Secret

Capítulo 10


Capítulo 10

– Corre, Mãe! – gritou o castor, entrando correndo na casinha do dique, juntamente com os outros.

– Oh, está bem! – ela exclamou, indo em direção aos armários.

– O que ela está fazendo? – perguntou Pedro.

– Vão me agradecer mais tarde. – ela disse, enquanto pegava alguns mantimentos. – É uma longa viajem e o Castor fica de mau-humor quando tem fome.

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– Eu já estou! – exclamou ele.

– Vamos precisar de geleia? – perguntou Susana, enquanto ela, Lena e Emma ajudavam a Sra. Castor a ajeitar as coisas.

– Só se a Feiticeira servir torradas. – zombou Pedro.

Ouviram uivos e latidos cercando a casinha e os lobos começaram a destruir a casa.

– Rápido, por aqui! – disse o castor, puxando Hailee em direção a uma porta lateral.

Ele abriu a porta e jogou uma corda ali na escuridão. Pedro chegou com tochas e puderam ver um buraco ali. Ao ouvirem os uivos mais próximos, pularam ali dentro, com a ajuda da corda que o castor lançara ali.

– O texugo e eu cavamos. – dizia o castor, enquanto corriam pelo túnel para salvarem suas vidas. – Sai perto da toca dele.

– Você disse que saía na casa da sua mãe. – disse a Sra. Castor.

Lúcia tropeçou sobre uma raiz protuberante e caiu, mas Susana logo a ajudou. Lena ouviu um uivo distante. Parecia ser um eco.

– Estão no túnel. – sussurrou Lúcia.

– Rápido, por aqui! – gritou o castor.

– Rápido! – ecoou a Sra. Castor.

– Corram! – gritou Pedro, enquanto todos corriam ofegantes.

Pararam em um local sem saída.

– Devia ter trazido um mapa! – guinchou a Sra. Castor.

– Era o mapa ou a geleia! – gritou o castor, virando-se para a parede e escalando por um buraco ali no alto, sendo seguido pela Sra. Castor.

– Hailee, vai! – disse Pedro, empurrando-a em direção ao buraco e ajudando as outras meninas a escalarem.

– Venha, Lúcia! – disse Susana, ajudando-a a sair para que Pedro e os castores colocassem um barril grande e pesado para tapar o buraco.

Viraram-se e viram vários animais de pequeno porte transformados em pedra. O Sr. Castor aproximou-se de um em especial, que estava com as patas dianteiras levantadas para se proteger. A Sra. Castor foi atrás para ampara-lo.

O animal petrificado era o texugo, amigo do castor.

– Eu sinto muito, querido. – disse a Sra. Castor.

– Meu melhor amigo...

Todos observavam o massacre em forma de pedra. Não gostaram muito da cena e Lena sentiu o coração se apertar ainda mais quando imaginou que aquele podia ser o destino de Edmundo.

Sentiu os olhos arderem, mas prometeu que não iria chorar ali na frente de todos.

– É o que acontece com quem brinca com a Feiticeira. – disse uma raposa, que aparecia no alto de uma das tocas.

Pedro puxou Hailee para trás de si, mas ela passou à frente ao se lembrar de que ele era o protegido dela. Emma e Lena postaram-se em frente das outras meninas.

– Dê mais um passo, traidor, e eu faço você em pedaços! – disse o castor, ameaçando avançar, mas a Sra. Castor rapidamente o impediu.

– Relaxa! – riu a raposa, descendo de cima da toca e se aproximando com passos graciosos e predatórios, próprio de sua espécie. – Eu sou um dos mocinhos.

– É?! – perguntou o castor ironicamente. – Pois se parece mais com um dos vilões.

– Uma infeliz semelhança familiar. – respondeu a raposa, desdenhosa. – Nós falamos de raças depois. Agora temos que ir.

Ouviram os latidos de lobos vindos de dentro do túnel. Pedro então passou à frente de Hailee e se aproximou da raposa.

– O que você sugere?

A raposa sorriu, vitoriosa.

– Subam naquela árvore! – disse, apontando com o focinho para uma grande oliveira que havia ali.

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– Está louco?! – zombou Susana.

– Não, ela tem razão! – disse Lena, já puxando Lúcia e Emma em direção à árvore. – O cheiro!

– Você que se diz tão racional, Susana, como pode não ter percebido! – disse Pedro, puxando Hailee e os castores nos braços.

– Cheiro? – perguntou Susana, indo atrás deles.

A raposa já se preparava para enfrentar os lobos que estavam cada vez mais próximos na saída do túnel.

– Eu sei lá! – disse Pedro.

– Lena, pode nos explicar?! – perguntou Emma.

– Lobos só sentem o cheiro no chão. – respondeu, ainda tentando subir no pinheiro. – Jamais iriam imaginar-nos no alto. Vão sentir nosso cheiro indo para o norte, mas só.

