2Shy - A Continuação
4 Capítulo 4: There's Nothing Holdin' Me Back
Notas iniciais
Capítulo 4: There's Nothing Back
Percy
Nos falamos por WhatsApp e eu acabei de contar minha vida para ela – mas isso não é importante agora – e ela me contou que foi para Birmingham e passou a semana lá, com os pais, voltou na quinta de manhã, então combinamos de nos vermos na sexta depois do meu trabalho. Ela disse que iria me esperar em frente a Abadia de Westminster depois do meu trabalho, nós iriamos para Camden.
Eu fui lá somente uma vez, assim que cheguei aqui, foi legal mas nunca mais tive vontade de voltar. Me senti um pouco deslocado com a música psicodélica, emos e rastafáris misturados, não é meu estilo, essa mistura sonora toda, apesar de gostar da maioria dos gêneros musicais.
Enfim, eram por volta das 16:00, mais uma aula e eu poderia sair da St. Mary, mas antes eu tinha que dar aula no coral do 7o ano, era uma das piores turmas da escola, musicalmente falando; os meninos eram desafinados, – normal para idade – as meninas ficavam cabulando a aula, eles não estudavam a música e não sabiam as notas.
Era um inferno.
Quando entrei no auditório Noah Vermont já estava discutindo com Faith Kava, eles são aqueles alunos baba-ovo – são dois chatos para dizer a verdade – O trio maravilha, Debby Jones, Bonnie Samson e Ava McKee, nem apareceram; Quentin Goldberg e Harriet Lane já estavam dançando. Eu cheguei e já fiquei cansado, nem me preocupei com o resto dos alunos, era só mais um dia típico de aula.
— Ok pessoal, se agrupem por favor, se vocês se comportarem, podem escolher a música do final da aula.
…
Annabeth
Eu fiquei do lado de fora da igreja, observando o estilo gótico, os detalhes, até que alguém me deu um susto, parando ao meu lado e falando: “Tudo bem, Sabidinha?” Eu cheguei a pular e pôr a mão no coração, querendo matá-lo.
— Pelo amor de Deus, Percy! Isso não é coisa que se faça! — eu disse, praticamente gritando, enquanto ele se contorcia de tanto rir.
— Acredite, sua cara foi impagável. Ficou toda franzida e agora você está bem rosa, não chega a estar vermelha. — Percy disse ainda rindo um pouco e eu levei minhas mãos ao rosto, querendo esconder um pouco da minha vermelhidão. — Enfim, me leve para Camden.
Ele me deu o seu braço, e fomos andando até a estação, não demorou muito para chegar na estação, mas tivemos que pegar uma baldeação para chegar em Camden. Nós conversamos no vagão, ele me contou como foi o seu dia, como queria ter ido embora mais cedo hoje, só por causa do último tempo e eu, só queria que chegássemos logo, porque hoje ele é meu – eu estou falando sério, eu vou levá-lo para minha cama, eu fiquei a tarde inteira limpando meu apartamento só para isso – Sim, eu estou com altas expectativas.
— Vou te levar para uma lanchonete que fica na beira do canal, é de comida italiana. — eu disse enquanto ele observava as pessoas, ele não deve estar acostumado.
— Eles servem lasanha? Porque eu estou querendo comer lasanha faz um tempo. — assenti e depois de um tempo ele continuou – Existe… assim… hipoteticamente falando… uma razão para comermos tão longe do centro do bairro?
— Sim, não só uma mas duas razões; — vamos fazer um suspense – A primeira, o centro está cheio hoje, e eu moro a duas ruas do canal.
Ele me deu seu sorriso sacana e eu retribui, um burburinho de conversa e um jazz foi ficando mais audível conforme íamos chegando perto da esquina. Então vimos o canal, a margem tem tantas árvores e barracas de comida que somente em alguns pontos podemos realmente ver o canal, ou quando passamos em umas das pontes para pedestres.
Andamos um pouco pela rua, enquanto Percy murmurava a música que tocava do Frank Sinatra, e chegamos na Madre Roma. Ele pediu a sua lasanha tradicional – a bolonhesa – e eu pedi uma Pasta Alfredo de camarões.
Sentamos em uma das mesas que ficavam em frente a barraca enquanto esperávamos Giuseppe chamar nossa senha.. Nesse lado do canal as áreas de alimentação eram decks cobertos por claraboias sustentadas por armações de ferro de forma que pudéssemos ver o céu de dia.
— Como foi ir em Birmingham? — perguntou Percy, triando-me dos meus devaneios sobre a claraboia.
