Estávamos no carro, Bruno dirigindo.Ju e Gil não se deram muito bem, não... Tudo o que um dizia, o outro retrucava. Pareciam duas crianças.
ᅟᅟᅟChegamos e todos já estavam lá. Sentados na área dos pufes e sofás, estavam nessa ordem: Fera em um pufe, Lia e Dinho juntos em um sofá menor, e Mel sentada em um banquinho, sempre com os olhares para todos os lados, como se estivesse cuidando da casa.
ᅟᅟᅟApresentamos Gil para todos eles. Ele sentou-se em um pufe ao lado de Fera. Vê-lo conversar com ele dava-me ânsias de vômito.
ᅟᅟᅟSentei-me com Ju em outro sofá, e Bruno sentou no último pufe.
ᅟᅟᅟFera estava com uma garrafa de cerveja em uma mão. Novatas, afastem-se, ele está bebendo e pode agarrar qualquer uma de vocês. Assim que ele terminou de beber,Lia deu um pulo e pegou a garrafa da mão dele.
ᅟᅟᅟ— Vamos brincar de verdade ou desafio? — Seus olhos brilhavam.
ᅟᅟᅟTodos aceitaram, menos Gil e Dinho, que ficariam apenas observando.
ᅟᅟᅟ— Por que não querem brincar? — Perguntou Ju revirando os olhos.
ᅟᅟᅟ— Porque não.
ᅟᅟᅟ— Que gays — Respondeu rindo alto. Eles rolaram os olhos ao mesmo tempo. Ela e Gil trocaram olhares fuziladores, no meu ponto de vista os dois poderia se atacar a qualquer instante.
ᅟᅟᅟ— Quem gira a garrafa? — Perguntou Lia.
ᅟᅟᅟFera pegou-a e girou. Mel pergunta, Ju responde.
ᅟᅟᅟ— Verdade ou desafio? — Disse a morena.
ᅟᅟᅟ— Desafio — Decretou triunfante.
ᅟᅟᅟ— Você vai beijar Gil.
ᅟᅟᅟTodos sabiam a resposta de Ju:
ᅟᅟᅟ— Não!

Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction e em seu antecessor, o Nyah, durante 1 ano!

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

— Eu nem estou jogando... — Disse Gil.
— Mas está vendo, então vai ter que fazer.
— Isso não vai acontecer, nem vem! — Jufoi dura.
— São as regras do jogo. Ju!
— Eu não vou beijá-la.
— Por que não me beijaria? — Ela perguntou um pouco ofendida.
— Não gosto de coisas sem graça — Disse desafiando-a.
Ju aproximou-se dele, e no momento em que todos acharam que ela iria bater em Gil, ela parou na frente de onde ele estava sentado.
— Então eu sou sem graça? — Arqueou uma sobrancelha.
Ela sentou-se no seu colo, de frente para ele, com os joelhos em sua cintura. Todos nós, inclusive ele, observávamos ela com uma expressão confusa. Puxou ele pela gola da camisa e começou a beijá-lo. E, incrivelmente, ele reagiu ao beijo, beijando-a também.
Nossas expressões, além de confusas, estavam assustadas, ainda mais quando as mãos dele foram parar nas costas dela, envolvendo-a. Ju parou o beijo.
— Ainda sou sem graça, Gil? — Disse saindo. Gil nem se atrevera a responder, apenas ergueu um sobrancelha e ficou pensativo.
— O que aconteceu aqui? — Disse ele levando-se e saindo também.
Olhamo-nos e começamos a rir. Mas o jogo não parou, e Mel girou a garrafa. Fera pergunta; eu respondo. Droga.
— Verdade ou desafio? — Perguntou.

— Verdade.
— É verdade que Bruno beija bem? — Perguntou gargalhando.
Que? Como ele soubera?
— Por que quer saber? Está interessado? — Perguntei tentando mudar de assunto e sorrindo cinicamente. Lia e Dinho riram da minha pergunta.
— Então você tem a resposta da minha pergunta? — Insistiu.
— Ah, Fera, como eu vou saber? Pergunte para a maioria das meninas dessa festa, aposto que elas sabem, mas eu, não! — Disse levantando-me e saindo furiosa.
Eu sei que provavelmente o que eu disse teria magoado Mel e iria magoar Ju quando ela soubesse, mas naquele momento eu só conseguia pensar em outra coisa: Bruno contara para Fera o ocorrido. Como eu fui... Burra! Deixei-me levar pelo jeito sedutor dele, e olha aí no que deu... Brincar com o sentimento dos outros, isso não se faz.