325 Semanas
1 325 Semanas
Aquela era mais uma manhã, mais um dia como outro que chegou e eu não pude acreditar, olhei para a janela de casa e lembrei o quanto você adorava olhar por aquela janela e ver o céu e dizendo com aquele jeito sem graça e encantado ao mesmo tempo.
— Acho que os prédios um dia vão tocar o céu.
Era uma coisa idiota, nós sabíamos que isso era impossível, mas você fazia as coisas mais idiotas ser extraordinário.
Eu não sei quanto tempo se passou desde quando você se foi, talvez eu tenha parado de contar, mas acho que se passaram 325 semanas desde a ultima vez que vi você.
Era uma manhã como essa, naquele dia, eu sempre acordei com o jeito pessimista, eu não queria levantar da cama para ir trabalhar, queria ficar mais tempo em casa, fazendo as coisas mais boba ao seu lado.
Você era totalmente diferente de mim, sempre animado e sempre acreditando que tudo é possível.
O seu sorriso era a melhor coisa que acontecia ao meu dia, acordar ao seu lado, ouvindo você falar no ouvido bom dia e dizendo para eu sorrir, era a melhor coisa que já tinha acontecido na minha vida.
Até hoje eu não sei o que você viu em mim, acho que você deveria ter conhecido alguém que realmente valesse a pena, que sonha grande com você, mas toda vez que você me perguntava qual era o meu sonho, eu sempre dizia, com aquela cara boba e as vezes até um pouco meio frio:
— O meu sonho já se realizou.
— Para você deve ter algum sonho, algum lugar que você queira ir, ganhar um prêmio Nobel, escrever um livro ou sei lá.
Algumas pessoas podem achar sem graça, mas o meu sonho era encontrar alguém que me aceitasse do jeito como eu sou e não quisesse mudar o meu jeito de ser.
Conheci muitas pessoas antes de conhecer ele, todas elas diziam que era sem graça e que nunca iria achar alguém que gostasse de mim.
Aquelas palavras sempre ficavam me rondando e cheguei ao ponto que não queria saber mais de ninguém, excluir os aplicativos, não frequentava muitas festas e baladas que os meus amigos me chamavam.
Alguns dos meus amigos, sempre bolavam um plano para tentar ver se eu conhecia alguém e me enturmasse mais, mas sempre fui assim, mais para o meu canto do quer estar no meio da multidão.
As vezes quem olhava para mim dançando com os meus amigos na balada, fica se questionando quando me via em outros ambientes, se eu era a mesma pessoa.
Quando eu estou na balada, gosto de sentir o ritmo da musica e onde eu acabo me soltando e ficando alegre demais, aquele rosto que eu sempre mostro de uma pessoa fria e sem sentimento, mostra alguém mais divertido e até descontraído.
Foi assim que eu te conheci, o DJ estava tocando todas as minhas músicas favoritas aquela noite, como se ele soubesse os meus gostos, eu estava na pista dançando, você passou perto de mim e esbarrou em mim e disse desculpa meio sem graça, os nossos olhares se encontram por alguns segundos, eu nunca fui de ficar encarrando ninguém, mas aquele segundo que parecia durar uma vida.
A minha amiga me puxou, interrompendo aquele momento, pela primeira vez eu queria conversar com alguém naquela balada.
— Vamos embora que o seu amigo está passando mal no banheiro de tanto beber.
Nem pude conversar com ele e nem dizer nada, encontrei o meu amigo sentado em um canto, meio pálido.
Ajudei ele a levantar e ele dizendo totalmente bêbado:
— Eu estou bem.
Saímos para fora da balada e chamei um Uber para o apartamento dele, chegamos lá, ajudei ele no máximo que podia, acabei dormindo no sofá da casa dele, quando o sol bateu na minha cara, levantei e deixei um bilhete avisando que tinha ido para o meu apartamento.
Estava distraindo conversando no celular, quando estava descendo as escadas, que nem vi direito o garoto que estava subindo, como se o destino parece querer pregar uma peça, eu sem querer esbarrei nele, derrubando o que ele estava tomando na minha camiseta.
— Desculpe me, eu não tive intensão, foi sem querer.
Olhei para ele e não pude acreditar.
— Você?
— Eu, o que eu fiz de errado.
— Hoje mais cedo na balada esbarrei em você e agora você esbarrou em mim.
— Tudo bem, sem problema, eu preciso ir embora.
— Você vai assim, todo molhado e sujo.
Olhei para minha camiseta molhada e suja por causa da bebida que ele estava bebendo.
— Porque você não entrar no meu apartamento, eu devo ter uma camiseta limpa que sirva para você.
Fiquei olhando para o seu corpo atlético e eu meio gordinho, duvido que você ache uma camiseta que sirva em mim do seu guarda roupa.
