40 Dias Para Te Reconquistar

26 Capítulo 19 - Armando-se.


Notas iniciais
Recebi mais duas recomendações e estou tendo uma overdose de tanto amor. Então muito obrigado pelo carinho, Thayse s2 e Akemi Tamura. Pessoal, eu acho que estou saindo do foco, então, vou começar a desvendar essa trama da Melanie. Vou parar de enrolar POASKPOASK' Então... Vamos ler?

- Sinto muito por ontem. — A voz masculina invadiu o quarto, fazendo a garota loira se levantar da cama e o fitar extremamente séria.

- Não sinta. Já parece não sentir mais nada. — Melanie disse com tristeza.

- Como não sentir nada com minha mulher cultivando sentimentos por tantas pessoas? — Antônio falou ríspido, começando a abotoar a camisa social azul turquesa.

- Nunca te neguei sobre a Carly. Mas não sei a que outras pessoas se refere... — Ela disse começando a se irritar.

- Aquele loiro italiano que mais parece uma mulher... Está aqui, Mel. Sabia que ele está com menos cabelo do que antes e que cuida de uma criança? Pela investigação, a mãe morreu... Estranho. Porque você me parece bem viva. — Resmungou o homem, visivelmente estressado.

- POR DEUS! Confie em mim, será que é tão difícil? A criança que tive dele nasceu morto. Você tem provas disso... — Melanie implorou com lágrimas nos olhos.

- Você mentiu para mim. Já devia saber que confiança é algo que nunca mais vai ter de mim. — Antônio foi claro e caminhou pelo quarto arrumando suas coisas. Melanie nada mais disse, pois está vencida. Seu maior erro foi permitir que sua mentira fosse descoberta.Logo ele saberá de Rocco, pensou.

Escutou o estrondo da porta da sala e imediatamente afastou a cama com um pouco de dificuldade. Arrastou o tapete vermelho com o pé, e sorriu ao perceber que ainda parece imperceptível o local que escolheu para esconder seu armamento. Ela sabia bem qual arma queria e a que usou diversas vezes para proteger os seus. A loira se abaixou e com prática tirou um azulejo do chão, do buraco retirou a Beretta 200 ST e sorriu novamente. Antônio teve um grande efeito na mudança da loira, pois, em oito anos atrás teria repulsa em pensar em matar realmente alguém. Ela mudou tanto que em suas mãos havia o sangue de sete pessoas. Melanie é uma Puckett e faz o que é preciso.

- Alguém está atrapalhando a minha vida. — Conclui para si mesma. Observou atenta cada detalhe de seu armamento e sorriu mais uma vez. — Não por muito tempo.

Samantha pegou a lata de tinta azul bebê e se dirigiu para o quarto ao lado de sua suíte. Parou na porta ao ver a bagunça que haviam feito no lugar. Anita mencionou que já era hora de ter seu quarto na casa de seus padrinhos, convenceu Fred com beijos e abraços. Por fim, passaram a manhã comprando móveis novos e no final da tarde iriam atrás de objetos para decoração. O casal mimava a pequena Anita, simplesmente por ser como uma filha... A criança que tanto desejavam ter.

- Azul como o céu. — Sam disse ao chegar ao quarto na qual uma parede se destaca com o desenho do céu em conjunto ao mar. Sam pintou com a ajuda do seu marido e realmente permanecia feliz.

- Quando a Sansa ver... Ela vai amar. — Disse Anita sorridente. A pequena colocou as mãos na cintura e observou atenta a parede com o desenho do anoitecer. A pequena amou. Deitou-se no meio dos papelões e olhou para o teto. Fred percebeu o sorriso que se formou nos lábios da criança e logo assentiu o que a afilhada iria pedir.

- Sam, liga para a Cléo... — Fred pronunciou sorrindo.

- Por quê?

- Eu quero o teto como um céu estrelado. — Anita falou sem prestar atenção no que fora dito.

Sam pegou o celular e levou até o marido, seu simples gesto dizia que não queria e nem iria falar com Cléo. Por mais que ela parecesse boa, ainda desejava lutar por Fred e isso é motivo para sua repulsa infinita a loira. Anita começa a brincar com a pulseira em seu braço, e é quando Samantha percebe. É estranho para ela, pois conhece muito bem cada coisa que a menina possui.

- É novo? A pulseira é linda... — Comentou desconfiada.

- Ela se tornou a minha pulseira favorita! — A menina disse animada e seu padrinho saiu do quarto, assim que Cléo começou a falar no celular.

