Ano passado, tudo era perfeito. Eu e meu pai vivíamos e riamos juntos, ele sempre me protegeu e sempre me ajudou nos momentos difíceis. Realmente era o pai que todo mundo desejava ter. O envolvimento dele no mundo das drogas era constante. Ele vive pagando pelo passado.

Quando ele era adolescente se envolvia bastante em drogas e engravidou minha mãe quando jovem, muito antes dos dezoito anos de idade. Minha mãe sempre teve medo de não poder vê-lo de novo toda noite que saía. Certa época ela estava grávida de mim e meu pai passou a sustentá-la por conta disso, a colocando em um pequeno barraco e comprando o pão de cada dia vendendo drogas e munição para armas. O clima era muito pesado, pois os "colegas" do meu pai tiravam vidas como se fosse algo comum, normal e divertido, mas toda vida que era tirada tinha algum motivo. Finalmente nasci e meu pai teve que gastar mais ainda comigo e com sua mulher, e as vezes esquecia de dar droga aos bandidos.

Um dia ele não tinha mais nem drogas para vender e sustentar sua família direito, pois não queria se envolver mais nisso e quis tentar uma vida digna na cidade a procura de um emprego limpo, o que causou a fúria dos bandidos e começaram com ameaças até que encurralaram meu pai e conseguiram matar minha mãe na mesma quantidade de tiros que minha idade na época. Eu tinha cinco anos e não a vi morrer, estava dormindo logo depois de ter tomado um copo de leite com chocolate. Meu pai ficou muito triste e depressivo, e acreditou que aquele era o fim dele e de mim, pois sabia que se não continuasse dando drogas aos bandidos eu provavelmente seria o próximo, até chegar sua vez.

Anos se passaram, eu cresci e entrei na adolescência, e meu pai também foi crescendo e ficando mais responsável, tendo finalmente um bom apartamento e comida para seu filho. Eu sabia que meu pai dava drogas para "eles", pois desde pequeno ele me explicou que era isso ou a morte. Denunciar à polícia não levaria a nada, pois sabe meu pai que Eles são vários e estão espalhados por toda parte, ou seja, mesmo que prendam uns, terão outros nos procurando.

Mais anos se passaram, meu pai e eu estávamos tão felizes que esquecemos completamente do que meu pai tinha que fazer. Estávamos no carro e estava tarde da noite, estávamos indo para casa depois de uma ida no estádio para assistir o jogo. Paramos no sinal vermelho até que tudo aconteceu. Eles nos cercaram com motos, apontaram armas para nós e mandaram descermos. Desesperados, descemos e não demorou muito até um chegar em mim e apontar a arma. Ele atirou, mas meu pai se jogou bem na frente da arma, o fazendo levar um tiro na cabeça. Eles foram embora e eu tive que me virar com meu pai.

Em casa, sem o que fazer, pois sabia que iria ficar sozinho nessa vida, consegui criar uma espécie de controle que pudesse reanimar o cérebro do meu pai antes que seja tarde. Implantei um tipo de cubo na cabeça do meu pai — infelizmente eu tive que abrir sua cabeça — e testei o controle que liga ao cubo até funcionar. Meu pai se encontra careca e com a cabeça aberta tendo seu cérebro sustentado por um controle.

Eu o controlo agora, é como se ele fosse um zumbi. Os bandidos não sabiam dessa história e decidiram me ameaçar. Tive que controlar meu pai e ter tempo para arranjar drogas. Meu pai está dentro de uma capsula gigante de água com gás debaixo da terra perto do nosso apartamento e meu controle se encontra próximo a ele. Se esse controle for desligado ou quebrado será o fim do meu pai.

A vizinhança soube do meu envolvido com meu pai, com os bandidos e me denunciaram para a polícia. Ouviram testemunhas, provas, mas felizmente não conseguiram encontrar meu pai. É realmente coisa de louco, mas qual louco não ama? Eu amo meu pai e quero ter a chance de "ressuscitá-lo", porém o destino foi contra mim e agora estou preso, perto de verdadeiros malucos, assassinos e covardes. Aqui não é o meu lugar.

Espero vencer esse jogo para botar esses bandidos em seu devido lugar e, possivelmente, tentar reviver o cérebro do meu pai. Não quero comandar o meu pai, já faz um ano que vivo assim. Ele não fala coisa com coisa, não escuta, tem olhos virados, só fica parado e se mexe com minhas ordens. Não quero viver sozinho, ele é tudo que tenho, tudo que me restou.

Meu nome é Bruno e sou o quarto da "fila".