3º Desafio Sherlolly talvez uma fuga do tema
1 Capítulo único- oneshot
Notas iniciais
Qualquer erro é totalmente minha culpa. Talvez o Sherlock esteja descaracterizado, talvez a Molly também... Pensando bem somente leiam e sejam sinceras.
Ele está estranho... Ele está em “seu microscópio” analisando sabe-se lá o que, qualquer pessoa pensaria que ele estava impassível, mas eu sei que ele está incomodado, possivelmente nervoso.
A última vez que eu o tinha visto foi semana passada, foi algo rápido. Na época eu estava doente, um maldito enjoo devido a uma infecção alimentar que pegou metade da equipe do necrotério. Para falar a verdade eu ainda estava com enjoo, mas eu estou naquela época do mês, normal, pelo menos não tenho cólica. Ele não chegou a ficar um dia comigo, tudo bem que cuidar de doentes não é a especialidade dele, mas ele tinha estado quase três semanas fora. O caso do Kecleon humano, não sabia que o John jogava Pokémon.
- Molly, será que você encontrou alguma morte engraçada?
- Hã? Não, na verdade não...
- Então você poderia parar de rir? Isso é irritante. Melhor, você poderia me ajudar com esse experimento?
Droga. Ele tinha que perguntar assim? “Você poderia me ajudar com um experimento?” foram as palavras dele para me chamar para nosso primeiro encontro. Tudo bem que eu não fazia ideia que era um encontro até horas depois ele me levar para jantar e praticamente explicar com todas as letras. Ele estava meio inseguro (Sherlock Holmes inseguro isso realmente aconteceu?), mas no fim eu tive que concordar com ele foi melhor do que ir a uma boate.
- Então, o que você precisa?
-Você. Na verdade do seu sangue.
- Só faltava essa além de canibal virou vampiro?
Ok, péssima piada, ele detesta os murmúrios e boatos sobre o que ele faz com as partes de corpos que ele leva para casa. Olho ele nos olhos e não perco o leve brilho que surge, bom sinal ele não estava realmente irritado. Ele começa a falar sobre um experimento que leva em consideração tipo sanguíneo e Rh, alguma coisa parece incrivelmente errada, talvez eu só esteja cansada, mas definitivamente algo não faz sentido.
- Molly, eu tenho uma amostra de sangue A+ do John, B- da Mary, o Gavin é AB-, Mycroft é B+, a Sr. Hudson A-, eu sou AB+, Billy é 0+ e eu só conheço duas pessoas 0- você e a mini Watson. John disse para eu enfiar a seringa em um local não muito agradável quando fui coletar a amostra dela.
- Como? Quando... Her... Você tentou colher sangue da ROSE?
- Você estava doente. Se você não me ajudar irei até o banco de sangue e pegarei uma bolsa...
-NÃO. Sherlock! As bolsas são para casos de real necessidade e 0- é o mais difícil de manter em estoque.
Começo a expor o meu braço e minhas veias, não me sinto a vontade com isso. Afinal de contas como ele sabe sobre meu tipo sanguíneo, como ele sabe o de todo mundo? Ele realmente tem que agir como se fosse tudo tão óbvio? O toque dele é tão delicado que mal sinto, seu cuidado com a agulha é tanto que mal sinto uma pressão... Ele ainda está com um olhar esquisito, o que diabos você está fazendo Sherlock?
- Talvez seja melhor você ir comer, seu mal estar parece já ter passado.
Seu toque enquanto me guiava pela porta era cada vez mais leve, era como se ele tivesse medo de me quebrar. Resolvi ir à cantina, afinal estava melhor mesmo. Eu estava cada vez mais angustiada, ele não me tratava como uma boneca de porcelana desde o incidente com Moran... Céus será que eu estava com um alvo marcado em minhas costas de novo? Não Sherlock não cometeria o erro de me deixar no escuro de novo. Certo? Calma, eu tinha que me acalmar... Eu deveria falar com alguém.
- Mary, você está ocupada?
- Molly, para você nunca. O que foi dessa vez? Ele decidiu depilar o Toby como experimento científico, ou de repente a geladeira dele ficou pequena de mais e algumas partes de corpos estão brigando por espaço com a salada de alface?
