Depois que o sinal do intervalo tocou, o pátio encheu-se de crianças como em qualquer escola normal. O sol raiava forte e todas as crianças corriam, brincavam e conversavam.


Syusuke Fuiuke estava sentado imponente numa mesa, reinando no parquinho. Ele era o garoto mais popular da escola, era simpático, gentil e engraçado. Ele viu de longe um garoto de cabelos castanhos e revoltos e óculos redondos e arroxeados saindo da sala da primeira série e indo até ele.


-- O que o professor queria, Yamato? – os dois se acomodaram juntos na mesa, onde dava pra ver todos no pátio.


-- Era sobre eu ter usado o Jagan hoje na aula. Você viu Tsubasa? – o garoto abaixou os óculos e levantou a franja, procurando pelo pátio alguém.


-- Não vi, deve estar andando por aí, distraído como sempre.


-- Eu preciso achar ele logo, a Fuuga está prendendo as pessoas na parede outra vez.


-- Outra vez? Ah, qual é?! O que o Sengoko aprontou que a deixou furiosa de novo? – Syusuke pareceu olhar todos os lados, preocupado, como se fosse possível algo atingi-lo de surpresa.


-- Eu não aprontei nada! – um garoto de cabelos castanho-acaju sentou-se junto a eles e parecia se esconder atrás dos dois.


-- Ah, não aprontou – Yamato encarou-o com desconfiança. – Mas eu vi bem quando o Tushui ameaçou você com um bisturi!


-- Ele ameaça tudo que anda e respira – defendeu-se Sengoko.


-- Eu ouvi essa, Haruki – um garoto pálido de cabelos negros apareceu atrás deles e Sengoko ergueu as sobrancelhas, aterrorizado.


-- E aí, Tushui? – Yamato cumprimentou. Tushui respondeu o cumprimento com um aceno de cabeça e o esboço de um sorriso. – Viu Tsubasa por aí?


-- Não, acabei de vir da quadra e estava procurando a Fuuga.


-- Veio da quadra? – Syusuke perguntou interessado.


-- Kaimin está conversando com o professor sobre ter usado pó de diamante pra ganhar na queimada.


-- Ele sempre joga sujo, aquele verme – Sengoko resmungou.


Tushui puxou um bisturi e colocou nas costas de Sengoko.


-- Como é? – ele sibilou, fazendo Sengoko suar frio.


-- Que isso, Tushui? – Tsubasa apareceu do nada e tirou a mão de Tushui pra longe. Tushui olhou-o contrariado, mas recolheu o bisturi de volta.


-- Viu a Fuuga? – Tushui perguntou a Tsubasa.


-- Estava amarrando um garoto que roubou o lanche de uma menininha perto do parquinho.


-- Eu vou até lá – Tushui se direcionou para o parquinho lentamente, seus passos nem faziam barulho.


-- Onde você estava, Tsubasa? – Yamato perguntou autoritário ao primo.


-- Andando.


-- Ai, ai, acho que se você fosse mais distraído, se esqueceria do próprio nome! – Tsubasa e Syusuke riram. Sengoko apenas se esquivava atrás dos três.


-- Passei pela sala de computação e Mugenjou estava lá.


-- Novidade! – Syusuke exclamou.


-- Ele está sempre lá, Tsubasa!


-- Mas parecia contente e ansioso...


-- Devia ter conseguido invadir algum site proibido!


-- Vamos lá ver – Sengoko sugeriu.


Os quatro saíram do pátio correndo até a sala de computação. Logo o sinal tocaria e teriam de voltar pra sala de aula.


Mugenjou estava na frente de um computador, teclando muito rápido.


-- E aí, Mugenjou? – Sengoko se aproximou do garoto e se apoiou em seus ombros. – Entrando onde não deve, de novo?


-- Quer fazer silêncio? – Mugenjou era o menor entre eles, mas extremamente inteligente e habilidoso em computação, era o primeiro da classe naquela matéria.


Tsubasa sentara-se na cadeira ao lado de Mugenjou, enquanto que Syusuke e Yamato sentaram-se na mesa de reuniões do clube de computação, um de frente para o outro. Yamato pegou um livro e começou a lê-lo. Syusuke riu e balançou a cabeça.


-- Voe e essa sua arte de devorar livros. É muito nerd!


-- Olha quem fala! O violinista!


-- Isso não tem nada a ver, Yamato! Minha mãe quer que eu aprenda a tocar.


-- E a minha disse que eu tenho que ler muito se quiser um dia trabalhar no serviço de recuperação. Como o meu pai.


-- Mas quando a gente crescer, eu, você e o Tsubasa vamos ter um serviço de recuperação os três juntos, né, Tsubasa?


-- Vamos sim!


-- E vamos andar na Joaninha do meu pai!


-- Eu adoro aquele carro, não importa o que o meu pai diga! – Syusuke ergueu o punho no ar, contente.


-- Ih, vocês três! Eu não quero saber disse tão cedo...


-- Claro que não, né Sengoko – Mugenjou comentou – se não tiver uma garota pra flertar, nada interessa você!


Os quatro riram, deixando Sengoko vermelho. O sinal do começo da aula tocou e a felicidade que contagiava o ambiente acabou.


-- Essa não...


--Vamos pessoal, de volta pra sala.


-- Mas eu estava tão perto...


--- Depois você tenta de novo, Mugenjou.


-- Eu vou precisar trocar de lugar ou a Fuuga vai me matar...


-- Eu sabia que você tinha aprontado. É sempre assim!

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