3º Desafio Sherlolly

1 A Inesperada Cegonha


Notas iniciais
o/ Um tema bem difícil para mim esse. Então, se tiver algo que não faça sentindo, relevem! :D

Molly agarra firmemente o braço de Mary. Suas unhas cravando na carne dela.

– Você não pode contar! Prometa!

Um zumbido invadiu seus ouvidos. O chão sumiu de baixo dos seus pés. Molly sentia o mundo rodar. E não, isso não tinha nada a ver com a pequena ervilha que agora se formava em seu ventre. Estava mais para o pânico que ela começou a sentir quando começou a reparar nos sintomas, a ida até a casa de Mary, a compra de um exame de farmácia, o resultado. Meu Deus, o resultado!

– Molly, solte meu braço. Você vai ter que contar para Sherlock.

Sherlock. Outra parada em seu coração. Mais uma dessa e ela enfartaria. Como poderia contar para Sherlock? Como? Eles nem estavam em algo sério. Ou estavam? Sherlock com um filho? Ele a mataria quando soubesse. A rejeitaria com certeza. Todo mundo, inclusive ela, sabia que ele era casado com o trabalho e nunca quis ter uma família. Eles se relacionarem já foi algo totalmente fora do padrão. E mesmo assim, não era um relacionamento exatamente comum. Se viam toda semana, trocavam mensagens e etc. Mas nunca tinham falado na palavra "relacionamento", muito menos em FILHOS.

– Não posso. — Molly balbuciou.

– Como não? Você fez o filho sozinha? Molly, vocês estão juntos há quanto tempo? Cinco, seis meses?

– Sete. Mas ele nunca aceitaria. Não, não posso contar. Não é tão simples assim, Mary. Deus, o que eu fui fazer?

Molly levou as mãos ao rosto. Ela nunca tinha se descuidado. Já por saber que Sherlock não queria filhos. O que tinha acontecido? Não sabia. Alguma falha impossível de acontecer tinha acontecido. Agora entendia o que vinha sentindo. Cólicas, náuseas, cansaço. Achou que seus seios estivessem maiores, mas descartou a ideia no início. As pílulas que ela tomava não permitiam que ela menstruasse, por isso não reparou antes.

– Então o que você pensa em fazer? Vai esconder isso para sempre?

– Não sei... Eu...

Ela levou as mãos à barriga, agora percebia que já estava começando a aparecer. Iria ser mãe! Mãe! Sentiu-se uma pequenina ponta de felicidade em meio a tanto desespero.

– Molly, você precisa descansar, pensar e marcar um médico. Isso é um choque muito grande, depois de dormir um pouco você vai ver seus pensamentos clarearem.

Concordou com Mary. Sentia-se extremamente cansada. Deixou que a amiga a levasse para casa. Talvez, depois de se alimentar e dormir soubesse melhor o que fazer.

Chegou em casa e viu uma mensagem de Sherlock em seu celular. Tentou responder de maneira habitual, sabia que a menor das falhas levantaria a suspeita no detetive.

Após deitar-se e cochilar por alguns minutos, ela fez o que já devia ter feito e marcou um médico. No dia seguinte saberia se sua ervilha estava saudável e quanto tempo tinha de gravidez. Tremia só de pensar nessa palavra. Ela estava grávida. Para sua sorte, Sherlock avisara que estaria ocupado naquela noite. Então, pode adiar se preocupar em como seria quando o encontrasse.

No dia seguinte, sentiu-se apreensiva na sala de espera do hospital. Quantas grávidas! Todas felizes e em estágio avançado de gravidez. Será que ela estaria sorridente assim quando estivesse com esse barrigão? Deu um sorriso triste, esperava que sim.

Quando entrou no consultório viu pequenos detalhes na decoração que lembravam bebês. Agora seus olhos seriam atraídos para isso a todo momento? Tudo que fosse fofo?