- Por acaso você está cuidando da Rose e me deixou em viva voz? Não quero que o bom doutor tenha que me ouvir falar sobre o efeito de uma TPM.
- Ele teve que cobrir um amigo na clínica, você está salva.
- Ele está agindo de modo estranho Mary... Não escuta. Eu sei que normal não é uma característica sherlockiana, mas ele definitivamente tem agido de forma não-sherlock. Mary, tirando os jornalistas e os megalomaníacos básicos que não são ameaça real tem alguma coisa que eu deveria saber? Sei lá, algum alvo em neon está pintado nas minhas costas?
- Tente no estômago Molly.
- Mary?
- Tente de novo Molly. Nada acontecendo. Como vai o estômago, melhorou?
- Sim.
- Desculpe Molly, a Rose está chorando.
- Eu estou escutando, ela tem bons pulmões. Dê um beijo por mim, se cuide.
- Você também, meu anjo.
Essa foi uma das conversas mais estranhas que eu já tive, mas era a Mary e estávamos falando de um certo detetive consultor... Até que vendo assim foi uma boa conversa, não tínhamos um novo Moriarty, Magnusem ou Moran. Era definitivamente algo diferente, e ninguém estava prestes a me falar. Antes de voltar ao laboratório tive uma reunião com Mike, ele estava preocupado, além dos problemas de sempre o departamento de patologia estava com pouco pessoal. Todos aqueles que estavam disponíveis teriam que aumentar a carga horária por um tempo e intensificar o treinamento dos novos estagiários. Horas depois eu encontrei o laboratório vazio, ele não enviou nem mesmo um texto ou deixou uma nota (como tinha se tornado comum depois dos primeiros meses que passamos juntos).
Um dia, dois dias, uma semana, duas semanas... Ele não dava notícias, nenhum caso o impedia, simplesmente ele desapareceu. A cada dia eu me convencia de que ele deveria estar fazendo uma faxina no palácio mental, me apagando, me excluindo... Aquele olhar e o modo que ele me tratou antes de sumir remeteu a lembrança da nossa conversa após Moran aparecer para concretizar a ameaça lançada por Moriarty “...eu vou te queimar. Eu vou queimar o seu coração...” em que ele afirmou não só que eu contava, mas que eu era seu coração e seu anjo. Nunca pensei que seria tão feliz e tão triste ao mesmo tempo, pois Sherlock estava convencido que eu estaria melhor longe dele...
Hoje faz quatorze dias que ele tinha simplesmente sumido, tempo que eu passei em maior parte no necrotério. Ao menos o trabalho me distraia e os meus amigos sempre estavam ao meu lado para evitar que eu me esforçasse até a exaustão. Mary passou a me visitar quase todos os dias com a Rose, apesar de que ainda tinha medo de lidar com criatura tão frágil era reconfortante ver olhos tão inocentes sorrirem para mim. John me olhava preocupado, de um modo que parecia estar vendo um acidente prestes a acontecer, mas não falava nada. Até Sr. Hudson apareceu com chá e biscoitos.
Na noite de sexta-feira eu estava em um estado de cansaço que nem mesmo conseguia dormir. Já tinha tentado um banho, leite quente e até mesmo uma leitura leve redescobrindo a Terra Média na aventura de Bilbo, Gandalf, Balin, Óin, Glóin, Nori, Ori, Dori, Fili, Kiki, Dwalin, Bifur, Bofur, Bombur e Thorin contra o temível dragão Smaug. Como sempre deixei minha mente fluir pela leitura, talvez sonhasse com um dragão, mas não me importava. Desde que não sonhasse com Sherlock eu poderia passar a noite tendo sonhos fazendo autópsias. É... Meu sonho seria interessante, realmente estava em um grande salão com pilhas de joias, objetos preciosos e muito ouro, só faltava Smaug. Onde ele estaria? Será que dessa vez eu teria que encontrar minhas armas e lutar, ou só seria uma conversa com Vossa Magnificência Smaug, o primeiro e único destruidor? Eu podia vê-lo se aproximando, o próprio chão parecia se curvar perante sua presença, sua carapaça incrustada de joias era aparentemente formada a partir de camadas de ouro derretido e solidificado do seu ninho e seus grandes olhos azuis... Calma, azuis? Não! Não, eles deveriam ser grandes olhos amarelos, como os de um gato! Tornem-se amarelos, isso é meu sonho. Com um gemido se frustração eu acordo, mas o par de olhos ainda está na minha frente.
