365 Dias
1 O Primeiro Dia do Resto de Nossas Vidas
Notas iniciais
O farfalhar do lençol em fricção com um corpo quebrou o silêncio que estava no ambiente. O Uchiha voltou a remexer-se, não importava a hora que fosse dormir, seu corpo já estava habituado a acordar todos os dias no mesmo horário. Suspirou revirando-se no colchão e ao abrir os olhos deparou-se com uma visão conhecida, mas que nessa manhã parecia única e especial.
Ao seu lado, Sakura dormia pacificamente, a cabeleira rosada estava jogada sobre o travesseiro, observou o suave movimento de seu colo descoberto, as curvas suaves delineadas pelo lençol fino, mas o que trouxe um sorriso torto a seus lábios foi ver a aliança dourada brilhar sobre o dedo delicado.
Exato. Eles estavam casados. Casados há quase 24 horas.
O casamento foi pequeno e íntimo por escolha deles. Apesar de seus feitos, muitos na Vila ainda o olhavam de forma torta e a união com a médica–nin não foi bem vista, então para evitar o burburinho e por Sasuke não ser feito de grandes eventos tudo foi organizado com muito zelo e sigilo, algo que Sakura adorou. Chamava a comemoração de “O Casamento Secreto de Romeu e Julieta”.
A cerimônia ocorreu dentro de uma estufa de vidro que pertencia ao clã Yamanaka. A maior estufa que ele já tinha visto em sua vida, toda a produção tinha sido espetacular, o chão era de madeira com algumas pétalas jogadas, lírios e rosas vermelhas por vários lugares. Os bancos para os convidados eram de madeira rústica que lembravam troncos de arvores e sobre suas laterais havia um suporte para os arabescos de seda branca que formavam um arco para a passagem até um pequeno um altar esculpido em madeira e com cascatas de flores descendo sobre ele, por onde Sakura surgiu junto a Kakashi. Estonteante em seu vestido branco de camadas que possuía um corpete afinando sua cintura e ressaltando seu colo bem formado, os cabelos em um coque bem ornamentado com semi-tranças na lateral e um delicado adereço de flores em ouro branco, presente dele.
Depois da cerimônia realizada pela própria Hokage houve o coquetel que ocorreu no mesmo espaço, um jutsu criado pela organizadora fez com que parte da decoração sumisse e outra tomasse conta do lugar, com mesas também em madeira rústica, um centro para dança com uma enorme samambaia sobre suas cabeças e diversas rosas caindo entre sua folhagem. Até mesmo Sasuke ficou estupefato com o lugar e chegou a sugerir à Ino que largasse o mundo ninja e seguisse com o ramo de organização de festas em lugares inusitados.
Não houve uma lua de mel, pelo simples fato de ambos estarem em fases decisivas de suas carreiras profissionais. Ele estava sendo oficializado na ANBU, com vários projetos para a polícia local e mais alguns testes a serem feitos na milícia secreta da Vila. Sakura estava para ser promovida no Hospital, Tsunade estava avaliando a garota para junto com Shizune tomarem à frente do local e implantarem diversos projetos sociais que só estão sendo possíveis agora, depois da guerra, o intercâmbio entre as vilas se tornou possível e eficiente, facilitando a vida de todos.
Naquele momento viagens estavam fora de cogitação. A perspectiva tinha deixado-a triste, mas foi só ele dar a ideia de ficarem enclausurados dentro do clã que ela voltou a se animar, ninguém atrapalharia a paz deles.
Passariam a semana, como Sakura gostava de dizer: vivendo de amor; apesar de ele preferir denominar de “o movimento: roupas, não mais”. Ficar nu uma semana inteira, sem sair da cama, ou quase isso, já que sexo em outras partes da casa estava na jogada.
Passou os braços em volta das costas dela, puxando o corpo delgado para junto do seu, encostou seu rosto no topo da cabeça, aspirando a doce fragrância que só ela possuía. A garota se virou, espreguiçando-se e passando os braços em volta da cintura dele. Afundando o rosto no tórax bem trabalhado dando uma leve mordida que apenas o aquiesceu. Sakura ergueu a cabeça apenas para ver os olhos negros cravados em si.
