4º Desafio Sherlolly
1 Hora certa
Notas iniciais
__ Você quer... sair?
__ Sair? – Molly perguntou, sabendo que estava corada.
__ Sair. Quer fazer alguma coisa essa tarde? – ele continuou. Levantou e deixou o violino na poltrona. Aproximou-se. – Se estiver livre, é claro.
__ Estou. O que quer fazer?
__ Não sei. Você escolhe.
Trocaram olhares discretos, enquanto ela pensava. O que poderiam fazer? A badalada da 1 hora da tarde passara a pouco, e nenhum dos dois tinha almoçado. O dia parecia promissor, sem nuvens no céu, sem ameaça de chuva – só o sol brilhando e os pássaros cantando. Podiam sair almoçar; mas era muito comum. Molls queria sair da rotina, quebrar as expectativas. Teve uma ideia. Não, era absurda demais. Ou será que não? Estava lidando com Sherlock Holmes, nada era absurdo demais. Um sorriso no canto da boca e o maneio leve na cabeça indicaram ao moreno que ela fizera sua escolha.
Ele esperava qualquer coisa. Por isso a chamara, sabia que ela poderia mudar os ares. Acabara de sair de um caso, e seu corpo assustadoramente pedia um descanso. Juntou a necessidade de recarregar as energias à oportunidade excelente de sair com a legista. Ele começara a cultivar sentimentos por ela. Desde sua última aventura ao lado de Molly, há alguns meses atrás, as coisas mudaram.
__ Já sei. Vamos fazer um piquenique.
__ Um o que?
Ela manteve a pose. É, parecia um pouco absurdo demais. Até para ele.
__ Isso mesmo. Um piquenique. Só nos dois.
__ Um piquenique...
“Não seja grosso, Sherlock”, ele ouviu a voz de John aconselhando-o, “Ela gosta de você. E se você gosta dela também, seja o tipo de homem que ela merece. Molly é um tipo muito raro de se encontrar”.
__ Perfeito.
Ela alargou o sorriso. Se ele realmente gostara da ideia ou não, ela talvez nunca saberia, mas de uma coisa tinha certeza: faria daquela tarde, a mais perfeita que já tiveram juntos. Depois da última encrenca em que se meteram, começaram a se aproximar. E ele chegou perto o suficiente para abalar um pouco suas estruturas, de novo. Mas, agora, era estranho notar que ela também, com falas e gestos, conseguia abalá-lo, deixando-o muitas vezes sem respostas para seus comentários. Curioso.
__ Mas onde podemos fazer isso?
__ Deixe isso por minha conta, querida – ele fez questão de usar a última palavra. Bateu o indicador na ponta do nariz dela. – Cuide da comida. Nos encontramos aqui na porta do apartamento em vinte minutos.
Sua vontade era puxá-la e beijá-la entre os lábios, mas sabia guardar o melhor da festa para o final. Ao invés, encostou os lábios na testa da quase namorada, causando um estalo quando tirou-o. Não viu, mas ela corou mais ainda. “Tenho que aprender a controlar isso”, ela pensou, antes de desaparecer atrás da porta.
***
O fato da estrada que Sherlock resolvera tomar para leva-los ao tal lugar misterioso estar tão silenciosa e vazia intrigava Molly. Era sábado e, pelo que ela sabia – seu conhecimento das estradas em torno da cidade era vago – aquela rota normalmente estaria lotada de pessoas.
__ Onde estamos indo?
__ Aprenda a esperar por uma boa surpresa, Srta. Hooper – ele sorriu atrás do volante, os olhos fixos no caminho a frente e as mãos firmes na direção.
__ Nunca fui boa em esperar as coisas.
__ Vamos ter que dar um jeito nisso.
Ela riu baixinho. Tirou a mão do bolso do casaco e apertou um botão no painel do carro; automaticamente, uma música começou a escorrer das caixas de som, inundando o ar. Um sorriso cresceu no rosto de Molly, logo que reconheceu a canção. Baixinho, começou a cantar.
