30 Dias Para Te Conquistar...
4 Capítulo 4 - Esqueça o que aconteceu...
Notas iniciais
12 de Junho de 2012
POV. Takuto Shindou
Mais um dia começou em Inazuma e as lembranças da noite anterior não saem de minha mente. Eu não conseguia esquecer os momentos que passamos no parque e no restaurante.
Eu neste momento estava perto da escola e não via a hora de encontrá-lo lá. Apressei o passo e o avisto entrando na escola. Corro para alcançá-lo.
– Bom dia Ranmaru.
– Bom dia Takuto, como você está?
– Muito bem e você?
– Também. – reponde, mas parecia que queria pergunta alguma coisa.
– Algum problema Kirino?
– Hã? É... Nenhum. Eu só... Só queria te perguntar uma coisa. – fala parecendo procurar as palavras certas. Eu tinha quase certeza de que ele iria me pergunta algo relacionado à noite anterior.
– Então vá em frente. Pergunte. – falo passando a confiança que eu não sei se realmente existia.
– O que realmente aconteceu ontem? Tudo parece tão confuso. – confessa Kirino me surpreendendo, pois não era tão fácil arrancar seus sentimentos de dentro de si.
– Eu... Eu não sei. — eu ainda não estava pronto para lhe confessar tudo e agora que ele está confuso com certeza não é o momento certo, mas eu também estava confuso, mas não sobre meus sentimentos e sim sobre ter deixado que aquilo acontecesse tão rapidamente. – Eu também estou um tanto confuso.
– É melhor deixar isso para lá. Vamos fingir que aquilo nunca aconteceu. Pode ser? – aquilo foi como uma facada em meu coração. Como assim fingir que nada aconteceu? Será que para ele o nosso quase beijo não foi nada? Eu não quero esquecer, mas não posso obrigá-lo.
– Se é assim que você quer, eu concordo. – digo com o resto de forças que ainda me restava.
– Está tudo bem mesmo? – pergunta preocupado. Provavelmente percebeu o meu entristecer.
– Está sim. Com licença, eu preciso falar com Tenma sobre algo importante. – eu precisava desabafar e a única pessoa naquele momento que me entenderia seria Tenma.
– Tudo bem. – após ele dizer isso, eu saiu a procura daquele que tem me ajudado em minha loucura.
Eu não estava encontrando Tenma e isso já estava me preocupando. Ele nunca foi de faltar e nem de sumir de vista. Vejo Shinsuke e resolvo pergunto pelo paradeiro de seu melhor amigo.
– Shinsuke, onde está Tenma?
– Está atrás da escola conversando com Tsurugi, por que capitão?
– Nada não. Eu preciso falar com ele. – o menor assentiu e eu vou atrás de Tenma.
Estava curioso. O que será que Tsurugi queria com Matsukaze? Finalmente chego ao lugar pouco freqüentado da escola, os fundos da mesma. Encontro meu amigo pensativo. Eu nunca o tinha visto daquela maneira. Sério e triste.
– Tenma?
– Hã? Ah, olá Shindou. – me cumprimenta com um sorriso triste.
– Aconteceu alguma coisa? – pergunto preocupado.
– Não foi nada. Mas e com você aconteceu algo? – indaga o rapaz com um olhar carinhoso.
– Para falar a verdade sim. – respondo me lembrado o motivo de ter ido procurá-lo.
– Pelo visto foi algo sério. Vamos para um lugar melhor. – fala me fazendo um sinal para segui-lo.
Durante o caminho, o silencio reinou sobre nós. Ambos pensávamos no que estava acontecendo na vida de cada um. Eu não sei o que Tenma tem, mas tenho certeza que não é nada bom. De repente Tenma parou e pude ver onde nós estávamos. Estávamos na ponte em cima do campo ao lado do lago, lugar de nosso treinamento.
– E então o que houve? – pergunta Tenma acabando com aquele silencio.
– Quase nos beijamos ontem, mas as coisas hoje não saíram como esperadas. – digo de uma vez.
– E o que ele falou? – fala ele com uma expressão facial encorajadora.
– Disse que éramos para esquecermos o que ocorreu ontem. – falo abaixando o olhar.
– Dói né? Dói quando as coisas parecem está indo bem e de repente parece que nada vai bem. – eu o olho e vejo dor em seus olhos. – Eu sei bem como se sente. É uma sensação difícil de explicar, mas pense positivo. Você ainda tem algum tempo para recuperar. Lembre-se de que você não estar sozinho e que te ajudarei no que precisar.
Eu já não reconhecia mais aquele garoto que entrou na Raimon. Tenma sempre foi muito atencioso, amigo fiel, ingênuo, sensível e um pouco burrinho, mas de uns tempos para cá, ele amadureceu muito. Ele sabe o que dizer na hora certa. Isso está ajudando muito a todos do time.
