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1 Dos dias sem você
Notas iniciais
essa história estava perdida no meu word há séculos, ai eu decidi postar porque também faz séculos que não apareço aqui
se alguém aqui acompanha Dive, minha outra fanfic, logo, logo tem capítulo novo, juro ♥
espero que vocês gostem, é um angst bem levinho porque né, a vida tem dessas
boa leitura!
Era fim de tarde quando Annabeth finalmente sentou-se sobre o chão gramado, as pernas cruzadas como as de uma criança.
Ao longe, o sol ia se pondo, levando o pouco calor que ainda envolvia a garota, deixando para trás a promessa de mais uma noite fria. Essa principalmente.
Ela costumava gostar das noites frias, embora tudo que fizesse agora fosse esperar.
E enquanto esperava, se deu o luxo de pensar em voz alta. Tinha esse direito, não tinha?
Expor toda aquela confusão.
— Lembra do meu aniversário de 20 anos? – perguntou, mas sem realmente esperar uma resposta, os lábios curvados em um sorriso leve. – Parecia uma noite como essa. Esfriou tanto, mas lá estávamos nós, na varanda de casa, vendo as estrelas.
Uma brisa fria agitou suas roupas e ela se deixou levar pelas lembranças, como se os ventos levassem, mas também trouxessem.
— Você disse que me amava na mesma intensidade que eu amava o mundo, que eu amava as estrelas. Nós dois sabemos que isso era muito. – continuou, rindo fraco, mesmo que já não existisse tantos motivos para rir.
Annabeth passou a mão pelos cabelos claros, sentindo-se subitamente nervosa. A conhecida ansiedade, o peito apertado, os olhos ardendo e o coração quebrado em pequenos caquinhos. Pequenos demais para serem consertados.
— Eu estou seguindo em frente, sabe? – começou de novo, a garganta fechando pelo choro que ela não se permitia chorar. – Eu acordo todos os dias, eu faço meus desenhos, eu vivo um dia de cada vez. Eu sinto sua falta.
A primeira lágrima desceu sem permissão e as outras vieram em seguida, molhando as bochechas pálidas. Mas ela não se abateu. Com a palma de uma das mãos, secou lágrima por lágrima e respirou fundo. Cada dia era mais fácil.
Fez isso tantas vezes no último ano que sentia já estar pegando a prática, mesmo que fosse doloroso admitir.
— É tão injusto... Você tinha tanto pra viver, tanto pra descobrir. Eu queria estar ao seu lado em cada um desses momentos. Você não merecia nada disso.
O céu agora começava a ficar azulado, e uma ou outra estrela parecia brilhar a quilômetros de distância.
— Eu amei muitas coisas ao longo dos anos, Percy. Mas eu não sinto que alguma delas tenha chegado perto do quanto eu te amo. Do quanto eu sinto sua falta; sua voz, sua risada, seu jeito infantil e todo o carinho que você sempre parecia disposto a me dar. Sinto falta de cada detalhe seu. E cada dia desse último ano sem você acabou comigo de um jeito que eu nunca vou conseguir superar.
Annabeth seguia em frente, mas não queria. Só o fazia porque sabia que Percy iria querer isso: que continuasse, que tivesse a vida que sonharam juntos. Mas era tão difícil.
As coisas iam tão bem.
Na época, ela tinha acabado de completar 24 anos. O apartamento pequenininho, mas muito aconchegante, perto do centro de Nova York, estava repleto de caixas fechadas.
As coisas do namorado.
Fnalmente iriam morar juntos.
Mas então veio o acidente.
A batida não levou só a vida de Percy Jackson. Levou também uma parte de Annabeth. Uma parte grande.
Levou seus sorrisos, seus sonhos, levou sua alma.
Ela nunca foi muito religiosa. Não saberia dizer se existia um Céu e um Inferno, se existia uma vida após a morte ou se tudo era apenas um grande vazio. Se havia algum fio vermelho que ligava duas almas e as guiava até que pudessem ficar juntas. Se tudo acabava.
Então esperava.
Vivia cada dia como devia. Sorria para fingir, esperando que em algum momento seus sorrisos voltassem a ser verdadeiros. Trabalhava. Tentava sonhar. Sentia saudades. Era como um poço e ela sentia que havia chegado ao fundo, então pouco a pouco tentava subir.
Mas cada dia que passava era um a menos, e era nisso em que ela se apegava.
Torcia para existir algo além da morte. Que não fosse vazio.
As lágrimas voltaram sem que a garota percebesse, então dessa vez ela se deu por vencida. Só mais uma vez, afinal, ela ainda precisava superar. Fazia um ano agora, e seu luto não podia ser eterno. Não mudaria nada.
Iria dormir sozinha. A noite era fria, e os braços de Percy não estariam em volta de sua cintura.
Ela realmente costumava gostar das noites frias.
— Então, Percy... – tornou a falar depois de um tempo perdida nos próprios pensamentos, a voz falhando enquanto olhava para a lápide a sua frente. – Se existir alguma coisa, e por favor que exista, deixe-me encontrar você.
E Annabeth realmente dormiu sozinha. Por longas e incontáveis noites.
Notas finais
a vida é cheia de caminhos que nos separam de quem a gente ama, e a morte talvez seja o mais inflexível e difícil de alcançar; seria bom poder encontrar essas pessoas de novo, pelo menos mais uma vez. no fim, acho que a vida é uma eterna corrida até a morte, e quem sabe o que tem lá?
se alguma boa alma quiser, comenta o que achou, eu vou adorar saberrrr; mas se você também for uma boa alma e não quiser comentar, tamos ai, amo vocês tudo
eh isto ♥ bejos
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