Três minutos.

Simples, pouquíssimo tempo para algumas coisas, uma eternidade para outras. Para Shino, por exemplo, três minutos era o tempo perfeito para fervura do macarrão, não gostava dele cozido demais. Para Kiba, 3 minutos era o tempo perfeito e talvez extravagante para uma punheta.

Mas, naquele momento em específico, três minutos era tempo suficiente para a desgraça acontecer. Shino terminava de preparar o macarrão, tinham pouco tempo para a refeição antes de saírem de casa, Kiba… bem, alivia-se no banho naqueles três minutos de puro prazer enquanto, ficava a encargo da terceira protagonista fazer tudo ruir.

O dia era tranquilo, tinham como única atividade na agenda um chá da tarde na casa de Tsume, onde Kiba poderia reencontrar a mãe e a irmã. Shibi se encontraria com eles lá, para rever seu filho, seu genro e sua querida netinha: Sayuri.

O plano consistia em reunir a família, como tinham o intento de fazer ao menos 2 vezes por mês, mas já estavam há quase dois meses sem um encontro familiar. Kiba via Naruto ocasionalmente, assim como o “chato de galocha” que vinha de brinde. Mesmo após 5 anos de convívio, Kiba ainda reclamava do mau humor crônico de Sasuke, que era sempre ignorado por todos com quem convivia.

Ainda assim, o plano da família Aburame-Inuzuka era um chá da tarde, com direito à Sayuri contar aos avós como estava crescidinha e um tanto quanto bagunceira, para desespero de Shino.

A manhã fora de extrema tranquilidade enquanto a pequenina dormia em seu quarto inteiramente decorado com pinturas de flor de cerejeira e pelúcias que ganhava de seu avô, Shibi. Todas de bichinhos pouco viáveis para se colecionar, mas ela parecia adorar cada um deles. Para Shino e Kiba a manhã era tranquila, com direito a beijos ainda na cama, a amassos bem dados enquanto Kiba “sutilmente” escorregava para o colo do marido e aproveitava-se da ereção matinal dele. Tinha tudo pra ser uma manhã perfeita, precisavam de… 3 minutos. Só três. Teriam conseguido seus orgasmos, mais beijos e Kiba futuramente não precisaria de um alívio enquanto no banho. Mas os passinhos indicavam que alguém caminhava pelo corredor. Passinhos enérgicos de alguém que corria feliz por já estar acordada, mesmo que tão cedo.

— Ohayō!! — Sayuri berrou ao bater na porta. Pelo vão conseguiam divisar a sombra da pequenina que ficava na pontinha dos pés e tentava enxergar algo pela fechadura, inutilmente, claro. A orelhinha também ficava logo colada à porta, captando os sons de Kiba dormindo, ou tropeçando em algo até que abrisse a porta. Às vezes, claro, era Shino que a recepcionava e guiava-a à cozinha para um café da manhã reforçado. Naquele dia era Kiba, enrolado em um robe com pelinhos sintéticos e orelhinhas. Bocejando e logo sorrindo para a pequenina, içando-a no ar num abraço.

— Quem chegar por último, fica sem a calda extra nos morangos! — propôs sabendo que perderia, não porque Sayuri era rápida na corrida, mas porque vê-la ganhar lhe trazia uma imensa satisfação, sem contar que havia comido muito morango com calda na noite anterior. Detalhes que havia sido no corpo de Shino, isso ninguém precisava saber.

Kiba então ganhava tempo para que o marido conseguisse aliviar a tensão em uma parte específica do corpo, a mesma onde a tensão estava acumulada no próprio. A rotina sexual nunca mais fora a mesma, não com uma filhinha a lhes atrapalhar. Não arrependiam-se em momento nenhum, não quando amavam aquela criança, quando ela lhes foi entregue na adoção. Eram pais, antes mesmo de todo o resto, eram pais.

Não tardou para que tivesse companhia na cozinha, Shino vestido como sempre, gola alta e óculos escuro, roupas em tons de cinza passando toda a seriedade que ele fazia questão em manter. Aos outros: sisudo. à sua família, bem, dependia de quem o via. Para Shibi, por exemplo, era basicamente um igual, parte de si fora do corpo, uma forma de eternizar sua marca no mundo. Para sua sogra, um cara muito complexado com as vestes, para a cunhada, um cara agradável, mas sério. Para sua filha: um papai muuuuuuito chique, palavras da própria Sayuri. Para Kiba… bem, quase tudo um pouco, dependia do momento que o via. Mas a questão não era que Kiba pudesse vê-lo como o gostosão charmoso, ou como o sério leitor de artigos que ele nem ousava chegar perto. No momento era o homem que prepararia o café, lhe dando tempo de um bom momento de… relaxamento.