– Nerd! – ralhou Hailee.

Lena revirou os olhos, enquanto voltava ao chão sem sucesso.

– Não consigo subir! – gemeu Lúcia, arranhando as mãos, mas se m conseguir sair do chão.

– Usem as asas! – disse a raposa, sem se virar.

Lena, Emma e Hailee liberaram as asas em um alívio mútuo. Enquanto as asas de Lena eram de um branco luminoso, de dois metros cada uma; as de Hailee eram três metros cada, com penas de um prateado fosco; e as asas de Emma eram intercaladas de bege claro e branco fosco, um pouco mais de dois metros.

Cada uma segurou seu protegido e subiram até o galho mais alto, sendo tapados da visão dos lobos que saiam pelo túnel pelas folhas dos galhos mais baixos. Não seria muito bom se vissem o brilho das asas de Lena.

Por que mesmo as minhas têm que ser brilhosas?!, perguntou-se ironicamente. Ah é, me esqueci que sou sempre a mais chamativa.

Tentaram não movimentar muito as asas, apenas o suficiente para mantê-los estáveis ali em cima.

Os lobos cercaram a raposa.

– Saudações, primos. – disse a raposa formalmente, mas abaixando o rabo. – Perderam alguma coisa?

– Não tente me enganar! – ralhou o lobo que parecia ser o chefe. – Eu sei de quem você é aliado. Procuramos os humanos.

– Humanos? – brincou a raposa. – Aqui em Nárnia? Tá aí uma informação valiosa, não acha?

Um lobo avançou para cima da raposa, enfiando os caninos no pescoço dela. Lúcia arfou, pronta para descer e socorrê-la, mas Lena a segurou e tapou sua boca, sussurrando.

– Não seria bom se nos descobrissem.

Quando Lúcia assentiu, concordando, Lena destapou sua boca, mas ainda segurava firma pela cintura, receosa que a mais nova escorregasse. Olhou para o lado e viu que o castor também fazia o mesmo com a esposa, Pedro com Hailee.

– Sua recompensa é viver. – disse o lobo comandante, aproximando-se da raposa, enquanto esta arfava. – Não é muito... – riu. – Mesmo assim... Onde estão os fugitivos?

A raposa suspirou e Pedro ficou receoso de ela denunciá-los.

– Norte. – suspirou a raposa por fim. – Fugiram para o Norte. – e abaixou a cabeça.

– Farejem. – disse o comandante enquanto o outro lobo soltava a raposa e todos corriam para o norte.

Quando pareciam longe o bastante para que não fossem visto lá do alto, Lena desceu junto com Lúcia, que rapidamente correu até a raposa e a ajudou a se manter de pé.

– Você está bem? – perguntou.

– Sim, obrigado. – respondeu, um pouco ofegante.

Logo os outros desceram.

– E agora? – perguntou Susana.

– Precisamos descansar um pouco. – disse Pedro.

– E comer... – disse Emma, sentindo seu estômago nas costas.

– Não cansa de comer, não?! – ralhou Lena.

– Quando não é meninos, é comida! – disse Hailee.

– Hahaha! – Emma deu um riso debochado, fazendo todos ali rirem.

– Precisamos nos aquecer, mas como? – perguntou Susana, esfregando os braços para espantar o frio.

Minutos depois, Pedro já tinha acendido uma fogueira para que aquecessem e estavam todos ao redor dela, comendo algumas coisas tragas pela Sra. Castor.

– Estavam ajudando Tumnus. – dizia a raposa, tentando fazer um curativo na pata. – A Feiticeira chegou aqui antes de mim.

A raposa grunhiu quando a Sra. Castor encostou em um machucado do pescoço.

– Você está bem? – perguntou Lúcia.

– Adoraria dizer que cães que ladram não mordem.

– Pare de se mexer! – disse a Sra. Castor. – Está pior que Castor em dia de banho.

– O pior dia do ano. – ironizou o Sr. Castor.

– Obrigado pela gentileza – disse a raposa, levantando-se. – É uma pena, mas não disponho mais de tempo.

– Vai partir? – perguntaram Lúcia e Lena, ao mesmo tempo.

– Foi um grande prazer, minha rainha e linda anja – disse, curvando-se para as duas –, mas o tempo é curto e Aslam em pessoa me mandou para reunir umas tropas.

– Você viu Aslam? – perguntou o castor.

– Como ele é? – perguntou a Sra. Castro.

– Ora, como sempre ouvimos dizer. – respondeu a raposa. – Será um prazer ter vocês na batalha contra a Feiticeira.

– Mas não pretendemos lutar contra a Feiticeira. – disse Susana.

– Mas com certeza o Rei Pedro... – disse a raposa, virando-se para olhar a expressão triste no rosto do loiro. – a profecia!

– Não iremos à guerra sem você. – disse o castor.

– Só queremos nosso irmão de volta. – disse Pedro tristemente.