Now I've had the time of my life
No, I've never felt this way before
Yes I swear it's the truth
And I owe it all to you
Ele não abriu a boca. Pasmo, somente seguiu com os olhos na estrada. Ela cantava. E cantava muito bem, pelo que ele conseguia ouvir. Molls mal percebia, parecia ser automático — sempre que ouvia alguma música conhecida, seus lábios se moviam involuntariamente, e sua voz começava a sair. Quando percebia, todos estavam olhando para ela, mais animados em ouvi-la cantar do que em prestar atenção na música.
Durante vinte minutos, a lista de músicas do carro correu, passando de Bill Medley e seu clássico em Dirty Dancing para Adele em Skyfall, Pearl Jam, de Hit the road Jack para Can’t Take My Eyes Off You. Quando as rodas pararam em frente a um campo verde, ela fazia um dueto com Freddie Mercury em Bohemian Rhapsody.
Molly não notou o carro parado – continuava se divertindo com a música e o celular. Quando Holmes abriu a porta ao lado dela, e seus olhos encontraram o verde da grama, se assustou. A visão era parecida com as de pinturas antigas, uma colina verdejante com uma árvore grande e o céu em um azul puro como fundo. Estava sem fôlego.
__ Isso é... lindo.
__ Surpresa – ele sorria com a boca e com os olhos enquanto falava.
__ Como descobriu esse lugar?
__ Minha mãe costumava nos trazer aqui quando éramos crianças. Ninguém mais vem aqui, então estamos a sós.
Estendeu-lhe a mão, para que ela pudesse descer. O carro era um pouco alto, e ela teve de pular do banco para alcançar o chão, apoiando-se no moreno. Ser baixinha não era tão bom quanto parecia.
Andaram de mãos dadas até a sombra da árvore, ela levando a cesta cheia de doces, salgadinhos e porcarias em geral, e ele com o pano para estender no chão. Ela mal acreditava – como assim, ele segurando sua mão? Parecia natal, era um milagre. Sherlock nunca fora o tipo que demonstrava afeto pelas pessoas, muito menos que andaria de mãos de dadas com ela. “Ele vai mudar, querida”, Mary dizia. Pelo visto, ela estava certa.
Já sentados sob a sombra da coroa da árvore, começaram a conversar. Ela não quis puxar assunto – sabia que ele não gostava de falar -, mas então ele começou a fazer perguntas. Os dois dividiam uma garrafa de vinho, que o próprio Holmes fizera questão de levar.
__ Então... porque um piquenique?
__ A ideia surgiu, e eu achei que seria bom tirar você de dentro da cidade um pouco – bicou o vinho.
__ Estava certa. Estou precisando... descansar, por mais horrível que isso me pareça.
__ As pessoas se cansam, Sherlock, e você ainda é uma pessoa. Às vezes, é bom descansar um pouco – ela dizia um pouco por si, espelhando as palavras no que sentia. Ele não era o único que precisava de férias. Antes das coisas se acertarem – se assim poderia chamar -, Molly tomara mais um turno no St. Barts, tentando afastar a imagem do detetive da cabeça e mergulhando-se em trabalho. Estava exausta, tanto fisicamente quando mentalmente. Ele podia em seus olhos, que não era só a ele que a legista se referia.
Durante o pouco silêncio que se correu a fala da ruiva, a pequena faísca de uma ideia brilhou na mente do detetive. Evitou olhar para Molly, enquanto arquitetava seu plano. Seria perfeito, nada estragaria. O plano dependia de uma de suas deduções, que, pelas contas, teria pouca chance de estar errada. Apertou um sorriso nos lábios em formato de coração. Decidiu escolher uma pergunta aleatória, só para continuar a conversa.
__ Quantos anos você tem, Molly? Nunca me ocorreu perguntar.
__ Vinte e nove. Porque?
__ Curiosidade.
__ E você, pelas contas, tem trinta. Certo?
__ Como sabe?
__ Você não é o único que sabe deduzir as coisas, Sherlock – ela brincou, sorrindo. – Eu li sua ficha, quando entrou no St. Barts. Nasceu um ano antes de mim.
