Notas iniciais
Bom, espero que gostem desse capítulo, eu particularmente gostei, se vocês acharem confuso e tal... Críticas construtivas são bem vindas! Leiam as notas finais!

Ainda boquiaberta, Valentine vestiu o capacete que ele havia lhe entregado e subiu na garupa da moto, segurando-se nele para não cair. Ele deu a partida na moto e acelerou para longe dali, passando tranquilamente entre os carros parados no trânsito, ele não estava com paciência para parar e esperar atrás da fila de carros que, apesar da hora, ocupavam boa parte das ruas do centro da cidade.

Sem nem mesmo ela lhe dizer onde morava, Joseph foi fazendo o mesmo caminho que ela fazia, deixando-a confusa e com um pouco de medo, ele não poderia estar naquele caminho por coincidência.

– Se sabe como ir para minha casa, por que me perguntou antes? — Ele não lhe respondeu, apenas continuou prestando atenção no trânsito à sua frente.

Dentro de alguns minutos, eles chegaram à casa de Joseph e a confusão no seu rosto era clara, ela hora olhava para sua casa, hora para a dele, não acreditando que durante todo esse tempo não havia descoberto que ele era seu vizinho.

– Entre, vou cuidar desses machucados — Disse abrindo a porta, dando espaço para que ela passasse.

Com um pouco de receio, ela deu alguns passos em direção à porta e adentrou a casa, ouvindo apenas suas respirações e o barulho de seus passos no piso de madeira perfeitamente limpo. Passando por um corredor com prateleiras de livros dos dois lados, ele a conduziu até o seu banheiro, onde pediu que ela se sentasse na tampa do vaso sanitário. Voltando com uma toalha e um banquinho de madeira, ele sentou-se em sua frente, pegou um kit de primeiro socorros na prateleira do banheiro e molhou a tolha na torneira da pia.

– Você sabia que eu moro ao lado? — Ela perguntou quebrando o silêncio.

– Era uma hipótese — Ele respondeu limpando o corte da boca dela.

– Como?

– Você vai me achar louco se eu te contar.

– Já foi louco o suficiente para desafiar um homem — Ele a encarou por um momento, mas não demorou a começar a limpar os ralados de seu braço.

– Você canta todas as noites...

– Você consegue me ouvir? — Valentine tinha as bochechas coradas — Se for incômodo eu paro...

– Não — Respondeu subitamente interrompendo-a — Por favor, não pare de cantar.

– Por que? Gosta de me ouvir cantando?

– Valentine... — Ele pensava em suas próximas palavras — Minha vida não é fácil, corro riscos a cada segundo que passa... O único momento em que a minha cabeça se esvazia de tudo isso é quando eu me deito e escuto-a cantando.

– Obrigada, eu acho — Respondeu sem jeito.

Sem dizer mais nada, Joseph pegou um pequeno spray dentro da caixinha de primeiros socorros, o destampou e o espirrou nos ferimentos dela, tendo um leve grito de dor em resposta ao ardor do remédio.

– Pronto — Disse fechando o kit.

– Não — Ela o respondeu deixando-o confuso — Suas mãos estão machucadas.

Ele olhou para suas mãos e viu as pontas dos metacarpos machucadas, resultado da surra que tinha dado há pouco. Antes que pudesse respondê-la, sentiu-a pegando sua mão com cuidado, seguido do toque gelado da água da toalha. Os mesmos procedimentos que ele teve com ela, ela os fez nele, mas finalizando com uma faixa que ela enrolou em suas mãos.

– Joseph... Quando disse que corre riscos a cada segundo que passa, o que você quis dizer?

– Exatamente o que disse, que corro riscos, amanhã à noite posso não estar aqui.

– Fala com tanta naturalidade... Como se já estivesse acostumado com a ideia.

– E estou.

– Mas...

– Me desculpe, Valentine, mas eu não sou o tipo de pessoa com quem você gostaria de fazer uma amizade... Se você soubesse da minha história sentiria nojo, medo... Eu criei uma regra que ninguém iria se aproximar de mim.

– Não tenho o direito de saber mais sobre o homem que acabou de me livrar de um estupro? — Suas esmeraldas o encararam profundamente — E que aliás é meu vizinho sem nem mesmo que eu soubesse.

– Você não vai desistir, não é?

– Não, a não ser que você quer que eu pare de cantar...

– Fazendo jogo sujo? — Ela deu de ombros e sorriu de canto.

