Obviamente Molly sabia o que estava acontecendo com seu corpo que tomava forma a cada semana,sua cabeça estava trabalhando loucamente,ela não sabia como contar isso a Sherlock. Ela nem sabia ao certo como isso foi acontecer,Sherlock e Molly tiveram apenas uma noite ,uma unica noite bastou. Ela estava grávida e temia o futuro. Mary foi a primeira a saber sobre isso,Molly pediu sigilo absoluto,John não poderia ficar sabendo,afinal ele contaria pra Sherlock.

-Ele precisa saber. Mary falou calmamente segurando a mão de Molly que estava gelada só de pensar como isso seria. Sherlock nunca pensou em ter filhos,pelo menos era isso o que aparentava . Ele nem queria um relacionamento,um filho era quase inimaginável de se acontecer.

-Eu também posso ir embora. Ele nem vai sentir minha falta. Molly falou sabendo que aquilo era a mais pura verdade,ele até poderia sentir a falta dela,mas nunca em hipótese alguma iria deixar que os outros soubessem.

-Não seja boba,isso não é o fim do mundo. Eu sei que ele é difícil,mas se ele foi capaz de dormir com você,é porque realmente sente algo. Mary dizia as coisas pausadamente ,a encarando,queria deixar claro que não mentia ou pensava o contrário. -Você não pode esconder por mais tempo,ele repara em tudo,você sabe. Logo vai tirar suas próprias conclusões,que nunca estão erradas.

-Eu não o vejo desde aquela noite. Molly falou relembrando a noite em que foi a mulher mais feliz do mundo,a noite em que seu mundo se tornou completo,pelo menos por aquela noite. Naquela noite Sherlock parecia querer se aproximar das pessoas,talvez tivesse algo a ver com o natal,ele queria se misturar,talvez até ser normal por uma noite,Mrs.Hudson havia pedido isso de presente,ela queria ver Sherlock se aproximando de John,ela ainda continuava achando que eles eram gays,mesmo que Jonh já fosse casado com Mary.

Enquanto todos estavam em volta da árvore de natal entregando os presentes,Molly comia biscoitos na cozinha,vendo de longe os sorrisos de todos. Sherlock se aproximou com seu rosto gelado de sempre,mas ela podia ver uma chama em seus olhos ,uma chama que nunca antes havia visto naqueles olhos azuis. Ele pegou a mão de Molly,sorriu e lá depositou uma pequena caixa vermelha com um laço dourado.

-A caixa não foi minha ideia. Mais tarde,abra. Ele disse sério,ela agradeceu sem graça,e ele sumiu de lá. Molly ainda não entendia o que havia acontecido,mas não se permitiu perder a noite de natal pensando nas maluquices de Sherlock. Ela sacudiu a caixa,não conseguiu adivinhar o que era então a guardou,para mais tarde abrir. Quando chegou em casa,seu apartamento estava frio,ela se sentiu sozinha,então pegou o presente de Sherlock,que depois de entregar não disse mais nenhuma palavra. Molly tirou os sapatos e o casaco,se jogou no sofá e encarou a pequena caixa. Depois de um tempo tentando adivinhar o que era apenas a observando,decidiu que eram brincos. Quando abriu sorriu,porque ela havia acertado,eram brincos,e realmente bonitos. Mas no fundo da caixa havia algo a mais,um papel dobrado.

"Querida Molly Hooper,

Eu poderia escrever uma lista enorme de coisas aqui para te agradar,e conseguir o que eu quero,mas Mrs.Hudson disse para eu tentar ser normal hoje. Eu tentei,espero que tenha sido convincente. Eu realmente me esforcei. Eu não posso lhe dar o romance que você anseia,mas eu posso lhe dar o que eu sinto por você por essa noite. Se você acha que isso é o suficiente,apareça na janela. Mas só aceite,se estiver ciente que amanhã é outro dia,a magia do natal vai se acabar.Mesmo que eu ame o natal. Eu sei que é pedir demais,e vou entender caso você não apareça na sua janela.

Sherlock Holmes."

Molly estava de boca aberta e coração disparado,aquilo havia sido uma confissão,e ela não acreditava. Se levantou do sofá e encarou o papel,Sherlock só podia estar de brincadeira com ela,e isso não se faz. Mesmo sem acreditar,existia aquele sentimento que a fazia acreditar que aquele bilhete era real. Foi ele quem entregou o presente,ele sabia o que estava fazendo. Ela pensou andando de um lado para o outro. E se ela aceitasse? o que iria acontecer? Se coração dizia para ela sair correndo até a janela ,mas seu cérebro teimava em falar que aquilo era a coisa mais idiota que Sherlock já havia falado,no caso escrito. Molly não se sentia a vontade de se submeter a algo desse tipo,ser usada como um brinquedo e depois ignorada. Mas o coração dela cada vez batia mais forte e rápido. Se fosse pra ser completamente feliz,que fosse logo. Pelo menos ela morreria conhecendo o que era se sentir completa por alguém. Molly respirou ,e foi até a janela,abriu as cortinas e encarou a rua com medo de não ver Sherlock lá,com medo de tudo ter sido uma piada ,mas para sua surpresa e felicidade o viu do outro lado da rua,ele estava do lado de um poste de luz,Molly quase teve um AVC quando o viu sorrindo para ela,ela sentiu o estomago dando voltas e voltas,mas ela iria até o fim. Enquanto Sherlock subia,Molly corria para arrumar a pequena bagunça que estava na sala,ela sabia que ele iria reparar que aquilo havia acabado de ser arrumado,mas ela não ligava.

