40 Days

1 Prologue — Última chance


Notas iniciais
Ooooi!! Se você está lendo as notas do capítulo, obrigada. Você já é um amorzinho, ok? Isso é só um prólogo. Então vai ser um pouco sem graça mesmo. Os personagens aparecem no próximo capítulo, incluindo a maravilhosa da Merida! Particularmente, eu acho que existem muitas poucas fanfics realmente boas com a Merida de principal e com o Hiccup e eles são tipo, otpzão. Eu me senti na obrigação de fazer uma fanfic sobre eles.Eu espero MUITO que vocês comentem e me digam o que acharam, isso é importante pra mim. Vamos fazer assim, se eu tiver pelo menos uns 3 comentários, posto o próximo capítulo semana que vem.Espero que gostem, beijos da Izzy ♥

Hiccup só conseguiu entender a gravidade do que estava acontecendo, quando acordou no hospital. Foi tudo muito rápido: estava saindo com seus amigos, se divertindo e contando piadas, quando aquele maldito ladrão apareceu, atirando como um louco. Ele se lembrava de ter corrido e chamado ajuda, enquanto escutava os tiros atrás de si. Se lembrava de ter gritado e chorado, enquanto todos apenas corriam, guardando suas próprias vidas sem sequer parar para escutá-lo. Lembrava-se de ter atravessado a rua, na esperança de alcançar o telefone público do outro lado, e também conseguia, mesmo que de forma psicológica, sentir por alguns momentos a dor da bala que lhe acertara no percurso. Se lembrava te ter perdido o equilíbrio no exato momento em que um carro passou em alta velocidade, e principalmente, sem lembrava dos gritos de sua namorada, Astrid, antes de tudo ficar escuro.

E agora, lá estava ele, sentado numa cadeira, ao lado da maca, dentro de um hospital, balançando os dedos de forma nervosa e contendo-se para não morder as unhas com a ansiedade. Observou e observou, viu as pessoas indo e vindo, sempre com as mesmas expressões tristes e lágrimas nos olhos. Olhou mais atentamente, observando o rosto pálido da vítima e tentou lhe agarrar a mão. Mas de nada adiantou. Ele não conseguia. Um grunhido frustrado escapou de seus lábios, e chutou o espaço vazio a frente. Gritou o máximo que pôde, e ninguém lhe escutou. Olhando novamente para o paciente em questão, queria saber o motivo. Entender o por que daquilo estar acontecendo justo com ele.

Era como se olhar num espelho.

Não o escutavam, porque não saía voz de sua boca. E não o viam, porque ele não era necessariamente ele. Hiccup estava em coma. E por algum motivo, sua alma desgarrada do corpo não conseguia encontrar o caminho de volta.

Os dias monótonos no hospital passaram numa velocidade tão lenta, que ele não conseguia acreditar. Sempre acompanhava as idas e vindas de seu pai, de todos os seus amigos e de sua namorada, sem nunca conseguir deixar o local ou conseguir dar qualquer sinal que fosse. E ele havia tentado. Na realidade, havia tentado muito. Não conseguia quebrar um copo, nem fazer cortinas balançarem, o que o fez chegar á conclusão de que durante todos esses anos, os relatos sobre o sobrenatural e os filmes de Hollywood haviam mentido para ele. Ser um espírito era chato. Na verdade, era muito muito chato.

—- Isso é ridículo. Um espírito. Eu sou um espírito! —- Exclamava consigo mesmo, andando de um lado para o outro. Olhou para o próprio corpo e fez uma careta, mostrando o dedo do meio. —- Você é um imbecil, Hiccup! Um imbecil! Olha só o que você fez comigo. Acha que é divertido ser invisível, hum? Você é um panaca! —- Exclamou, gesticulando. Seu corpo imóvel continuou, bem, imóvel. Ele soltou um suspiro. —- Ótimo. Agora eu sou um espírito ficando biruta.

Hiccup deixou-se escorregar para o chão de forma brusca, afinal, ele não sentia dor. Não sentia nada. Apenas conseguia se lembrar dela, o que era praticamente o mesmo que nada. Tomou cuidado para não atravessar o chão e parar no andar de baixo, onde havia conhecido a Srta. Tracy, uma senhora sensitiva que conseguia adivinhar quando ele aparecia ou não. O que, obviamente, não significava que podia vê-lo ou ouvi-lo. Mas conseguia, de alguma forma, senti-lo. Conversavam horas e horas. Ela não escutava sua resposta, mas sentia que ele ouvia, e também, sentia quando ele falava de volta. Isso os fazia conversar sobre diversos assuntos, e aliviava a solidão.

