The Last Act
The Last Act
Kapitel 17 min Lesezeit

Capítulo 1

Capítulo único – The Last Act [Suzaku x Lelouch]

- Não tem outro jeito de fazermos isso, não é? – Suzaku perguntava, numa última tentativa de esperança para os dois amantes.

- Se houvesse eu jurava que faria agora mesmo. Sei que é difícil pra você, mas você terá de carregar esse fardo. O meu fardo. – Lelouch respondia sério demais, triste demais.

Era a última semana do reinado do império maligno de Lelouch Zi Britannia; e com isso os dois ultimamente tinham muito aquele tipo de conversa, talvez para amenizar a dor de ambos, ou esquecer por um breve momento que estavam sem saída e aquilo servia-lhes como um lembrete do triste destino que os aguardava.

Embora tudo isso causava tristeza e um buraco sem tamanhos no peito do moreno, não havia nada que podia ser feito, nem por ele, ou pelo seu amado. Tudo o que deveria ser feito já estava em andamento e no mais perfeito estado. O réquiem Zero estava prestes a dar início à uma nova era. Um novo futuro, escolhido por Lelouch, mas sem ele presente.

Suzaku atuaria como o salvador, e sua existência em si. O nome Suzaku morreria junto com o coração do menor, levando toda a frustração de anos de dor, levando a guerra, a fome e as intrigas entre os países para o mais profundo sono. Nenhum dos dois queria a separação, não agora que finalmente poderiam se amar livremente. Suzaku era bom demais para deixar que o Japão se tornasse um reino extinto pelo falso império de Lelouch; já este era obstinado demais para salvar sua pequena irmã e reconstruir aquele mundo fatídico.

X


O novo imperador estava em seus aposentos, esperando à chegada de seu amado, em um último momento de paz. Não que eles ignorassem tudo ao seu redor naqueles momentos de paixão; mas era uma compensação pelo que estava por vir. Dado meio-dia o cavaleiro retornava de sua última batalha e anunciava o cumprimento de sua ‘missão’ de morte. Os dois se olhavam por longos e melancólicos momentos, enquanto ouvia os calmos pássaros cantarolando do lado de fora do palácio.

O primeiro a dar ação foi Lelouch. Desejoso, levou as mãos até a nuca do maior, encostando sua boca em um faminto beijo. Foi correspondido na hora, e os dois não manifestaram uma palavra sequer. A hora estava chegando. A morte estava chegando. Mas antes dela, os anjos cairiam sobre os dois, lhes protegendo naquele ato pecaminoso, mas que nenhuma forma, e nem mesmo as maiores divindades poderiam condená-los por isso. Não eram santos, eram somente humanos comuns como qualquer outro que perece ao chão seco do mundo.

Roupas eram tiradas rapidamente, os atos eram ferozes e procuravam mais tato um do outro, o atrito que fazia as peles aquecia o ambiente e dava lugar aos gemidos de satisfação do moreno ao ser estimulado em seu íntimo. A cama, tão espaçosa quanto parecia, se tornava pequena para o que estavam fazendo. Parecia que tudo estava muito longe deles, como se houvesse uma distância enorme entre os corpos. Tentavam juntá-los, aquecê-los e apreciar cada movimento que faziam, todos sendo conscientes. Se fosse em dias normais, ou com casais normais, isso aconteceria de forma mais natural, os corpos sendo estimulados e correspondidos. Mas eles não tinham esse tempo todo. As mãos eram apressadas, e em nenhum momento deixava de tocar um ao outro, os movimentos que seriam levados normalmente eram cheios de luxúria e tristeza ao mesmo tempo.

Um primeiro grito saiu da garganta do moreno ao ser invadido por dedos que, mesmo úmidos e preparados, ainda causavam grande incômodo inicial no menor. O jovem imperador arfava, mas pedia por mais. Não demorou em ser atendido e os finos dedos que o preparavam foram substituídos pela ereção de Suzaku.

