– Por onde eu começo?

– Pessoas gostam de apresentações.

– Eu não quero me apresentar.

– Anda logo, Helena.

– Merda, então tá. Vou começar com os meus defeitos. Eu não sou educada, solto palavrões sempre que dá vontade, ou seja, sempre. Eu nasci com o dom de afastar qualquer pessoa que consiga permanecer por um bom tempo na minha vida. Eu sou bem infantil, na verdade. Faço piadinhas sem graças e maliciosas sempre que posso. Hm, o que mais? Deixe-me pensar...

– Não temos tempo, Helena. Às vezes, esses textos ficam cansativos.

– Cala boca! Você pediu pra eu fazer isso, deixe-me fazer do meu jeito, porra.

– Certo.

– Ah, lembrei. Tenho preguiça de pessoas que sempre estão questionando tudo. Deus existe? Deus não existe? Isso ou aquilo? Certo ou errado?

– Isso é contraditório.

– Por quê?

– Porque você faz isso, Helena.

– Você está me interrompendo à toa. Ah, pessoas que falam complicado também, tenho preguiça delas. Não é porque você sabe pronunciar uma palavra grande que você torna-se interessante.

– Você só tem mais algumas linhas. Que tal falar das suas qualidades?

– Elas não existem.

– Como não? Você é um doce de pessoa, Helena.

– Sou mesmo, adoro chocolate.

– Você é patética.

– Foda-se.

– É isso? Você acha que alguém vai querer uma amizade com uma pessoa como você?

– Eu não me importo.

– Está mentindo.

– Vá se foder.

– Dê tchau para a pessoa que está lendo.

– Por quê?!!!

– Porque ela pode gostar de educação, ao contrário de você, Helena.

– Mas...

– Você tem uma linha.

– Tchau.

Notas finais
Gente, que bobinho.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!