30 Days To December
1 10 de Novembro
Hoje é dia nove de dezembro. O pior dezembro de todos. Eu estou sentada de frente para a janela, com a cabeça apoiada nos joelhos, me perguntando o que eu havia feito para que minha vida virasse esse verdadeiro inferno.
Não estou na minha casa, e sim na casa da minha melhor amiga, Carol. Fugindo dos meus pais, dos que se diziam meus amigos e da minha vida estúpida.
Como eu vim parar aqui? Ah, isso é realmente uma longa história. Uma história sobre como minha vida virou de cabeça pra baixo em um mês.
10 de novembro
Quarta-feira, Great Mary’s High School.
O sinal tocou. Peguei minha bolsa marrom antiga e saí daquela sala o mais rápido possível. As aulas do ensino médio são tão chatas.
- Você está aí – Niall me recepcionou com um beijo assim que eu entrei no corredor.
Estávamos fazendo um ano de namoro hoje. Como nós dois estudávamos na Great Mary, o plano era sair de lá direto e passar o resto do dia juntos.
- Para onde vamos primeiro? – perguntei, pegando sua mão enquanto deixávamos a escola.
- Já disse que é surpresa, Ana – ele me respondeu, apertando mais a minha mão.
Eu tinha dezesseis anos, e ele tinha dezoito. A casa dele ficava a duzentos quilômetros da minha, então só conseguíamos nos ver depois da aula. Tinha tudo pra dar errado, mas dava certo.
Entramos no carro de Niall, e ele me levou até uma estrada meio deserta. Demoramos duas horas para chegar lá, e quando chegamos já estava escurecendo.
- O que viemos fazer aqui, Nialler? – ele sorriu ao ouvir o apelido.
- Vamos acampar aqui – ele respondeu, como se estivesse falando sobre o clima hoje.
- Como é? Mas eu não avisei nada pra minha mãe, ela acha que eu vou voltar às nove – resmunguei e vi ele me olhar feio – Ah, não me olhe assim. Eu quero ficar aqui mas não posso!
- Ana, preciso te contar uma coisa – ele chegou mais perto com o tom de voz que se usa quando se visita um amigo doente no hospital – Me dá muita vergonha falar sobre isso, mas eu preciso de você agora.
- Você está me deixando com medo – eu disse, evitando olhar fixamente em seus olhos azuis. O céu estava começando a ficar realmente escuro, me deixando ainda mais aflita.
- Eu tenho que sair da cidade o mais rápido possível – ele disse, rápido.
- Por quê? – eu perguntei, mas hesitei ao percerber que estava deixando-o ainda mais constrangido – Espere, espere! O que aconteceu?
- Pegaram meu tio contrabandeando algumas coisas, e agora a família toda tem que sair da cidade, para que não possam nos usar se quiserem obter alguma informação – ele explicou, visivelmente nervoso.
- Não entendo aonde quer chegar.
- Quero que você fuja comigo, Ana.
- Não posso fazer isso – eu me afastei – Niall, não posso, você sabe que não posso...
Ele me encarou por um longo momento, me fazendo ficar quieta. Examinou a expressão em meu rosto, como se quisesse descobrir por meio dela se valeria a pena ou não insistir.
- Certo – ele disse, finalmente – Eu entendo.
E, sem parar nenhuma vez para olhar para trás, ele entrou em seu carro esportivo e foi embora, me deixando ali.
Devastada. Abalada. Sozinha.
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