Nunca entraria em um apartamento de alguém que eu não conheço sozinho, poderia subir para o apartamento do meu amigo e ficar lá até a minha roupa secar ou procurar alguma camiseta minha que tenha ficado no apartamento dele.
— Não precisa ficar com medo, eu não sou nenhum serial killer.
— Se você falar desse jeito, vou começar achar que é.
— Porque não liga para o seu amigo e pergunta se eu sou.
— Ele deve estar dormindo ainda.
Sinceramente, acho que eu devo ser a pessoa mais distraída do mundo, faz três anos que sempre subo e desço as escadas e nunca reparei nele, será que eu sou tão distraído assim?
Talvez eu já tenha visto ele, até talvez tenha conversado cumprimentado ele.
Entrei no apartamento dele com um pouco de medo que poderia acontecer, vai que ele me mate e depois ache um jeito de se matar.
Fiquei na sala, olhando para aquele lugar todo arrumado e limpo, nas paredes alguns pôsteres de animes, um sofá bem grande em outro canto e uma televisão de 60 polegadas.
— Vou pegar a camiseta para você.
Ele foi no quarto dele e deixou me sozinho na sala, fui olhar algumas fotos que estavam em cima da mesa, era foto dele em vários lugares do mundo.
— Essa foto foi quando eu fui viajar no Japão, foi um dos melhores lugares que eu já fui.
Peguei a camiseta e fui no banheiro trocar me, a camiseta ficou um pouco justa.
Sai do banheiro e ele estava sentado na sala, tomando uma cerveja.
— Eu preciso ir, depois eu devo a camiseta limpa para você.
Alguns meses depois que eu conhecei a frente o seu apartamento, eu encontrei a camiseta, guarda em uma gaveta, do mesmo jeito que devolvi para você.
Não sei qual foi a primeira impressão que passei para você a primeira que nós vimos para você ter guardado a camiseta.
Alguns dias se passaram e eu não tive oportunidade de devolver a camiseta dele, eu andei tanto ocupado com o meu trabalho, quem nem ir na casa dos meus amigos tive oportunidade de ir.
Olhei para a bagunça que estava o meu apartamento e decidir arrumar, coloquei algumas roupas para lavar e coloquei a camiseta dele para lavar de novo.
Eu nunca fui bom de puxar assuntos com os outros, nem sei como iria chegar no apartamento dele e dizer obrigado pela camiseta, desculpa pela demora.
Pensei em entregar para o meu amigo devolver para ele, mas eu não sei porque eu queria ver ele novamente.
Coloquei a camiseta numa sacola, depois de seca e disse para mim mesmo que depois do trabalho iria levar a camiseta para ele.
— Um, dois, três chamando Alex de volta para o nosso mundo.
— Eu estou aqui Duda.
— Não parece.
— Alguma vezes você já pensou se para o sempre existe, como seria o seu para sempre?
— Não sei qual seria, acho que seria igual aqueles filmes românticos, eu terminaria com cara lindo, tipo daquele que você só vê em filmes ou novelas, um casamento perfeito na igreja mais chique que existe e teríamos lindos filhos.
Não sei porque, eu estava pensando nisso, justamente no meu trabalho, será que porque eu sou pessoa que pensa sempre o pior ou porque a única experiência de relacionamento que eu tive foi um completo fracasso.
Fiquei um tempo parado na frente do apartamento dele, parecia um idiota total ali, pensando se deveria ou não deveria falar com ele.
Peguei a sacola e deixei pendurada na porta do apartamento com um bilhete escrito obrigado.
Sai dali pensando como eu sou um idiota, eu queria tanto falar com ele e agora deixe essa oportunidade escapar.
Estava mal atravessando a rua, quando eu sentir alguém me puxar para atrás.
Olhei para vem que era pessoa louca que estava fazendo isso e quando me virei para trás era você.
— Você?
— Eu, mesmo.
— Eu vi que você deixou a camiseta lá e pensei que talvez você ainda tivesse por perto.
— Eu não queria incomodar você.
— Não seria nenhum incomodo. Será que posso convidar você para tomar café...
— Alex.
— Sou Rodrigo.
— Eu tenho algumas trabalho para fazer, quem sabe uma outra vez.
— Vamos, vai. Eu tenho muitas coisas para fazer também.
— Tudo bem.
Eu nunca imaginei que depois daquele dia, nós veríamos mais e mais vezes, quando eu fui perceber você já estava na minha vida e eu da sua vida.
Os nossos amigos que sempre nos víamos juntos perguntavam como podia saber tanto um do outro em pouco tempo e não tínhamos nada um como outro.
Nós éramos mais que amigos inseparáveis e foi quando.
— Hoje é um dia muito especial para mim e queria agradecer a todos os meus amigos e meus familiares que estão aqui presentes, eu sempre tive tudo que eu quis, eu lutei e corri atrás do meu sonho, só que falta uma coisa para minha vida fica totalmente completa.