__ Excelente método de saber as coisas.
__ Cada um com as suas maneiras – bebeu mais um pouco. – E você? Vamos ver o quanto consegue deduzir de mim – ela arriscou. – O que diz sobre a minha história, senhor sabichão?
Ele tinha a resposta na ponta da língua. Já fizera tantas vezes as deduções sobre ela, e sempre chegava aos mesmos resultados. Sabia a cidade em que cresceu, o ano em que veio para Londres, quanto tempo passou aqui, quantas vezes fora ver os pais, quando estava de TPM ou não, quando encontrava um pretendente e quando ele sumia, entre outras coisas que costumavam acontecer na vida dela.
Mas sabia que não podia, e também não devia. Era difícil controlar a ansiedade. Uma vez que as palavras começavam a sair, era impossível parar. E o resultado normalmente não era o esperado; normalmente, alguém saía abalado. A última coisa que ele queria era machucá-la.
__ Eu acho melhor... Acho melhor não. Não quero correr o risco de dizer algo que não devia – ele respondeu. – Você sabe que não consigo me conter.
__ É, eu sei – ela olhou para o céu. Alguns pássaros voavam no azul piscina.
__ Posso te perguntar mais uma coisa? – ele arrumou as costas tortas. Molly estava encostada ao tronco da árvore, com uma perna esticada e a outra dobrada, perto do canto do pano. Ela tirou a taça de perto da boca, engoliu o vinho e voltou os olhos para ele novamente.
__ Claro – colocou um dos lados do cabelo atrás da orelha.
__ Porque eu?
__ Como?
__ Porque me escolher? Tantos homens bons em Londres, e você resolve escolher o mais problemático e louco. Porque?
Molly enfincou o olhar no dele. Aquele verde acastanhado, como ele mesmo apelidara a cor dos olhos dela, o desconcertava, parecia conseguir passar todos seus problemas, como a luz de uma lanterna numa noite de chuva. Sentia como se pudesse encontrar todas as soluções para suas perguntas ali.
__ Quer que eu seja sincera?
__ Por favor – bebericou o vinho.
__ Não sei. Você é... especial para mim. Intelecto de um gênio, imagem de um deus grego, é difícil resistir a pessoas assim. As coisas aconteceram sem explicação, e de repente eu percebi... que tinha me apaixonado por você.
Ele mal sabia o que pensar. Ao invés disso, tentou formular outra pergunta, mas aquela explicação respondia qualquer outra pergunta que ele pensasse em fazer. Como alguém poderia se apaixonar por alguém como ele, cheio de vícios, de manias, a Fera em pessoa? Logo ela, sempre tão delicada, esforçada e corajosa, uma verdadeira Bela? Aquela que sempre esteve ali por ele, nunca o deixou na mão, que não fazia questão de se incomodar para ajuda-lo?
__ Você tem muitos defeitos, não pense que não sei disso – ela continuou, apontando para ele com a mão que segurava o vinho. — Mas quando se está apaixonado, é fácil aceitar os defeitos do outro.
__ E porque me ajudar? Poderia simplesmente ter ido embora, me deixado a mercê da sorte — mesmo que soubesse a resposta, ele queria ouvir da boca dela.
__ Eu nunca te deixaria sozinho, Sherlock. Você sabe disso. Eu sempre estive ali, cuidando de você; mas você nunca conseguiu notar. Sempre tão escondido atrás do trabalho, não conseguia ver o que estava na sua frente.
__ É ai que se engana, Srta. Hooper. Nada escapa dos meus olhos.
__ Esqueceu-se de olhar para o microscópio do lado, Sr. Holmes – ela respondeu.
Ambos se calaram. Ela tinha vergonha de repetir a primeira pergunta a ele, temendo que ele dissesse que não gostava dela. Tinha uma parcela de desapontamento no rosto, ele notou. Sem abrir a boca, e na esperança de vê-la desconcertada e com um sorriso mais uma vez, Sherlock deitou-se sobre sua perna esticada. Molly, perplexa, o acompanhou com os olhos. Sentiu o coração tamborilar mais forte no peito e o ar faltar. Escondeu os dedos no cabelo do moreno, enrolando-os nos cachos. Ele soltou um suspiro pelo carinho.
