3 Rounds and a Sound
1 I hope we dance tonight... before we get it wrong
Notas iniciais
CHUCK, TEMPORADA 4, EPISÓDIO 3
“CHUCK VS. THE CUBIC Z”
Eles estavam lá desde o primeiro raio de sol. Casey estava começando a suspeitar que ela queria matá-lo. De novo.
Um soco atrás do outro o atingiu na face. Seu mundo ficou embaçado por alguns instantes.
— Qual é o problema, Walker? – ele a olhou de cima a baixo. – Lutando como um pit bull?
— Mudou alguma coisa... descobrir que você tem uma filha?
— O quê? – ele mal teve tempo de perguntar; Sarah já estava em cima dele novamente. Ainda assim, suas palavras eram estranhas.
— Dizem que as prioridades mudam – a loira parou para tomar fôlego, esperando por uma resposta, mas sempre atenta a qualquer sinal de uma tentativa de seu parceiro de pegá-la desprevenida.
— Minhas prioridades são as mesmas: Deus, meu país, dever, equipe.
De repente, ela o chutou e o arremessou para longe.
Aquilo pareceu acordá-lo. Ele balançou a cabeça, tentando clarear a visão e tirar o suor da testa.
— Tudo bem. É, às vezes eu penso em ligar... mas... Alex tem a vida dela. Não sei qual é o meu papel – Casey ficou pensativo por um instante, tentando imaginar como sua vida poderia ter sido diferente. – Acabou? Por que o interrogatório?
Sarah nunca falava sobre coisas como aquela, principalmente com ele. Algo parecia errado e ela tentava a todo custo descontar aquilo no treino.
— Chuck falou uma coisa ontem... sobre o futuro – ela lhe desferiu um soco e um chute logo em seguida.
Casey sempre fora do tipo durão, podia aguentar sua fúria sem problemas, mas gostava de fazer graça dos outros e daquela vez não seria diferente.
— Ah, é? O quê? Ter filhos? Com você? – sua ironia era visível, ele estava realmente se divertindo. – Ah, ele tá se achando, não é? – e então era a vez dele de atacar, mesmo que ela estivesse defendendo todas.
— Eu sou uma espiã. Não posso nem pensar em ter filhos agora. Preciso falar com ele antes que ele elabore mais essa ideia!
— É. Ele já deve estar decorando o quarto, não é?
Foi como ter acordado sua fera adormecida. Walker foi para cima dele com força redobrada. Ele podia achar aquilo divertido, mas não era. Era seu futuro. Futuro do qual Sarah desistira há muito tempo e agora voltava para assombrá-la, deixando-a nervosa, ansiosa para agarrar-se a ele. Porém, o presente também estava lá: perigoso, em uma arma escondida debaixo da mesa ou uma faca em sua bota, até mesmo quando seu celular tocava ou alguém batia à porta.
— Você já se apaixonou, Casey? Alguma vez? Ahn? Sem ser pela mãe da Alex... – ele estava a ponto de dizer algo quando ela acrescentou: – ou o país?
John Casey a encarou intensamente. Sarah não esperava por aquilo; era como se ele pudesse ver sua alma. O coronel ponderava sobre o que seria o certo a dizer, mas revirou os olhos e deixou escapar:
— Ok. Duas vezes. É o bastante para você?
Ambos tinham parado. Estavam com os braços inertes ao lado do corpo, a atmosfera pesando enquanto se olhavam, o treinamento esquecido. Apenas segredos e meias verdades pairando no ar.
— E...? – sua parceira o olhou de um jeito diferente, quase como uma amiga, confidente. – Casey, não é como se eu não quisesse saber a história. O que aconteceu, então?
— Nada.
Sarah abriu um sorriso debochado.
— Você pode ser o coronel mais perigoso do mundo, mas quando tem a ver com isso nem consegue conversar direito. Você tem Deus, dever, equipe, e Alex, mas como você--
— Walker! Já chega! Só porque você costumava namorar todo cara que aparecia na sua frente não significa que eu tenho de fazer o mesmo! Esse assunto não vem ao caso agora. O que você quer? Hein?
Ela estava quieta, um pouco receosa de realmente tê-lo ofendido. Claro, Casey estava sempre bravo e estressado, era sempre bruto com tudo e com todos, mas aquele era um assunto pessoal e ela tinha entrado em território desconhecido. Ele não era conhecido por suas muitas palavras e detestava conversa fiada. Sarah não conseguia nem imaginar como ele seria quando apaixonado.
— Ok, sim, eu costumava ser um cara normal, há muito tempo. Eu costumava pensar sobre família, filhos, um lar, tudo isso. Mas a guerra aconteceu; e eu mudei. Eu percebi que não poderia ter a vida com a qual sonhava se eu quisesse ser um soldado. Se eu já me apaixonei? Claro que sim. Primeiro Kathleen; e você conheceu Ilsa. Eu realmente gostava dela, mas não tinha como durar. E, então, houve uma mulher que tentou me matar, e de algum jeito nós acabamos na cama. Mas... a mais importante foi alguém que antes era minha rival... e então se tornou minha parceira – ele engoliu em seco. – E eu a perdi também.
O silêncio se instaurou entre eles. A boca de Casey estava seca. Ele se virou e encarou a parede.
— Feliz agora?... Eu acho que o amor não é pra mim, de um jeito ou de outro.
— Qual era o nome dela? – Sarah perguntou, em um fio de voz. Tudo tinha mudado em questão de segundos. O território parecia instável agora. Aquilo não podia estar acontecendo. Simplesmente não podia. – Qual o nome dela, Casey?
— Não importa.
Seu tom deixou claro que a conversa tinha acabado, o corpo dele estava retesado e tenso. Sarah já tinha ido longe demais.
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