– O que há com você? – pergunto curioso e de uma vez só.
– Como assim? O que há de errado comigo? – pergunta confuso.
– Está agindo estranho já tem um bom tempo. Você nem parece mais o mesmo, mudou completamente. Tenho a certeza que aconteceu algo. Pode falar Tenma, sabe que pode confiar em mim. – tento convence-lo a falar.
– Tudo bem Shindou, eu falo o que aconteceu, mas depois vamos para de falar em mim e vamos falar em você. – fala e eu concordo afinal eu preciso realmente de ajuda. – Algum tempo atrás, para ser mais especifico, há 3 meses atrás algo me aconteceu.
Eu andava pelas ruas de Inazuma quando recebo um telefonema. Não um telefonema qualquer, mas sim o de minha mãe me informando algo que me abalou profundamente. Meu pai estava doente. Ele havia descoberto que estava com leucemia, ou seja, câncer no sangue.
Como a doença foi descoberta tarde, as chances de meu pai sobreviver eram mínimas. Eu não queria falar para ninguém o que estava acontecendo e por isso os meus amigos não ficaram sabendo. Quando aconteceu isso eu quis viajar imediatamente para onde meus pais estavam, mas minha mãe não permitiu. A angustia e a dor estavam me consumindo aos poucos e cada vez mais. Eu tinha noticias de meu pai todos os dias e infelizmente não eram nadas agradáveis.
Meu pai estava sofrendo muito. As seções do tratamento já estavam o esgotando e eu só rezava em silencio. Eu tinha que ser forte pela minha família e não demonstrar nenhuma fraqueza em frente ao time, já que precisávamos usar o nosso poder máximo contra os adversários.
Parece que eu não conseguir esconder o que estava realmente acontecendo comigo de todos. Tsurugi tinha percebido a minha mudança, mesmo que mínima, e tentou me fazer dizer o que eu tinha. Como não falei, acabamos brigando seriamente e o que já estava ruim, piorou. Nessa briga ele me chamou de imaturo e burro. Aquilo me magoou profundamente, talvez essa seja a causa da minha mudança. Alguns dias depois meu pai não resistiu e acabou falecendo e o Tsurugi ainda estava chateado comigo. Por esse motivo, tive que fazer aquela viagem de 2 semanas. Quando voltei, Tsurugi voltou a falar comigo, mas a situação ainda anda tensa entre nós. – Tenma me contou o que sua história e começou a chorar. Eu estava mais surpreso do que tudo. Eu não esperava que ele tivesse agüentado tanta coisa calado. E a reação do Tsurugi me surpreendeu bastante, pois o único que é tratado bem pelo azulado é ele.
– Então foi isso que você conversou com Tsurugi, antes da minha chegada? – pergunto
– Não exatamente. Brigamos mais uma vez, mas eu não quero falar sobre isso. Contei-lhe o que tanto me atormentou e agora vamos falar sobre você e Kirino. – ele fala limpando as últimas lágrimas que desceram de seu rosto.
– O que você acha que eu devo fazer?
– Continue com o plano. Fique atento com Kariya. Eu ouvi que ele estava interessado em Kirino e pelo o que sabemos dele, ele fará de tudo para conseguir o que quer. – fala Tenma me avisando. Eu sabia! A minha vontade nesse momento era bater em Kariya até ele desistir de Kirino.
– Não que eu duvide de você Tenma, mas você tem certeza que ele está aprontando algo? – pergunto.
– Tenho quase certeza. Mas você precisa manter a calma e se concentrar. Se você já estava achando difícil investir em Kirino, agora com a concorrência a coisa se torna ainda pior. O importante é focar no seu objetivo e lutar por ele, pois para a sua sorte o Kirino é mais próximo de você do que dele. Use isso ao seu favor. Eu ficarei de olho para que ninguém o atrapalhe. – ele fala me dando forças para continuar.
– Obrigado pela a ajudar. Você tem toda a razão. Eu já tenho uma ideia para o dia de hoje. – digo animado.
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POV. Ranmaru Kirino
Shindou não veio para as três primeiras aulas o que me preocupou muito. Enquanto fingia prestar atenção na aula, me perguntava onde ele estava e se aconteceu algo. Lembro do que eu havia lhe dito na entrada, sobre esquecer o que tinha ocorrido na noite anterior. Eu realmente não queria esquecer, pelo contrário, eu queria revivê-lo mais uma vez, só que dessa vez eu faria de tudo para o beijo acontecer. Finalmente o intervalo chega e eu saí correndo feito louco a procura de Takuto.