Molly não queria nunca mais sair dali. Parecia perfeito, cena digna de comédia romântica de Hollywood – o mocinho deitado no colo da mocinha, os dois bebendo vinho e aproveitando um dia de sol para um piquenique. Era exatamente como imaginara.
__ Às vezes eu acho que isso é um sonho. Tem certeza de que não estou sonhando?
__ Absoluta.
Sherlock viu as nuvens aparecerem. Estava na hora, ou não chegariam a tempo. Segurou a mão da legista, levantando-se e puxando-a junto. Os olhos azuis, iguais ao céu, brilhavam mais do que antes, e tinha no rosto a animação de uma criança, que não conseguia conter a felicidade emsurpreender alguém. Ela assustou-se com movimento brusco, soltando a taça sobre a grama e espalhando um pouco de vinho na terra.
__ Sherlock, onde você vai?
__ Você vai ver. Venha, não temos tempo.
Puxou-a de novo. Dessa vez, ela não se recusou, deixando os passos do detetive a guiarem. Caminharam campo adentro, observando o sol das três. Passara-se tanto tempo, e nenhum dos dois notara — estiveram tão entretidos um com o outro que não viram o tempo correr. Depois da colina em que estavam, haviam outras, e ela não pode deixar de sentir de longe o aroma doce que vinha do próximo monte.
A primeira imagem que Molly fez do campo a sua frente era o de um mar de pequenos pontos, coloridos em vermelho, branco e rosa-bebê. Estava um pouco cansada, então teve de esperar o batimento cardíaco abaixar para conseguir distinguir a imagem diante de si. Mesmo com tudo estabilizado, ainda não acreditava em seus olhos. A cena era tão perfeita, as cores pareciam tão milimetricamente calculadas que muitos diriam que era falsa.
O campo da frente carregava em sua terra corredores e corredores lotados de roseiras das mais diversas cores. As mais abundantes eram as brancas, as vermelhas e as magenta, mas em alguns cantos da plantação era possível observar rosas em azul escuro, algumas em um tom esmeralda, amarelas, roxas e uma que se destacava por ter três cores: branco, rosa e azul anil, misturadas nas pétalas.
Molly deixou o queixo cair, pasma pelo que via. Era de tirar o fôlego, difícil de descrever o que sentia. O cheiro lembrava o da mãe, que toda manhã espirrava em si um perfume de rosas. A imagem lembrava uma pintura, com cada flor sendo uma pincelada de cor diferente, que ganhavam espaço até onde a vista alcançava. No fim, todos os corredores, explodindo em uma miríade de tons, apontavam para os céus. Algumas poucas nuvens se formavam, mas nada que ainda pudesse causar uma tempestade.
Ele a observava, mais sorridente do que nunca. Gostava de vê-la assim, impressionada – ela ficava linda. Nunca a vira daquele jeito, tão impressionada com algo. Levantou-se do chão e segurou sua mão, ficando ao seu lado. A imagem representava um passado esquecido, há muito escondido nas gavetas confusas de sua mente. O campo existia desde que Sherlock se entendia por gente, e, todo fim de semana, durante mais de trinta anos, o Sr. Holmes caminhava para as mesmas roseiras, montava um buquê e trazia para a esposa. Quando chegava em casa, grato por ver a esposa explodir em felicidade, colocava-as na mesa de almoço, dentro de um vaso.
Molls suspirou. Não havia mais nada que pudesse fazer, nada que pudesse dizer. Só conseguia sentir. O cheiro a envolvia, o cenário a deixava tonta com a beleza, e a mão de Sherlock a segurando parecia sua única âncora no mundo real. Sempre ali para segurá-la, para mantê-la com os pés no chão.
