Notas iniciais
Acabamos de acabar uma missão e eu não acho que a Ravena já esteve tão excitada. Como eu sei? Porque no meio da missão ela se virou para mim e me disse.
Agora estamos no banco de trás do carro de Ciborgue, indo para a Torre, com Robin em sua moto ao nosso lado e Estelar voando logo acima de nós; e ela não para de me mandar olhares sedutores e de colocar a mão em minha coxa enquanto eu tento fazer o possível para Ciborgue não notar do banco do motorista e, sinceramente, me pergunto o que poderia tê-la deixado assim.
Nós acabamos de lutar com o Mumbo. É impossível que — e eu realmente rio alto ao pensar nisso — ela o ache sensual. Talvez ele tenha lançado alguma coisa nela que a fez ficar assim. Mas já lutamos contra ele várias vezes desde que começamos a namorar e isso nunca aconteceu. Uma das únicas variantes dessa vez é que ele lançou algo em mim. Meu uniforme foi trocado por uma roupa de policial no meio da confusão de feitiços. Então só pode ser isso.
Só estou feliz que não é uma fantasia de peru, penso. Já que amanhã é Dia de Ação de Graças.
Ravena se aproxima e beija a região abaixo de minha orelha, sussurrando:
— Você não tem ideia do que eu tenho em mente para quando chegarmos.
Engulo em seco olhando para frente e percebo que Ciborgue nos observa pelo retrovisor. Rapidamente torno o olhar para a janela. Vamos, vamos, vamos, digo para mim mesmo. Só mais uns cinco minutos até a Torre. Você consegue esperar até lá. Mas será que Ravena consegue?
Sinto ela abrindo o zíper de minha calça enquanto beija meu pescoço e só consigo morder o lábio enquanto me contenho para não começar a dar uns amassos nela nesse instante. Quero dizer, o resto da equipe sabe que estamos namorando, mas desde o começo foi feito um consenso em silêncio de que nós dois não seríamos muito claros quanto a isso — até porque realmente não queremos. Sem falar que eu acredito, ou espero, que eles acham que nunca passamos da linha dos beijos. Modéstia à parte, Ravena e eu somos muitos bons em nos pegar escondidos, mas nós realmente chegamos bem perto de transar — como semana passada, em que acabamos pegando no sono com ela apenas de calcinha e eu de cueca — e essa não é exatamente uma coisa fácil de se camuflar.
Principalmente com Ravena desse jeito.
Finalmente entramos na garagem da Torre e, mal Ciborgue para o carro, já estou abrindo a porta, desesperado para sair do campo de visão do resto da equipe. Arrastando Ravena comigo, abro a porta que leva a um corredor e, assim que a fecho atrás de mim, Ravena me beija vorazmente e me pressiona contra a parede.
Ela começa a descer as mãos pelo meu torso até chegar à borda de minha calça e desafivela meu cinto. Mesmo a sensação sendo tão boa, uma pequena luz de bom senso me vem à cabeça e eu percebo que há apenas uma porta nos separando da garagem, e alguém poderia abri-la a qualquer momento. Paro nosso beijo e começo a puxar Ravena até o elevador que, para minha sorte, estava parado nesse andar e logo se abre. Seguro-a pela cintura e a arrasto para dentro, apertando um botão aleatoriamente e mal vendo a hora de voltarmos a nos pegar.
Apoio Ravena na parede enquanto a beijo e ela entrelaça suas pernas em volta de mim. Coloco as mãos na parte de trás de suas coxas e a levanto. Ela se ajeita em meu colo ao mesmo tempo em que a porta do elevador se abre. Começo a andar para fora e, quando me separo do beijo para ver em que andar estamos, Ravena tira meu quepe e coloca em si mesma.
— Parece que viemos parar na lavanderia, policial. — Ela solta uma risadinha. E está certa. Eu sem querer apertei o botão para a sala com duas máquinas de lavar, uma secadora de roupas e uma mesinha com um cesto e um amaciante. Pelo menos ninguém vai aparecer por aqui por um bom tempo.