- Molly, precisamos conversar. – Ele está deitado ao meu lado, está brincando com uma mexa do meu cabelo, mas sua entonação é tão séria que eu minha mente de repente trava toda a informação adicional. Sei que ele está falando, sei que deve ser importante, mas... – Molly você está me ouvindo?
- Sim, mais ou menos... Que horas são Sherlock?
- Não faço ideia, porque isso é importante? Você estava dormindo...
- Por exatamente essa razão! Eu já não falei que você não deveria me acordar no meio da noite só por estar entediado? Deve esperar pelo menos até seis da manhã para perturbar meu sono, lembra? – Nesse momento meus olhos fecham em protesto. Estou cansada e realmente não quero discutir.
- Molly eu não estou entediado. Só quero uma resposta. Você vem a Baker Street?
- Posso ir quando amanhecer.
- Ótimo, não esperava começarmos a mudança de madrugada.
Com esse comentário eu não só acordei como dei um pequeno salto e olhei para ele. Como assim mudança? William Sherlock Scott Holmes não gostava de mudanças e nunca proporia uma. Ainda consigo lembrar da cara de pavor que ele fez quando apenas sugeri deixar algumas coisas minhas em 221 B.
- Você por acaso está pensando em reconsiderar? Você seria tão volúvel assim em suas decisões? Não faz nem três minutos que você me deu uma resposta.
- Pelo amor de deus Sherlock! Você me acorda no meio da madrugada, depois de simplesmente sumir por mais de um mês...
- Fui informado que na verdade foram duas semanas. — Sim, por John, Mary e Mycroft.
- Você foi informado. INFORMADO SHERLOCK? Que diabos está acontecendo? Você está fora a mais de um mês, sim, pois se juntarmos os poucos minutos que nos vimos depois do caso do Kecleon humano não temos nem mesmo meia hora de convivência. Nem mesmo um texto depois de “John escolheu um nome estúpido para o caso, como sempre. Não coloque bloqueios nas portas, te verei em breve.”.
- Não acredito que seja correto clamar por deus e em seguida pelo diabo. – A ironia do Sherlock chega a ser palpável. Tenho que fechar os olhos novamente.
- Culpe meu avô, como ele dizia se deus não resolveu eu vou chamar o diabo. – Posso quase ver o rosto dele se contraindo em confusão, sempre supôs que toda minha família era religiosa.
- De qualquer maneira, acho que seu ultimo texto foi “Da próxima vez que eu te ver se certifique que eu não tenha nenhum instrumento em mãos, pois serei eu a coletar seu maldito sangue.”. Sinceramente fiquei um pouco surpreso com esse, devem ser os hormônios. De qualquer maneira achei melhor esperar para lhe encontrar quando suas reações estão mais lentas.
- Então você espera eu estar com meu processo de pensamento comprometido para me convidar para morar com você e culpar uma TPM, o que não é verdade, pela minha irritação justificada? Nunca pensei em você como um covarde Sherlock. – Tentei manter meu tom de ironia, mas ao final era claro que eu estava engasgada com amargura.
- Eu não estava falando em TPM... Molly, realmente gostaria de ter essa conversa no nosso quarto, mas pelo jeito terá que ser nesse apartamento que nem mesmo você gosta. Então, por favor, me escuta com atenção e não me interrompa.
Finalmente cedo e me perco naqueles lindos olhos azuis. Como eu amo esse homem, como às vezes quero quebrar o nariz dele com um soco... Talvez se eu buscasse ajuda profissional eu seria diagnosticada com uma grave tendência de masoquismo. Eu não devo ser humana, devo ser algum tipo de verme superdesenvolvido.
- Molly você definitivamente não é humana. Você é um anjo perdido nessa terra, ou talvez o mais próximo desses seres mitológicos possível. Acredito que o conceito tenha partido da observação de pessoas como você. Você é ingênua, fiel, com uma força surpreendente e tão humilde que nem mesmo consegue ver o quanto você é importante.
