ela já dormia pesadamente.
Em casa, Sasuke estava sentado na mesa da cozinha com Itachi, um encarando o outro. Era estranho já que não se viam há cinco anos.
— Me diga Sasuke, você quer o divórcio?
— Mas é claro que não! Mas se é o que a Sakura quer...
— Então eu tenho um presente para você. – Ele empurrou o livro que carregava em direção a Sasuke.
— O que é isso? – Curiosidade tomava controle total do tom de voz dele.
— Um livro! – Ele respondeu como se Sasuke fosse idiota, era obvio que era um livro. – Nesse livro tem, podemos dizer que são “tarefas” para 40 dias. Coisas que você deve fazer por você e sua esposa. Eu ganhei da mamãe e do papai antes de morrerem no acidente de carro, ajudou no casamento deles e no meu.
— No seu? – Itachi e Izumi eram o exemplo de casal perfeito, isso era impossível!
— Sim, quase nos separamos a seis anos atrás, isso salvou nosso casamento. – Sasuke começou a folhear o livro, achava aquilo tudo uma piada, mas não ia morrer se tentasse.
— Eu vou tentar, mas Sakura é teimosa e não me ama mais.
— Se ela não amasse não teria tentado suicídio, Sasuke. Imagina a dor que ela não estava sentindo para achar que o único jeito de se livrar dela era tirar a própria vida!
— Eu fiquei com tanto medo, ela estava pálida e gelada, não se mexia ou respirava. Eu achei que fosse perde-la para sempre. Não pude conviver com essa ideia, só de cogitar um mundo sem ela... não sei explicar a dor que senti, foi como se eu tivesse perdido nossos pais novamente, mas fosse duas vezes pior.
Itachi deu um sorriso dolorido e abraçou o seu irmão, ele entendia bem sobre perder pessoas que ama.
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