365 Dias

14 Dias Vermelhos, Dias de Inferno


Notas iniciais
Espero que gostem Uma boa leitura a todos;*

Em um dia chuvoso, Sasuke se encontrava enrolado em sua coberta felpuda e quente. Depois de meses sem colocar os pés para fora da Vila, ele tinha saído pela primeira vez com um Time ANBU, não foi uma missão longa, nem complicada, porém exaustiva.

Ao chegar em casa a única coisa que queria era ficar na cama, comer e voltar para cama. Até mesmo o clima desejava que o pobre Uchiha continuasse deitado, quente e confortável. Estava de folga, tudo perfeito, mais que perfeito.

No entanto a volta da missão o fez desligar-se do dia do mês em que estávamos, ou melhor, da semana que estava por vi, caso ele soubesse não estaria ali, deitado, ao lado de sua carrasca.

Sakura estava embrulhada feito uma bola, com chakra verde emanando de suas mãos para final de seu ventre, tentando aliviar a cólica que persistia e crescia. Não podia gastar todo o seu chakra com algum assim. Malditas fossem suas cólicas tão fortes que a faziam estremecer de dor.

Remexeu-se na cama, virando para o meio, não tinha como ver Sasuke, apenas uma montanha coberta, aproximou o rosto da parte fofa e soltou um gemido sofrido. Ele havia escutado e aquilo o alertou do perigo que estava prestes a correr. Ignorou o som, quem sabe assim, Sakura, se apiedaria de sua alma.

Pobre coitado, mal sabe que na atual conjuntura ela não se apiedaria nem mesmo de uma criança doente.

— Sasuke... — Não tinha como continuar a ignora-la, virou-se apenas para ver o rosto angelical vincado de dor. — Eu preciso de uma compressa de agua quente. — Não foi o mais absurdo dos pedidos de Sakura.

Suspirou, jogou as cobertas para o lado e desceu as escadas, torcendo para que aquilo fosse a única coisa que Sakura iria pedir aquele dia. Pois se começasse as excentricidades ele não ia aguentar.

Uma vez Naruto tinha dito para ele fugir sempre que sentia o seu radar apitar para as crises menstruais e era o que ele fazia. Missões, serões, salvar Naruto do pai de Hinata, ajudar Naruto a invadir o clã Hyuuga, resgatar Naruto, evitar que Kakashi virasse um alcoólatra como Tsunade. Teve uma vez que ele disse que sua missão para o dia seria cuidar de idosos e que ele tinha apreciado tal coisa, Sakura ficara tão emocionada que um domingo ao mês eles visitam o asilo de Konoha.

Não importa o que tinha que fazer, tudo servia contanto que não ficasse no mesmo espaço que ela e suas crises emocionais, até hoje seu ombro não se recuperou do acesso de raiva de que ela teve e depois de tentar asfixia-lo por se sentir culpada.

Despejou a água quente na bolsa térmica de compressa, cruzou os dedos para que sua esposa estivesse apenas com dor, sem surtos, sem ataques. Ao abrir a porta se espantou com o fato dela estar chorando com as mãos na barriga, logo apiedou-se. A dor deveria ser tão intensa que ela não estava aguentando.

Sentiu-se o pior dos maridos se aproximando da cama e colando a compressa sobre o ventre dela, passando as mãos pelos fios claros.

— Sasuke...

— Shh... Vai ficar tudo bem, a dor vai passar.

— Eu sei. — Fungou, passando as costas das mãos no rosto molhado. — Mas é que eu fui no banheiro e eu vi que o meu absorvente acabou. — E o choro se tornou ainda mais agudo. Respirou fundo para não rir, não soca-la e não dar uma resposta cortada aquela bobeira toda. Não podia esquecer que Sakura não se encontrava em seu estado racional.

— E o que tem isso, meu bem?

— Como pode perguntar uma coisa dessas? Eu vou sangrar e vai escorrer... Eu serei nojenta, eu ficarei nojenta... Eu vou morrer...

— Fique calma, eu vou comprar para você.

— Vai mesmo? Jura? — E como mágica as lagrimas pararam, mas já sabia que isso ocorreria. As variações de humor eram intensas.

Em outros tempos teria dito que ela só estava tentando manipula-lo e se irritado com tal situação, mas já tinha passado por essa experiência, ainda possuía as marcas da resposta em sua coxa esquerda. Não era manipulação, era a natureza destruindo as mulheres. Maldita natureza!

— Sim, você fica quieta aqui e vou lá comprar. — Levantou-se, pegando as roupas que estavam sobre a poltrona mesmo.

— Certo, eu vou precisar do absorvente comum, protetor diário, OB, lenço umedecido íntimo, duas balas de chocolate e um saco de bala de goma. — Parou de abotoar a calça fitando-a. Poderia pedir para que ela repetisse, mas não parecia uma boa ideia, concordou com a cabeça e saiu do quarto.

Ao menos ficaria longe por um tempo, sem dramas. Sem Sakura chorando porque tinha uma poeira no quarto e querendo soca-lo porque um fio de cabelo seu caiu em frente aos seus olhos.

Sua entrada na farmácia gerou uma pequena comoção. Algumas senhoras que já estavam no estabelecimento pararam para olha-lo e fazer comentários entre si, além das funcionárias. Três vieram lhe perguntar se ele queria ajuda, descartou todas.

