31 de julho




Apesar do bar estar cheio e as vozes animadas criarem uma redoma de acústica própria, Harry virou o rosto no exato instante em que o Aston Martin preto estacionou ao lado do meio fio. A porta do motorista se abriu e Hermione saiu do carro séria, usando uma saia jeans e uma camiseta branca.

O Potter a observou, travesso e divertido, entrar no caos de gente com o semblante cada vez mais fechado apenas para abrir um sorriso enorme assim que seus olhos castanhos encararam os verdes vivos.

Como um espelho, ele refletiu o gesto e já estava de pé antes que ela conseguisse chegar na mesa que compartilhava com o Weasley.

— Espero que me desculpe por deixá-lo, Rony. — pediu jogando algumas moedas na mesa e vestindo a jaqueta preta. — Já é quase meia noite e amanhã é um dia muito especial.

O ruivo, que já reconhecera a juba castanha indo até eles, ergueu o copo de cerveja a modo de cumprimento e disse sorrindo com sinceridade:

— Sim! Tem razão. Boa sorte!

Apertaram-se as mãos e Harry partiu para encontrar Hermione no meio do caminho. Depositou um beijo leve em seus lábios, entrelaçou seus dedos e seguiu à frente criando espaço para sua passagem enquanto ela acenava para Rony com a mão livre. Abriu a porta do motorista para ela, deu a volta no veículo e acomodou-se no banco do passageiro com um suspiro. Tinha terminado de colocar o cinto de segurança quando a ouviu perguntar com suavidade:

— Tudo certo?

Concordou com a cabeça e ouviu o som macio do motor.

As ruas estavam vazias e silenciosas e, em outras circunstâncias, o conforto do banco de couro teria feito Harry dormir. No entanto, a tranquilidade externa se opunha brutalmente ao estado interior do homem. Faltavam apenas dez minutos para a meia-noite e ele sentia-se temeroso e inseguro. Na sua cabeça, parecia tão certo e tão natural e, embora ele soubesse — ou tentasse se convencer que sabia — que Hermione também via dessa forma, a resposta ainda poderia ser uma surpresa.

Respirou fundo, decidindo-se que o melhor momento é sempre o agora. O carro seguia placidamente pela orla.

— Mione, pode parar um pouco, por favor?

Preocupada, ela virou o rosto em sua direção e estacionou imediatamente em um lugar seguro.

— Está tudo bem?

— Sim. — Harry respondeu liberando-se do cinto de segurança. Aproximou o corpo do da namorada, que ainda o encarava sem entender, e pediu:

— Me beija.

A Granger deu um suspiro aliviado, revirou os olhos com um sorriso brincalhão antes de encurtar a distância entre eles e beijá-lo levemente. Apenas um aperitivo para a fome do Potter. Sem pensar duas vezes, o moreno abriu a boca, choramingando, pedindo pela língua dela, levou uma das mãos para seu colo e apertou um seio com voracidade.

Hermione gemeu, mas também se afastou.

— Harry! — disse, as bochechas rosadas olhando para os lados. — Estamos em público!

— Uhum. — indiferente à informação passada, ele deslizou as mãos pelas coxas femininas.

— N-Não acha que é arriscado?

— Já fizemos coisas piores.

Isso fez com que ela soltasse uma gargalhada deliciosa e a insistente voz interna que afirmava não ser aquela uma boa ideia foi silenciada. Aproximou os lábios lentamente do sorriso ladino de Harry e depois se afastou, somente para provocá-lo. Colocou os dedos em seu pescoço, fazendo-o soltar um prazeroso “Hermione” e então tornou a beijá-lo.

A respiração ofegante do Potter e o peso em suas calças não eram exclusivos de sua excitação, o que não o impediu de puxá-la para seu colo e mover os quadris com força. Queria sentir o calor que emanava dela e queria que ela sentisse a dureza em seu bolso e além.

As mãos masculinas já tinham erguido completamente a saia jeans quando, como se tivesse se recordado de algo muito importante, a Granger se afastou, suspirando. Pressionando os ombros de Harry contra o banco para que ele não tentasse beijá-la momentaneamente, olhou para o relógio do painel e disse empolgada:

— Olha, amor. Meia-noite! Sabe o que significa?

O moreno sorriu. Estava na hora.

— Significa que é o meu aniversário.

— Exatamente. E isso te dá direito a um pedido especial. — ela continuou brincando fingindo erguer a camisa. — Já sabe o que vai querer?

— Já sim.

— Uhh…

No começo, Hermione tentou fazer uma provocação divertida ao ver Harry colocar uma das mãos no bolso da calça, mas toda provocação desapareceu assim que, bem diante dos seus olhos, uma caixinha de veludo azul surgiu.

A nítida surpresa dela sempre seria um mistério, pois, para ele, não existia nada mais explícito do que seus sentimentos. Abriu a caixa lentamente, exibindo pouco a pouco uma pedra oval, verde, cercada de diamantes em um anel de prata.

A Granger levou as mãos à boca. Os olhos brilhando.

— Eu acho que você já sabe o que eu vou perguntar. — Harry começou, sorrindo abertamente. — Mas, ainda assim, a pergunta é tão bonita que deve ser feita.

O sorriso de Hermione só não era mais brilhante do que a pedra que logo estaria em seu dedo. A pergunta foi feita e, como o Potter desejou, a resposta veio feliz e certeira:

— Sim!

Alcançou a mão direita da namorada e, orgulhoso, deslizou o anel delicadamente.

— Não pude ajoelhar dessa vez, mas assim que chegarmos em casa, farei isso com prazer. — disse com malícia.

Hermione mordeu o lábio inferior.

— Promessa.


Notas finais
Obrigada a todos que leram!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!