- Brad te deu? — Perguntou observando a pequena. O silêncio começou a dominar, a pequena garota tremeu os lábios e tentou balbuciar algo. Então se lembrou as palavras de Antônio “Diga que foi Enzo que te deu. Eles não vão desconfiar.”, bastou para a esperta garota saber qual posição tomar. A menina se levantou e se dirigiu à loira, olhando nos olhos dela começou a falar com certa relutância.

- Enzo que me deu na tarde que fui para a casa dele... — Mentiu com firmeza e prosseguindo em sua história fantasiosa. Anita tentou acreditar em suas próprias palavras e já montava a história em sua mente, prontamente para guardar tudo como se fosse verdade. Ela realmente queria que Enzo tivesse lhe presenteado com algo, pois gosta muito dele.

- Sai da minha frente. Aliás, o que faz aqui? — Melanie vociferou para o homem alto e largo em sua frente. O "Cão" de seu marido e o homem que mais teme entre todos os capangas. Todos tinham um preço, mas o homem de traços fortes e com cicatrizes grandes no rosto só tinha um preço... Relações sexuais com tortura. Homem frio e impiedoso. Irmão de Frank, o responsável por outros dois assassinatos desnecessários. Por causa de Frank, a loira teve que matar dois mendigos. Pela situação, foi preciso.

- Antônio mandou você ficar em casa. O lorinho de cabelos longos não vai te ver hoje. — Cão respondeu a olhando com ódio. O homem grande se posicionou em frente à porta e a encarou.

- Saia da minha frente, Cão. É a última vez que eu aviso. — Respondeu Melanie com um sorriso pequeno. O sorriso que significava perigo para todos os homens que trabalham para Antônio. Afinal Melanie havia matado a sangue frio alguns dos capangas e os que entraram em seu caminho que não conheceram o inferno... Bem, ganharam uma vida destruída. Arte da qual ela aprendeu a dominar, se vingar sendo inteligente ou sendo como seus inimigos.

- Vou acompanhá-la, vossa majestade. — Respondeu Cão com desprezo na voz. Olhou a loira de cima a baixo e deu um meio sorriso.

- Prefiro que fique.

- Eu prefiro você como antes. Mas não temos tudo o que queremos, certo? Frank descobriu algo e quando chegar ao meu conhecimento. Ficarei feliz de tê-la como troféu por minha lealdade. — O homem falou saindo da frente da porta e se segurando para não cometer algo ruim. Ele a odiava, pois sabia muito bem que ela matou seu irmão, mas o motivo pelo feito é mais importante.

Três dias depois

Fred se encontrou sozinho da cama e a sensação que sentia no passado recente voltou. Sentiu seu coração desolado quando passou os olhos pelo lugar e não encontrou Samantha, seu corpo se tornou pesado e seus olhos queriam fechar para nunca mais abrir. O que tinha evitado por um mês veio à tona ontem. Mishelle ressurgiu do passado com seu corpo e sorriso encantador. Não, ele não podia negar. Ao vê-la pôde assistir suas lembranças: Shelly nua em sua cama, suada e com os cabelos vermelhos desgrenhados enquanto gemia de forma frenética seu nome. São lembranças impuras. A garota que no colégio era ruiva estava na loja de brinquedos automáticos. Sam quis ir embora no mesmo segundo que a reconheceu, mas o seu marido correu ao encontro da mulher, sem se lembrar do quanto poderia chatear a sua esposa.

Sam não gostou de revê-la, pois nunca teve rival maior do que Mishelle e nunca odiou tanto uma pessoa quanto ela a odeia. Mas no topo da lista de detestáveis está Antônio e logo abaixo está ela... Mishelle. Ruiva, querida e com formas perfeitas. Shelly. A detestável garota que decidiu ser "Its Free" para seu Fred, quando terminaram por motivos bobos. A raiva ainda está impregnada em Samantha. O ciúme, medo e insegurança começaram ontem a tomar conta da mente dela.

O homem rolou sobre a cama até ficar no lado em que sua mulher costuma dormir. Agradeceu quando sentiu o perfume dela no travesseiro. Acomodou a cabeço no travesseiro de Sam e fechou os olhos para pensar sobre o comportamento da sua esposa ontem.

O caminho para casa em silêncio resume bem como Sam se comportou: com sua forma de se sentar e seus olhos direcionados somente para as ruas. Logo em casa seu jeito de olhar o marido indicava que estava chateada e por fim a forma silenciosa que tratou o marido. Ele olhou para a porta do banheiro e podia se lembrar girando a maçaneta na noite passada, mas estava trancada. Samantha no banho com porta trancada. Uma forma singular de dizer que não o queria por perto. Acontecimentos que desordenaram seu plano. Fred detesta esse tipo de briga e certamente lhe causará complicações. O que podia fazer? Orar para que Mishelle não aparecesse novamente, talvez.