As paredes do menor lhe apertavam firmemente, sugavam-no, desejavam-no. Doía tamanha era o desejo contido nos dois corpos para o ato; mas mesmo assim foram tentando saciar um ao outro. Os beijos agora eram direcionados às outras partes do corpo de Lelouch, pois a boca estava tentando puxar o ar que as narinas não conseguiam. Quando a língua quente chegava aos pequenos e rosados mamilos rosados, era como se o corpo do moreno levasse choques elétricos, que eram passados para o maior, já que estavam conectados.

Os gemidos eram de ambos os amantes, saiam conforme a respiração aguentava. Somente esse som não era algo proposital, desejado; apenas saía. Descompassadamente eles iam chegando perto do clímax, claramente percebidos pelo som que chegava aos ouvidos deles; de prazer, de dor, sem pudor algum.

Isso foi repetido pelo menos três vezes, antes do menor cair inconsciente. Aquela foi a maior e melhor sensação que seu corpo sentiu e sentiria na curta vida do moreno, e a inconsciência não fora pela dor, mas pelo prazer excessivo que transbordava de ambos. A última sensação prazerosa, que eles fariam por desejo, por livre e espontânea vontade fora aquela. Não era natural como a morte, não era desejada pelos corpos, mas sim feito pela consciência pesada de ambos que sabiam que não haveria chances para mais nada. Depois o que restou foram à exaustão e o forte cheiro da fragância dos corpos de cada um, sendo impregnado até nas roupas jogadas no chão.

Suzaku levantou-se, estava exausto, mas precisava de um banho. Entrou na banheira onde ficou por longos vinte minutos –pelo tempo em que ainda restava para eles, cada minuto parecia um segundo, muito mais depressa do que era de fato-.

Saiu calmamente e depois de se vestir, pegou o corpo adormecido de Lelouch e o levou para a banheira, com sais e outras coisas. Mesmo depois do banho com várias perfumarias distintas, o cheiro impregnado nas roupa e na superfície da pele de ambos era muito forte. Não era a o cheiro de apenas um, mas sim de ambos. Aquilo subia nas narinas de Suzaku fazendo-o aquecer por dentro, relembrando o amor que continha em todos esses anos, mas que só agora conseguia expressar verdadeiramente, às vezes como agora, excessivamente.

Levou o corpo limpo de Lelouch e o vestiu com as mesmas vestes de antes, aquele sobretudo branco com bordas douradas, exalando à realeza da qual pertencia.Não havia motivos para trocar de roupas, pois aquilo seria inútil. Cada peça de roupa deles estava impregnada com o mesmo odor, a mesma fragância que preenchia a felicidade, relembrando os momentos de amor. Dizem, também, que o olfato é um dos principais fatores de memorização do ser humano. Agora eles acreditavam veemente nisso. Mas assim como lembravam do olfato, lembravam das formas, da visão dos corpos desnudos e cheios de desejo, da temperatura exalada, tudo.

O próprio vestiu-se com as roupas negras de Zero, deixando agora apenas a face descoberta. Assim que Lelouch despertou, eles se despediram com um beijo voluposo, cheio de tristeza e melancolia. Mas cheios também de felicidade, e um adeus escondido.

A hora do Réquiem Zero começou momentos depois. A verdadeira despedida deles fora no quarto do palácio, naquele beijo; mas ainda assim a dor de ver o sangue do amado escorrer por suas próprias mãos ainda o fazia sofrer. Suzaku chorou não apenas naquele dia. Seu coração choraria por toda a sua existência, carregando aquele fardo deixado por seu amado.

Eles poderiam descobrir o verdadeiro objetivo do Réquiem Zero, mas nunca saberiam aquele último ato; aquela ultima despedida e muito menos o odor dos dois, que impregnaria o palácio para a eternidade, e o cheiro que ficaria em Suzaku, como se Lelouch o envolvesse, ainda que esteja em outro plano adormecido.

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