– Não seria necessário se você não fosse tão difícil — Ele revirou os olhos e se levantou.

– Vamos sair do banheiro, vou fazer um chá e conversamos, ok?

– Viu? Não foi tão difícil.

Eles saíram do banheiro e foram para a cozinha, onde Joseph começou a preparar-lhes um chá. Ele percebeu que ela estava mais à vontade, pois uma energia cada vez maior emanava dela, a cada término de frase soltava um sorriso involuntário, que fazia arrepios percorrerem o corpo de Joseph. Ele percebeu o quão elétrica ela era, no momento quando a conheceu ela parecia uma garotinha indefesa, agora, ela tinha atitude e personalidade, não mais se encolhendo de medo.

– Ainda não respondeu à minha pergunta — Valentine disse enquanto ele lhe entregava uma xícara — Obrigada — Agradeceu logo em seguida assoprando o líquido. Ele não lhe respondeu logo de cara, encostou-se na pia, tomou um gole e lhe encarou por um momento — Trabalha com o que?

– Eu teria que te matar se contasse.

– Chega de rodeios... — Ela brincou, mas percebeu o quão sério ele falava quando olhou no fundo dos seus olhos mel. Formou-se um silêncio entre eles, os dois se encaravam formando uma conexão intensa, como se um estivesse hipnotizado pelo outro.

– Está com medo?

– Não.

– Deveria estar.

– Mas não estou.

O silêncio formou-se novamente, ele deixou sua caneca sobre a pia e deu lentos passos até ela, mas não se aproximou muito.

– Eu poderia fazer coisas horríveis com você...

– Mas você não vai.

– Por que? — Ela esticou o braço até o faqueiro, pegou uma das facas e entregou-lhe. Ele olhou-a confuso, não imaginava um teste daqueles, mas mesmo assim, nem se fosse obrigado ele conseguiria machucá-la — Você é louca.

– Obrigada — Respondeu enquanto ele guardava a faca.

– Por que me olha assim?

– Assim como?

– Como se pudesse ler minha alma. Te conheci hoje, não te dei esse direito ainda.

– E se eu puder? E mesmo que tenhamos nos conhecido hoje, amizades não dependem do tempo, mas sim da afinidade — Tomou o resto de seu chá, deixou a xícara na pia e olhou no relógio da parede — Obrigada mais uma vez pelo chá, mas já está tarde — Sorriu sem mostrar os dentes e andou até a porta.

– Valentine?

– Sim?

– Vai cantar hoje? — Ela pareceu pensar por um momento e depois sorriu divertida.

– Uma música especialmente para você.

– E como vou poder dizer se gostei ou não?

– Seu celular, por favor? — Pediu estendendo a mão. Ele lhe entregou o aparelho e ela digitou o número de seu celular — Pronto, agora vai poder dar sua opinião... Boa noite, Joseph.

– Boa noite, Valentine.

Depois dela ir embora, Joseph foi para o seu quarto, deitou-se na cama e se pôs a pensar no dia extremo que teve. Havia matado dois homens, ido à uma festa de criança, uma balada com músicas antigas e salvado Valentine, que era a sua vizinha que ele sempre imaginou conhecer um dia. Ela era bem mais bonita do que imaginava, com uma personalidade forte e marcante que ele tinha adorado, sentia um desafio saindo dela, sem falar nos olhos verdes misteriosos.

Seus pensamentos foram interrompidos quando ele ouviu sua voz, cantando tranquilamente como todos os dias, mas dessa vez ele sabia que era especialmente para ele.

"When you try your best but you don't succeed

When you get what you want but not what you need

When you feel so tired but you can't sleep

Stuck in reverse

And the tears come streaming down your face

When you lose something you can't replace

When you love someone but it goes to waste

could it be worse?

Lights will guide you home

And ignite your bones

And I will try to fix you...

Tears stream down your face

When you lose something you cannot replace

Tears stream down your face

And I

Tears stream down your face

I promise you I will learn from my mistakes

Tears stream down your face

And I

Lights will guide you home

And ignite your bones

And I will try to fix you..."

Notas finais
Música do capítulo: Fix you - Coldplay Já tem músicas nas notas obrigatórias da fic, vou adicionar mais duas hoje e também estou aberta a sugestões :) Não se esqueçam de comentar, elogiar, criticar, dizer um oi... Qualquer coisa, um simples review me motiva muito!!! Não se esqueçam de favoritar também!!!