Give Me Love – Novatos

Capítulo 17 – (Bad)bye – ANTES


Conselheiro parece desconcertado hoje, seus olhos insanos mal focam nos meus – como costuma acontecer enquanto leciona e me alerta sobre os possíveis perigos da Terra. Sem concentração, a cabeça nas nuvens. Bem, literalmente. “Que foi?” Pergunto, a inocência fingida abre um sorriso amistoso em meu rosto. “Hm, nada.” Responde. Eu sei a que se deve a preocupação, e fico grata por ser meu último dia aqui. Sou péssima mentirosa, não esconderia ômega segura por muito tempo.

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Gaia está apreensiva. Olhos ora pousados em mim, ora fitando o senhor maltrapilho. Ela aperta a barra da saia com força e de vez em quando abotoa o cardigan cor-de-rosa, só para desabotoá-lo novamente. Eu sei que ela tem medo do Conselheiro. Aquela chave certamente é importante para ele e, se ele tiver certeza de que sou eu a ladra, minha vida será um fardo pesado demais daqui em diante. “Se algum humano vir suas asas, você estará descumprindo uma regra. Certifique-se de escondê-las. Elas não serão visíveis na maior parte do tempo, mas se estiverem abertas, não há milagre que consiga cegar quem estiver próximo.” Uma das únicas instruções que ele me dá sem se dispersar no meio de uma frase.

Ao voltar para casa, lá estão meus pais. Os olhos fundos embargados em lágrimas, essas escorrem pelo rosto, cruzando olheiras, bochechas e pendendo na ponta do queixo. Pulo para um abraço, sem pensar muito. É um abraço molhado. Sei que meus cabelos estão encharcados assim como a blusa de minha mãe, onde afundei o rosto. Quando desentrelaçamos nossos corpos, vem uma sensação exaustiva. Agonia. Sentirei saudades, mas ao mesmo tempo, sei que eles não devem e nem poderão ser minha prioridade. Eles estarão no passado. Subo as escadas correndo. Minhas malas já estão prontas e com Gaia, mas eu preciso pegar ela. Ômega. Está na penteadeira de Laura, debaixo de sua escova de cabelos azul. Tomo-a para mim e torno a correr pelas escadas. É hora de partir.

Meu coração está acelerado. Há medo, tristeza, saudade precoce, ansiedade. Nunca me senti mais humana.