Não sabia direito o que estava fazendo, mas não iria pedir ajuda, não mesmo. Pegou um cesto na entrada e caminhou para parte de higiene feminina. Sakura queria lenços umedecidos, mas tinham tantas opções, para maquiagem, para hidratação, para uso diário, para higiene intima. Era algo íntimo, mas ela também tinha dito algo sobre uso diário. Levaria os dois, mas qual fragrância?

Camomila, erva doce... Por que lenços umedecidos tinha cheiro de chá? Cheiros da natureza? Escolheu os com o pacote azul, ele gostava de azul, partiu para a setor dois.

Assim que parou em frente ao corredor de absorventes, uma pequena comoção surgiu, pode ouvir os suspiros e as breves risadas. Ignorou, aquilo já era humilhante demais sem precisar de um público. A sua frente prateleiras com diversas opções surgiam, tamanhos, marcas, abas... Aerodinâmica, noturno, diurno, maior absorção, maior conforto, suave e despercebido.

Sua cabeça estava quase entrando em parafuso, pegou uma caixa preta para uso noturno, afinal em algum momento ela ia dormir, pegou um rosa para fluxo intenso, se o nível de variação de humor fosse a proporcional ao sangramento, então Sakura precisava de um para fluxo superintenso, mas ele não achou esse. Pegou um kit para missões também, o pacote branco que prometia proteção em roupas brancas.

E um que prometia aguentar até 5 litros sem vazamento e tinha cheiro de cereja, faria uma experiência com aquele.

Sua próxima empreitada era entre os O.B, ao menos nessa categoria não tinha muita variedade a não ser as marcas. Apenas um se destacava, tinha um formato de coração, pegou a caixa e o fitou por um tempo, parecia mais confortável que as tiras compridas. Resolveu leva-lo, mais uma caixa que prometia seis horas, com variação de tamanhos e um aplicador de O.B, vai que ela também estava sem. Prevenido sempre.

Próximo ao caixa pegou as barras de chocolate e o saco de goma. Com todo o seu ar inabalável manteve-se na fila, sem nem ao menos olhar para o lado. Que falassem. Sim, Uchiha Sasuke estava comprando absorventes. Não havia vergonha nisso, sua esposa estava na cama. Era na alegria e na tristeza.

— Sua esposa é mesmo uma mulher de sorte. — Concordou com a cabeça e pegou as sacolas das mãos dela. — Volte sempre.

Ele não queria nunca mais pôr os pés naquela farmácia, passaria a quilômetros se fosse possível. Sem pressa alguma fez o caminho para casa, torcendo para que com o alivio da dor, o humor dela tivesse melhorado também.

Ao chegar colocou as duas sacolas sobre a cama, Sakura estranhou a quantidade de coisa, anda mais quando abriu a bolsa e viu o tanto de absorventes que havia ali dentro. Pegou o pacote rosa e fitou a caixa “fluxo intenso”. Fitou-o enquanto retirava a camisa.

— Então é isso... É isso que você pensa de mim? — Alarmado, voltou sua atenção para os olhos raivosos. — Que eu sangro tanto que preciso de um absorvente com fluxo intenso. É tão forte que você sente a maresia de sangue que sai de mim, posso estar tendo uma hemorragia agora. Um dia a Sakura vai morrer de... Menstruação! — E lá vinham as lágrimas, rapidamente, puxou a sacola e retirou de dentro o pacote para roupas brancas, por sorte ele era fluxo suave.

— Eu não sabia qual comprar, então tem das duas opções, não acho nada disso. Você é incrível. — Um pequeno sorriso surgiu nos lábios rosados, ao pegar o pacote da mão dele.

— Eu amo tanto você. — Passou os braços finos em volta do pescoço de Sasuke, dando-lhe diversos selinhos. Afastou-se contente, tinha conseguido driblar a situação com maestria, estava ficando bom nisso. Talvez nem precisasse mais fugir, apenas usar o seu charme natural — Grr...

Ambas as caixas que estavam nas mãos dela foram jogadas nas costas dele.

— Sem aba! O que passou pela sua cabeça ao comprar sem aba? Sabe muito bem que eu só uso com aba. — Era claro que ele sabia, obvio, ele abria os pacotes para fiscalizar, ele olhava as calcinhas dela para ver. Na verdade quando ela aparecia toda sexy na frente dele o seu primeiro pensamento era “Hum, com aba”. — Você esqueceu o para uso diário.

— Já volto... — Pegou a camisa e desceu as escadas, aquele dia seria um inferno.

Colocou os pés no piso de madeira da sala e o telefone tocou.

— Sasuke, perigo... Hinata, dias vermelhos... Não conseguia escapar, homem em ameaça, homem em ameaça! — Suspirou.

— Eu também, Naruto. Não vai ter como te ajudar hoje.

— Elas combinaram o ciclo? Enfim vou ter que ir comprar absorventes então...

— Eu também, me espera na esquina para o Centro. Já vi alguns hoje mais cedo, posso te dar algumas dicas.

— Certo, certo... Sabe de sabonete intimo também? Hinata pediu. Podemos parar para comer um lamen, elas podem esperar.

Notas finais
Eu gosto muito desse capítulo, muito mesmo. SAUSHAUSHAUSHAU Espero que vocês também. Combo porque ontem eu não fiz postagem, desculpa pessoa, peguei cedo no serviço, me ferrou toda. Até mais tarde;* Agradeço a quem comenta, acompanha e favorita a história.