24 de Abril
1 24 de Abril
Notas iniciais
Chequei meu celular só mais uma vez
Só pra ter certeza
Que não era o primeiro dia desse mês.
Os gritos ecoando ainda alto na memória
Uma guerra onde sequer há aquilo que chamam de vitória
Ninguém me avisou que era isso que eu ia encontrar quando vim pra esse mundo
E agora eu te pergunto
Valeu a pena pra ver aquelas lágrimas lavando esse chão imundo?
O cheiro das ruas impregna as suas vestes
Pra que? Pra que?
Ao som das algemas que vão te escoltar da zona oeste
Pra que? Pra que?
De amargura que causou vai ter que conseguir viver
Pra que? Pra que?
Pra sentir na carne a dor daquela que te amou desde bebê.
Te deram tudo pra tu ser um homem de verdade
Disseram pra você, quando tu não tinha nem idade
Cresça forte, confiante, entre as quedas e lamentos
ache teu talento, motivação, amor e um sustento
“cresce e apareça”
Mas certeza que não era atrás das grades cercado por toda a imprensa.
Sem rede pra cair, em meio a corda bamba
Entre a fogueira e o revolver, a cruz e a espada
Chamem os malabares, os elefantes, acrobatas e o caramba
Os palhaços não precisa, por que isso aqui já é uma palhaçada.
O cheiro das ruas impregna em suas vestes
Pra que? Pra que?
Ao som das algemas que vão te escoltar da zona oeste
Pra que? Pra que?
De amargura que causou vai ter que conseguir viver
Pra que? Pra que?
Pra sentir na carne a dor daquela que te amou desde bebê.
Eu não tenho uma carteira de motorista muito menos de trabalho
E o meu lar se despedaça do teto ao assoalho
Costumavam me dizer tudo que eu queria escutar
Agora palavras duras atingem meus ouvidos mesmo que eu comece a chorar.
Com mão tremendo chequei meu pulso novamente
Tentando não sufocar com a fumaça em minha mente
Hey mãe, me diz que não passa de uma piada de mal gosto, ou um plano enfadonho
E que quando eu abrir meus olhos tudo vai ter sido um sonho.
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