Com Ravena ainda em meu colo, começo a andar e a coloco sentada na mesinha, empurrando o cesto para o chão. Uma habilidade que aprimorei foi tirar a roupa de Ravena enquanto a beijo, e logo ela está sem a capa e sem o collant. Ela desabotoa minha camisa e começa a beijar meu pescoço e, quando me aproximo mais ainda dela, tiro seu sutiã, que ela deixa escorregar por seus braços até cair no chão. Gostaria de dizer que a esse ponto já estou acostumado, mas na verdade minha respiração sempre para por dois segundos.
— Eu quero tentar uma coisa — digo por entre mordiscadas em seu lábio inferior. — Tudo bem?
— Depende do que é. — Ela responde com um sorrisinho enquanto apoio minhas mãos em suas coxas.
Não respondo, e apenas afasto suas pernas gentilmente uma da outra e me coloco entre elas. Fico de joelhos em sua frente e subo minhas mãos até a borda de sua calcinha. Encontro seus olhos e levanto uma sobrancelha. Ravena solta um grunhido curioso e levanta os quadris para que eu possa deslizar sua calcinha por suas pernas.
Olho entre suas pernas e aproveito a vista com provavelmente o sorriso mais tolo do mundo em meu rosto. No entanto, não consigo deixar de pensar no fato de que Ravena está com a calcinha nos tornozelos e eu estou prestes a enterrar minha cabeça entre suas coxas. Isso certamente vai necessitar de uma boa explicação ou muita vergonha pelos próximos anos se alguém abrir a porta agora.
Nós nunca fizemos isso antes. Quero dizer, eu sei que evoluímos bastante em muito pouco tempo, e ainda por cima ela é minha pessoa favorita no planeta. Mas quando eu levantei de manhã a única coisa que eu planejava fazer se tivesse tempo livre era jogar vídeo game com Ciborgue, então deve parecer um pouco confuso que do nada estou pronto para sexo oral em uma lavanderia. Mas eu definitivamente estou.
— Mutano — Ravena sussurra, passando as mãos por meus cabelos —, você não precisa…
— Eu te disse, eu quero fazer isso. — Sinto seu corpo se arrepiar violentamente quando expiro entre suas coxas internas, onde logo em seguida roço meus lábios de leve.
— Se você tem certez… a–ah.
Suas palavras morrem com um suspiro diante de minha primeira tentativa de lambê-la. Seus dedos se entrelaçam no meu cabelo enquanto continuo a explorá-la com os lábios e a língua, devagar a princípio, e então ganhando entusiasmo quando acho que estou pegando o jeito. Consigo ouvir que Ravena está resistindo a urgência de gritar e, se para mim está sendo completamente excitante e extremamente difícil de suportar, mal consigo imaginar para ela.
Afasto-me um instante para perguntar:
— Eu estou fazendo certo?
Ravena assente freneticamente, empurrando minha cabeça de volta entre suas coxas.
— Sim, sim! Por favor, só não pare. — Ela abre mais as pernas e eu deslizo minhas mãos sob suas coxas para aproximá-la de minha boca. Sinto sua costas enrijecerem quando passo minha língua por seu clitóris. Ao levantar o olhar, a vejo mordendo o lábio; não conseguindo evitar, deixo escapar um murmúrio satisfatório que sei que ela ouviu.
Vejo sua barriga se comprimindo enquanto continuo a lamber e a beijar seu clitóris e suas coxas se contraem quando ela vai chegando lá. Ravena joga sua cabeça para trás ao chegar ao ápice subitamente, seus quadris se arqueando para fora da mesa, com gritos agudos porém abafados.
— Bom? — Pergunto depois de alguns instantes, esfregando a parte interna de suas coxas.