A médica percebeu o quanto ela estava apreensiva, ainda mais pelo fato de estar sozinha. Notou que não havia uma aliança. Tratou de tranquilizá-la. Molly respirou aliviada quando simpatizou com a médica logo de cara. Sentiu-se à vontade para tirar todas as dúvidas e medos que tinha. Descobriu que estava já passando dos três meses de gravidez! Isso a deixou chocada. Logo poderia descobrir o sexo!

Quando ouviu o forte som do coração de sua ervilha batendo, lágrimas brotaram em seus olhos sem que ela percebesse. Estava emocionada. Muito emocionada. Por alguns momentos esqueceu-se de todos os problemas que teria que enfrentar e tudo que passou pela sua cabeça foi ter seu bebê nos braços, depois vê-lo correndo pela casa, ler para ele até que durma, vê-lo crescer. Como a pior coisa da sua vida podia ser a melhor?

Caminhou um pouco mais leve na volta para casa. Desde que não pensasse em Sherlock as coisas ficavam bem. Ele iria à sua casa essa noite, mas Molly não se sentia pronta para contar. Não queria contar. Faltando pouco tempo para que ele chegasse, ela enviou uma mensagem dizendo para adiarem porque ela estava com muita dor de cabeça e iria dormir. Claro que isso seria o que faltava para ele desconfiar que havia algo errado. Nunca tinha feito isso antes. Mas quem se importa? Ela, claro. Enfim, tudo que ela precisava agora era de tempo. Um tempo assim, eterno.

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Sherlock só faltava arrebentar a porta da casa de John e não eram nem sete horas da manhã de um SÁBADO. Entrou atropelando o amigo quando o mesmo abriu a porta.

– Molly está me deixando?

John o encarou sem entender nada. Achou que a porta da sua casa estava sendo demolida e saiu correndo. Era só Sherlock.

Mary descia às escadas no mesmo estado, tinha ido conferir se a filha deles não tinha acordado com todo o tumulto. Viu Sherlock preocupado como se uma guerra tivesse explodido Londres.

– Por que pergunta isso? O que aconteceu? — Já começava a ficar preocupada. Molly ainda não tinha contado da gravidez e isso estava se enrolando e crescendo como uma bola de neve.

– Ela tem estado estranha. Quase não me manda mensagens. Verifiquei e ela não foi por dois dias ao St. Barts. E ontem desmarcou nosso encontro!

– Ah Sherlock, ela só disse que estava com dor de cabeça, pare de dramatizar. – Percebeu, quando os olhos do detetive fixaram-se nela, que tinha falado demais.

– Como você sabe que ela me disse que estava com dor de cabeça? Mary, não minta e nem fuja. Quero saber agora.

Mary olhou para o marido, que só deu de ombros para ela. Grande apoio. A gente se casa para ter esse tipo de apoio quando precisa.

– Sherlock, sente aqui. Molly está passando por alguns... problemas.

Ele ficou ainda mais preocupado com essa frase. Isso não estava funcionando.

– Que tipo de problemas?

– Do tipo alguma coisa aconteceu e não deveria ter acontecido.

Sherlock ficou exasperado. Levantou-se.

– Dá para alguém nessa sala ser direto? — Já estava perdendo a paciência que não tinha.

– MOLLYESTÁESPERANDOUMFILHOSEU! — John soltou de uma só vez, sem respirar. Fazendo Mary tampar os olhos com a mão e balançar a cabeça. Puta merda, por que John tinha que abrir a boca?

Os olhos do detetive voaram até o médico. Agora sai um crime, Mary pensou.

– Então é isso?

Mary espiou por entre os dedos. Por que Sherlock não estava surtando?

– Sim, é isso.

– Ela finalmente descobriu?

O casal Watson se olhou. Agora quem não estava entendendo nada eram eles.

