4° Desafio Sherlolly

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Simplesmente amei o tema desse desafio,me inspirei na música November Rain para escrever essa one shot, espero agradar os fãs do casal e as queridas sherlollians que falam mais que tudo ♥ ouçam ~> http://www.youtube.com/watch?v=8SbUC-UaAxE Boa leitura!

O tempo não mudava, estava igual desde aquele dia em que esteve no 221B em Baker Street, a diferença era que a chuva torrencial não caía, apenas pairava sob Londres ameaçando cair a qualquer momento.

Já tinha passado do horário de almoço e Molly ainda fazia autópsia em um corpo que havia chegado de manhã, estava mais devagar que o costume, sabia a razão disso, soltou o ar irritada, passou a pequena lâmina no corpo sem vida com mais força que o necessário.

Então era isso? Ele me ignoraria até o dia do juízo final?

Desde a última vez que conversou com Sherlock, ele não tinha dado mais sinal de vida. Nem telefones, nem mensagens. Depois que John havia se casado, o detetive passou a conversar mais com ela, algumas vezes até tinham jantado juntos, ele sempre soube de seus sentimentos e ela ás vezes via algum nos olhos ora mais azuis ora mais verdes dele, precisava ter certeza que não estava ficando louca, antes que a dúvida a torturasse mais, um dia decidiu perguntar.

Tomavam chá no apartamento dele, sentados em poltronas frente a frente, reuniu toda a coragem que tinha em si e começou:

— Sherlock... – chamou, ele olhou em seus olhos esperando que continuasse, depositou a xícara no pires e deixou-os em cima da mesinha, levantou-se, ajoelhou de frente para ele e entrelaçou seus dedos nos de sua mão esquerda, ele apenas a observava e esperava que ela continuasse — Eu... sei que você não é dado a sentimentos e demonstrações de afeto, e também sei que não gosta de se envolver porque acha uma desvantagem...

So if you want to love me
Then darlin' don't refrain

— Mo... – ela ergueu a mão livre pedindo para que a deixasse continuar.

Don't ya think that you need someone?
Everybody needs somebody
You're not the only one

— Posso não uma ótima dedutora, mas eu vejo. Sei que você acha que não precisa de ninguém, mas todos precisamos de alguém e acredite: você não é uma exceção. Sei que ás vezes você precisa de um tempo sozinho, ás vezes eu mesma preciso de um tempo. Também sei que você acha que tem um lado escuro, mas nós podemos encontrar um caminho...

Sometimes I need some time, on my own
Sometimes I need some time, all alone
Everybody needs some time, on their own
Don't you know you need some time, all alone?

So never mind the darkness
We still can find a way

Silêncio.

Sherlock não dizia nada, Molly tampouco, ficaram uns cinco minutos assim, não sabia o que suas palavras tinham causado nele. Tinha aprendido a ler um pouco ele, mas sua expressão era indecifrável. Decidiu que era melhor deixá-lo sozinho. Levantou-se e deu um beijo em sua bochecha, sussurrou "se quiser me dizer algo sobre o que lhe disse, me ligue".

Saiu de 221B e lá fora a chuva caía diluviosamente, mesmo estando com seu guarda-chuva chegou em seu apartamento ensopada, mau trancou a porta e começou a espirrar. Ótimo, ficaria gripada. Tremeu, o frio era mais por medo da reação que suas palavras causariam do que por conta do estado de suas roupas.

No outro dia foi trabalhar normalmente, espirrando graças ao resfriado, passou o dia no laboratório, já imaginava que ele não daria notícias tão cedo, nem se surpreendeu com isso, na verdade esperava por isso.

O segundo dia sem notícias também conseguiu levar numa boa, que ele remoesse o que ouviu mais umas 24 horas, seu resfriado parecia piorar. O que não ajudou em nada quando ele também não se manifestou no terceiro dia.

Não foi trabalhar, pois estava com febre alta, passou o dia enfiada debaixo das cobertas, Mary apareceu para vê-la e ela lhe contou o que aconteceu, a amiga ficou feliz e disse “Tenho certeza que virá procura-la” disse com tanta certeza que Molly não se atreveu a duvidar das palavras.