Depois de mais ou menos 10 minutos procurando pelo mesmo e tentando ligar para ele. Decido procurar por Tenma para saber se ele sabe o paradeiro de Shindou. E a mesma coisa acontece. Vejo que Tsurugi está procurando por alguém. Resolvo pergunta se ele sabe onde estão Tenma e Shindou.
– Tsurugi, você sabe onde está Shindou?
– Não. E você sabe onde está Tenma?
– Também não.
– Onde você viu Tenma pela última vez? – pergunto
– Atrás da escola, mas eu já fui lá e não o encontrei.
Quando eu ia dizer algo, vejo Shindou e Tenma conversando animadamente. Olho para Tsurugi e vejo que seu olhar não era o dos melhores e assim como o meu.
– Onde vocês estavam? – perguntamos eu e Tsurugi juntos.
– Estávamos conversando no campo ao lado do lago e perdemos a noção do tempo. – responde Shindou um pouco envergonhado.
– A culpa foi minha. Sinto muito ter enrolado o capitão. – fala Tenma com um olhar de arrependido.
– Tudo bem. Só que vocês deveriam ter nos avisado. – fala Tsurugi mais calmo.
Depois das aulas, fomos para o treino diário, mas o que me chamou atenção foi que Tenma evitava Tsurugi de uma forma que todos percebiam. E eu tentava evitar encarar Takuto, pois sempre que o olho me lembro da noite anterior.
Não sei se eu estava pensativo demais, mas o treino passou muito rápido. Logo todos estavam indo embora só restando Tenma, Shindou, Tsurugi e eu.
Tenma falou algo no ouvido de Shindou e o mesmo abriu um lindo sorriso e logo em seguida o olhou e concordou.
– Bom, eu já vou indo. Tsurugi eu preciso falar com você. Se importa de conversarmos durante a ida para casa? – perguntou serio.
– Tudo bem. – respondeu parecendo preocupado.
– Boa noite capitão. E pense no que eu te falei. – fala sorrindo e dando uma piscadela para Shindou.
– Boa noite Tenma. E claro. Pode deixar que eu vou pensar com carinho. – responde sorrindo e piscando de volta.
– Boa noite Kirino e até amanhã. – fala Tenma me cumprimentando com aquele sorriso que encanta a todos, por exalar alegria e descontração. É impossível não se animar com ele.
– Boa noite Tenma e até amanhã. – respondo sorrindo.
– Parece que só restamos nós. – fala Shindou.
– É e eu acho melhor nós irmos. – digo
– A noite está tão boa. Não quer dá uma volta na pracinha do centro da cidade? – pergunta sorrindo. Eu adoro aquela pracinha. Ela me trás boas lembranças da minha infância.
– Claro, eu adoro aquela praça. – respondo retribuindo o sorriso.
Andamos devagar em direção a famosa pracinha. Quando chegamos, encontramos o cenário típico dali. Crianças brincavam e se divertiam entre si. Vários casais de namorados aproveitando a bela noite e muitos adolescentes conversando animadamente.
– Eu adoro isso. – comentou Shindou sorrindo e admirando a praça central.
– Eu também. – falo olhando para o mesmo lugar que ele.
– Que tal um soverte? – pergunta
– Pode ser. Eu quero d... – sou interrompido por Takuto
– De morango, eu sei. – responde sorrindo. É ele realmente me conhece.
Ele sai e eu me sento em um banco que estava próximo de mim. Comecei a pensar no que já aconteceu nesses 3 dias. Eu tenho certeza que amo Shindou. Às vezes ele parece que só gosta de mim como amigo e outras vezes parecem que é muito mais que isso.
– Voltei. Aqui está o seu soverte. – fala Shindou me tirando de meus pensamentos.
– Obrigado. Mas, o que você tanto conversou com Tenma hoje para ter faltado às três primeiras aulas?- pergunto curioso.
– Nada demais. Mas eu não quero falar sobre isso. – fala ele mudando de assunto.
– E sobre o que você quer falar? – pergunto confuso e curioso.
– Na verdade eu não quero falar. Eu quero brincar. – diz ele sorrindo feito um bobo.
– Como as... – Shindou pega o soverte dele e joga em meu rosto. – SHINDOU! – grito assustando quem estava por perto. Ele começa a ri mais ainda. Eu pego o meu soverte e tento sujá-lo, mas ele foi mais rápido e correu.
Começamos a brincar feito duas crianças na praça. Todos olhavam para nós, mas nem ligávamos, o que mais queríamos era aproveitar um da companhia do outro enquanto podíamos. Eu não sei por que, mas sinto que algo está perto de acontecer. Não sei se é bom ou ruim, mas que vai acontecer com certeza vai.
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"[...] Eu não vou desistir de nós, mesmo se os céus ficarem difíceis. [...]" I Won't Give Up — Jason Mraz
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