Neste momento estamos sentados de um de frente para o outro, ele não retira seus olhos dos meus, vejo aquela luz que só vejo nos momento que estamos sozinhos, sem testemunhas ou câmera. Percebo pela primeira vez que ele está só com a calça do pijama, procuro instintivamente a nossa marca. A minha marca, a cicatriz da bala que ele levou para me salvar do “namoradinho do Jim”. Toco levemente, meu jeito de dizer que não é exatamente assim, já tive minha cota própria de problemas e que estou aqui, sempre estarei.
- Sei que você ainda tem dúvidas sobre nosso relacionamento-romântico-monogâmico. Mas não tem motivos para isso. Esse momento que passei longe foi necessário. Eu precisava pensar um pouco sobre nós. Eu sou um companheiro lixo, trago mais perigo do que segurança para sua vida, nunca te levarei para um encontro normal, o presente que te dou são definitivamente considerados inapropriados. Sem interrupções Molly. Eu já te tratei muito mal, te manipulava, pisava em seus sentimentos buscando te afastar... Mas nunca para te ferir, só queria que você encontrasse uma pessoa que te fizesse feliz. Eu realmente achei que aquele Tom te faria bem... Mas foi só quando eu estava drogado eu consegui perceber que eu não conseguia te ver com outro homem. Molly eu sou um maldito egoísta, um maldito sociopata, um ser amaldiçoado que não consegue entender o amor, mas quero o seu, quero que você seja minha e só minha. Não consigo me distanciar de você, pois você é cada vez mais presente no meu palácio mental. Você é meu anjo, mas eu só estou vivo por sua causa.
Nesse momento estamos com as testas coladas, ele segura o presente que chocou todos. O pingente feito com a bala que teria me atingido se ele não tivesse “se jogado na minha frente”, ou algo assim, esse dia não estava muito claro na minha lembrança... Só existiam flashes dor, gritos e que inexplicavelmente o sangue que se espalhava no chão não era meu. Quando completamos um ano de namoro (não me importo do que esse maluco insista em chamar era essa a nossa relação) ele me entregou um pequeno saco de veludo com esse colar. Ele nem precisava explicar, eu sabia o que era, o que representava... Não importava que ninguém mais o fizesse.
- Essas últimas semanas passei no meu palácio mental em uma tarefa impossível de tentar te apagar, eu sei que você é capaz de seguir em frente. Eu sou um péssimo parceiro, seria infinitamente pior como marido e com certeza traumatizaria nossos filhos. Estava hospedado na casa do Mycroft, você sabe muito bem o que ele acredita sermos... Eu lhe contei a situação e tive liberdade para permanecer por um tempo, em algum momento ele contou ao John que passou a insistir em visitas com Mary e Rose. Eu realmente queria estar só, eu deveria ficar só, eu não mereço a amizade e o carinho daqueles que me cercam. Eu. Não. Cuido.
Eu sabia que ele estava com Mycroft, foi o primeiro local que imaginei, incrivelmente nem tive que insistir para ter confirmação. Para o Holmes mais velho eu era um incômodo, o calcanhar de Aquiles e a pessoa que quebraria seu irmãozinho. Não sei bem de onde surgiu a ideia, mas em sua mente eu cansaria, o largaria e o deixaria em uma busca por autodestruição. Engraçado como gênios podem ser idiotas. As palavras de Greg ecoaram em meus ouvidos. “Molly, os irmãos Holmes eram estupidamente inteligentes. Eles podem fazer um raio-x de sua vida com um olhar, mas quando se trata de sentimento é bem mais complicado.” Eu precisava ter mais conversas com o DI. Mary e John por sua vez... Doía pensar que calaram sobre isso, me pergunto se a pequena Rose me contaria. O homem que amava na minha frente, com uma cara de desolação, em um momento dizia que me queria e em outro se desprezando. Eu sabia que ele iria chegar a algum lugar eventualmente, mas eu estava com sono, raiva, tristeza, ansiedade, medo, euforia... Talvez eu realmente estivesse de TPM.
- Mas eu posso fazer isso por nós. Por favor, me deixe fazer isso por nós três.
Então tudo ficou escuro.
Notas finais
Será que todo mundo pegou todas as referências?
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