No quarto dia estava bem melhor e pode voltar ao St Barts, tudo bem que Sherlock Holmes era brilhante, mas ás vezes ele era estúpido e muito estúpido quando sentimentos estavam envolvidos, estava começando a duvidar da certeza que sentiu nas palavras de Mary. Sabia que algo parecido com isso poderia acontecer, era uma possibilidade e temia que nunca mais o visse.

E lá estava ela, de volta ao trabalho, tão perdida esteve entre seus pensamentos e lembranças que quando parou para prestar atenção, se deu conta que já havia terminado a autópsia. E que lá fora o tempo escurecia.

Ótimo Molly Hooper, pensando em Sherlock Holmes outra vez. Repreendeu-se mentalmente.

Sentiu o celular vibrar no bolso do jaleco, seu coração deu um salto, era uma mensagem, pegou o aparelho, viu de quem era e suas mãos começaram a tremer, parecia que tinha o chamado em voz alta.

Pelo amor de Deus! É só uma mensagem, tenho mãos firmes enquanto corto os corpos e as tremo só por causa de uma mensagem?

Era de Sherlock claro, abriu e mensagem e leu:

“Me encontre no parque

— SH”

Molly pendurou o jaleco no lugar devido, pegou seu casaco e cachecol, saiu do hospital. O parque ficava ali perto, estava sentado num banco, viu-o de costas, reconheceria o dono de cabelos cacheados daquele casaco em qualquer lugar. Inspirou e expirou se acalmando. Aproximou-se.

— Olá Sherlock – agradeceu por sua voz soar como sempre, notou que usava a camisa roxa, antes achava que ele o fazia apenas por fazer, depois passou a desconfiar que ele a usava apenas para provocá-la. Maldito.

— Podemos conversar enquanto caminhamos? – ele disse se levantando.

— Porque não? – respondeu com outra pergunta, mas deixou que ele a guiasse, apenas o acompanhou, não diria nada, deixaria que ele falasse. Um relâmpago clareou o parque, inconscientemente ela segurou no casado dele.

— Com medo de relâmpagos? – ele virou-se para olhar nos olhos castanhos, os seus tinham um fundo de humor, a sobrancelha erguida.

— Eu... – começou a se explicar, mas o barulho do trovão a interrompeu, ele a viu se encolher, deu um passo mais para perto dela e então a abraçou.

Tinham sido poucas as vezes que se abraçaram, mas quando o faziam, sempre era a melhor sensação do mundo. Sentia como se não houvesse melhor lugar do mundo para estar que nos braços de Sherlock. Podia ouvir as irregulares batidas de seu coração.

— Molly – ele esperou que ela lhe olhasse nos olhos antes de continuar — Sempre que olho no fundo dos seus olhos eu vejo tudo que sente, e devo dizer-lhe que você realmente é uma péssima dedutora, quando eu te abraço, não sabe que eu sinto o mesmo? Saiba que corações podem mudar.

When I look into your eyes
I can see a love restrained
But, darlin' when I hold you
Don't you know I feel the same?

[…]
And we both know hearts can change

O mundo da legista tinha parado. Ainda processava o que tinha ouvido dos lábios do detetive. Olhou nos olhos deles, estavam mais intensos que o costume. Antes que percebesse sentiu os lábios macios dele nos seus, ele segurava seu rosto com delicadeza. Enrolou seus dedos nos cachos dele. O beijo que começou de forma suave passou a uma mais intensa, foi nesse instante que a chuva que pairava sob Londres começou a cair impetuosamente.

Antes que pensassem em se abrigar em algum lugar estavam ensopados, Sherlock tentou proteger Molly da chuva com seu casaco, claro que não adiantou, o peso da água desmanchara o coque da legista, gotas pingavam dos cachos do detetive, ele espirrou.

— Vem – ela entrelaçou os dedos de suas mãos — Vou fazer chocolate quente pra nós.

Não se importaram por estarem ensopados, ou se depois gripariam, apenas uma coisa importava aos dois naquele momento.

Notas finais
Sim, eu sei que os trechos não estão na ordem exata, mas achei melhor assim.Quero saber o que acharam, então comentem :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!