— Bom dia, falcão. Estava me espreitando? — Um sorriso sacana surgiu no rosto do Uchiha.
— Minha tocaia acabou de ser descoberta. — Deslizou os lábios para o pescoço macio, fazendo-a suspirar. — Acho que está na hora de atacar a minha presa; que predador eu seria se a deixasse escapar?
— O pior de todos eles. — Respondeu passando os braços em volta do pescoço dele, afundando os dedos em seus cabelos rebeldes.
Um sorriso matreiro surgiu nos lábios masculinos enquanto seus lábios beijavam o vão dos seios de Sakura.
— Isso não pode. — Mordiscou uma das elevações, tomando-o em suas mãos e logo em seguida sugando o mamilo, fazendo com que a garota arfasse.
Uma das suas mãos vagueou até as coxas bem torneadas tomando-a e apalpando, puxou a tira delicada que cobria o sexo de sua esposa e seus dedos deslizaram para dentro dela. Sakura suspirou e afundou os dentes no ombro musculoso, mordendo-o com vontade para logo em seguida encher aquela região de beijos e lambidas.
— Sakura... — Não demorou para que o pequeno empecilho fosse retirado. Tomou-a para si mais uma vez, como tomaria por toda a sua vida.
Relaxados e saciados, o casal Uchiha permanecia deitado sem a menor intenção de saírem da cama. A cabeça de Sakura repousava sobre o peito de Sasuke, acompanhando sua respiração e apreciando a caricia suave que recebia em suas costas. O Uchiha passava o dedo pela própria aliança de forma despreocupada sem dar a devida atenção ao movimento, mas Sakura mantinha-se firme a observar tal coisa, fitando o pequeno círculo adornado em seu dedo também.
— Como acha que vai ser? —Observava o topo rosado da cabeça de Sakura que se virou minimamente para cima, fitando a linha do queixo dele. —A nossa vida daqui em diante? — Sasuke fitou os olhos esverdeados, depois voltou sua atenção para o teto, até que deu de ombros, não fazia sentido pensar sobre.
— Igual. Por que mudaria? — Um suspiro indignado surgiu e ele soube no mesmo instante que havia dado a resposta errada. De forma ágil, Sakura apoiou um cotovelo na cama e ergueu parte do tronco apenas para fitá-lo de forma incrédula. Teve vontade de rir da expressão dela, mas Sasuke Uchiha não sorria a toa. Não mesmo. — O quê? Nós vamos transar mais? — Sakura bufou e revirou os olhos sem acreditar no que estava ouvindo.
— Não... Também. Mas não é disso que eu falo. — Voltou a se acomodar ao corpo dele, passando os dedos pelo tórax bem definido. — Nós vamos passar todo o tempo juntos. — Um sorriso bobo surgiu em seus lábios. — Vamos ter nossa vida em sincronia, vamos sentar agarradinhos, até mesmo no calor e principalmente no frio, vamos ter os mesmos gostos para o lazer e quando fizer frio eu vou tricotar para a gente. Quem sabe formando pares? — Sua voz se tornou esganiçada e animada demais para o gosto do Uchiha que a cada nova frase franzia ainda mais o cenho. Se Sakura estava achando que ele iria perder seu tempo de treino para plantar flores como ela gostava de fazer estava muito enganada, isso estava fora de cogitação.
— Você não sabe tricotar.
— Isso é um detalhe, eu aprendo. No natal faremos uma festa para os amigos íntimos e nas férias sempre vamos fazer uma viagem de lazer, mas sem ostentação, apenas pelo prazer de nos desprender das obrigações. — Passou as mãos pela testa, segurando a vontade de soltar uma risada irônica, apenas meneava a cabeça minimamente, para que ela não notasse. Mas uma viagem não era uma má ideia, sozinhos em uma ilha. Em sua peregrinação conheceu muitos lugares isolados que poderia levá-la...— Talvez a gente leve o Naruto, porque ele não vive sem a gente e pobre Hinata... Devemos levá-la também e quem sabe a Hanabi, provavelmente não tem vida dentro do clã. Ela pode ter alguma amiga que queira ir. — Não era uma viagem de lazer? A dois? Como eles chegaram da fase dois do: roupas, não mais; até o Naruto e sua trupe? Não pôde conter o suspiro de indignação. — O que foi?