— Foi bom ver minha família, minha mãe reclamou que eu não ligo mais para ela, fez um drama. — ele riu um pouco.
— Minha mãe faz a mesma coisa. “Meu lindinho ligou para mamãe!” ou “ Poseidon, venha falar com o nosso bebê” — ele imitou a própria mãe com ironia, mas ele falava muito dela, e da família com carinho.
— Ela por acaso fez uma festa de ‘boas-vindas’ para você e chamou quem não devia? Porque a minha mãe fez isso.– eu disse um pouco irritada, e esperava que ele fosse insistir nesse assunto, mas ele só sorriu e apertou minha mão, que eu nem percebi que ele segurava.
— Bem Annie, eu te contei a minha vida da última vez que nos encontramos, então eu acho que é sua vez. — ele disse como quem não quer nada.
Eu lhe dei um sorriso mínimo e me ajeitei na cadeira de plástico.
“Vamos lá… Eu cresci em Birmingham, tenho vários amigos lá, mas eu nasci em Estocolmo, na realidade minha família é sueca. Meus pais vieram para cá depois que minha mãe foi transferida para cá, eu só tinha 3 meses, então minha infância se resumiu em viajar para Estocolmo nas férias, estudar na escola do meu bairro, fazer aulas natação e encher o saco dos meus pais pedindo um cachorro ou uma irmã, talvez um irmão. Antes que você pergunte, não tive/tenho irmãos ou cachorros. Hoje em dia tenho um gato, Kattdjur. O nome dele é literalmente ‘gato’, só que em sueco.”
— Vou pegar a nossa comida. — Percy disse se levantando e voltando com a comida em suas mãos e uma sacola de plástico no braço.
— Vamos. — eu disse levantando-me e pegando minha comida voltando pelo caminho em que viemos, deixando-o atordoado.
— Vamos aonde? — ele perguntou no meu encalço.
— Para o meu apartamento, daqui a pouco vai ficar mais fria a noite. — ele assentiu e voltou a me ouvir.
“Quando era adolescente as espinhas apareceram e todas as deformidades que os hormônios podem proporcionar também, então o início da minha adolescência foi uma montanha-russa emocional, e as pessoas não se aproximavam muito. Só que um dia a puberdade chega, e eu continuei isolada dos outros, só que desta vez eu tinha Hazel e Calipso, éramos basicamente as três esquisitas do nosso ano, tirando isso o ensino médio foi bem tranquilo.”
— Chegamos. — eu abri o portão do prédio, então passamos pelo estacionamento até chegarmos no hall e pegarmos o elevador, não demorou muito e chegamos no 4o andar.
Eu liguei a luz e deixei a minha comida na mesa de centro da sala. Mandei Percy sentar no sofá e avisei-o que pegaria nos talheres na minha minúscula cozinha.
— Gostei da sua decoração. — ele comentou abrindo nossas quentinhas e pegando um dos talheres.
— Obrigada. – disse encostando-me no sofá pronta para contar a parte que eu não gosto e mais recente.
“Voltando a minha vida. Eu fiz faculdade na Universidade de Birmingham e depois de dois anos longe das minhas amigas, fiz novas amizades e conheci uma pessoa. Keith Gordon, ele era três anos mais velho, e estava a dois períodos a frente; era bonito, tinha uma boa conversa. Começamos namorar pouco tempo depois que nos conhecemos, antes minha atração por ele era platônica, até que Thalia, uma amiga, nos apresentou. Namoramos por dois anos e ano passados estávamos noivos. Só que um dia, saindo do estágio, eu o vi saindo de um bar com uma mulher da idade dele e com uma criança em seu colo. Eu o segui e descobri que na realidade ele era bígamo, seu nome na realidade era Ryan Carlson e que não era a primeira vez que ele fazia isso com a esposa. Enfim, eu terminei com ele, e apesar de ter dito para a esposa dele quem ele era de verdade, ela continua com ele e eu fiquei com uma má fama em Birmingham. Depois que me formei recebi uma proposta de trabalho aqui em Londres, então aqui estou eu.”
— Uau… que babaca! Quer que eu dê um jeito nele? — ele perguntou claramente irritado.
— Não precisa, é desnecessário, mas eu fiquei apreensiva de te conhecer por causa disso. — ele me escutava atentamente – Eu te vi na estação uma semana antes de Calipso te abordar e passei lá todos os dias antes disso, por favor não me chame de louca.
Eu esperei sua reação mas ele ficou paralisado.
O que eu fiz?
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