De qualquer forma, não era um bom momento. Ele queria ficar sozinho e chorar no canto do quarto, remoendo as mágoas de estar morto. Ok, de estar em coma. Era quase a mesma coisa.

Não era justo que aquilo estivesse lhe acontecendo. Hiccup era um cara normal. Sempre na sua, sem fazer mal a ninguém. Certo, ele não era nenhum super-herói ou coisa parecida, mas ao menos não se sentia como um vilão. Era só um garoto comum, com muitos planos para o futuro incluindo a faculdade, para qual havia economizado a vida toda, passeando com cães desde seus sete anos de idade, e antes disso tirando algumas moedinhas do cofrinho e dando para o pai guardar na Poupança do Futuro. E para que? Para simplesmente se tornarem inúteis. Aquilo, de alguma forma o fazia pensar: "será que eu fiz certo?" Afinal, ele havia corrido. Havia pego a primeira oportunidade que avistou e deixado todos os seus amigos ainda sob a mira de um revólver. No momento, achou que fosse para pedir ajuda, mas talvez seus motivos reais fossem egoístas e ele só tivesse corrido para salvar a si mesmo. Então, ele estava sendo castigado?

Finalmente, uma dor no peito pareceu lhe fazer efeito. E isso o deixou alarmado. No visor, seus batimentos pareciam estar diminuindo, no momento em que aquela estranha fraqueza vinha lhe consumindo. Aquilo era ruim. Muito ruim. Mesmo que devesse ser um bom sinal, ele desconfiava que não era exatamente por aí. Os médicos apareceram, preparando-se para uma cirurgia de última hora, e teve a sensação de que seu coração estava se acelerando – o que era uma grande ironia, levando em conta que ele estava fazendo o processo contrário.

—- Não! Não! —- Exclamou, alarmado. Levantou-se exasperadamente, tentando de alguma forma golpear alguns dos médicos. Queria avisar que estava ali. Que era injusto morrer. —- Por favor! Eu não posso! Não posso morrer!

—- Controle-se. —- Soou uma voz, vinda de algum lugar. Soluço parou imediatamente, procurando saber de quem era. —- É hora de aceitar a morte, Hiccup Spantosicus Strondus III. —- Completou a voz, materializando-se logo atrás do rapaz.

A voz vinha de um rapaz de olhos azuis e cabelos loiros cheios de cachos. Suas íris tinham uma cor tão viva, que se destacavam juntamente dos fios dourados sob a roupa toda preta que usava. Não um terno. Era uma camiseta de manga curta sem estampas, e jeans da mesma cor, com um tênis limpo e cintilante. A aura ao seu redor era capaz de cegar se ficasse um pouco mais brilhante. Parecia ser apenas um cara normal com seus dezenove anos, se não fosse, claro, pela aura e por estar flutuando. Por um momento ele sentiu medo, e achou melhor não subestimar o que quer que fosse.

—- Quem é você? —- Perguntou Hiccup, ainda inseguro.

—- Vocês humanos tem a mania de perguntar coisas cujo já sabem a resposta. Isso é engraçado. —- O ser disse, dando uma risada infantil, do tipo angelical. —- Gostou das minhas roupas? Achei que seria mais simpático que uma foice e uma veste preta.

Os olhos de Hiccup se arregalaram.

—- Você é… V-Você…!!!

—- Agora sim eu vi uma reação comum. Não, eu não sou a Morte. Sou um Ceifeiro. Um Guardião. Um Guia. Um Anjo da Morte. Me chamam de muitas coisas. —- O loiro disse, fazendo um gesto banal com uma das mãos.

—- Não! Eu não quero ir! —- Hiccup desesperou-se. Podia observar seu corpo cada vez menos vivo. —- Eu ainda tenho planos, um futuro! Por favor, não me leve.

—- É curioso. Sempre imploram tanto pela vida. Nunca entenderei o motivo de temerem tanto o desconhecido. —- Falou, parecendo pensativo —- Lamento, não posso desobedecer uma das regras do meu trabalho. Você precisa vir comigo. —- A voz do Ceifeiro falou, com firmeza.

O desespero tomou conta do rapaz, e as lágrimas não conseguiam mais ser contidas, descendo pelos seus olhos sem molhá-lo de verdade. O Ser lhe olhava curioso, estendendo a mão para que a pegasse, mas Hiccup sabia que se o fizesse, seria definitivamente o fim. Suas mãos tremiam, e o barulho atrás de si era perturbador. Levantou-se, atravessando o corpo dos médicos ao seu redor, até chegar no seu próprio. Olhou para o painel, e não parecia haver progresso. Suas mãos tentaram tocar-se, mas parecia inútil lutar.

