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4 Capítulo 4 - A corrida.
Notas iniciais
PDV MARINA.
(n/a: antes do Josh entrar no carro.)
Isso no pode estar acontecendo, o Josh está louco?
Como ele quer correr, bêbado e drogado?
Depois de tudo que aconteceu. Não acredito que ele usou aquela merda de novo.
FlashBack on/
–Nina corre eles estão chegando, o Ned esta ganhando. – ouvi o Dom gritar.
–Cheguei calma.
Estávamos encostados no carro, na travessa da av. Westminster Bridge esperando o ultimo racha da noite terminar, já eram 5:25h am. Os corredores eram Ned Clewarte e Sheeg Natsuguo. Eu adorava essas emoções da noite. Era uma coisa inenarrável. Algo que só quem vive sabe. A emoção de estar ao ar livre, sem nada nem ninguém te prendendo, dentro do seu carro, há mais de 200 km/h, adrenalina em suas veias. Puta que pariu muito bom.
Estava observando a av. por onde vinham um Porshe e um Camaro, lado a lado, eu olhava fixamente o rosto do Ned.
Em fração de segundos aconteceu. Uma das maiores tragédias da minha vida.
Roda virando, carro girando, guarde-rei sendo acertado, carro capotando, pedaços de lataria, sangue, sangue, mais sangue. Esses eram os elementos daquela cena.
Quando a ficha caiu, todos nós saímos correndo.
–Meu Deus... Oh... – todo mundo gritava.
–Ned, não, não. — Comecei a gritar. Não poderia ser, meu amigo não.
–Calma Nina, calma. – Dom me abraçou.
–Eu tenho que ir lá, eu tenho que ver ele, eu tenho.
–Não. Fica aqui. O Josh já esta lá.
Tentei olhar para o carro mais só o que eu via era lataria quebrada. Consegui me desvencilhar dos braços de Dom, e corri de encontro ao carro. Mas foi uma cena que eu preferia nunca ter visto.
O braço esquerdo do Ned estava no meio da rua, o Direito estava pendurado no corpo, o rosto dele suplicava por ajuda, as pernas presas, ele não tinha nem mais forças para gritar. Estava em choque, seu corpo tremia o rosto cada vez mais pálido.
Ouvimos sirenes, não poderíamos mais ficar ali, se não todos seriamos presos.
As pessoas corriam pela rua e cada um entrava em seu carro e dirigiam desesperadamente.
Josh correu ao meu encontro.
–Nina vem, não podemos mais ficar aqui.
–Eu não vou abandoná-lo Josh.
–A ambulância cuida dele, agora vem Nina. Por favor.
–Não.
Senti o chão sumir, e quando percebi Josh já corria desesperado comigo no colo e entrava em seu carro.
–Não Josh, nós temos que voltar.
–Não há mais nada para fazer Nina.
–Claro que há. Não... Ai meu Deus, o Ned, não pode ser, não.
Eu chorava compulsivamente.
Fui retirada de meus pensamentos quando Dom chegou gritando.
–Nina, Nina, eu descobri.
–Descobriu o que?
–O Josh usou dois comprimidos de êxtase e tomou uma dose de whisky.
–Mas isso não ia deixar ele daquele jeito.
–Claro que não, quem deu o whisky pra ele foi a Sherry.
–Aquela vagabunda. Ela deve ter dopado ele para leva-lo pra cama, ela jurou que iria fazer isso da ultima vez que ele rejeitou ela. Eu vou catar ela se algo acontecer com o Josh. Aliás, cadê ele?
Corri de encontro a multidão e sai puxando ele para consegui me despedir.
Momentos depois ele correu para o carro.
Recuperei-me das lagrimas, e ainda com o corpo tremendo corri para linha de partida, cheguei a tempo de ver os dois carros se aproximarem da faixa.
(n/a: Musica do cap. Goodbyes – 3 Doors Down se quiser pode colocar fica muito legal)
Meu olhar se encontrou com o de Josh, e mesmo sabendo que ele não escutaria, senti uma enorme vontade de gritar.
–Volta pra mim.
Uma garota soltou o lenço, senti um aperto no meu peito, e algo em meu coração me dizia que era o fim, algo de ruim aconteceria e o grande amor da minha vida iria embora. Sem eu ter ao menos a chance de lhe contar.
Dom me abraçou e todas as minhas forças se foram, não resisti e deixei as lagrimas que inundavam meus olhos rolarem sobre minha face.
PDV Josh
Minha vista estava embaçada, minhas mãos estavam tremulas, mas meu orgulho dizia não a minha vontade de desistir, parado ali, na frente daquela faixa meu peito se apertou, ao olhar no retrovisor avistei Nina e Dom se aproximarem, seu olhar marejado, rosto vermelho típico de quem acabará de chorar, fechei e abri os olhos.
