3º Desafio Sherlolly!
1 One-shot
Notas iniciais
Era mais uma tarde normal em Baker Street: Molly, Mary e Sra. Hudson tomavam chá enquanto Sherlock catalogava insetos. John estava no quarto, tentando fazer um James muito chorão dormir. Assim que a criança adormeceu, foi para a sala silenciosamente e juntou-se ao resto. A vida não poderia estar mais perfeita: o filho de John e Mary, James, já estava com 10 meses, e Molly e Sherlock estavam juntos há 8. Repentinamente, Sherlock começou a tocar seu violino suavemente, e a sala foi preenchida com uma melodia maravilhosa.
— Sra. Hudson, — exclamou Molly — esses muffins estão divinos! Por acaso a senhora tem mais?
— Claro, minha querida, — a senhora respondeu docemente — vou tirar uma fornada quentinha agora mesmo!
Quando os almejados bolinhos chegaram, Molly atacou-os com voracidade, como se não comesse há semanas. A ação causou tanta surpresa nos demais que até Sherlock parou de tocar para analisá-la: um, dois, três muffins foram embora em um minuto. “Curioso,” pensou consigo, “Molly nunca come mais que dois muffins, e agora já está em seu quinto. Hoje é dia vinte e dois, então sua menstruação veio ontem, o que explica o apetite. Mas não o seu humor excessivamente alegre.” Ele não conseguia evitar deduzir tudo e todos, nem mesmo sua amada. Sherlock tinha mostrado seu lado humano nesse último ano, mas a máquina sempre esteve lá, sempre vai estar. Seus pensamentos foram interrompidos por um vulto que passou depressa pelo canto de seus olhos, em direção ao banheiro. Era Molly.
Sherlock não demorou para chegar na porta do aposento e começou a bater:
— Molly, está tudo bem? Você precisa de ajuda?
— Eu estou bem, — respondeu Molly, abrindo a porta — foi só um enjoo...
— ENJOO? — perguntaram todos em uníssono — Poderia estar-
— Grávida? — se adiantou — Bom, era para ser uma surpresa... Mas nós vamos ter um bebê, Sherlock!
O apartamento se encheu de alegria, com gritinhos e parabéns. Sherlock, porém, tinha travado. Sua mente travou, cambaleou, foi até o paraíso, voltou e reiniciou.
— Um bebê? — conseguiu dizer — Nosso?
— Sim, Sherlock, não é maravilhoso?!
...
...
...
— Oh, Molly, é perfeito!
&
Nos três primeiros meses da gravidez, Sherlock foi o homem mais doce e cuidadoso do mundo: sempre se certificando de que Molly estava confortável, quentinha e com um estoque infinito de chá. Ele tinha que ter garantia de que não iria perder seu bebê, seu e de Molly, claro. Molly, no entanto, continuou sua vida normalmente, indo todo dia para o St. Barts trabalhar e saindo para fazer compras com Mary.
No quarto mês da gestação, Sherlock pediu para Molly se mudar para 221B. Ela aceitou, em meio a muitas lágrimas, porque suas mudanças de humor já haviam começado. Os primeiros a visitar o casal foram John e Mary — e James, claro. Mary e Molly ficaram trocando dicas e vendo todos os conjuntinhos de roupa do bebê. Watson e Holmes ficaram na sala, trocando algumas poucas palavras. Não havia muito para se falar, pois cada um estava tocando sua vida. Poderia ser este o fim de uma era?
Dentro de um mês, já tinha se instalado em sua nova moradia, e eles foram pela primeira vez juntos fazer um ultrassom, para descobrir o sexo do bebê. Sherlock nunca tinha estado lá antes, naquela salinha branca, fria e intimidante. O médico o permitiu passar o gel gelado na barriga de Molly, que agora já estava saliente. A imagem distorcida que apareceu no televisor parecia clara para Sherlock: uma menina. Uma menina, sua garotinha, só dele. Uma bolinha se desenvolvendo dentro de Molly, que dentro de alguns meses ia chorar pedindo por seu colo, chamá-lo de papai, andar em sua direção...
Saindo do consultório, foram logo comprar vestidinhos, sapatinhos e laços rosa. Na hora de pagar, Sherlock surgiu com um gato laranja de pelúcia enorme, que era do tamanho do berço branco que estava montado em seu quarto. Molly deu uma risadinha quando Sherlock apareceu atrás do gato, deu um beijo em sua testa e pagaram.
Lá pelo sétimo mês, titio Mycroft pagou uma visita ao casal. Estava nervoso, ao julgar por suas mãos trêmulas e a ansiedade de fumar um cigarro. Sua visita foi curta, cumprimentou Molly, tomou chá, falou com Sherlock em particular por alguns poucos minutos e foi embora. Logo em seguida chegou a equipe de Scotland Yard, Greg, Sally e Anderson, que trouxeram — graças a Deus! — muitos pacotes de fralda. Ao servir o chá, Sra. Hudson trouxe alguns pares de meias adoráveis, que ela mesma tinha tricotado.
&
Molly acordou no meio da noite trêmula, pálida como um fantasma e toda molhada. Uma onda de desespero tomou conta de seu corpo, enquanto ela acordava Sherlock, se limpava e arrumava as coisas para ir ao hospital às pressas. Ligações foram feitas, urros de dor e nervosismo foram trocados e finalmente John chegou com o carro e a cara amassada.
A cena do hospital simplesmente não aconteceu. Passou como um borrão para Sherlock. Foi tudo surreal, inacreditável. Se lembra de correr, assinar alguma coisa, por uma roupa azul e segurar a mão de Molly, enquanto ela espremia seus longos dedos. Grito, aperto, grito, aperto, grito e aperto, choro. Pronto. Tudo tinha acabado. Não foi tão simples, mas valeu a pena. Sua mente voltou ao lugar quando segurou em seus braços um corpo miudinho, quentinho e rosado. Traços angelicais como de sua mãe, cabelos negros e cheios como os de seu pai. A junção perfeita dos dois ali, enroscada em seus dedos.
Olhando mais uma vez para as mulheres de sua vida, Sherlock suspirou e engoliu um choro. Sim, Sherlock Holmes, o homem-máquina, o maior detetive da história moderna, que era conhecido por ser frio como um cubo de gelo, áspero como uma lixa, fechado como um cadeado, estava segurando o choro.
Molly foi levada para o quarto, e depois de alguns minutos começou a receber inúmeras visitas e presentes. Flores, chocolates, bombons, roupinhas, bichinhos de pelúcia, amigos do trabalho, familiares, mas nada de seu namorado. Depois de um ano e meio ainda achava estranho lembrar de que estava namorando o grande Sherlock Holmes.
O último a visitá-la foi um Sherlock muito exausto e bobo de felicidade. Trazia consigo um pacotinho rosa que parecia microscópico comparado a ele. Sentou-se do lado de Molly e posicionou Violet em seus braços. Parecia querer falar alguma coisa, mas hesitou duas vezes. Finalmente, reuniu toda a sua coragem, pôs-se de pé e tirou de seu bolso uma caixinha vermelha aveludada, que ao ser aberta, revelou o anel mais brilhante e delicado que Molly já tinha visto.
— Sim. Molly nem precisou ouvir a pergunta. Sua resposta era sim, sempre foi sim. E com Violet em seus braços e Sherlock ao seu lado, tinha certeza de que sempre será sim.
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