—- Não posso aceitar a morte. Ainda não. —- Sussurrou, olhando através da janela para o céu azul.

Uma ideia surgiu. Ajoelhou-se sobre a vista e mordeu o lábio inferior, por fim finalmente encontrou as palavras, proferindo-as: —- Eu imploro. Eu imploro pela minha vida. Por favor. Me dê uma segunda chance. Me dê ima oportunidade de mostrar que mereço a vida. —- Falou, e abaixou a cabeça.

Tudo pareceu silencioso, como se tivesse parado no tempo. Hiccup olhou para trás, na esperança de enxergar algo ou alguém, mas havia apenas o mesmo Ceifeiro ali, parado, olhando-o com as íris azuladas, que naquele momento, pareciam de uma outra cor. Uma que nenhum humano jamais havia tido em tamanho contraste. Um tom violeta tão terno. Hiccup olhou mais atentamente, através da aparência humana que acostumou-se a enxergar, conseguiu finalmente avistar suas asas brancas, balançando levemente, com um brilho prateado. A beleza exuberante parecia ficar cada vez mais e mais á mostra, e Hiccup sentiu os olhos arderem e lacrimenjarem pela visão, tendo que apertá-los.

—- Pare. —- A voz do anjo disse. —- A beleza de um anjo pode ferir os humanos quando totalmente exposta. Não olhe demais através da névoa de humanidade. —- Avisou. Quando Hiccup olhou novamente para si mesmo, notou que ao redor de seus olhos, haviam veias surgindo, e lágrimas haviam caído. Ao olhar tão diretamente para o anjo, estava machucando seu corpo.

—- O que aconteceu? —- Indagou, ainda confuso. —- Eu morri?

—- Ainda não. —- O anjo disse, em um tom de alerta. —- Suas preces foram atendidas pelos Céus. Você terá uma nova chance.

Hiccup sentiu-se alarmado, e extremamente feliz. Queria gritar de alegria, e teve o estranho impulso de querer abraçar o próprio ceifeiro. Estava surpreso, incrédulo, e ao mesmo tempo agradecido. Não conseguia acreditar que era realmente verdade, que depois de semanas e semanas observando seu corpo preso á uma maca, teria tudo o que havia perdido. Olhou para os céus, em sinal de agradecimento, quando escutou um pigarro. Virou-se para o Anjo no mesmo instante.

—- Mas, para isso, precisará realizar um ato altruísta. —- O ceifeiro falou, com a voz neutra.

—- Um ato, o que? —- Hiccup perguntou, com as sobrancelhas franzidas.

—- Para que mereça uma nova oportunidade, terá que recompensar seus atos egoístas. —- Disse, e notando a clara confusão expressa na faca do jovem, continuou. —- Você não realizou qualquer coisa que fosse considerada boa, e também não fez nada ruim. Preocupou-se inteiramente consigo mesmo e não fez o mal. Porém, para aqueles que não realizam nenhum ato verdadeiramente bondoso, não se pode ser concedida uma segunda chance. —- Fez uma pausa para que o humano pegasse seu raciocínio. —- Durante quarenta dias, você ficará na terra como um espírito, e para que tenha sua segunda chance válida, terá que ajudar uma jovem a conseguir o que ela mais precisa.

—- E o que isso seria? —- Hiccup perguntou, mesmo temendo a resposta.

—- Amor. Sua missão é ajudá-la a encontrar alguém que lhe ame verdadeiramente e ajudá-la a aceitar o amor.—- O Ceifeiro respondeu.

—- Amor? Minha missão é ser um cupido? —- Hiccup estava indignado. —- Essa garota é o que? Que tipo de pessoa não aceita amor?

—- Ela tem a família, porém com tantos conflitos entre eles, o amor ficou esquecido.Ela se tornou rebelde, e foi mandada para um colégio interno, onde não tem amigos.

—- Obviamente, ela tem problemas. —- O moreno resmungou.

—- Ela não é a única. —- O anjo respondeu, aparentando impaciência. —- Deus lhe deu as opções, Hiccup Spantosicus III. Porém, a escolha é sua.

Hiccup ficou em silêncio. Olhou para si mesmo na maca, prestes a morrer. Sentindo-se frágil e vulnerável como nunca antes. Ele sabia o que queria, mas não sabia se deveria. Apertou as mãos, e tinha certeza de que, se pudesse sentir, sentiria um nó na garganta. Após pensar por quase um minuto completo, seus olhos se ergueram, olhando dentro dos intensos olhos do Ceifeiro.

—- Eu aceito.

Notas finais
BOM, FOI ISSO!! Perdão pelos erros e eu espero muito que vocês gostem!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.