-Molly? Então ela acordou de seu leve torpor ,aquela noite foi marcante,e agora mais ainda.Ela não podia negar isso.

-Estou aqui. Molly falou sem graça e Mary sorriu como uma mãe.

-Você precisa fazer isso Molly.

-Eu vou fazer. Molly falou com a mesma certeza de quando falou sim para Sherlock,naquela noite de natal. John entrou com Sherlock no apartamento de Mary. Sherlock,não encarou Molly por mais de 5 segundos,nada mais que o normal. Era como se nada tivesse acontecido,como ele disse que seria. Mary chamou John para preparar um chá,ela queria dar espaço para os dois. Sherlock evitou os olhos de Molly,mas ela fez questão de os encontrar. -Sherlock,precisamos conversar.

-Espero que não seja sobre aquela noite Molly. Ele disse parecendo não se importar ou sentir nada,como o velho Sherlock de sempre.

-Vamos para outro lugar.

-Não vejo necessidade. Sherlock disse e Molly resolveu ir direto ao ponto.

-Sherlock,eu estou grávida. Ela falou o encarando e não viu nada de novo em seu rosto,ele parecia não ter ouvido.

-Desde quando você tem algum namorado? ele perguntou e ela não sabia se ria ou se chorava.

-Sherlock Holmes,você vai ser pai. Esse filho é seu. Ela falou o encarando e ela parecia ter virado um fantasma,estava pálido e estático.

-Molly,trouxe o seu chá. Ela ouviu a voz de John e Mary logo atrás falando para ele voltar. -O que houve com ele?

-Vamos John. Mary pediu mas ele a ignorou indo até Sherlock.

-Sherlock? John perguntou o encarando. -O que houve aqui?

-Eu estou grávida dele. Molly falou,afinal ali não existiam mais segredos. John a encarou surpreso e encarou Sherlock novamente.

-Wow. Ele conseguiu falar.

-Pois é.Acho que ele está em choque. Molly falou.

-Como foi isso? John perguntou.

-John,que pergunta sem sentido.Mary falou.

-Wow. John falou de novo. Molly então foi até a cozinha,encheu um copo de água e voltou para a sala,colocou o copo na mão de Sherlock mas ele continuou parado feito um idiota.

-E agora? Mary perguntou. Então Molly pegou o copo e jogou a água na cara de Sherlock que parecia finalmente ter acordado. Ele tossiu,e encarou John que sorriu e deu um abraço no amigo.

-Parabéns! John falou animado,pelo menos ele estava aparentando animação. Mary estava com dó de Molly,Sherlock em choque e Molly nervosa.

-Vamos deixa-los a sós.Vem John. Mary falou puxando John pela mão,antes de sair ele deu um rápido abraço em Molly também.

-E agora?

-E agora? Bem,eu tô grávida! Grávida,Sherlock! Molly gritou. Ele era tão frio,como podia?

-Você já disse isso,Molly.

-Então pare de agir feito uma menininha. Você vai ser pai, p-a-i.

-Como isso foi acontecer?

-Não me faça te responder. Toda aquela cena dele havia deixado Molly nervosa,e agora ela não mediria palavras com ele,não tinha motivos pra isso.

-Eu não sou capaz disso. Sherlock disse a encarando.

-Sabia que você iria agir assim,sempre o frio Sherlock de sempre. Quer saber,você não precisa se preocupar. Molly falou o encarando. -Eu sabia quem você era desde sempre,eu aceitei aquele papo do natal,sabendo que você nunca poderia ser normal,sabendo que nunca existiria um relacionamento saudável entre nós.

-Eu disse que era natal.

-Eu sei Sherlock,eu sei. O pior de tudo é que eu não me arrependo,eu sou feliz por ter aceitado esse seu presente ridículo. Aceitei porque eu te amo. Te amo exatamente do jeito que você é. Pelo menos eu não tenho vergonha de admitir o que sinto,que tenho sentimentos. Não é verdade,Sherlock? Molly perguntou nervosa o encarando, então pegou sua bolsa para sair de lá. Ela realmente não precisava dele,já tinha visto tudo em sua cabeça. A mudança,a nova casa,o bebê de olhos azuis...tudo.

-Molly,eu posso falar agora?

-Não,você não pode. Ela falou abrindo a porta,mas Sherlock a impediu. Ele pegou o rosto dela com as mãos,e a encarou. Ela podia ver ela mesmo refletindo nos olhos dele,e se via triste,odio isso.

-Eu não sou capaz de ser pai,mas eu sei que você pode me ensinar a ser um. Eu sei que você me ama,e eu te amo ,você sabe que meu amor por você está dentro de mim em algum canto,você sabe. Eu sou diferente das pessoas,eu não aprendi a deixar as pessoas me verem do jeito que realmente sou,mas você já me viu,você foi a unica pessoa que um dia já me viu. Eu quero deixar que você continue me vendo,quero que esse bebê me veja. Obviamente,não vai ser fácil fazer isso acontecer,mas eu não sou do tipo que desiste fácil,não é verdade? Ele perguntou e Molly só conseguiu acenar com a cabeça.

-Você nunca desiste.

-Nunca. Ele confirmou e ela sorriu. Então Sherlock a beijou,um beijo calmo e inesperado.

-Você está ficando bom nisso. Ela falou e ele piscou para ela.

-Wow! Eles ouviram Jonh surpreso do outro lado da sala. Molly sorriu para John que parecia a cada segundo mais admirado de tudo o que estava acontecendo.

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