-Vamos Molly, você consegue! Quando eu disser 3 você empurra com toda a força do mundo ok? – Disse a doutora na sala de parto.

- Não consigo! Aahhh...

-Consegue querida, vamos lá! 1..2..3...Empuurreeee!

Molly empurrou com todas as suas forças e deu a luz a uma linda garotinha, mas o que era para ser o dia mais feliz da vida do casal Holmes se tornou um pesadelo sem fim.

-Molly, Molly...fale comigo! Molly? Doutora o que está acontecendo? – Perguntava Sherlock, pois Molly desmaiou assim que deu a luz.

-Sr. Holmes, precisamos que o senhor saia agora.

-Não, de jeito nenhum! Ficarei aqui até saber o que está acontecendo com minha esposa!

-Sr. Holmes, por favor, saia precisamos levá-la para o centro cirúrgico imediatamente!

-O quê? Mas por quê? O que está acont...- Sherlock estava atordoado.

Molly foi levada as pressas da sala de parto e Sherlock ficou ali, assistindo a tudo sem poder fazer nada. Após duas horas de agonia na sala de espera do hospital, a doutora veio lhe explicar a situação de Molly.

-Sr. Holmes, nós fizemos de tudo...

-O quê? Ela morreu? Não..não..pelo amor de Deus, não me diga isso!- Dizia Sherlock sem chão.

-Sr. Holmes acalme-se. Ela não morreu. Ela está em coma.

-Em coma? Mas como? Por quê? Meu Deus... — As perguntas saiam de sua boca numa velocidade incrível, pois ele não acreditava no que estava acontecendo.

-Sr. Holmes, a Molly teve uma hemorragia pós-parto, e após os procedimentos necessários, nós a colocamos em coma induzido para que seu quadro se reverta, as próximas 72 horas serão cruciais para sua recuperação. Depois desse período, começaremos a reduzir as medicações para que ela reaja. Fique calmo senhor Holmes, ela está em boas mãos... a propósito, sua filha está no berçário e o senhor já pode vê-la.

Sherlock estava chocado, não mexia um músculo sequer e só depois da última frase da doutora é que lhe caiu a ficha que ele tinha uma filha. Chegou de mansinho no berçário e viu ali, dentro do pequeno berço, a garotinha de macacão cor-de-rosa, presente do tio John e tia Mary. Lágrimas brotaram de seus olhos sem nenhum esforço, sua filha e de Molly. Ele nunca imaginou que um dia estaria nessa posição. Ser pai. Nunca imaginou um dia alguém dependendo dele e aquela garotinha precisava dele agora mais do que nunca. Só conseguia pensar em Molly, o que ele faria sem ela? O que seria de sua vida?

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Just to know we're safe

Só para saber que estamos seguros

I am a grateful man

Sou um homem grato

This light is bit of light

Essa luz é um um pouco de luz

And I can see you clear

E eu consigo te ver claramente

Have you take your hand, and feel your breath

Te ter, pegar a sua mão e sentir sua respiração

For fear that someday will be over

Com medo de que algum dia isso vai acabar

I pull you close, so much to lose

Puxo você para mais perto, há muito a perder

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As 72 horas que se passaram foram as mais longas de sua vida, tinha o apoio de John e Mary que não saíram de seu lado um minuto sequer. A doutora veio lhe informar que já havia começado a diminuir as medicações de Molly e que a partir de agora ela deveria reagir ao coma.

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Sherlock sempre foi péssimo com as palavras. Magoava as pessoas na velocidade da luz sem pensar nas consequências. Ele era assim, afinal era Sherlock Holmes. Mas havia uma única pessoa que conseguia lhe deixar fora de prumo e essa pessoa era Molly Hooper. Percebeu como ela mexia com seu coração – sim, ele tinha um – quando ela lhe apresentou Jim, seu novo namorado da área de tecnologia do hospital e Sherlock fez questão de dizer a ela que Jim era gay. Mas no fundo o que ele sentia era ciúme e um dia percebeu que esse amor era recíproco. Como conseguiu ser tão estúpido ao não perceber que Molly estava apaixonada por ele também?

Ao longo do tempo ele foi percebendo o quanto Molly tornara sua vida diferente.

Agora tinha cor, tinha vida. Tinha amor. Casaram-se num lindo dia de outono. Ela parecia um anjo ao entrar na igreja no vestido de renda que havia sido de sua mãe e ele sempre impecável em um terno bem cortado. Tudo simples, tudo do jeito que sempre sonharam.

A gravidez veio um ano depois e não poderiam estar mais felizes — e inseguros — com a notícia. Em breve a família ganharia mais um membro Holmes.

-Sherlock! Sherlock corre aqui! – Molly gritava do banheiro. – Acho que minha bolsa estourou! Está na hora!

As palavras de Molly ecoaram em sua cabeça. “Está na hora! Está na hora!”. Enfim, o grande dia chegou, Sherlock iria se tornar pai. Será que conseguiria?

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-Sherlock você está ouvindo? – Perguntou John o tirando de seus devaneios.

-Ah, sim, claro...o que foi?

-A doutora está dizendo que você pode ver a Molly se quiser.

-Ela acordou? – Perguntou esperançoso.

-Não senhor Holmes, sinto muito. Acredito que ainda levará um tempo para isso acontecer – disse a doutora.

O tempo parou.

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Oh, it's a fragile thing, this life we lead

Oh, é uma coisa frágil, essa vida que levamos

If I think too much, I can't get over

Se eu pensar demais, não consigo suportar

Whelmed by the Grace

Impressionado pela graça

By which we live our lives

Pelos quais vivemos nossas vidas

With death over our shoulders

Com a morte sobre os nossos ombros

Want you to know, that should I go

Quero que você saiba, que eu deveria ir

I always loved you, held you high above, true

Eu sempre te amei, você estava acima de tudo, verdade

I studied your face, and the fear goes away

Eu conheço sua expressão, o medo vai embora

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-Papai...papai...hoje é dia de visitar a mamãe no hospital? – Perguntou a saltitante menina de olhos infinitamente azuis e cabelos castanhos cacheados.

-Sim querida e não se esqueça de pegar seu livro histórias, você sabe que ela fica feliz quando lemos para ela.

-Sim papai! – E saiu pulando pela porta da Baker Street.

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-Oh! Mas a que devo a honra dessa visita?- Disse Molly em meio a papeis e microscópios.

-Mamãe! Mamãe! Olha o que eu trouxe pra ler pra você hoje!

-Nossa! Muito bom! A Study in Pink! -Molly olhou o livro ainda não acreditando, só podia ter sido ideia do pai.

-Não olhe assim para mim, não tenho culpa se ela tem bom gosto. – Disse Sherlock com as mãos para cima se defendendo.

-Eu sei que ela puxou pra você, parece filha só de pai essa criança!- Falou Molly rindo.

-Molly não fale assim! Você sabe o quanto sofri nos dois anos que você ficou naquela cama de hospital. Foram tempos terríveis que não quero lembrar nunca mais. Achei que você não voltaria para nós.

-Shhh... – Molly colocou o dedo indicador em cima dos lábios de Sherlock. -Estou aqui, voltei para vocês, voltei para nossa felicidade.

Permaneceram abraçados, olhando aquela linda menina cheia de vida que alegremente lia SirArthur Conan Doyle.

Notas finais
Espero que tenham gostado e eu não tenha fugido do tema.
COMENTEM! Plis!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!