— Estou casado há 24 horas com você e já está me irritando. — Sakura fechou a cara e rapidamente foi para cima de Sasuke.
— Uchiha Sasuke, diga isso de novo e será um homem morto.
— O que? Não posso chamá-la de irritante, senhora Uchiha? Pois você é irritante. — Levou ambas as mãos até as nádegas bem trabalhadas de sua esposa, mas Sakura ficou imóvel sobre seu colo, com uma expressão alarmada. — O que...
— Diga de novo. — Deu um leve tapa sobre o ombro dele, Sasuke revirou os olhos.
— Sakura... Foi só um comentário...
— Vamos, fale. — Quicou sobre o colo dele, Sasuke segurou a respiração, os movimentos não estavam tendo os prováveis efeitos desejados por ela, mas sem dúvida os desejados por ele.
— Você é irritante...
— Não isso... Do que me chamou? — A compreensão o atingiu, sorriu sentando-se na cama e ficando frente a frente com sua esposa.
— De senhora Uchiha. — Afastou os cabelos, dando um leve beijo sobre o ombro dela — A minha senhora...
— Senhora Uchiha... — Os olhos de Sakura brilharam com o som daquelas palavras. Era real, tinha acontecido, ela estava casada com ele. De papel passado e com testemunhas. — Isso soa tão bom. Sou sua esposa... Sou. Sua. Esposa.
— Eu. Sei.
— Para todo sempre. — Passou os braços em volta dos ombros dele, agitando-se sobre o colo de Sasuke. — Até ficarmos velhinhos. Vou ter que aguentar você. E você vai ter que me aguentar. Mesmo sendo irritante. — Fez uma leve careta ao dizer isso, mas ele logo roubou-lhe um beijo melhorando o seu humor. — Você vai ter que me mimar todos os dias. — Um leve revirar de olhos foi o que ganhou. — E não ficar me chamando de irritante o tempo todo.
— Só às vezes? — Passou as mãos pela cintura de sua mulher, acariciando-a.
— Só às vezes.
— Hum, então farei o possível para me conter, minha... Irritante. — Sorriu afastando algumas mechas da frente do rosto alvo, deslizando seus lábios pela lateral dele. — O que fará por mim?
— Beijar-te-ei todas as manhãs. — Mordiscou o lábio carnudo e naturalmente avermelhado.
— E as tardes e as noites... — Sakura segurou a lateral do rosto dele com ambas as mãos, beijando-o de forma lenta e tortuosa, juntando seu corpo ao dele e sentindo aquela gostosa excitação voltando a dominá-la — Preciso receber cuidados médicos diferenciados.
— Você será meu paciente VIP. — Sasuke segurou-a com firmeza e a deitou sobre o colchão. Ficando entre as deliciosas pernas de sua esposa, beijou-lhe o queixo e depois o colo.
— Você ainda tem aquela roupa de enfermeira? — Revirou os olhos dando outro tapa nos ombros fortes, dessa vez mais forte que o anterior.
— Sasuke! Você estava sendo romântico...
— Para todo sempre me comprará tomates? — Voltou a se inclinar sobre o rosto dela, mantendo seus lábios rentes aos avermelhados e convidativos. — E nessa casa nunca entrarão doces?
— Para todo sempre lhe comparei os melhores tomates da feira. — Sakura sorriu e passou a ponta de sua língua pela boca entreaberta de seu marido, apenas para provocá-lo. — Quanto aos doces...
— Sakura...
— Sasuke-kun, eu posso fazer você gostar de doces...
— Duvido muito, mas dependendo como, eu posso deixá-la tentar...
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