– Ora, vamos lá. Eu não demorei nem um dia para perceber quando você, Mary, estava grávida. Acha que eu ia demorar quanto tempo para perceber que Molly estava grávida? Não sei se vocês sabem, mas vejo-a quase todos os dias, inclusive nua. Estava esperando ela descobrir e me contar. As mulheres gostam dessa parte, não?

– Não! — John e Mary disseram juntos para a surpresa de Sherlock.

– Molly está preocupada por você não aceitar, Sherlock. — Mary continuou. — Você nunca quis um relacionamento, uma família, etc. Ela está aterrorizada pela possibilidade de você rejeitá-la, culpá-la pelo o que aconteceu. Está terrivelmente apaixonada pela pequena ervilha.

– Ervilha?

– Oh, ela chama assim o bebê de vocês.

– Ah, ótimo. Ervilha. Eu já estou em um relacionamento, caso ninguém na face da Terra tenha percebido. Quanto a família, nunca esteve nos meus planos mesmo. Não até que eu me envolvesse com Molly. A ideia de um pequeno Sherlock ou uma pequena Molly me paralisou um pouco no início, confesso. Demorei um pouco para estabilizar a ideia no meu cérebro, mas depois aceitei. Já estava ficando preocupado sobre quando ela iria descobrir e procurar um médico.

– Parece que você esqueceu-se de comentar com Molly sobre esses pensamentos.

– Não é que talvez dessa vez você tenha razão, John? – Sherlock sorriu com ironia para o amigo.

Mary segurou as mãos de Sherlock.

– Vá até ela. Tire esse peso de seus ombros. Ela só quer ser feliz com você. E agora com a ervilha.

– Todo mundo vai ficar chamando meu filho de ervilha agora?

Sherlock sorriu para ela e deixou um beijo em sua bochecha, levantando-se.

– Obrigado. Tenho um problema a resolver, pelo jeito.

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Molly estava deitada na grama, no jardim da sua casa. Fazia um raro dia de calor naquela manhã. Olhava para as nuvens e agora via desenhos fofos em todas elas. Ursos. Anjos. Cachorros. Gatos. Bonecas. Sentia-se leve, tinha empurrado o “problema Sherlock” para bem fundo, pelo menos por agora. Usava um delicado vestido florido. A sensação da grama sob seus pés dava uma sensação de paz.

Como decoraria o quarto de sua ervilha? Rosa? Azul? Estava tão curiosa. Com o que gastaria dinheiro, carrinhos ou bonecas? Olhava admirada para a pequena roupinha que tinha comprado na volta do médico. Um macacão branco. Tão pequeno que ela tinha dúvidas se aquilo podia vestir uma criança. Riu sozinha em imaginar seu bebê vestindo aquela roupinha, em seus braços.

Deixou o pequeno macacão pousar sobre sua barriga e colocou a mão sobre ela, fazendo carinhos. Ainda se pegava surpresa por estar gerando um novo ser.

Fechou os olhos, os raios de sol batendo em seu rosto, imaginava mil situações com seu pequeno bebê. A primeira palavra, o primeiro dia na escola, o primeiro machucado. Pensou em Sherlock e seu coração apertou. Tudo seria mais perfeito com ele ao seu lado.

Então, percebeu uma sombra que tampou a claridade que batia em seu rosto, seguida do movimento de alguém sentando ao seu lado. Reconheceu o perfume e ficou com medo de abrir os olhos. A roupa do bebê ainda encontrava-se em sua barriga, assim como suas mãos. Como poderia ter uma explicação para isso?

O silêncio se prolongou. Ela podia ouvi-lo respirando ao seu lado, ainda não tinha coragem de olhar para ele. As mãos ficaram tensas sobre a barriga e ela agarrou o pequeno macacão.

De repente as mãos dele cobriram as suas. Espere, as mãos de Sherlock estavam sobre as suas, que estavam em sua barriga? Abriu os olhos, espantada, para encontrar Sherlock sorrindo encarando o lugar onde a pequena ervilha se criava.