- Bom dia. — Fred se pronunciou ao chegar na porta da cozinha e vislumbrar quem mais amava. Samantha. Logo depois a afilhada, que sorriu fraco ao ver o padrinho e Fred lançou um olhar para a esposa, esperando que ela compreendesse que gesto era uma pergunta discreta.

- Vou levá-la para a casa de Spencer hoje, ela ficou um dia a mais do combinado. — Sam explicou com a voz calma, mas não sorriu. Ainda permanecia séria.

- Tudo bem pra você, querida? — Fred se dirigiu para a pequena menina que dirigiu um olhar entristecido.

- Tudo sim.

- Não me parece... Sam, ela pode ficar mais um pouco! — Fred levantou a garotinha e se sentou, acomodando-a em seu colo.

- Não podemos lidar com isso agora! Spencer e Lohany vão saber como cuidar dela... Lá ela terá o Josh para distraí-la... — Sam tentou ser simples na sua explicação, pois imaginou que o marido soubesse do que ela falava.

- Do que está falando? Sempre cuidamos dela tão bem. — Fred argumentou olhando-a séria.

- Fred... Avó do Enzo ligou e avisou que o garoto está internado. Leucodistrofia Metacromática, ele está realmente mal... — Sam disse pausando e respirando fundo, engolindo a vontade de chorar.

- OH! — Fred exclamou com os traços visivelmente preocupados. Pegou seu celular e logo abriu a caixa de mensagem, digitando no teclado touch screen: Onde você está?

A noite se pronunciou com uma tempestade, a loira sentou na cama king e observa atenta o seu marido se despir. Passa os olhos sobre seu corpo que por sorte é delineado e forte. Encontra fitando os olhos que são tão translúcidos quanto os seus e tem a certeza em si que ele não é completamente ruim. Antônio é bom e demonstrou sua bondade diversas vezes para ela. Melanie com tudo que viveu pode perceber que cada pessoa tem a maldade e a bondade dentro de si, só que alguns decidem mostrar somente a maldade. É uma forma de sobrevivência. A jovem mulher retirou os sapatos e colocou com delicadeza em seu pequeno closet de sapatos. Descalça andou até o marido que quando encontrou os seus olhos, abaixou sua guarda.

- Não quero aquele homem me vigiando. — Melanie falou docemente e pousou as mãos no peitoral do seu marido.

- Ele é o mais leal. — Respondeu o homem.

- Ele me quer. Deixou de me amar tão rápido?

- Por quê?

- Permitindo que aquele homem fique perto de mim e de Sansa. Antônio, ele já fez atrocidades comigo e você deixá-lo tentar novamente? — Melanie apreensiva fitou seus olhos.

- O que ele fez? — Antônio disse se afastando dela e começou a analisar a mulher. Com lágrimas nos cantos dos olhos, sorriu nervosa e tirou a camisa. Virou-se de costas e respirou fundo.

- DESGRAÇADO. — Vociferou o homem e nervoso fechou os punhos. Caminhou em direção a porta, mas parou quando sentiu delicadas mãos puxarem suas mãos.

- Amanhã faça ele pagar. — Sussurrou a loira. — Mas cuida de mim, hoje?

O homem se encantou profundamente pela loira e sorriu vencido. A raiva que sentia foi se dissipando ao sentir o calor do corpo da mulher sobre o seu e o suave perfume de frutas cítricas embriagar-lhe. Suavemente passou as mãos ásperas nas costas da esposa, delineando as contusões na pele dela. Baixinho começou a cantar-lhe baixinho uma canção de ninar, até que a loira dormiu. Ou fingiu.

6 horas Antes

- Quem você pensa que é para vasculhar meu passado? — Melanie perguntou mantendo a calma. Com o dedo no gatilho olhou para o rosto do grande homem na sua frente e sorriu, finalmente com o controle do que acontecia.

- Cão. Sabe o que são os cães? Melhor amigo dos homens e comedores de vadias, como você. — Sorriu o homem com ironia, procurava de certa forma irritar a loira.

- Resposta negada. — A garota avisou e atirou mirando a lata de lixo atrás do gigante homem, assustando-o.

- Antônio vai saber de Joffrey e o caso que ainda está tendo com ele, vadia. — Cuspiu as palavras e andou em direção da loira. De frente a ela, encostou a arma no peito e a desafiou com o olhar.