__ E então? – ele disse, rindo.
__ Meus Deuses, Sherlock. Isso é... – suspirou novamente, sorvendo o perfume – maravilhoso. Podemos chegar mais perto?
__ Claro que sim. Venha, vou fazer uma coisa.
Os dois caminharam em silêncio, sem saber o que dizer, levando mais dez minutos para chegar a uma das roseiras. Aproximaram-se da planta com a única flor diferente e, enquanto ela observava as verdes, Holmes a arrancou do pé. Certificou-se de que não haviam espinhos e prendeu um dos lados do cabelo da legista atrás da orelha, junto a flor. Ela sorriu, sem graça. Nunca pensou que algo tão clichê e romântico como uma flor atrás da orelha fosse acontecer a ela. Na realidade, nunca imaginou que nada daquilo fosse acontecer a ela.
__ Pronto. Está linda.
Ela acariciou o rosto dele com os dedos, observando seus olhos. Eram tão lindos, tão profundamente apaixonantes, era fácil se perder naquele azul esverdeado. Só queria olhar para aquele homem, saber que, todo dia, quando o sol nascesse, ele estaria ali, do outro lado da cama, a um chamado de distância. Saber que ela o ajudaria com o que quer que precisasse, com o que quer que pudesse.
__ Obrigada – ela agradeceu, olhando para baixo, sem jeito.
__ Molly...
__ Hum... – levantou os olhos. Só os deuses sabiam o quanto o detetive amava quando ela fazia aquilo. Ela era a mulher mais linda de todo o mundo.
__ Eu queria pedir uma coisa. Só uma coisa.
__ Peça.
__ Queria... Saber se...
__ Ah, você fala demais, Sherlock Holmes.
Antes que ele pudesse terminar a frase ou sequer pensar no que fazer depois, ela o agarrou pelo pescoço, fazendo as bocas se encontrarem. Ela era rápida – mais do que ele esperava. Envolveu-a pela cintura, voltando a rosa – que temia cair – para detrás da orelha. Ali, juntos, pareciam um só. Não queriam soltar um do outro. Estavam, em fim e oficialmente juntos, sem ninguém que pudesse julgá-los, ninguém que os observasse. Somente o detetive e a legista. Ali, em meio a aquele mar de flores, de saudade e de paixão.
De repente, pequenas gotinhas começaram a cair dos céus. Primeiro, pareciam pequenas agulhas, mal molhavam. De pouquinho em pouquinho, a camiseta dela e a camisa dele começaram a grudar no corpo, conforme as gotas aumentavam de tamanho. Por fim, começara a tempestade. Um beijo na chuva. E se você, leitor, acha que o beijo acabou por causa da chuva, está errado. Nenhum dos dois queria sair dali. Era mágico, era simples e claro. Simples e claro como a água da chuva. Era surreal. Impossível de descrever o que sentiam. Muito mais difícil do que dizer como se sentiram ao verem o campo de flores.
Quando as roupas pesadas realmente começaram a incomodar, os dois correram desesperados, sem soltar as mãos. O cabelo dela espalhava mais água para os lados conforme corriam, e a camisa branca dele tornara-se transparente. Pegaram todas as coisas do piquenique e, depois de alguns minutos, estavam dentro do carro, rindo como dois adolescentes do que acabaram de fazer. Molly prendera o cabelo em um rabo alto, que continuava a escorrer cascatas nas costas, molhando o estofado do carro junto as roupas encharcadas.
“A chuva veio na hora certa. Minhas contas, como sempre, sem falhas” ele pensou, enquanto dava ré no carro. “Piquenique, rosas e um beijo na chuva. A tarde perfeita”. Ela começou a rir de repente. Ele não entendeu.
__ Não consigo acreditar na tarde de hoje. Tem certeza de que não estou sonhando?
Sherlock não respondeu. Não em voz alta. “Absoluta”, pensou. “Certeza absoluta, querida”.
Notas finais
Beijinhos da ruiva,
Amelia.
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