Devo ter dormido enquanto olhava as nuvens.

– Você podia ter me contado. — Ele a encarou ainda sorrindo. Molly estava sem palavras. — Comprei algo para você.

Ele tirou do bolso uma caixinha e puxou de dentro dela uma delicada corrente. Molly sentiu lágrimas de alegria em seus olhos quando viu o pingente. Começou a rir que nem boba em meios às lágrimas que escorriam por seu rosto.

Sherlock deitou-se ao seu lado, virado para ela.

– Posso conhecer nosso filho?

Ela assentiu, ainda sem saber o que dizer. Segurava agora a gargantilha que ele tinha dado a ela. Viu-o pegar delicadamente a roupa do bebê e olhar por um momento antes de colocá-la ao seu lado.

Sherlock sorriu ao olhar para a barriga dela, mal dando para notar uma pequena saliência. Levou a mão cuidadosamente até ela, deixando que repousasse ali.

Oi ervilha, ele pensou. Mas nada disse. Só deixou que sua mão ficasse ali, fazendo leves carinhos. Imaginou uma menina de cabelos castanhos e doces olhos amendoados correndo por aquele jardim. Ou um menino de cabelos bagunçados pedindo ajuda para lição de casa.

Tinha ficado em pânico logo que percebeu que provavelmente ela estava grávida. Ficou sem saber o que faria. Se seria um bom pai. Recorreu à última pessoa que imaginou: Mycroft. Fora o irmão, que em meio a piadinhas, o tranquilizou e o lembrou que exemplo de bons pais não faltavam a eles. E agora ele estava ali. Sentindo uma emoção que parecia impossível para ele há meses atrás. Olhou para Molly. Mãe de seu pequeno filho. Também tinha achado impossível amá-la, e olhe agora. Chegou a pensar que tendo um filho seu amor se dividiria, mas viu ele se multiplicar exponencialmente.

Lembrou que nunca tinha dito a Molly que a amava. Era sempre “eu também” quando ela dizia, ou no máximo a beijava. Talvez por isso ela não teve coragem para contar a ele algo tão importante. Aproximou-se ainda mais dela e a puxou junto de seu corpo, sentindo o doce perfume que vinha dela. Olhou para aqueles olhos castanhos brilhantes que ele tanto gostava, banhados em lágrimas. Enxugou algumas que teimavam em escorrer.

– Amo você, Molly. Todos esses meses a única coisa que eu faço é amar você. Nunca disse isso antes, nem sei por que, mas estou dizendo agora. – Levou novamente a mão à barriga dela. — E também amo nossa pequena ervilha.

Molly não conseguia segurar as lágrimas. Esse negócio de ficar grávida deixava-a ainda mais sentimental. Percebeu que Mary devia ter contado tudo a Sherlock. Iria matá-la depois, mas agora precisava fazer outra coisa. Virou-se para Sherlock, seus corpos frente a frente agora. Deslizou os dedos pela lateral de seu rosto, sussurrando um pedido de desculpas. Chegou aos seus cabelos e deixou que sua mão parasse ali, enrolando os dedos entre eles. Ele a puxou e ela deitou-se sobre seu corpo. Os olhos dele ficavam ainda mais verdes com o sol e Molly sentia-se perdida dentro deles. Ele limpou mais algumas lágrimas dela e sorriu. Sherlock segurou-a firmemente pela cintura. As mãos dela continuavam fazendo carinhos em seus cabelos. Então ela aproximou lentamente os lábios dos dele.

Quando os tocou soube que seu mundo estava finalmente completo.

Notas finais
Espero que não tenha ficado tão ruim... Não sei se o link para o pingente foi certo, caso não tenha ido, vocês podem ver aqui: http://www.garimpopresentes.com.br/image/cache/data/Joias_BDG/PINGENTES/0401043-1000x1000.jpg Até o próximo desafio! :D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!