- Me mata que as verdades sobre você vão explodir. Perderá Joffrey, Antônio, Rocco, Sansa... Carly... Sam... Perderá todos que tenta proteger do instinto selvagem do Antônio. — Ele disse confiante.

- Realmente que morrer que nem Frank. Foi um prazer matá-lo, mas errei em não procurar tudo o que ele tinha guardado sobre mim. — A loira falou, sorridente.

- Desgraçada. — Ele retirou a arma do peito e manteve a expressão de ódio no rosto ao ver a loira abaixar a arma.

- Não sou eu quem vou fazer isso... Ser tão leal não vai servir. Aproveite essa noite, Cão... Porque amanhã você vai conhecer o inferno. — A mulher ameaçou e saiu do local.

No começo da troca de ameaças, conseguiu esconder o envelope que o Cão mostrou a ela e ao contrário do que ele tinha visto, ela esta sorridente. Esperou que ele saísse do galpão e entrou novamente no local. Abriu o envelope gordo e viu fotos suas com Joffrey, a certidão de nascimento do seu filho e tudo que por tanto tempo escondeu. Conferiu dez vezes o que havia ali. Encostou as costas na parede desgastada e respirou fundo. Guardou todos os envelopes e pegou em sua mão um fio de aço que encontrou no chão ao canto do galpão, com delicadeza retirou a sua blusa. Minutos depois saiu do lugar pálida e com a blusa pregando um pouco nas costas, sentiu arder quando o vento bateu bagunçando seus cabelos.

"Nada melhor do que descobrir um inimigo, preparar a vingança e depois dormir tranquilo" Joseph Stalin

Fred fechou a mala de tamanho média e colocou na sala. Tomou um banho quente, se vestiu e verificou o horário. Quatro e meia da manhã. Mesmo preocupado com Cléo, que não retornou nenhuma das suas milhares ligações, decidiu seguir com o plano que projetou. Reviveria algumas de muitas lembranças que tem com Samantha e sabia bem o lugar por onde começar. O lugar onde a pediu em casamento e onde foi realizado tal. A carta final para reconquistá-la de vez. Entrou no quarto do casal e ligou a luz, sorriu ao ver a esposa se mexer na cama e colocando o lençol sobre a cabeça. Freddie ajoelhou-se do lado da cama, no lado em que sua mulher está deitada. Retirou o lençol do seu rosto e sorriu por vê-la uma completa bagunça.Uma bagunça muito bonita, pensou. Beijou a ponta do seu nariz e depois selou seus lábios nos dela. Sentiu a retribuição e em seguida um grunhido pequeno.

- O sol nem nasceu... — Sam balbuciou baixinho e abriu os olhos devagar por culpa da claridade da lâmpada.

- Fugiria comigo? — Perguntou o moreno, olhando-a nos olhos e riu por vê-la se sentar na cama.

- O que? — Ela perguntou confusa e esfregou as mãos nos olhos depois levando as mãos para os cabelos, tentando desembaraçá-los com os dedos.

- Vamos fugir? Arrumei nossas malas... — Ele disse mais animado e se sentou na cama, pousou a mão direita na coxa esquerda da mulher. Sam finalmente parecia acordada e sorriu tentando descobrir se era brincadeira ou se o marido falava sério.

- Se meu café da manhã for agora com bastante bacon e ovos, um sanduíche com presunto extra e bolo gordo para a viagem. Será sim, eu aceito fugir com você, mas o lugar tem que ter comida!

- Então vá para o banho e eu esperarei você na cozinha com seu café da manhã especial. — Fred disse calmo e viu os olhos da esposa se arregalarem um pouco. Um pequeno riso saiu de seus lábios.

- Você está falando sério? Só pode estar louco. Sabia que tem três dias que não vai à empresa? — Sam tentou ser direta.

- Que a minha loucura seja perdoada. Porque metade de mim é amor e a outra metade... Também. — Um grande sorriso brotou nos lábios da loira e que logo se jogou no colo do marido, beijando cada canto de seu rosto.

- Oswaldo Montenegro? Seu avô deixou? — Perguntou ela lembrando-se do dia do seu casamento.

- Deixou o que?

- Me levar novamente pra a fazenda dele. — Disse a loira, se antecipando e descobrindo parte da surpresa que ele preparou.

Notas finais
Conheceram uma parte da Melanie que ainda não tinham visto, certo?! APOSKPOASK' Porque se não conheceram, quer dizer que eu falhei mimimimi Gostaram? O que será que Melanie tanto esconde? E a Mishelle? Me contem o que acham. xoxo da Jaqs :*