–Adeus. — gritei mesmo sabendo que eles não escutariam.
Apertei mais o volante em uma tentativa inútil de fazer minhas mãos se acalmarem.
O lenço caiu no chão e em segundos o ponteiro de velocidade do meu carro já marcava 150km/h. me concentrei inteiramente na estrada esvaziando minha mente. Minha vista embaçava e logo voltava ao normal.
KW assumia a frente, meu ímpeto de ganhar falou mais alto que todos os meus sentidos, e acelerei ainda mais, tomado por ódio, raiva, medo, drogas e álcool não notei a emboscada.
KW parou bruscamente e só depois disso é que eu notei o grande monte de aço que estava em minha frente, mas agora já era tarde, e como se eu estivesse em um filme, fui me aproximando muito devagar, minha impotência tornou aquela cena quase insuportável de assistir, mas como uma graça dos céus cai em inconsciência pouco tempo depois.
Abri lentamente meus olhos e avistei minha mãe, ela estava linda, em um vestido branco, seu cabelo loiro ondulando e moldando suas costas, ela se aproximou lentamente de mim e estendeu a mão, só assim notei que eu estava deitado, estendi minha mão para ela de volta, ela sorria. Nunca a tinha visto tão feliz.
–Oi mamãe.
–Olá querido.
–Onde estamos?
–Em um lugar especial.
–Eu morri?
–Todas as suas perguntas serão respondidas, mas agora, me de sua mão, e iremos caminhar.
–Mamãe me desculpe.
–Por que pedes desculpa querido?
–Por... por ter provocado o acidente mamãe.
–Você não é culpado de nada querido, minha hora apenas havia chegado nada com que se preocupar.
–Mas... mas eu me puni a vida toda achando que eu era o culpado, o culpado por você ter morrido, por eu não te ter mais em casa, por não acordar mais com seu beijo, pelo papai me tratar tão mal, por agora ele querer apenas trabalhar e nada mais, por eu não ser amado por ninguém.
–Como pode dizer isso querido? Seu pai te ama, o Dom a Nina, e logo você conhecerá alguém que mudará sua vida em 360°.
–Então quer dizer que você não me odeia? Por eu ter causado o acidente?
–Eu já lhe disse querido, não foi sua culpa, apenas alguém muito especial precisava de mim aqui, mais do que você precisava de mim lá.
–Como você pode dizer isso? Eu preciso de você, precisei minha vida toda, eu preciso de você da hora que eu acordo até a hora que eu vou dormir, eu preciso de você o tempo todo a todo momento.
–Não precisa não, olha que rapaz lindo você se tornou, concordo que um pouco irresponsável, mas mesmo assim, falando nisso, prometa para mim que o senhor nunca mais irá tocar em bebida nem nunca mais usar qualquer tipo de droga.
–Mas mãe, esse é o único jeito que eu encontro para sair daquele mundo.
–Prometa Josh, por mim.
–Eu.. Eu prometo mãe.
–Ok, eu te amo rapaz. Agora olhe.
Notei que havia caminhado, muito, eu estava em um lugar, um lugar que eu conhecia, um lugar onde eu já havia estado, há muitos anos atrás. Era lindo.
–Você se lembra?
–Não, mas sinto que já estive aqui.
–Nós já estivemos. Eu, você e seu pai. Você tinha 4 anos.
– Sinto como se esse lugar fosse muito especial para mim.
–E foi, mas em breve será muito mais.
Meu corpo estava ficando pesado, o excesso de peso estava ficando desconfortável.
–Mãe, algo esta acontecendo, meu corpo esta pesado.
Ela se aproximou e me abraçou do jeito que ela me abraçava quando eu era pequeno, o melhor abraço do mundo, o abraço de mãe.
–É hora de você ir meu querido.
–Mas eu não quero ir, eu quero ficar aqui, com você. Sinto como se aqui fosse meu lugar minha casa.
–E será querido, mas não agora, não hoje. Agora vá, estarei te esperando, e lembre-se do que você me prometeu.
–Eu te amo.
–Eu também te amo Josh.
Comecei a caminhar.
–E Josh?
–Sim.
–Dê uma chance ao seu pai ele te ama muito. E filho, abra seu coração para o amor.
Acenei com a cabeça e parti, eu não sabia para onde estava indo, mas sentia como se meu corpo fosse um imã, e eu estivesse sendo atraído para algo.
Fechei meus olhos e deixei meus pés me guiarem.
Continua...
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