Vejo pela sua expressão que ela não consegue articular uma resposta adequada. Ela apenas me puxa até que estou de pé novamente e me beija intensamente. Pergunto-me se ela consegue sentir seu próprio gosto nos meus lábios e, se sim, se ela não acha estranho. Aparentemente não, pois ela aprofunda ainda mais o beijo e eu enrolo minhas mãos em suas costas, a pressionando contra mim. Ela envolve minha cintura com suas pernas e sei que está sentindo minha ereção, mas, pela primeira vez, ela não hesita em continuar a me tocar.
— Você vai ter de queimar essa roupa — Ravena ri em minha orelha. Contenho o sorriso de satisfação. Sabia que era o uniforme, penso. — Acho que nunca vou olhar para um policial do mesmo jeito.
Ravena começa a beijar minha mandíbula e, quando inclino a cabeça para o lado, me deparo com a enorme janela da lavanderia que vai do chão ao teto. Quando chegamos o sol estava se pondo e a vista estava simplesmente deslumbrante. Mas agora o sol já se pôs e o mar está agitado e com um aspecto muito sombrio.
Cenas do meu rotineiro pesadelo começam a piscar em minha mente e só percebo que devo ter parado de responder aos beijos de Ravena quando ela coloca as mãos em meus ombros para eu virar de frente para ela e olha em meus olhos.
— Mutano… — Ela apoia as mãos nas linhas da minha mandíbula para eu continuar olhando para ela enquanto analisa meu rosto. — O que foi?
Nego com a cabeça.
— Eu disse que você não precisava fazer nada. — Ela passa a mão no meu cabelo.
— Não é isso. — Abaixo a cabeça. — Fico feliz de saber que finalmente dei o que você merece.
Forço um sorriso e a beijo na bochecha. Ela sorri para mim também, mas a preocupação em seu rosto é clara, e imediatamente sei que ela já notou que estou assim pelo mesmo motivo das outras vezes.
— Me fala o que é. — Ravena sempre se oferece para ouvir meus pesadelos porque, acredito eu, acha que vai me ajudar se eu falar sobre eles. Eu nunca falei. Mas dessa vez sei que ela realmente quer saber sobre eles porque nem é noite ainda e eu estou pensando neles em uma situação em que realmente não deveria.
— Não é nada. — Nego novamente, mesmo sabendo que ela já percebeu o motivo.
Ela simplesmente me abraça e pisco freneticamente para evitar as lágrimas enquanto apoio a cabeça em seu ombro. Seguro-a até que sei que nenhuma lágrima vai cair tão cedo e então me afasto, aproximando-me da janela e olhando o mar lá embaixo.
Vejo de soslaio Ravena descendo da mesa e se vestindo novamente. Nem preciso olhar para ela, mas sei que deve estar um tanto desapontada porque acabei de arruinar esse momento e já é hora de nós subirmos de volta.
E então, a porta se abre e uma Estelar segurando um cesto de roupas entra. Ravena e eu nos entreolhamos e depois para ela.
— O que fazem aqui, amigos? — Estelar pergunta inocentemente.
Ravena pigarreia.
— Nada.
— Porque Robin disse que vocês poderiam estar… hã… — ela flutua em direção à máquina de lavar — mas não tínhamos certeza de onde.
— Poderíamos estar o quê? — Eu indago.
Estelar começa a tirar as roupas do cesto.
— Se beijando ou algo assim. — E dá de ombros. E eu sei que ela realmente quis dizer se beijando. Robin talvez não quisesse, mas mesmo assim agradeço silenciosamente pelo fato de a lavanderia ser o único cômodo além de nossos quartos em que não há câmeras de segurança.
— E poderíamos continuar se alguém não tivesse parado de repente… — Ravena resmunga.
Viro-me para ela surpreso e chateado e, não conseguindo evitar as lágrimas, saio da lavanderia apressadamente apenas a tempo de ouvir do corredor:
— O que houve com Mutano? — Estelar questiona.
E o tom de voz entristecido de Ravena é o que realmente quebra meu coração e me faz desmoronar:
— Eu não sei.
Fale com o autor