Claro, nem tudo corria como o planejado, Sayuri engatou com ele um assunto interessantíssimo à pequenina, o desenho da noite anterior. E sua animação notória acerca do café com toda a família. A manhã passou corrida, mas Kiba teve seu merecido banho, claro, sem o que almejava fazer pois tinham certa pressa para passar na feira antes de voltarem para casa para preparar o almoço e então partir para a casa de Tsume, que ficava à uma distância de duas horas de carro. A cadeirinha já estava a postos no banco traseiro, o ânimo de Sayuri também quando arrumada por Shino enquanto Kiba preparava o almoço, ou só cortava um ou outro legume no intento de que Shino logo assumisse o posto, era, sem dúvida, o melhor cozinheiro entre os dois.

— Três minutos! Só preciso de três minutos no banho, pra me arrumar, almoçamos e partimos. — Kiba comentou com o marido, beijando-lhe a bochecha e então pegando a pequena no colo, içando-a no ar, fazendo a gargalhada infantil tomar o cômodo e se propagar livre pela casa. Afastou-se com ela, levando-a para a sala onde alguns brinquedos jaziam no tapete felpudo. — Aqui meu amor, fica aqui, okay? — olhava diretamente para ela, lhe sorrindo verdadeiramente enquanto apertava as bochechas rechonchudas. — Duvido se sujar ou fazer travessuras aqui! — Essa parte, claro, era muito mais um pensamento alto. Sequer imaginaria que Sayuri tomaria aquilo como desafio.

Três minutos.

Bem, foi provado até então que três minutos era mágicos e abrangiam de tudo. Desde a massa para o almoço, o banho relaxante para Kiba, um sexo matinal necessário à um casal com criança em casa, e bem, o tópico principal de tudo isso: a descrença de Kiba que Sayuri tomou como desafio!

Três minutos, era o que ela havia escutado o papai falar que levaria no banho, tinha esse tempo para a diversão. Começou com as canetinhas hidrocor. Destampou-as e pintou as mãozinhas enquanto contornava os dedos na folha de papel. Nem notava que limpava o vestígio de tinta na lateral do vestidinho rodado de tons de rosa queimado. A segunda parte foi se pendurar no móvel da sala a fim de pegar o controle remoto, pois precisava de música para seus feitos! A música por sua vez, claro, abafou quando o aparador foi parcialmente arrastado enquanto a pequena se espichava para alcançar o outro controle, curiosamente na estante de livros de Shino, nos livros ela sequer tocava. Mas precisou para empurrar o controle para que o alcançasse com os bracinhos pequenos. Infelizmente empurrou também um globo de vidro, a música abafou exatamente isso, o momento no qual o globo se estraçalhou no chão, fora do alcance do tapete. Quando desceu, a sala já havia sido reformulada na decoração. O vestido já estava manchado de canetinha, assim como o rosto, pela falta de controle enquanto pintava por dentro do contorno de suas mãozinhas. Haviam três, uma para a vovó, um para o vovô e um para a titia. Tio Naruto não precisava de um, havia levado, um em tinta, dias antes.

Da cozinha Shino jurava ter ouvido, mas ficou em dúvida, apagou então o fogo, escorreu o macarrão para depois juntá-lo ao molho que encorpava com os legumes.

Quando chegou na sala, o aparador estava for de lugar, os livros na estante quase caídos, o globo que os sustentava estilhaçado ao chão e Sayuri suja e descabelada no tapete enquanto pintava, não só as mãos no papel, como a fibra sintética que compunha o tapete. Um caos.

— O que aconteceu aqui? — A voz era indecifrável, mas Sayuri já parecia conhecer as minuciosidades que compunham seu pai.

— O papai me desafiou. Desafios são bons! — Falou espaçadamente, sorridente como se tivesse feito algo incrível.

Não sabia, claro, que não havia passado de um mal entendido, mas isso aprendeu depois durante a viagem de carro com seus papais conversando entre eles, e consigo.

Três minutos nunca tiveram tanto significado na vida de uma família, como aqueles vários três minutos tiveram pra eles, mas aos demais, só foi contada a parte da desgraça, do globo quebrado, de Sayuri que antes estava impecável, e então, em três minutos estava imunda.

Instaurou-se entre eles depois, a regra dos três minutos. Mas isso, bem, isso é história para outro momento.

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