Nem estava presentando atenção no que estava acontecendo, estava no meu celular, jogando, quando eu escutei o meu nome.
— Alex, eu queria dizer o quanto eu amo você e você me faz me faria o homem mais feliz do mundo, se você aceita namorar comigo?
Toda atenção já estava em mim, levantei meio que sem graça e fui em direção ao Rodrigo.
— Você aceita namorar comigo?
Fiquei fazendo aquele minuto de silêncio, só para fazer deixe preocupado.
— Eu aceito.
As coisas entre nós era uma maravilha, dificilmente a gente brigava um com outro e quando brigávamos, nos sempre fazia as pazes e sentava na sala para assistir filme.
Eu não sei quando isso aconteceu, mas quando fui ver, eu já estava morando no mesmo apartamento que ele.
Nós éramos felizes.
As vezes eu ficava me perguntando se realmente eu merecia todo amor que ele me dava, eu não era o garoto mais bonito, eu era gordinho e de vez quando usava óculos que me deixa parecendo aqueles nerds.
Mas ele sempre dizia que me amava não importa o jeito que eu fosse.
Eu sempre fui pessimista em muitas coisas, principalmente depois do que aconteceu comigo. — Amor, você não pode ser assim?
— Desculpa se sou assim.
— Eu sei que algumas pessoas podem ter machucado você no passado, mas eu não sou igual a eles.
Estava muito frio aquele dia, era mais uma manhã que diria que era mais uma manhã sem graça, levantei cedo, porque queria fazer um café da manhã diferente para o meu amor.
Eu estava terminando de preparar a mesa, quando ele entrou na cozinha.
— Nossa para que tudo isso, hoje é alguma dia especial.
— Precisa ter algum dia especial para fazer uma surpresa para você.
Ele ficou vermelho, quando eu disse ele.
Ele me abraçou e me deu muitos beijos.
— Eu te amo.
— Eu também te amo.
— Acho que eu amo você mais do que você ama. — Eu não vou discutir isso como você.
— Vai sim.
— Vou não.
Mal terminamos de tomar o café e a mãe dele ligou para ele, eles ficaram um tempo conversando, será que aconteceu alguma coisa com ela.
— Amor, vou chegar mais tarde em casa, vou passar na casa da minha mãe.
— Aconteceu alguma coisa?
— Ela pediu para mim acompanhar ela no hospital para fazer alguns exames de rotina.
Voltei do trabalho e deixei tudo arrumado e pronto para quando ele chegasse, deite na cama e entrei no YouTube para ver o podcast da minha amiga drag Queen Caco Nunes.
Quando eu estava pegando no sono, o meu celular tocou.
— Oi, amor. Pela sua voz, você estava quase dormindo.
— Eu já estava quase dormindo mesmo.
— Já deixei a sua sogra em casa e já estou indo para casa, comprei um presentes para você, que você vai gostar.
— Eu sempre gosto do que você me dá de presente. Eu te amo muito.
— Eu te amo mais ainda.
Já era quase meia noite quando eu acordei, olhei para o outro lado da cama, procurando pelo Rodrigo e ele não estava ali.
Liguei para o celular dele e só dava caixa postal.
Liguei para a mãe dela, talvez ele tenha voltado para casa dela e nada.
Liguei para todos os nossos amigos e nada, eu já não sabia mais para onde ligar.
Aquele dia foi o último dia que a gente se viu, foi a última vez que você me disse que me amava.
Alguns dias se passaram, eu estava na casa da mãe dele, quando recebemos a triste notícia que encontraram o corpo dele em uma estrada distante da cidade.
É tudo aconteceu tão rápida, eu não sei dizer porque isso teve que acontecer, mas eu fico me questionando, se existe o para sempre, como seria o nosso para sempre?
Imaginei que nada disso tivemos acontecido, que tudo foi um sonho, você chegando tarde em casa e me acordando, no meio da noite.
Eu iria dizer tantas coisas para você, porque você sabia o quanto eu odeio ser acordado de madrugada.
Depois iria perdoar você, porque você iria me conquistar com um lindo presente, mesmo sabendo que iria ser contra você ligaria o som para escutar a nossa música favorita.
Nós teríamos momentos incríveis ao lado um do outro, talvez eu teria escrito um livro ou virado um cantor famoso e você estaria ao meu lado para me apoiar em todas as nossas loucuras.
Mas todas essas possibilidades foram tiradas de nós, uma parte de mim se foi junto com você.
Já se passaram 325 semanas desde aquela manhã que você disse que voltaria para casa e não volto.
Foi difícil para mim superar a sua perda, as vezes ainda fico olhando a porta do nosso apartamento esperando você entrar por aquela porta e dizer o quanto me ama.
Eu sei que de onde você estiver, sei que você está cuidando de mim e quando chegar de encontrarmos novamente:
Nós teremos o nosso felizes para sempre.
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